a política na vertente de cartaz de campanha

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Extorsão

Imagem daqui, via texto no Montijo Terra Portuguesa.

Fui apanhado numa operação de caça à multa* porque tinha deixado passar o prazo de inspeccionar o veículo (por dias!). "Ah sim, a lei é para cumprir", disse-me o simpático polícia. Só não lhe perguntei se já foram multar as gasolineiras das autoestradas que ainda não têm painéis com os preços dos combustíveis porque a possibilidade de ser multado por desacato à autoridade seria elevada. Isto só para citar um exemplo na dualidade com se aplica a lei que, dizem, é para cumprir. Aceito perfeitamente que tenha sido multado: estava em incumprimento. Repudio, no entanto, a facilidade com que a uns é perdoado o incumprimento quando ao zé ninguém a mão de ferro é implacável. Estado de direito uma ova.

Foi a minha contribuição adicional, de 250 euros, para os buracos da banca, das derrapagens nas obras públicas, para pensões milionárias, rendimentos mínimos e mais uma miríade de coisas que o meu trabalho - e agora esta multa também - paga.

* Sim, caça à multa. Em conversa com outros condutores fiquei a saber que em outros pontos havia várias operações a decorrer (radares e operações stop). E é sabido que a polícia tem objectivos a cumprir no que respeita a cobrança mensal de multas. Isto diz tudo.


Quanto à caça à multa, este texto no Correio da Manhã é elucidativo:


27 Outubro 2008 - 22h00

Orçamento: Números dos primeiros nove meses do ano mostram

Caça à multa dá 216 mil euros/dia

O Estado arrecadou 58,4 milhões de euros, entre Janeiro e Setembro deste ano, em multas do Código da Estrada, mostram os números mais recentes da Direcção-Geral do Orçamento.



As infracções praticadas pelos condutores nos primeiros nove meses do ano já renderam mais quatro milhões aos cofres do Estado do que as multas cobradas no período homólogo. Há um ano, as coimas aplicadas totalizaram os 54,4 milhões de euros, o que equivale a uma subida de sete por cento entre 2007 e 2008.

Feitas as contas, as transgressões na estrada renderam uma média de 216,3 milhões de euros por dia até ao terceiro trimestre do ano. Aliás, em termos globais, o total das taxas, multas e outras penalidades aplicadas nos primeiros nove meses do ano já fiz entrar nos cofres do Estado 381,8 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 11,8 por cento face a 2007.

Para Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), de uma forma linear, "é natural que as receitas aumentem". "Havendo uma maior fiscalização, há uma maior receita, pois aumenta o número de prevaricadores", resume o responsável, garantindo que "a fiscalização é cada vez mais apertada".

Ainda assim, para o presidente do ACP, a atitude das forças de segurança não é compreensível. "Continua a haver nas estradas uma atitude de repressão e não de prevenção", diz Carlos Barbosa, sublinhando que "há em Portugal uma permanente caça à multa".

Para o provar, o ACP vai publicar na edição de Novembro da sua revista um trabalho com imagens "caricatas" que mostram a forma como a PSP e a Brigada de Trânsito da GNR fazem a fiscalização das estradas portuguesas [nota do Fliscorno: está aqui]. "Há radares escondidos nos sítios mais extraordinários", garante o responsável.

Entre alguns dos exemplos dados pela revista, o líder do ACP aponta o caso "de um jipe não identificado, estacionado no final da A5, com uma máquina e um radar escondidos atrás de uma placa de sinalização" e o controlo da velocidade na A23, cuja fotografia mostra "um carro da polícia estacionado numa estrada paralela e um cabo com uma máquina e um radar na auto-estrada".

"Se estão numa de facturar não sei, mas estamos num país em que não há prevenção e a caça à multa é uma realidade", conclui Carlos Barbosa.

Na proposta de Orçamento do Estado para 2009, o Governo espera arrecadar 97,4 milhões de euros em multas do Código da Estrada, o que equivale a uma entrada diária de quase 267 milhões de euros nos cofres do Estado.

Aliás, entre taxas, multas e outras penalidades (receitas não-fiscais), o Governo estima amealhar 780,8 milhões de euros, mais 28,6% do que as receitas previstas para este ano.

PORMENORES

PREVISÃO

De acordo com o Orçamento do Estado de 2008, as taxas, multas e outras penalidades devem somar 607,1 milhões de euros até ao final deste ano, uma subida de 12,9% face ao valor registado em 2007.

PENHORA DO ORDENADO

Não pagar uma multa pode desencadear a penhora de contas bancárias, bens e, inclusivamente, do ordenado do infractor. O Estado tem, aliás, usado este mecanismo com maior regularidade.

