a política na vertente de cartaz de campanha

Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Buzz this

Carlos Moreno no Pessoal e Transmissível

imageO programa Pessoal e Transmissível emitido ontem na TSF foi um autêntico serviço público. Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de contas, apresentou em conversa com Carlos Vaz Marques as suas conclusões (publicadas em livro) de uma vida profissional passada a apreciar as contas do Estado. Um programa a ouvir obrigatoriamente. Desde a hipoteca do futuro que as Parcerias Publico-Privadas nos vêm trazendo desde 1992, passando pelo descontrolo que foi a parceria da Lusoponte / Ponte Vasco da Gama ("vendida" como tendo custo zero!) e sem esquecer a crua realidade quanto ao endividamento público e privado (bem conhecida dos malvados especuladores), Carlos Moreno apresenta-nos um país que tem vivido do crédito que a actual e as próximas gerações irão pagar. Claro como água.

A questão não é se o país precisa de TVG, aeroporto, auto-estradas, Magalhães, etc., etc. mas sim se, primeiro, há dinheiro para estes investimento e depois se estão bem definidos ao nível dos cadernos de encargos (um aspecto fundamental para estancar a hemorragia de derrapagens financeiras e temporais).

Pese embora a fortíssima propaganda para transferir a responsabilidade do mau estado do país para um mundo que mudou em quinze dias (que declaração de incompetência!), o facto é que são as opções que se fazem há décadas que nos conduziram até aqui. E os eleitores, pela forma como se deixam comprar com "obra feita", são os responsáveis a apontar (muitos dos políticos não passam dos oportunistas do momento). A responsabilidade e os pagadores são vocês caros leitores, eu, nós. "Eles" é que seguramente não o são. Pense nisto quando responder a sondagens e quando cumprir o seu direito-dever cívico do voto.



Buzz this

Chocolate Cake with Hitler

Chocolate Cake with Hitler

Chocolate Cake with Hitler, de Emma Craigie.

«In her new book, Emma Craigie uncovers the heartbreaking story of 12-year-old Helga Goebbels, who was killed by her parents in the Berlin bunker as the Nazi empire crumbled»  Artigo no Telegraph.



Buzz this

Ach Portugal!

Lisboa sem hora certaHans Magnus Enzensberger, poeta, ensaísta, tradutor, escritor e editor alemão, disserta no seu livro "Ach Europa!" (*) sobre sete países europeus, Portugal incluído. Escreve na página 182 e seguinte (numa tradução livre):

«Há muitas assincronias no nosso mundo. Porque é que há apenas linhas isotérmicas e isobáricas? Seria muito mais interessante encontrar linhas em que se poderia ver que zona temporal estaríamos a passar quando viajamos. Linhas que mostrariam as brechas da história. Poder-se-iam chamar "linhas isocrónicas". Vamos supor que o leitor e eu viveríamos de facto no ano de 1986 - um pressuposto audaz! - e iríamos visitar uma pequena cidade perto de Berlim. Talvez nos parecesse que estivéssemos no ano de 1958. Uma colónia no Amazonas podia-se datar como sendo de 1935 e uma mosteiro do Nepal como sendo da época napoleónica. Num mapa assim, grande parte de Portugal seriam ilhas temporais. (…) Em Portugal pode acontecer-lhe ainda hoje que um fornecedor lhe escreva uma carta e que assine com as palavras "Com a maior consideração", "De V. Ex.ª", "Atto. Ven.dor" e "Ob.gdo". Repare também nos relógios. Nos muitos relógios nas torres, nos mercados, nas esquinas das lojas. Eles vêm de uma altura em que o relógio era algo raro, precioso. Apenas farmacêuticos, directores e juízes teriam dinheiro suficiente para ter o seu próprio relógio. Vai verificar que todos estes relógios públicos não estão certos. Melhor dizendo, estão parados. Ninguém lhes dá corda.»

Ontem na SIC, no Jornal da tarde, foi notícia o relógio da Rua Augusta que se encontra parado há alguns anos. Veio-me à memória esta ilha temporal em que vivemos, pela qual passam as tempestades da formação profissional, do choque tecnológico e do Simplex sem que enraizados hábitos sofram um abanão.

