A RTP2 passou neste sábado ao fim do dia o documentário "O pesadelo de Darwin", um filme de 2004.
Todas as pessoas que no supermercado compram perca deviam tê-lo visto.
É relatada a história do comércio de perca à volta do Lago Victoria, na Tanzânia. Em 1960 a perca foi introduzida no lago naquilo a que se chamou ser uma experiência. Sendo um peixe carnívoro extremamente voraz, praticamente todas as espécies autóctones acabaram extintas. Multiplicou-se de forma tão rápida que actualmente este peixe é exportado para todo o mundo, seja em filetes, seja fresco.
O equilibrado ecossistema existia à volta do lago foi destruído e actualmente as populações vivem da exploração comercial deste peixe. Aviões russos, Antonov,
trazem diariamente toneladas de peixe para a Europa. Como voltar da Europa para a Tanzânia sem levar carga custa dinheiro e havendo conflitos intermináveis em África, então os Antonov levam para Angola as
armas vendidas pelos Europeus. Depois partem para a África do Sul para carregar
uvas. Depois vão à Tanzânia e carregam o peixe para, finalmente completar o ciclo trazendo a carga para a Europa.
Inevitavelmente, como em todos os locais com problemas sociais, a
prostituição também cresceu à volta do lago. Com ela veio o
HIV e o contágio àqueles que antes eram agricultores em aldeias próximas do lago mas que agora as deixam sazonalmente para fazerem a época da pesca. As aldeias perdem os seus homens e a pobreza das respectivas famílias aumenta ainda mais. As crianças adormecem profundamente fumando a cola que retiram das paletes velhas onde o peixe é transportado e os
abusos sexuais acontecem.
A degradação no seu apogeu. Em 1999 a União Europeia abriu as portas ao comércio da perca na Europa, exponenciando o existente problema. Mas será que ainda poderia piorar? Dependendo da opinião, sim. Em especial depois de ouvirmos um Comissário desta Europa brindar-nos com uma pérola da hipocrisia ao dizer que o Lago Vitoria é uma prova do sucesso que é a globalização.
Quando vir a perca à venda no supermercado, lembre-se que
ao não a comprar está activamente a não pactuar com esta situação.