a política na vertente de cartaz de campanha

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Runaway Carmona

run away Carmona Rodrigues

Consta por aí que Carmona Rodrigues anda em parte incerta, a ver motas em Londres, diz-se. Certamente que nada terá a ver com ter-se sabido que passara a (mais um) arguido no caso Câmara Municipal de Lisboa/Bragaparques. A aproveitar, antes, o fim de semana prolongado, com certeza.

E é também o que eu vou fazer. Bom resto de fim de semana e até quarta.


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Presidentes das câmara municipais corruptos

presidentes de câmara municipal corruptos


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Os números dos Dias da Música 2007 - II

Pensei ter encerrado o tema dos Dias da Música no texto "Os números dos Dias da Música 2007" mas dois excelentes textos sobre o assunto, focando outros pontos de vista, trouxeram-me de volta à temática.

São eles:

Eu também não volto a falar dos Dias da Música, por Teresa
Destaco:
«[...]Há um aspecto que me interessa particularmente enquanto musicóloga. A programação da Festa da Música orientava-se por critérios de carácter vagamente historiográfico, pelo que a criação ulterior de discurso estava assegurada. Tinha, portanto, entre outras, uma evidente função pedagógica. Não oferecia apenas o prazer efémero da música ao vivo, mas a possibilidade real de aprender alguma coisa sobre a história da música em sentido lato, assim como sobre a história dos géneros musicais, da interpretação, do percurso dos próprios compositores. Colocava questões e dava perspectivas.

Asseguro-vos, meus caros contertúlios, que ter escutado no mesmo dia, por exemplo, as Variações sobre um tema de Paganini, de Rachmaninov, o Festim da Aranha, de Roussel, prelúdios de Debussy, obras de Chopin e a sonata de Liszt, o terceiro de Prokofiev, Frescobaldi e Bach entremeados por música techno, o terceiro de Beethoven… não leva, intelectualmente, a lado nenhum. As minhas escolhas foram, por força das minhas circunstâncias pessoais, pouco ponderadas. Mas, mesmo assim...[...]»

Alguém que me explique isto dos dias da música, por Henrique Silveira
Destaco:
«[...]30 pianistas, alguns nem devem aparecer no google. Concertos a solo e a duo. Muitos eram pianistas portugueses, mais baratos por causa das viagens, e algumas orquestras: Orquestra de Câmara Württemberg, ORCHESTRUTOPICA, Orquestra Metropolitana, Orquestra Filarmónica da Eslováquia.
Serão 250 músicos no máximo, com muita caridade, mais os 30 pianistas, um percussionista e um cravista. Ficou, mais coisa menos coisa, a cerca de 2100 euros por músico (onde se incluem os músicos das orquestras, que são pagas sempre da mesma forma tabelada e institucionalizada). Conclusão: os preços pagos pelo CCB aos solistas são muito mais elevados do que nos tempos de René Martin e não são inferiores a preços de concerto normal, não existe qualquer economia de escala. [...]

Custo de 2006: [...] Feitas as contas fica a 1400 por músico, e que músicos, além disso vindos (mais de 450) do estrangeiro, com viagens a pagar pelo CCB. [...]

[...]Copia-se descaradamente e despudoradamente o modelo, faz-se uma versão baratucha que putativamente fica a um terço do custo de 2006, ultrapassa-se o orçamento em 50%, chega-se a metade do valor anterior; chamam-se, de caminho, uns nomes ao programador antecedente, finalmente até se diz que não se sabe o que é a Festa da Música, muito edificante, sem dúvida.[...]»


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25 de Abril


Não queria deixar passar o dia sem uma referência 33º aniversário do dia da revolução.

Tinha 6 anos e estava uma manhã primaveril fantástica em toda a aldeia. Eram 10 da manhã e o meu pai e eu íamos a sair de casa para sulfatarmos uma vinha. O nosso vizinho de frente, com quem não falávamos fazia anos, cruzou-se connosco e, surpreendentemente, dirigiu-nos a palavra:

- Então oh vizinho, está a haver uma revolução, sabia?

O meu pai, homem da terra e mais preocupado com a abundância de água para as searas do que com golpes de estado, nem respondeu. Continuámos o passo apressado mas eu estava curioso:

- Oh pai, o que é que aconteceu?
- Xiu, cala-te. Isso não interessa para nada.