* Edições: alemão, inglês, espanhol. Primeira edição: 1987 (alemão).



Buzz this

Como se te tornar um docentezeco

Relembrando: o livro do Antero. Humor refinado que se recomenda.
Encomendas no respectivo blog.


Buzz this

Aí está, Anterozóide em livro



Ver Anteriozóide


Buzz this

Evite as reuniões

Hoje, algo diferente. Traduzi um texto que é parte do livro Getting Real e aqui o deixo pela sua pertinência. No mesmo site do livro também existe uma (outra) tradução para português dos diversos capítulos e ensaios.


Evite as reuniões

Precisa realmente duma reunião? As reuniões surgem geralmente quando um conceito não é suficientemente claro. Em vez de recorrer a uma reunião tente simplificar o conceito para que o possa discutir com rapidez através de e-mail, mensagem instantânea ou Campfire. O objectivo é evitar reuniões. Cada minuto que se evite gastar numa reunião é um minuto em que se pode de facto estar a trabalhar.




Não há nada mais tóxico à produtividade do que uma reunião. Veja algumas razões:

  • Quebram o dia de trabalho em pequenos e incoerentes pedaços que perturbam o fluxo natural do trabalho individual;
  • São geralmente sobre palavras e conceitos abstratos em vez de o serem sobre coisas reais (como um pedaço de código ou uma interface de desenho);
  • Transmitem geralmente uma pequeníssima quantidade de informações por minuto;
  • É frequente exisitir pelo menos um idiota que inevitavelmente acabará por ter a sua vez para desperdiçar o tempo de todos com disparates;
  • Fogem do seu rumo mais facilmente do que um táxi de Chicago em cima de neve pesada;
  • Têm frequentemente agendas tão vagas que ninguém sabe ao certo o que se irá tratar;
  • Exigem uma preparação cuidada, raramente realizada, de resto.

Para aqueles momentos em que seja absolutamente necessário fazer uma reunião (o que deverá ser uma ocasião rara), seguir estritamente estas regras simples:

  • Defina um temporizador de 30 minutos. Quando ele tocar, a reunião terminou. Ponto;
  • Convide o menor número possível de pessoas;
  • Nunca tenha uma reunião sem uma agenda clara.

PS: A ilustração deste texto é deste blog: INDEXED. Um desenho por dia neste género. Vale a visita!



Buzz this

A misteriosa velha senhora

Pelo Público fiquei a saber duma notícia que, para variar, me deixou muito satisfeito. Refiro-me ao texto com o título "Agatha Christie deixou para trás 27 pistas...".

Aprecio a forma como a escritora enrolava as histórias, apresentando soluções coerentes, enredos interessantes e dissertando sempre algo sobre a condição humana.

Sobejamente conhecidas são as histórias de Hercule Poirot e de Miss Marple, ambas já disponíveis em DVD, depois de, também, já terem passado pela TV. Menos conhecidas, no entanto, são as histórias de mistério. A última delas que li foi Passenger to Frankfurt, tendo agora numa googlada encontrado até um PDF da versão portuguesa. A história foi escrita em 1970, com o incontornável Maio de 68 ainda a escaldar e aborda o tema de que interesses fizeram estas movimentações acontecerem. Fez-me reflectir que as pessoas com a idade ganham sabedoria e, nesta história, Agatha Christie não se fez rogada na partilha.

Ironicamente, a história Passenger to Frankfurt incide precisamente no tema da juventude, cheia de ideais e de força, como um exército a precisar da orientação certa. Transcrevo algumas passagens que considero geniais (edição brasileira). Já agora, não esquecer: mesmo que plausível, esta história é ficção!