"PATRULHAS DÃO MAIOR ATENÇÃO ÀS INFRACÇÕES" (José Manageiro, Presidente da APG/GNR)

Correio da Manhã – Considera que existe uma intensificação da caça à multa?

José Manageiro – Não acredito. O que existe são novas opções do modelo de patrulhamento, em que se dá uma maior atenção às infracções.

– Os elementos da GNR são instruídos para passar um grande número de multas?

– Não há indicações explícitas para isso [nota do Fliscorno: isto é falso. É público que existem objectivos mensais a cumprir]. O que se passa é que os elementos são obrigados a autuar quem comete infracções.

– A que atribui, então, este grande aumento nas verbas das multas?

– A intensificação de operações STOP e, também na área da fiscalização rodoviária, o grande investimento realizado na aquisição de equipamentos de detecção de velocidade podem ter contribuído para isso.

– Esta é a postura mais correcta da GNR?

– A actuação é mais repressiva do que preventiva, ao contrário do que defende a APG. O aumento da componente preventiva representa um grande investimento, principalmente em recursos humanos [nota do Fliscorno: e não dá lucro!].



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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2008

Gráficos relacionados:



Face à notícia hoje no Público , republico de um texto anterior  três gráficos. Para todos eles, o ponto máx. é aquele onde todas as grandezas atingem o valor máximo (índice 100 do gráfico; ver mais em baixo). O preço do brent nestes gráficos está atrasado uma semana relativamente ao PVP dos combustíveis, correspondendo ao atraso das gasolineiras na resposta às variações do brent.


2008:
Combustíveis em Portugal: Gasolina, gasóleo e brent: 2008
zoom 100%

Quanto à evolução recente dos preços, vê-se neste gráfico que o brent (curva amarela) desce a uma taxa superior à do gasóleo (curva roxa). A gasolina acompanha a do brent.


2007 e 2008:
Combustíveis em Portugal: Gasolina, gasóleo e brent: 2007-2008
Zoom 100%

Em 2007, a gasolina sem chumbo 95 acompanhou mal o preço do brent.


2005 a 2008:
Combustíveis em Portugal: Gasolina, gasóleo e brent: 2005-2008
Zoom 100%

Este gráfico evidencia, pelos pontos A, B e C, o quanto a gasolina tem tido um mau comportamento quando comparada com a variação do preço do brent.


Notas sobre a produção destes gráficos

Estes gráfico são actualização dos anteriores. Tal como eles, foram elaborados nas seguintes condições:

  • Estes dois preços são apresentados no gráfico antes da aplicação de ISP e IVA (preços sem taxas: PsT).

  • Também são apresentados os valores brent blend spot price em euros, desfasados em uma semana relativamente aos valores PsT (os valores do brent na semana 10, por exemplo, são mostrados na mesma vertical dos valores do PsT da semana 11). Desta forma é possível comparar directamente as curvas do brent e do PsT.

  • Estas três séries foram ajustadas para num gráfico de índice 100 para comparar os valores em causa mais facilmente.

Fontes:



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Preços dos combustíveis online (uma espécie de...)

Agora só falta fazer o mesmo para
- batatas e feijões;
- pastéis de nata;
- conquilha e berbigão.
    Entretanto, é melhor esperar sentado. É que o site implementado pela empresa Masterlink - Sistemas de Informação, Lda., pese embora a enorme lista de serviço junto do estado (e quase só junto do estado!) não parece ter estado à altura para implementar um portal com algum tráfego. Quem sabe se não lhes terá faltado algum génio pago a peso de ouro?



    Adenda: 17-02-2009, 14h00:

    No Público: «As gasolineiras que têm postos de combustíveis nas auto-estradas podem também incorrer em multas que vão igualmente até aos 30 mil euros, uma vez que a afixação dos painéis se arrasta desde Novembro de 2008».
    Certo. Vamos ver se a lei existe para ser cumprida sempre.


    Adenda: 18-02-2009, 0h30:

    Ao tentar aceder novamente ao site em causa, fica comprovada a incompetência. Se hoje à tarde o site demorava minutos a abrir, agora deixou de abrir e dá um erro no SQL! Que amadorismo. Gostava de saber como é que esta empresa tem tantos contratos com o estado. É que posso fazer melhor e, se calhar, até mais barato. E já agora, antes que venham com a conversa habitual de enorme interesse no site (que nada prova além da incompetência no dimensionamento do projecto), aqui fica um conselho: perguntem aos do maisgasolina.com como é que eles fizeram aquilo. É que o deles funciona.