A forma receosa como ele me respondera calou-me realmente e só anos depois é que soube o que era uma revolução.

~~~~~~~~ ~~~~~~~~ ~~~~~~~~

Muito se tem dito sobre estes anos em que passámos a viver em democracia. O Jumento dissertou duma forma clarividente sobre o tema das heranças do 25 de Abril, colocando em palavras alguns pensamentos dispersos que por mim se cruzaram. Destaco, em particular, o facto de os portugueses ainda olharem para o Estado como o pai que por eles olha. Mas o Estado somos nós, os políticos apenas tomam conta dele por lhes pagarmos para o fazerem. Enquanto este pensamento não se instalar na mentalidade dos portugueses, nunca se exigirá que os políticos sejam responsáveis e responsabilizados pelas suas acções. Até lá, continuaremos a ver a classe política zelar mais pelos seus interesses do que pelos do país.

Para não me ficar apenas com abstracções, deixo um exemplo concreto. Em 2002, um membro do governo alemão foi notícia porque se tornou público que usara as milhas acumuladas em voos de serviço para uma viagem particular com a sua família. A razão do escândalo era o entender da população que ele estaria a ter um benefício privado à custa dum cargo público e que esse benefício não fazia parte das regalias que lhe estavam atribuídas. Ele admitiu que assim era e demitiu-se do cargo. Um exagero? Talvez, segundo os nossos padrões em que gestores públicos atribuem a si próprios prémios de desempenho, em que autarcas com suspeitos de corrupção são eleitos e, além disso, se mantém nos cargos quando passam a arguidos, em que os gestores dos comboios, água, luz, etc. são cargos de nomeação política, em que .... e a lista continua. Um Exagero? Uma questão de princípio, diria eu.

A transformação que ainda falta acontecer é a classe política deixar de encarar o Estado como o seu porquinho de mealheiro e a população em geral exigir que esse comportamento termine.

PS: para que não restem dúvidas e porque tem andado no ar um certo clima saudosista, estamos inquestionavelmente melhor do que antes do 25 Abril. Por exemplo, lembro-me perfeitamente de partilharmos uma sardinha para cada duas pessoas na minha família.


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Os números dos Dias da Música 2007

Por gostar de elaborar opiniões com algum fundamento, aguardei que saíssem os "números" dos Dias da Música de 2007. Estes são os dados que compilei:


2006
Festa da Música
2007
Dias da Música
Notas
N.º de bilhetes vendidos52,00030,286Dados sobre 2007: link
Dados sobre 2006: listados em: link
Preço do bilhete6.00€6.00€
Custo da festa850,000€600,000€Em 2006/03/23 Mega Ferreira disse: O orçamento para a sua sétima edição (2006) foi de "850 mil euros". Portanto, ou MF "errou" em 2006 ou "errou" agora.
Ver: link

É de notar que, por altura da decisão de cancelar a Festa da Música, tinha sido anunciado que os Dias da Música custariam 450,000€. Estamos portanto perante uma derrapagem de 33% num evento de bastante menor dimensão.
Receita de bilheteira312,000.00€150,613.00€
Patrocínios372,000.00€372,000.00€Desconheço o valor de patrocínios de 2006. Assumo que era pelo menos o mesmo valor de 2007.
Saldo-166,000.00€-77,387.00€

Concluo:
  1. o saldo financeiro em 2007 poderá ter sido menos negativo, mas para sabermos com toda a certeza, seria necessário saber qual o valor dos patrocínios conseguidos em 2006;

  2. a diferença (cerca de 88,000€) não é assim tão grande quanto se pretendia para justificar o fim da festa da música;

  3. e sobretudo, se não fosse a pipa de massa que todos os anos nos vão custar os rabiscos do Berardo, este problema nem se colocaria.


Sobre o Berardo, recordo o que já aqui escrevera [link]:
Segundo o acordo assinado por Socrates e Berardo, o 2º empresta por 10 anos os seus gatafunhos ao CCB. Em contrapartida, o Estado português deve:
- constituir um museu até 31 de Dezembro de 2006 para albergar essas coisas que o Berardo comprou;

- fazer as obras obras no CCB "que venham a mostrar-se necessárias para instalar o Museu".

Além disso:
- "Berardo exercerá vitaliciamente o cargo de Presidente Honorário da Fundação";

- "O Estado tem opção de compra da Colecção Berardo (a que seja constituída pelas obras que façam parte do Anexo)";

- O Conselho de Administração será constituído no regime de paridade, entre o Estado e o Comendador José Manuel Rodrigues Berardo (o quinto administrador será escolhido por acordo).

- "O Estado e o Comendador Berardo, constituirão um Fundo de aquisições para compra de novas obras de arte";

- "O Fundo será dotado anualmente com 500,000.00 euros por cada uma das partes."
Acresce que para este tasco do Berardo o Estado teve que pagar as obras de adaptação do CCB e que ainda será necessário pagar uma equipa de 5 administradores do museu(cinco!!!!!!!!! um dos quais o franciú que foi assessor de Jack Lang!), os necessários funcionários do museu, etc., etc.

Portanto, não houve dinheiro para a música porque se o passou a gastar na massagem ao ego do Berardo.

Opções políticas, dirão. Certo, mas que sejam assumidas em vez de mascaradas com meias verdades.


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Dias da Música, CCB 2007

dias da música ccb 2007

Aconteceu no passado fim de semana os Dias da Música no CCB.

Acabei por assistir apenas ao Concerto nº1 para piano e Orquestra de Tchaikovsky. Uma segunda escolha, já que os bilhetes para os concertos com a Maria João Pires esgotaram com semanas de antecedência. Foi particularmente interessante notar como a malta não consegue estar numa sala de concertos cinco minutos sem tossir. Só posso concluir que os portugueses têm elevada sensibilidade musical. Não de ouvido mas de garganta.

Um aspecto positivo foi ter lugar marcado para este concerto - o que só aconteceu no Grande Auditório, creio. Nas Festas da Música anteriores, sempre achara uma parvoíce não haver lugares marcados, tendo que correr para as salas e fazer bicha à porta das salas.

Foram os Dias da Música melhores ou piores do que as edições da Festa da Música? Não é comprável, já que o conceito é diferente. Nem, no meu entender, é esta a questão polémica relacionada com o fim da Festa da Música. É antes o facto de não haver dinheiro simplesmente por se ter decidido gasta-lo, e em maior quantidade, no quiosque do Berardo. [ver textos anteriores: link].


Duas gracinhas "sacadas" da net (desconheço os autores):

dias da música ccb 2007


dias da música ccb 2007


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La Piovra