Lady Matilda sobre uma certa agitação mundial. Referências prováveis ao Maio de 68 e aos movimentos similares da altura.
«Eles — sejam eles quem forem —trabalham através da juventude. Da juventude de todos os países. A juventude impetuosa. A juventude que canta seus lemas, lemas que parecem emocionantes mas que geralmente ela não sabe o que querem dizer. E tão fácil começar uma revolução. E isso é natural para a juventude. Todos os jovens sempre se rebelam. Você se rebela, você quer depor o governo, você quer que o mundo seja diferente do que é hoje. Mas você está cego também. Há uma venda sobre os olhos dos jovens. Eles não podem ver aonde estão sendo levados. Que vai acontecer depois? Que está em frente deles? E quem está por detrás, instigando-os? É isto que é realmente assustador. Você sabe que alguém está na frente levando o capim fresco para fazer o burrinho avançar e ao mesmo tempo está por detrás fustigando-o com um chicote.»


Lady Matilda sobre os políticos
«— Sim, não se pode confiar em ninguém. Não se pode contar para qualquer pessoa. Não passe adiante para esses idiotas do Governo ou que têm conexões com o Governo ou que esperam participar do Governo quando esses que estão lá por cima se forem. Os políticos não têm tempo de olhar para o mundo em que vivem. Olham apenas para a região em que vivem e a vêem como uma vasta plataforma eleitoral. Eles se contentam com isso por enquanto. Fazem coisas que honestamente acreditam que tornarão a vida melhor mas se surpreendem quando essas coisas não agradam, porque não eram as coisas que o povo queria que fizessem. E não se pode deixar de chegar à conclusão de que os políticos pensam que têm o divino poder de contar mentiras, desde que seja por uma boa causa. »

Jamie sobre as forças e quem as controla
«— Se acontecem certas coisas no mundo, você precisa procurar uma causa para elas. Os sinais exteriores são sempre facilmente visíveis, mas eles não são [...] importantes. Sempre tem sido da mesma forma. Tome por exemplo uma força natural, uma grande queda dágua lhe dará a potência de uma turbina. Veja a descoberta do urânio a partir da pechblenda, e isto lhe trará, no devido tempo, a força nuclear com que nunca sonhamos ou soubemos existir. Quando se encontra carvão ou minerais, eles lhe dão transportes, força, energia. Existem sempre forças trabalhando que lhe fornecem certas coisas. Mas atrás de cada coisa há alguém que a controla. É preciso encontrar quem está controlando os poderes que lentamente ganham ascendência em praticamente todos os países da Europa, e mais longe ainda em diversas partes da Ásia. Menos possivelmente na África, mas novamente nos continentes americanos tanto do Norte como do Sul. É preciso estarmos por dentro das coisas que estão acontecendo para descobrirmos qual a força motriz que as estão fazendo acontecer. Uma delas é o dinheiro. »

Jamie sobre os padrões das rebeliões
«E há ainda o que podemos chamar de tramas. São palavras que usamos muito ultimamente! Tramas ou tendências... há inúmeras palavras que usamos. Elas não querem dizer sempre a mesma coisa, mas estão relacionadas umas com as outras. Uma tendência, poderíamos dizer, para a rebelião está aparecendo. Olhe para trás, para a história. Você encontrará isto aqui e ali, repetindo-se periodicamente, repetindo-se nos mesmos moldes. Um desejo de rebelião. Um sentimento de rebelião, os meios de rebelião, as formas que a rebelião toma. Não é nada em particular com nenhum país em particular. Se surge em um país, surgirá em outros mais ou menos da mesma forma. [....]»

