
Os diversos
pré-avisos da greve de 30 de Maio de 2007 podem ser encontrados no site da CGTP [link] e, mais coisa menos coisa, consistem nisto:- Pelo Emprego com direitos, contra o desemprego e a precariedade no trabalho;
- Pela melhoria dos salários, defesa da contratação colectiva, mais justiça na distribuição da riqueza;
- Contra a flexisegurança, que mais não visa do que despedir sem justa causa e desregulamentar as relações do trabalho;
- Defender os serviços públicos e funções sociais do Estado;
- Pelo Serviço Nacional de Saúde, Escola Pública, Segurança Social Universal e Solidária.
A mim salta à vista que estes objectivos, vagos na sua maioria, são completamente ridículos. Não é difícil concordar com cada um individualmente - certamente que que tinham essa apelativa intenção - mas juntos assim mais parecem frases saídas dum pote de rifas. "Olha, saiu a dos melhores salários, junta-a aí". Uma iniciativa, seja ela qual for, deve ter objectivos claros e concretos. Frases nublosas como as usadas nestes pré-avisos de greve só podem conduzir a resultados incertos.
Depois há o paleio gasto das centrais sindicais, seja a do braço direito do PS e PSD - a UGT - seja o braço esquerdo do PCP, a CGTP. (Sobre a primeira acresce ainda a inacreditável história do processo arquivado das fraudes da formação profissional, que certamente teve esse desfecho graças à sua condição de braço direito.) Ou as greves promovidas são de absoluta ineficácia ou algo está errado, pois desde que tenho consciência política que as ouço. Nunca vi uma greve ser convocada por alguma empresa ou serviço não estar a produzir/prestar serviços com a qualidade que os seus clientes/utentes esperam. Pois para mim seria de esperar que a principal preocupação dum sindicato fosse o sucesso das empresas/serviços onde actuassem, como condição para depois exigir que esses lucros fossem investidos na robustez dessa empresa/serviço, seja pelo investimento na investigação, seja pelo aumento da satisfação dos seus colaboradores - a melhor forma, sem dúvida, de aumentar a sua produtividade. Olhando para o sector dos transportes públicos, tão queridos às centrais sindicais, com certeza pelo transtorno que causam e que facilmente se pode confundir com descontentamento solidário à greve, alguma vez uma greve foi convocada nos termos que se seguem?
- Estamos em greve porque há transportes insuficientes na hora de ponta;
- porque os autocarros não têm corredores exclusivos que lhes permitam assegurar a pontualidade;
- porque a política de transportes tem sido a do investimento no transporte individual em vez de no transporte colectivo como a solução mais confortável, mais rápida e mais económica.
Não, claro que não. As centrais sindicais acham que existem para definir políticas e, consequentemente, não poderão defender os seus representados. Além disso, funcionam como força política sem no entanto terem as suas linhas de acção validadas por eleições como acontece com os partidos. A CGTP decidiu avançar para uma greve, com os objectivos que algumas das suas pessoas decidiram - ou foram convidados a aceitar como sua decisão. Com que legitimidade? Simplesmente por serem sindicatos? Pois o resultado está à vista, com prejuízo para quem só pode contar com eles como forma de diálogo em negociações laborais.
Deixo esta questão: é a greve um direito de todos ou o privilégio de alguns?
Alguns textos que li por aí:
http://educar.wordpress.com/2007/05/06/e-agora-para-uma-boa-discussao/http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/05/sete_razoes_para_fazer_grevehttp://filhodo25deabril.blogspot.com/2007/04/1099-greve-geral-2.htmlhttp://acausafoimodificada.blogspot.com/2007/05/no-posso-aderir-greve-geral-porque.htmlhttp://pimentanegra.blogspot.com/2007/05/greve-geral-de-30-de-maio-diz-respeito.htmlhttp://sobreviver.wordpress.com/2007/05/06/a-greve-geral-e-a-contra-informacao/http://abafosedesabafos.blogspot.com/2004/05/conhecem-aquela-experincia-da-r.html