No seu post Todos inocentes, todos iguais, o O Restaurador Olex apresenta a lista da Piovra portuguesa.


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Isaltino Morais, o autarca modelo?

isaltino_morais corrupção


Expresso, 20.04.2007 [Link]
Caso das contas bancárias na Suíça
Carlos Rodrigues Lima

Isaltino Morais foi acusado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. É o segundo despacho de acusação sobre o caso das contas bancárias na Suíça.

Isaltino Morais foi novamente acusado pelo Ministério Público por crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Esta é o segundo despacho de acusação sobre o caso das contas bancárias na Suíça. Em 2005, a primeira acusação foi declarada nula por um juiz de instrução. Há duas semanas, Isaltino Morais tinha sido confrontado no Departamento Central de Investigação e Acção Penal com novos factos, e no final desta semana foi notificado da nova acusação.

O processo seguirá agora para a fase de instrução, sendo que em 2006, três juízes do Tribunal da Relação de Lisboa declararam que os "elementos factuais constantes dos autos, fortemente sustentados em termos de prova indiciária, colocam-nos perante condutas delituosas de elevados graus de ilicitude e de culpa, fazendo antever como muito prováveis futuras condenações". Ao apreciar um recurso do presidente da Câmara de Oeiras, os desembargadores Almeida Cabral, Rui Rangel e João Carrola foram até bastante duros com, Isaltino Morais, fazendo questão de dizer que, estando o autarca indiciado por "vários crimes no exercício da gestão autárquica", o facto de continuar como presidente da Câmara de Oeiras é uma situação que "ultrapassa a capacidade de compreensão do normal mas honrado cidadão". [...]
Lusa, 20.04.2007
Isaltino Morais foi constituído arguido em Junho de 2005 num processo relacionado com contas bancárias na Suíça (não declaradas ao fisco nem ao Tribunal Constitucional) e contas no KBC Bank Brussel, em Bruxelas, entre Março de 1994 e Abril de 2001.

Nas investigações então realizadas, o Ministério Público defendeu que, desde que iniciara funções de autarca na Câmara de Oeiras em 1986, Isaltino Morais "recebia dinheiro em envelopes entregues no seu gabinete da Câmara" para licenciar loteamentos, construções ou permutas de terrenos.

[Isaltino dixit] "Após tantos e tantos anos de especulação, de fugas de informação, de crimes de violação do segredo de justiça, dão-me finalmente o direito de me poder defender. [...] Todos aqueles que me elegeram, aqueles que me conhecem, aqueles que conhecem o meu trabalho de autarca, sabem que estou inocente. [... Irei manter-me à frente da Câmara de Oeiras enquanto os eleitores assim o entenderem".

Expresso, Edição 1734, 20.01.2006
Isaltino escondeu 900 mil euros
O autarca movimentou 1,8 milhões de euros através de 11 contas diferentes. Sempre em dinheiro vivo.

DEZ dias depois de se ter demitido, em Abril de 2003, do Governo de Durão Barroso - na sequência das notícias sobre a sua conta no estrangeiro -, Isaltino Morais foi à Suíça fechar a conta do banco UBS (Union des Banques Suisses), que todo o país ficara a conhecer. Floripes, a sua irmã, e o sobrinho Leandro, acompanharam o autarca nesta viagem. Com um propósito: no mesmo dia em que a conta de Isaltino foi fechada, Floripes e Leandro abriram duas novas contas, ambas confidenciais, no UBS. E os cerca de 900 mil euros que estavam depositados na conta de presidente da Câmara de Oeiras passaram, por sua ordem, para as dos seus familiares. Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), Isaltino tentou, assim, ocultar da investigação criminal, entretanto iniciada, o dinheiro que, ao longo de 12 anos, depositou na Suíça.

As movimentações deste dinheiro não ficaram por aqui. De acordo com o MP, em Janeiro de 2004, Isaltino e a irmã voltaram de novo ao banco UBS, em Genebra, e abriram mais duas contas confidenciais - que, por sua vez, receberam o dinheiro das que tinham sido abertas em Abril de 2003.

Quando apresentou a demissão, o ex-ministro do Ambiente disse que a conta na Suíça revelada pelo «Independente» pertencia ao sobrinho Leandro, a quem aconselhava sobre os investimentos a fazer. Porém, o Ministério Público, na acusação contra o autarca divulgada na semana passada, revelou a existência de mais quatro contas em nome de Isaltino Morais, num banco belga (o KBC Bank Brussel), onde acumulou cerca de 70 mil euros. Estas contas foram encerradas há precisamente um ano. O presidente da Câmara de Oeiras nunca declarou as suas quatro contas belgas e as duas confidenciais na Suíça, nem ao Tribunal Constitucional nem às autoridades fiscais - mesmo após a rectificação que o autarca promoveu após a sua demissão.

Motoristas como ‘correio’.
No total, e de acordo com o MP, entre 1990 e 2002, o autarca movimentou cerca de 1,8 milhões de euros em dinheiro vivo, que fez passar por 11 contas diferentes, algumas em seu nome, outras em nome de familiares e colaboradores da câmara (motoristas e o seu assessor Nuno Campilho, entre outros), que usou como «correios» para efectuar os depósitos.

Durante este período, Isaltino exerceu sempre cargos públicos - foi eleito quatro vezes presidente da Câmara e foi ministro durante um ano. O MP conclui, porém, que os salários recebidos por estes cargos não lhe permitiam reunir tais montantes.

O dinheiro dado a Isaltino permitiu-lhe, segundo o MP, comprar casas, gastar em proveito próprio e até pagar despesas das quatro campanhas eleitorais em que se candidatou.

Isaltino Morais foi acusado formalmente, no início de Janeiro, da prática dos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal. Na semana passada, e após ter sido conhecida a acusação, o autarca declarou-se totalmente «inocente» e acusou o MP de fazer «acusações virtuais», tendo anunciado que não abandonaria o cargo de presidente da Câmara. Para o MP, porém, Isaltino pôs em causa a confiança dos cidadãos nos órgãos de administração pública, bem como a sua indispensável transparência.

Graça Rosendo e Luís Rosa

Ocorre-me:
  • É notável a falta de vergonha que esta gente consegue apresentar.

  • Por não usarem o destaque público de que usufruem para agir, os restantes políticos acabam no mesmo saco de esterco. Nas últimas autárquicas ouvi argumentos como "este pode ser corrupto, mas faz"; não sei em que mente retorcida isto poderá ser uma virtude! Só se for entre pares.