«— É um padrão, um padrão de vida que surge e que parece inevitável. Podemos reconhecê-lo onde o encontramos. Houve um período em que o ímpeto para as cruzadas varreu os países. Por toda a Europa as pessoas embarcavam para libertar a Terra Santa. Muito claramente, um padrão perfeitamente definido de um determinado comportamento. Mas por que eles iam? É este o interesse da história, o senhor sabe. Vendo aonde esses desejos e esses padrões de vida aparecem. Não é sempre uma resposta materialista assim. Todos os tipos de coisas podem causar rebeliões, um desejo de liberdade, liberdade de expressão, liberdade de cultos religiosos, novamente uma outra série de padrões muito relacionados. Pode levar as pessoas a escolher a emigração para outros países, à formação de novas religiões, freqüentemente tão repletas de tiranias como as formas de religião que deixaram para trás. Mas em tudo isto, se se olhar duramente, se se fizerem as investigações necessárias, você pode ver o que foi que deu origem à investida desses e de muitos outros — e eu usarei a mesma palavra — padrões. De certa forma é como uma doença provocada por vírus. O vírus pode ser levado, pelo mundo afora, através dos mares, por cima das montanhas. Pode se propagar e contaminar. E aparentemente se propagar mesmo que não tenha sido posto em movimento. Mas ninguém pode ter certeza, mesmo agora, de que isso seja sempre verdade. Pode haver causas. Causas que fazem as coisas acontecerem. A gente pode ir adiante. Há pessoas. Uma pessoa, dez pessoas, algumas centenas de pessoas que têm capacidade para movimentar uma causa. Desta forma não é para o processo final que temos de olhar, mas para as primeiras pessoas que lançaram a causa em movimento. Você teve os seus cruzados, teve os seus entusiastas de religião, teve os seus desejos de liberdade, você teve todos os padrões mas você deve olhar mais para trás ainda. Deve penetrar no âmago da questão. Por detrás dos resultados materialistas, existem idéias, visões, sonhos. O profeta Joel já o sabia quando escreveu: — "Os homens velhos sonharão sonhos, os jovens terão visões". E destes dois, qual o mais poderoso? Os sonhos não são destrutivos. Mas as visões podem abrir novos mundos para você e as visões podem também destruir os mundos que já existem... »

Sobre as máscaras na política
«Na sala de reuniões do N° 10 na Downing Street, o Primeiro-Ministro, Sr. Cedric Lazenby, estava sentado à cabeceira da mesa e olhava para seus oficiais de Gabinete sem nenhum prazer. A expressão de seu rosto era definitivamente sombria, o que de certa forma proporcionava-lhe um certo alívio. Estava começando a pensar que apenas na intimidade de sua sala de reuniões podia descansar seu rosto com uma expressão infeliz, abandonando aquela que presentemente usava perante o mundo: um sábio e animado otimismo que tão bem lhe servira nas várias crises políticas de sua vida. »


Buzz this

Bill Bryson, Notes From a Small Island

bill bryson notes from a small island«Notes From a Small Island» e «Notes from a Big Country», dois livros de Bill Bryson (traduções disponíveis em português respectivamente com títulos «Crónicas duma Pequena Ilha» e «Notas Sobre um País Grande»), são duas obras compostas por crónicas publicadas em livro.

Obras compostas por textos relativamente pequenos mas repletos dum humor refinado sobre os hábitos de vida dos americanos, vistos por um americano casado com uma inglesa e que voltou à sua terra natal após ter vivido 20 anos em Inglaterra.

Pode-se espreitar o primeiro capítulo do «Notes From a Small Island» no site da Amazon [link]. «Notes from a Big Country» é dos dois aquele que acho mais divertido.


Buzz this

O Fliscorno vai de férias

fliscorno vai de férias

Caros amigos, o Fliscorno vai de férias. Até à última semana de Agosto os posts neste cantinho terão ritmo irregular.

Comigo vou levar uns livrinhos. Espero finalmente terminar "A brief history of time" de Stephen Hawking...
a brief history of time - Stephen Hawking


... e terminar também "A guerra do mundo", de Niall Ferguson.
A guerra do mundo - Niall Ferguson


Entretanto ainda passarei na Fnac para comprar outro volume da série "The far side gallery" de Gary Larson, cujos cartoons correspondem ao que eu gostaria de produzir se soubesse desenhar. :-)

the far side gallery by gary larson



Muito provavelmente também namorarei um ou outro volume do Calvin and Hobbes, a fantástica banda desenhada de Bill Watterson, que elejo como a minha favorita. Para quem aprecie estas tiras, o livro "Calvin and Hobbes - Tenth anniversary book" é imperdível. Nele, Watterson reuniu algumas tiras publicadas noutros volumes, acrescentou outras mas, sobretudo, incluiu textos com a caracterização das personagens e com algumas notas sobre determinadas sequências. Deveras interessante.

Calvin and hobbes tenth anniversary book


Boas férias ou bom trabalho, conforme seja o caso.