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    Chips RFID nas matrículas de veículos automóveis: considerações

    1. O argumento "roubam-me o carro, o chip serve para localizar" é ingénuo. Basta "queimar" o chip e não circular por estradas com portagens. Dizem que um ladrão de carros consegue abrir uma porta em segundos. Seria um pouco distraído esquecer-se de desligar a "sirene" da "sua" viatura.

    2. Os chips RFID não são seguros. É questionável se algo inseguro contribui para um aumento de segurança. Além disso, o argumento desaparece se o chip desaparecer.

    3. Existe uma grande diferença entre os dados estarem impressos num papel colado no vidro e estarem num chip RFID+base de dados: os dados em papel não são passíveis se serem processados massivamente. Por alguma razão, a CNPD foi criada após o uso generalizado da informática e não antes.

    4. Não importa que dados estarão no chip pois associado a cada um deles haverá seguramente um identificador único. Conseguindo-se ler (ilegalmente ou não) esse identificador e sabendo a que carro pertence passa-se a ter um gravador automático das passagens desse veículo num dado local. Basta que lá esteja um equipamento de leitura (legal ou não).

    5. As escutas telefónicas passaram a ser enquadradas na lei. E as vigilâncias com recurso a esta tecnologia?

    6. O estado tem dado provas sucessivas de que é incapaz de manter a confidencialidade das coisas que sabe sobre os cidadãos. Sem ir mais longe, basta ver o caso Freeport. É por isso válido concluir-se que quanto mais o estado souber sobre os cidadãos, maior será a devassa da sua vida privada.

    7. O projecto tem um custo elevadíssimo. Apenas a intenção de se usar o sistema em larga escala permite justificar a sua implementação. Não se vai estar a gastar todo este dinheiro para cobrar portagens em uma ou duas SCUT. Preparem-se por isso para novos impostos.

    8. Finalmente, quanto ao argumento relacionado com a verificação automática do seguro e inspecção "em dia":
    a) se se pretender fazer o controlo ao passar por pontos de leitura, como portagens, ou só alguns veículos serão verificados (os que passarem nas SCUT onde se diz que isto estará em funcionamento) ou passarão a existir pontos de leitura espalhados por todo o país. Neste último caso, ver os anteriores argumentos 4 e 7;

    b) por outro lado, precisando estar o agente da autoridade ao lado do veículo, não constitui um ganho significativo poder validar os dados do veículo por meios electrónicos em vez de o fazer por inspecção visual.


    Na minha opinião, o chip nas matriculas servirá para introduzir portagens de forma generalizada em locais onde actualmente elas não existem (cobrança automática de estacionamento na via pública; entrada em cidades ou em zonas específicas das cidades; SCUTs, ICs e vias rápidas actualmente sem portagens; etc.). Esta realidade pouco interessante em termos eleitorais está a ser vendida pelo recurso a uma campanha de medo, sugerido que é para segurança das pessoas.

    Por não se ter acesso imediato à necessária tecnologia, os problemas de segurança e privacidade não surgirão pelo ladrão de gazua mas poderão vir do próprio estado e de grupos criminosos organizados. Por outro lado, o cidadão não fica mais protegido pois até um teenager será capaz de invalidar o chip. Assim sendo, esta medida não traz benefício algum para o cidadão. Pelo contrário, será mais uma fonte de despesa pública, paga por quem já se sabe e com impacto real na sua vida privada.

    Supostamente existindo o estado para servir o interesse dos cidadãos, não deve este legislar contra eles. Mas é isso que está a ser feito com os chips nas matrículas.



    Sobre a segurança dos RFID:



    Video: Hacker war drives San Francisco cloning RFID passports
    Think of it this way: Chris Paget just did you a service by hacking your passport and stealing your identity. Using a $250 Motorola RFID reader and antenna connected to his laptop, Chris recently drove around San Francisco reading RFID tags from passports, driver licenses, and other identity documents. In just 20 minutes, he found and cloned the passports of two very unaware US citizens. Fortunately, Chris wears a white hat; his video demonstration is meant to raise awareness to what he calls the unsuitability of RFID for tagging people. Specifically, he's hoping to help get the Western Hemisphere Travel Initiative -- a homeland security project -- scrapped. Perhaps you'll feel the same after watching his video posted after the break.


    Read -- Western Hemisphere Travel Initiative
    Read -- RFID passports cloned


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    Ainda os chips nas matrículas

    Antes que o chamem para aqui, há sempre o argumento do telemóvel. Contrariamente ao chip das matrículas, só o usa quem quer e quando quer.