  • É incrível que em meses se decidam reformas radicais para o país, quantas vezes questionáveis, mas a justiça demora anos e anos para chegar a algum lado, quando chega. Temos um país a quantas velocidades?

  • Enquanto a justiça não for eficaz e célere, alguns contarão com o seu passo de lesma para fazerem o que bem lhes apeteça. O País não funcionará enquanto as pessoas não forem responsáveis e responsabilizadas pelos seus actos.


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Globalização e flexigurança

Como é que uma empresa se torna competitiva? Não havendo fórmulas mágicas, as possíveis hipóteses passam por um ou mais destes caminhos:
  1. a empresa produz o mesmo que as outras a menor preço;
  2. a empresa produz o que nenhuma outra produz;
  3. a empresa vende onde as outras não conseguem ou podem vender;
  4. a empresa paga menos impostos do que a concorrência.
E como é que se chega a estes resultados? Vejamos cada um destes itens.

1. A empresa produz o mesmo que as outras a menor preço:
Existe uma enormidade de factores que conduzem a este resultado. Alguns são:
Vantagem competitiva
Forma de a atingirExemplo
a empresa consegue comprar matérias primas a menor preçocapacidade negocial da empresa

a empresa dispõe de técnicas de produção mais eficazes do que a concorrência
investigação; compra de tecnologia; formação dos colaboradores (chefias incluídas)
indústria dos moldes
a empresa tem menores custos salariais
salários mais baixos do que a concorrência;
têxteis
a empresa tem infraestruturas públicas à sua disposiçãoplaneamento e construção de infraestruturas públicas
redes viárias, ferroviárias, portuárias e aéreas

2. A empresa produz o que nenhuma outra produz:
Vantagem competitiva
Forma de a atingirExemplo
exclusividade na produção de determinado bem ou serviço
contractos de exclusividade com a entidade compradora, como por exemplo com o Estado
produção de material militar
produto patenteado
investigação
produtos farmacêuticos
tecnologia não disponível às outras empresas
investigaçãoaviação e aeroespacial

3. A empresa vende onde as outras não conseguem ou podem vender:
Vantagem competitiva
Forma de a atingir
Produtos adaptados ao mercado alvo
Estudo do mercado alvo
Interdição à importação de bens produzidos em condições precárias
Identificação das empresas sem ética social e/ou ambiental

4. A empresa paga menos impostos do que a concorrência:
Vantagem competitiva
Forma de a atingirExemplo
Energia mais barata
Menos impostos sobre os combustíveis
Menor ISP; menos impostos sobre a electricidade
Menor carga fiscal
Maior eficácia do Estado
O Estado mostra-se capaz de funcionar com menos dinheiro

Não tenho formação em economia mas isso não me impede de ter uma visão empírica sobre o assunto, como acabei de fazer. A leitura que faço é que as questões laborais relacionadas com o empregado/trabalhador/colaborador, conforme o jargão que se queira usar, representam apenas uma pequena parte no puzzle da competitividade. Aliás isso nem surpreende, pois algumas das mais competitivas empresas são também as que pagam melhor. Por isso, não tenho problemas de consciência em afirmar que Victor Constâncio, ao defender a necessidade de flexibilizar a relação laboral para aumentar a competitividade, é desonesto, mal intencionado e não está mais do que a fazer um favor ao seu querido PS, fornecendo "argumentos" para futuras políticas.

E o mesmo se aplica a António Perez Metello, a quem hoje ouvi na Antena 1 papaguear a mesma linha de argumentação do sr. Constâncio. E diz-se ele economista. Só se eventualmente estiver a pensar nas suas economias com esta bajulação socrática.

Primeiro veio Manuel Pinho (apoiado pelo PM!) pedir aos chineses para investir em Portugal, pois temos nos salários uma vantagem competitiva. Agora é o sr. Constâncio a pretender que as nossas leis laborais têm que ser flexibilizadas. Parece-me, portanto, que estamos novamente na rota do sonho oriental. Mas desta vez o objectivo não é cruzar mares nunca antes navegados mas sim transformar Portugal naquilo que são esses países asiáticos. Uma vez que o sr. Constâncio apenas foca a flexibilização laboral como forma de tornar a economia mais competitiva, vejamos com o vídeo seguinte até onde teríamos que ir nessa flexibilização laboral para conseguirmos competir com estas economias.


Bangladesh Sweatshops


Sumário do vídeo:
Bangladesh Sweatshops
Horário de trabalho: 14 a 20 horas diárias
7 dias por semana, 2 dias livres por mês
80% dos trabalhadores são mulheres de 16 a 25 anos


Bangladesh Sweatshops
Empregados sujeitos a objectivos apertados:
coser um botão: 8 segundos
coser um bolso dum casaco: 1 minuto


Bangladesh Sweatshops
Salário duma costureira: US $0.11 a US $0.17 (US $5.28 por semana)
Salário duma ajudante: menos de US $0.8 por hora (US $3.80 por semana)


Bangladesh Sweatshops
É preciso pedir autorização para ir ao WC (duas vezes por dia, no máximo)
Não há baixa por doença, segurança social ou reforma
As tentativas de formar sindicatos levam, geralmente, à prisão
Aos 35 anos é-se despedido, sendo-se substituído por jovens raparigas
Não havendo local para comer, usa-se o telhado


Sr. Constâncio, v.exa está errado! É impossível competir com estas formas de produzir. A única forma de mantermos as empresas europeias competitivas é terminando com a treta desse comércio livre (livre de deveres) substituindo-o pelo comércio justo. Depois deste passo, quando todas as empresas estão sujeitas aos mesmos deveres, então sim, podemos pensar na forma das empresas serem competitivas.


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Globalização ou pirataria económica?


Esta é uma etiqueta dum produto comprado em Portugal numa loja dum grupo francês, importado por uma empresa espanhola, produzido na China.

Custou 36 € e se, depois de retirado o IVA, se se cortar sempre em metade o valor do produto ao longo do respectivo ciclo de vida, desde o momento da venda até chegar à mão de obra que o produziu, obtêm-se valores desta ordem de grandeza:

Valor inicial
Parcela a abater no valor do produto
Valor a transportar% sobre o preço sem IVA
36
21% de IVA = 5.46
30.54
--
30.54
margem da loja portuguesa = 15.27
15.27
50.00%
15.27
margem do importador espanhol = 7.64
7.63
25.02%
7.63
margem do intermediário chinês = 3.82
3.81
12.51%
3.81
margem do produtor = 1.91
1.9
6.25%
1.9
matérias primas = 0.95
0.95
3.11%
0.95mão de obra=0.95
0.00
3.11%
Valores em Euros. Estes valores, apesar da precisão numérica apresentada, são estimativas!

Ou seja, este produto de 36 € teve, eventualmente, um custo de produção de 3.81 €, custos de distribuição acumulados de 11.46 € (15.27-3.81) e um custo de venda de 15.27 €. Contribuiu ainda com 5.46 € em IVA para o Estado português e em 0.95 € para o salário de algum Chinês de alguma fábrica de têxteis chinesa.

Dito de outra forma, o preço final do produto, sem IVA, teve origem em:
  • venda: 50%
  • distribuição: 37.52 %
  • produção: 9.36%
  • mão de obra: 3.11%
Claro que estes valores são estimados, pelo que é legítimo perguntar se fazem sentido. Segundo um estudo publicado por Jenny W.L. Chan (MPhil in Sociology, University of Hong Kong) no site da SweatShop Watch, o preço duma t-shirt de US $100 reparte-se desta forma (clicar na imagem ao lado, copiada deste ppt: link):

T-shirt com preço de venda de $100
  • marca e retalhista: $75 (inclui design, implantação da marca, marketing, outras despesas e lucro)
  • matéria prima: $10
  • custos da operação fabril: $5 (inclui $1.75 para mão de obra)
  • quotas/impostos: $5
  • lucros do importador: $4.5
  • transportes: $0.5
Os números são, obviamente, diferentes mas as ordens de grandeza são aproximadas e permitem-nos concluir que a grande fatia no custo do produto comprado (cerca de 80%) vem do canal de venda.

A globalização não trouxe preços no consumidor significativamente mais baixos e, por comparação com o preço final do produto, pouco aumenta a riqueza do país produtor. Por outro lado, no país onde o produto é vendido, a industria local fecha por incapacidade de competir (não esquecer que a grande fatia dos lucros ficam no canal de venda, logo o preço de venda no produtor é baixo).

Se os consumidores e os produtores não são os ganhadores deste modelo económico, a quem interessa portanto a globalização? Unicamente aos intermediários. Portanto, quando ver, ouvir ou ler alguma notícia sobre a inevitabilidade da globalização, procure entender a que grupo económico essa pessoa está ligada ou a qual tem afinidade. A minha aposta é que, de alguma forma, ganha dinheiro com a distribuição.

A globalização é um modelo em que a riqueza de dois países, o consumidor e o produtor, é canalizada para o grupo económico que faz os produtos dum chegar ao outro, à conta duma pequena redução no preço de venda ao público e dum pequeno aumento de riqueza da mão de obra de alguns países.

Mas no longo termo a situação é insustentável, é preciso disso ter-se consciência. Para onde caminhamos, portanto? E que alternativas se vislumbram?

Notas:
  1. Este texto olhou a questão da globalização sob a perspectiva dos têxteis mas outras áreas podiam ser igualmente abordadas com semelhantes conclusões.

  2. Sweatshops (tradução literal: oficinas de suor) - termo pejorativo frequentemente usado para descrever unidades produtivas que pressionem ou forcem os empregados a trabalhar durante períodos inaceitavelmente longos, como seria o caso de trabalhos penais forçados ou de escravatura.

  3. Em Portugal existe uma lei que diz que todos os produtos cá vendidos devem obrigatoriamente ser etiquetados e conter instruções em português. Como com muitas outras das nossas leis, esta existe para o papel, pois o seu incumprimento é prática habitual e a fiscalização inexistente.
Leituras adicionais:


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Darwin's nightmare

darwins nightmare
darwins nightmare
www.darwinsnightmare.com

A RTP2 passou neste sábado ao fim do dia o documentário "O pesadelo de Darwin", um filme de 2004. Todas as pessoas que no supermercado compram perca deviam tê-lo visto.

É relatada a história do comércio de perca à volta do Lago Victoria, na Tanzânia. Em 1960 a perca foi introduzida no lago naquilo a que se chamou ser uma experiência. Sendo um peixe carnívoro extremamente voraz, praticamente todas as espécies autóctones acabaram extintas. Multiplicou-se de forma tão rápida que actualmente este peixe é exportado para todo o mundo, seja em filetes, seja fresco.

O equilibrado ecossistema existia à volta do lago foi destruído e actualmente as populações vivem da exploração comercial deste peixe. Aviões russos, Antonov, trazem diariamente toneladas de peixe para a Europa. Como voltar da Europa para a Tanzânia sem levar carga custa dinheiro e havendo conflitos intermináveis em África, então os Antonov levam para Angola as armas vendidas pelos Europeus. Depois partem para a África do Sul para carregar uvas. Depois vão à Tanzânia e carregam o peixe para, finalmente completar o ciclo trazendo a carga para a Europa.

Inevitavelmente, como em todos os locais com problemas sociais, a prostituição também cresceu à volta do lago. Com ela veio o HIV e o contágio àqueles que antes eram agricultores em aldeias próximas do lago mas que agora as deixam sazonalmente para fazerem a época da pesca. As aldeias perdem os seus homens e a pobreza das respectivas famílias aumenta ainda mais. As crianças adormecem profundamente fumando a cola que retiram das paletes velhas onde o peixe é transportado e os abusos sexuais acontecem.

A degradação no seu apogeu. Em 1999 a União Europeia abriu as portas ao comércio da perca na Europa, exponenciando o existente problema. Mas será que ainda poderia piorar? Dependendo da opinião, sim. Em especial depois de ouvirmos um Comissário desta Europa brindar-nos com uma pérola da hipocrisia ao dizer que o Lago Vitoria é uma prova do sucesso que é a globalização.

Quando vir a perca à venda no supermercado, lembre-se que ao não a comprar está activamente a não pactuar com esta situação.


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A importância dum nome?

Rui Paula de Matos, no seu interessante Macroscopio, escreve a propósito do Fliscorno:
"Deixo, contudo, uma questão ao autor deste blog: achará, porventura, que o Ministro das Finanças também é um Fliscorno?"
Confesso que não conheço ninguém que seja um instrumento musical, apesar de haver muitos bombos da festa. No post inicial deste blog divago sobre o nome escolhido.


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Parabéns ao visitante n.º 5,235

Para quê celebrar os números redondos? 1,000 visitas? 1,000,000 de visitas? Nããããã, isso é coisa vulgar.

É muito mais interessante celebrar, por exemplo, a visita n.º 5,235 ou o page view 7,930.

Por isso, caro visitante n.º 5235, seja muito bem vindo a este blog e volte sempre. Mesmo que trabalhe no gabinete do Ministro das Finanças.