    Lamento que este governo decida assim levianamente aspectos sensíveis da vida dos portugueses. Casamentos gay têm direito a programa eleitoral. A privacidade de cada um não.

    Prioridades.

    Obviamente que isto dos chips é fantástico. Primeiro aplica-se a uma ou outra SCUT. Depois, faltando uns cobres para mais umas grandes obras públicas, alguém se lembrará "olha a VCI ainda não paga portagens; o IC19 também não". Topam? ;-) É uma autêntica árvore das patacas.

    E depois as justificações no comunicado do Conselho de Ministros! Give me a break! Os carros que pararão nas portagens deixam de emitir CO2? Se alguém ainda se lembra, não tida sido dito que isto seria um sistema opcional para as actuais concessionárias?

    Tanta demagogia.

    E que contribui para aumentar a segurança! Muito pelo contrário. Estes chips RFID são clonáveis, como já há relatos:

    http://www.wired.com/science/discoveries/news/2006/08/71521

    In a demonstration for Wired News, Grunwald placed his passport on top of an official passport-inspection RFID reader used for border control. He obtained the reader by ordering it from the maker — Walluf, Germany-based ACG Identification Technologies — but says someone could easily make their own for about $200 just by adding an antenna to a standard RFID reader.

    He then launched a program that border patrol stations use to read the passports — called Golden Reader Tool and made by secunet Security Networks — and within four seconds, the data from the passport chip appeared on screen in the Golden Reader template.

    Grunwald then prepared a sample blank passport page embedded with an RFID tag by placing it on the reader — which can also act as a writer — and burning in the ICAO layout, so that the basic structure of the chip matched that of an official passport.

    As the final step, he used a program that he and a partner designed two years ago, called RFDump, to program the new chip with the copied information.

    The result was a blank document that looks, to electronic passport readers, like the original passport.

    Ah é tudo muito seguro.

    http://news.google.com/news?hl=en&newwindow=1&lr=&ie=UTF-8&tab=wn&ncl=1299985494

    Finalmente, há o pequeno detalhe desta porcaria custar 40 milhões de euros. Mas o que é isso para um governo que mete 180 milhões num Buraco Pleno de Nada?



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    O grande chipador mira-o

    O grande chipador mira-o

    a notícia

    gracinhas anteriores

    Esta porcaria de ideia tem sido vendida pelos spin doctors do PS como sendo uma forma de tornar mais eficiente a acção policial quanto à verificação dos seguros e das inspecções.

    Estes espertos devem achar quem atirando areia aos olhos ninguém verá as suas intenções. Ou pelo menos, um número suficiente ficará na cegueira.

    Vem isto a propósito da verdadeira razão para tornar estes chips obrigatórios: cobrar portagens nas SCUT e em outras estradas que lhes passe pela cabeça. Sabe, caro leitor, depois do sistema montado, é só lançar mais umas mini-portagens em vias rápidas e voilá assim se ganham receitas fiscais a cair do céu que nem ginjas.

    Claro que a estratégia é a dissimulação, não vá o povão ressentir-se em ano de eleições.

    Para cobrar mais uns cobres, nada lhes importa que a privacidade de cada um fique mais diminuída. Tristes.


    Textos anteriores:

    O ímpeto de controlo estatal
    «A vontade de controlar o cidadão não é original, nem uma invenção autoritária do Governo Sócrates. A Inglaterra é o país do mundo com mais câmaras de vigilância por habitante. E é público o assalto aos direitos do indivíduo na América (e também em Inglaterra) depois do 11 de Setembro. A existência de meios leva inevitavelmente o Estado (esteja nas mãos de quem estiver) a pretender regular e dirigir a sociedade.» Vasco Pulido Valente
    O erro de Orwell
    É um facto que as pessoas cada vez mais não se importam de ser permanentemente vigiadas. Orwell estava errado quando achava que o Big Brother seria uma imposição.

    Uma má notícia
    Se o agente da autoridade já tem que estar junto ao veículo e tendo o tal dispositivo para se ligar às bases de dados, porque é que não basta inserir a matrícula do veículo no aparelho, obtendo desta forma exactamente as mesmas informações?

    Como é que se garante a inviolabilidade dos dados contidos no chip? [...]


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    Relatividades

    a lei segue dentro de instantes

    Algumas leis parvas têm tolerância. Outras, não.
    No
    DN e no Correio da Manhã
    .

    gracinhas anteriores


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    Preços da gasolina, gasóleo e brent de 2007 a 10 Outubro 2008

    Gráficos relacionados:


    Tendo a EIA actualizado as suas séries de preços do Brent, aproveitei para também actualizar os gráficos anteriores. Acrescentei também um gráfico relativo a 2007. Nele, é de notar o balão no PVP da gasolina. Gostava de saber como explica a Concorrência esta forma invulgar de seguir os preços da matéria prima.