Mas guarde para si essa sua preferência, digo eu que apenas sou um anónimo cidadão, pois o Chefe do seu Chefe, o Lic. em Eng.ª pela futura ex-Universidade Independente José Sócrates, não recomenda que as pessoas leiam blogs. Em especial esses blogs demoníacos como o We Have Kaos in the Garden, mesmo que seja, na minha modesta opinião, um dos mais criativos bloggers que por aí andam. Ou muito menos o Do Portugal Profundo, que nem sei como é que a Firewall do seu ministério não bloqueia pura e simplesmente. E que dizer do contundente Jumento, que umas vezes vos dá umas benesses e noutras as tira?

Se por acaso o aborrecerem por andar a surfar nos blogs em horário laboral, num emprego pago com os nossos impostos, diga apenas que estava a fazer trabalho de assessoria ao Governo, na área da relação com a Imprensa e a outra opinião escrita. Nós sabemos que o Governo não tenta controlar nem a imprensa nem os blogs, mas... pode ser que acreditem em si e até lhe dêem um louvor.

Deixo-lhe, a seguir, os certificados comprovativos da sua visita, que pode imprimir e emoldurar. Volte sempre e comente à vontade.

ministério das finanças

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ministério das finanças

ministério das finanças


[EDIT] nos comentários acrescentei uma breve nota técnica


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Geração aditivada









Quem entre nós agora faz um quarto de século, mais ano menos ano, pertence à geração que desde a nascença esteve exposta a uma vida regulada pela química.

Exemplos:
  • Ar: desodorizantes, ambientadores, perfumes e gases poluidores;
  • Comida diversa: aditivos qb, incluindo os hidrogenados e os açucares;
  • Roupa: amaciadores, branqueadores e tintas com consequências negativas para a pele (vide aquele caso da roupa produzida na Índia que inclui um corante altamente cancerígeno); doses maciças de insecticidas nas roupas de algodão (vide processo de produção da flor de algodão);
  • Bebidas: CO2, açucares, corantes, outros aditivos;
  • Fraldas e toalhetes: químicos de limpeza, desodorizantes;
  • Água: cloro, detergentes;
  • Peixe e carne: nitratos para a conservação, hormonas e antibióticos ingeridas por simpatia devido ao tratamento "preventivo" dos animais (e peixes), farinhas de outros animais incluídas na alimentação daqueles que comemos, mesmo quando são herbívoros;
  • Cereais, legumes e frutos: planta transgénicas (milho, soja, morangos com genes de peixe para se conservarem melhor no frio...), insecticidas, pesticidas e fungicidas;
  • E a lista continua.
Têm-se falado que tivemos a revolução agrícola, a industrial e agora a da informação. Não sei se mais ou menos importante que estas, mas seguramente de elevado impacto na nossa saúde, há ainda a silenciosa revolução química, essa que tem possibilitado a prodigiosa produção industrial dos nossos dias, a baixos custos mas despreocupada com possíveis efeitos secundários que possa causar.

Para quem nasceu na década de oitenta seguramente que desde pequeno foi estando exposto a estes produtos. Com que consequências? Não será fácil de saber mas é curioso notar que mesmo assim a esperança média de vida tem aumentado. O que cria um paradoxo, pois o número de anos de exposição à química que nos rodeia também aumenta e, em consequência, os eventuais efeitos também se notarão mais.

Sobre o anterior texto relativo aos aditivos no pão, a minha amiga Pajarita, que sabe do que fala, alertou-me para a realidade das gorduras hidrogenadas:

«Pior que os aditivos no pão, são as gorduras vegetais hidrogenadas. Só por este ingrediente, eu, pura e simplesmente não o comeria. São um verdadeiro veneno lento e a alimentação industrial está cheia delas. São muito mais baratas e duram muito mais tempo sem ficarem rançosas. Além disso deixam texturas muito agradáveis à boca. Por exemplo as batatas congeladas para fritar. Já as fritaste alguma vez? Já reparaste como fica uma camada sólida por cima do óleo ao arrefecer? São hidrogenados. As gorduras vegetais são liquidas. Para as solidificar hidrogenam-nas. Os chocolates baratos têm muitas, como os chocolates da Floribela e muitos ovos de Páscoa. Os caros em geral não, e claro têm um prazo de validade muito inferior, como por exemplo os Ferrero Rocher.

As gorduras hidrogenadas, quando foram inventadas, primeiro foram usadas na alimentação dos porcos. Mas os agricultores repararam que eles morriam prematuramente. O metabolismo deles é diferente e mata-os depressa. E se a vida de um porco na casa de um agricultor é curta!! Há quem defenda que elas são a causa da diabetes tipo II (praticamente inexistente há 80 anos) e não o excesso de alimentação. Pessoalmente, só por ter deixado de consumir hidrogenados há uns meses, o meu colesterol baixou em 63 unidades (acredita que é muito). Elas ligam-se ao receptores de colesterol deixando o colesterol a "boiar" em excesso pelo sangue. A massa folhada é ela também um veneno! Só pode ser feita com gordura hidrogenada, e que senhora percentagem que ela tem!

Uma página com uma breve e concisa explicação sobre as gorduras hidrogenadas: The American Physiological Society
Uma nota final: devido ao atraso estrutural português, estamos na fase de ouro da comida manipulada química e biologicamente. Na Alemanha, o caso que conheço, essa fase já terminou e agora a tendência é inversa. As pessoas procuram os produtos o mais naturais possível e a legislação e a fiscalização são mais apertadas. Por exemplo, é frequente as ementas dos restaurantes incluírem a descrição completa do prato e quais os aditivos que acabam por dele fazer parte, devido aos ingredientes usados. Enquanto que entre nós um simples "Bife à casa" chega, uma ementa alemã diria "Bife de vaca criada em agricultura biológica, com 300 gramas, acompanhado com batata frita em gordura não hidrogenada, duas bolas de arroz branco com manteiga e alho e com um ovo estrelado em azeite. Pires de salada de alface e tomate. A carne contém E301 e E321". Atitudes diferentes levam a serviços diferentes.

Parece-me que vou passar a comer apenas fruta com bicho, couves com lagartas, maçãs pequenas e outros produtos "estragados".


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A despesa pública em 2006 segundo Sócrates

a despesa publica em 2006 segundo jose socrates

O Sócrates teima em nos querer convencer que a despesa pública tem vindo a diminuir, comparando-a com em termos da relação despesa/PIB. É tudo uma questão de ponto de vista e cada qual escolhe o que mais lhe convém. Não passa por isso a ser verdade e o facto é que a despesa pública aumentou 2.4% de 2005 para 2006 [link do min. das finanças].


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A entrevista de José Sócrates na RTP

A entrevista de José Sócrates hoje na RTP durou cerca de 90 minutos. Via-a como sendo 44 minutos de perda de tempo sobre o currículo de Sócrates, onde se ouviu o que sabíamos que íamos ouvir.

Ouvi o PM mentir sobre a despesa pública, afirmado que esta diminuiu. Afinal só diminuiu se a compararmos com o PIB, já que em termos absolutos aumentou. Diz ele que só faz sentido comparar a despesa em função do PIB e digo eu que ele o faz por ser essa a comparação que lhe dá jeito. O facto é que depois de 4 anos de congelamento de carreiras, do aumento do IVA em 4%, do aumentos de vários impostos indirectos, do aumento da eficácia fiscal na cobrança de dívidas antigas, do aumento da idade de reforma e de cortes nos serviços prestados às populações (maternidades, escolas e urgências), o facto é que a despesa ainda aumentou em número.

Sobre a OTA, nada de novo, excepto a repetição da ideia de que o aeroporto é uma inevitabilidade. Será, sem dúvida, o gáudio do PS ter esta obra iniciada neste governo. Mas não foi perguntado se este projecto, a par com o TGV, é de facto o que de melhor se pode fazer para o país em termos de investimento. Já que o PM tanto gosta de olhar para o os países nórdicos para se inspirar, não seria despropositado se observasse se foi este tipo de investimento, o das obras públicas, que colocou a Irlanda na excelente situação em que agora se encontra.

Fiquei ainda a saber que o Sócrates não recomenda a leitura de blogs. Registo a opinião e tê-la-ei em consideração para me manter afastado de tretas como o blog do ministro António Costa ou os vários blogs assumidamente ligados às estruturas partidárias, onde naturalmente se incluem os blogs das concelhias do PS. Esta pesquisa no Google devolve uma boa lista de blogs do PS, a evitar, se seguirmos o conselho do PM: link.

Sobre os entrevistadores, pareceu-me que José Alberto Carvalho colocava as perguntas "difíceis" que Sócrates precisava de responder, constantemente roubando as oportunidades de colocar perguntas a Maria Flor Pedroso. Esta, achei que poderia ter feito uma verdadeira entrevista, pelo menos observando as poucas ocasiões em que colocou questões e em que Sócrates lhe respondeu.


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Os diplomas da Independente são de 1ª qualidade

canudo diploma josé socrates

Pouco me importa se o Sócrates é ou não licenciado ou engenheiro. Aliás, só a Ordem dos Engenheiros, a qual devia antes ser chamada de Ordem dos Engenheiros Civis, é que faz questão nesta distinção entre "licenciado em engenharia" e "engenheiro".

Mas já me interessa saber se o Primeiro Ministro mente, seja sobre o seu currículo, seja sobre promessas eleitorais ou seja sobre as razões que levaram às escolhas políticas feitas. A honestidade é um valor político e, muitas vezes, é o único factor que poderá levar a dar o benefício da dúvida perante propostas com as quais se discorda.

P.S.: tenho lido em vários blogs a tese de que esta campanha decorre do chumbo da OPA da Sonae sobre a PT. É possível. Como também esta teoria poderá fazer parte da campanha de contenção de danos. Parece-me que quem o sabe não o vai dizer, por isso, não se sairá de especulações. Mas é caso para dizer que quem com ferro mata, com ferro morre: o governo deve ter mandado pela calada a CGD chumbar a OPA e, eventualmente, o Belmiro mandou o Público dar cobertura aos rumores dos blogs (vide Do Portugal Profundo).


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Firefox browser




Alguns leitores têm-se queixado que este site abre várias janelas com publicidade. É verdade e é consequência do contador de acessos sitemeter que, na sua versão gratuita, usa esta forma de financiamento. Creio que o recurso a publicidade não intrusiva, como o Googleadds, seria mais eficaz, mas este não é o assunto deste post.

Para evitar a verdadeira melguísse que são os sites que abrem um sem fim de janelas, como é o caso deste blog :( , o melhor mesmo é deixar de usar o Internet Explorer (IE) que vem com as instalações do Windows. É certo que há uma nova versão do IE, mais robusta, que até bloqueia mais ou menos os pup-ups, que até copiou funcionalidades do Firefox (de que já falarei), bla bla bla, mas o facto é que o Firefox é melhor.

O Firefox é um browser, tal como o IE, de utilização gratuita, muito robusto e que passei a usar porque:
  1. é realmente eficaz no bloqueio de pop-ups (raramente sei o que isso é);
  2. usa "tabbed browsing", ou seja no mesmo browser podemos ter várias páginas abertas;
  3. apesar do IE 7 também ter "tabbed browsing", copiado do Firefox, uma diferença crucial para mim é que ao clicar num link com o botão do meio do rato, este link abre em background (em segundo plano), sem retirar o focus do documento que se está a ler. Excelente para quando se está a ler um texto e se quer mais tarde seguir links desse texto;
  4. os campos de edição, como este onde escrevo este texto, têm corrector ortográfico (creio que o IE7 também já copiou esta ideia);
  5. existe uma enormidade de add-ons (pequenas funcionalidades que se podem adicionar), alguns realmente imprescindíveis (capturador de sites, chat, PDF download, web dev tools, etc. );
  6. para pesquisar texto numa página, basta começar a escrever!!! (necessário activar em Ferramentas -> Opções -> Avançado -> Acessibilidade). Deveras, deveras prático.
Se estas razões também lhe dizem algo, dê uma hipótese a este browser. Cerca de 13% dos utilizadores em todo o mundo (15% nos EUA) já o fizeram.

Download:
PT: http://www.mozilla-europe.org/pt
EN: http://www.mozilla.com/en-US/firefox



A seguir com atenção:

http://www.flock.com
Flock = browsing + flickr + blogging + youtube + del.icio.us + ... (serviços web 2.0)


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Google image labeler

Google  image labeler

O Google lançou esta «worktainment» (work + entertainment) que consiste numa forma de os seus utilizadores colaborarem à borla na catalogação das imagens online.

Como funciona? Neste link: http://images.google.com/imagelabeler inicia-se um jogo em que dois parceiros aleatórios olham para uma mesma foto e atribuem-lhe etiquetas. Quando os dois parceiros acertam numa mesma palavra que descreva a imagem, ganham pontos e saltam para a imagem seguinte. Ao fim de 90 segundos termina o jogo.

O que se ganha? Pontos, apenas! Na mesma página são mostrados os tops dos 5 melhores resultados individuais e em equipa. Uma técnica interessante usada pelo Google para conseguir mais do que uma etiqueta por imagem: é mostrada uma lista de palavras já atribuídas, sendo que o uso destas não contribui para pontos.

Depois de algumas tentativas, o melhor resultado em equipa que consegui foram 700 pontos, num total de 6,600 pontos acumulados. Consigo perfeitamente imaginar comportamentos compulsivos para alcançar um momento de glória neste top 5, pelo que este é mais um ovo de Colombo saído desta imaginativa empresa.


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Produção nacional

O último episódio do excelente documentário "Portugal, um retrato social" (RTP terças-feiras à noite) recordou-me uma divagação anterior, que agora repesco:



Somos essencialmente um país de serviços, quase sem produção própria. Como estes serviços são prestados a nós próprios, em vez de serem exportados, a minha opinião é que se assiste a um autofagismo económico, sem criação de riqueza. Um país não poderá ter sucesso apenas prestando educação, saúde, justiça e demais serviços à população. É necessário gerar riqueza, produzindo, seja no sector primário, secundário ou terciário. Não podemos é importar quase tudo o que consumimos.

Fazer o diagnóstico é fácil mas como se contorna o problema? Tema para um post seguinte.


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O pão nosso de cada dia

Pão, como se faz em casa ou
como se compra numa padaria decente
ingredientes do pão do pingo doce
Ingredientes: Farinha de trigo, água, levedura, sal
N.º de ingredientes: 4
N.º de aditivos: 0


Pão saloio - algo vendido como pão no Pingo
Doce, Continente e na maioria dos supermercados
ingredientes do pão do pingo doce
Ingredientes: Farinha de trigo T65 (gluten), água, levedura, melhorante (farinha de trigo, emulsionantes - E472(e), E471, agente de tratamento de farinha: ácido L-ascórbico, enzimas), sal, complemento gordo (óleos vegetais hidrogenados, óleo vegetal, açucar, emulsionantes: E471, aroma natural, conservante: E202, antioxidante: E321)

N.º de ingredientes: 15 (11 a mais do que o necessário)
N.º de aditivos: 7



Bicas - algo vendido como pão no Pingo
Doce, Continente e na maioria dos supermercados

ingredientes do pão do pingo doce
Ingredientes: idem

N.º de ingredientes: 15 (11 a mais do que o necessário)
N.º de aditivos: 7




Pão davo - algo vendido como pão no Pingo
Doce, Continente e na maioria dos supermercados

ingredientes do pão do pingo doce
Ingredientes: Farinha de trigo T65 (gluten), água, farinha de trigo T60, massa mãe (farinha de trigo T65, levedura, sal), melhorante (farinha de trigo, emulsionantes: E472(e), E471, agente de tratamento de farinha: ácido L-ascórbico, enzimas), levedura.

N.º de ingredientes: 9 (5 a mais do que o necessário)
N.º de aditivos: 4




Bimbo
ingredientes do pão da marca Bimbo
Ingredientes: (a completar; não me recordo)
N.º de ingredientes: (a completar; não me recordo)
N.º de aditivos: 3 ( recordo-me :-) )




Temos assistido com insistência na abolição da venda de produtos avulso, dando preferência aos produtos pré-embalados, com o argumento de que a qualidade é melhor. O caso do pão do Pingo Doce e do Continente, os mais notáveis entre todos, torna evidente que não é um saco de plástico e umas prateleiras banhadas a luz fluorescente em super e hipermercados que tudo vendem o garante para que isso aconteça.

Pode parecer surpreendente, mas um produto como o Bimbo ou o Panrico, que só com boa vontade o nosso imaginário classifica como pão, tem menos aditivos do que essa coisa em forma de bolas vendida nos super e em muitos dos locais com pão quente na hora. Na sua próxima ida ao super pode ainda comprovar que muitos dos pães cozidos fora do super são de melhor qualidade do que os primeiros.

Realmente, não compreendo esta obsessão com a inclusão de aditivos. Não melhoram o pão, que geralmente até tem data de consumo do próprio dia. Por outro lado, esses pães com prazo de validade duma semana acabam por ter menos aditivos.

Costuma ler a composição dos produtos que compra? Se não o faz, reconsidere. E não fique à espera que o Estado proíba ou permita este género de produtos, assuma que o tempo do Estado-papázinho já era. Perante produtos fracos como este, pura e simplesmente não os compre. E, porque não, incentive os seus amigos a fazerem o mesmo.


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Google e os serviços pagos

Como desconfiaram, as partes bombásticas deste texto (texto riscado mais a baixo) foram a minha brincadeira de 1 de Abril. O pouco que sobra foi só a habitual mistura de factos e inventanço para disfarçar. :-)









Caríssimos, ou na versão politicamente correcta, se bem que gramaticalmente errada - mas erro foi coisa que não tem incomodado a política - caríssimas e caríssimos: é altura de começarem a busca duma nova casa para o vosso blog. A não ser que estejam dispostos a pagar ao Google o alojamento do blog e a largura da banda gasta, o que não será seguramente o meu caso.

Em alguns meios, este era um passo já esperado. Afinal de contas, quem ainda acredita no "free"? Tudo tem um preço. As pesquisas do google e o gmail são pagos com a publicidade, o Youtube ainda está em fase de implantação mas já se fala em inserir um spot publicitário antes que cada vídeo seja acedido. Segundo divulgado pela shotdot, as "google apps" também vão passar a ser pagas e no próprio blogger já está contemplada a possibilidade de pagamento, caso a quantidade de espaço gasto no alojamento de fotografia seja insuficiente (imagens acima).

Mas ainda assim, o blogger continuava a constituir um sorvedouro de recursos por não ser obrigatória a inclusão de publicidade no blogs. É neste contexto que o Google passa a cobrar pelo serviço blogger. O pagamento poderá ser feito de duas formas: pela inclusão de publicidade obrigatória no blog ou mediante o pagamento de US $11 mensais. Foi já dito que a vertente "gratuita", pela inclusão obrigatória de publicidade, implicaria a visualização dum splash que ocuparia todo o écran durante 2 segundos. Mas este rumor deverá ser mera especulação pois em nada se enquadra no actual perfil de publicidade não intrusiva usado pelo Google.

Assistimos, com a inevitável rendição do Google ao mercado, ao princípio do fim do mito da Internet livre.

Referências:
Google Apps to Become Paid Service
How can I get more storage for my images?
How do I purchase extra storage?