    No gráfico de 2008, destaquei três pontos. O ponto 3 e o ponto 1 têm o crude sensivelmente ao mesmo preço mas já o mesmo não acontece com o gasóleo (o combustível que me interessa).

    No ponto 2, o ponto correspondente com o mesmo preço do crude fica em 2007, fora do gráfico (ver o de 2007). Neste caso a discrepância ainda é maior e adivinhem quem é que ficou a arder? As petrolíferas é que não foram.

    É curioso, finalmente, que com tantos estudos que a Autoridade da concorrência fez e não tenha apresentado nenhum gráfico deste género. Será que as minhas contas estão erradas? Ou estes gráficos não ajudam à tese do "tudo bem"?

    Próxima actualização: 22-10-2008 (data em que a EIA actualizará as suas séries de dados).











    Estes gráfico são actualização dos anteriores. Tal como eles, foram elaborados nas seguintes condições:

    • Estes dois preços são apresentados no gráfico antes da aplicação de ISP e IVA (preços sem taxas: PsT).

    • Também são apresentados os valores brent blend spot price em euros, desfasados em uma semana relativamente aos valores PsT (os valores do brent na semana 10, por exemplo, são mostrados na mesma vertical dos valores do PsT da semana 11). Desta forma é possível comparar directamente as curvas do brent e do PsT.

    • Estas três séries foram ajustadas para num gráfico de índice 100 para comparar os valores em causa mais facilmente.
    Fontes:

    Adicionalmente, disponibilizo no Google Docs os dados usados e tratados:



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    Munique, 10-08-2008, um dia como os outros, também com carros


     

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    Um dia com os mesmos carros


    Munique, local de estacionamento de bicicletas junto a uma estação de metro
     
    Ainda são poucos - apenas um por cento - mas os portugueses estão a andar mais de bicicleta, escreve o Público. Portanto, são poucos mais - um título algo estranho. Quanto à futura pista ciclável em Lisboa entre Belém e o Cais do Sodré, estamos perante um faz de conta. Esta zona já é ciclável em toda a extensão, mesmo que não tenha uns riscos pintados no chão - e parece-me que será essa a grande obra a nascer, uns riscos no chão a delimitar o espaço onde já hoje se circula. Veremos se esta pista não será algo apenas para entretenimento e para a fotografia eleitoral, sem resolver a questão de fundo que consiste na inexistência duma rede de ciclovias como as que existem em muitas outras cidades europeias. Sobre as iniciativas de dispor dumas dezenas ou até uma ou duas centenas de bicicletas para utilização gratuita, há que reconhecer o óbvio: apenas satisfará algum turismo e certamente que haveria onde melhor gastar o dinheiro público.
     
    Entre nós e no actual contexto, só quem não tiver amor à vida ousará usar a bicicleta como meio de transporte, seja na cidade ou no campo. A inexistência de bermas e de pistas para bicicletas obriga à partilha da estrada com os automobilistas e a sua condução agressiva. E no entanto existem realidades diferentes! Em muitas cidades, a rede de transportes públicos interligada é suficientemente atractiva para desencorajar o uso do carro. Dessa forma, a bicicleta com as suas estradas para  bicicletas, é o natural meio de transporte para curtas distâncias.
     
    E nas nossas cidades, o que se pode fazer? Fisicamente, já não existe espaço para construir pistas para bicicletas. As vias públicas estão divididas entre a zona de circulação automóvel e os estacionamentos, sobrando por vezes apenas um espacinho para circulação pedonal. Todas as cidades têm zonas planas e de pouca inclinação, potenciais locais cicláveis. Acontece que a quase totalidade das ruas estão abertas ao tráfego automóvel, salvo as excepções das chamadas "baixas" vocacionadas ao turismo e comércio tradicional. Mas consideremos esta hipótese: e se apenas algumas ruas das cidades estivessem abertas ao tráfego automóvel? Certamente que seria possível planear eixos de passagem e eixos secundários, sobrando os eixos locais. Os primeiros e segundos seriam abertos ao automóvel no geral e os eixos locais seriam abertos apenas a moradores, cargas e descargas, peões, bicicletas e transportes públicos. Passariam a existir ruas com poucos carros onde seria seguro circular de bicicleta. Este meio de transporte poderia então ser efectivamente usado como complemento ao transporte principal, fosse ele o privado ou público.
     
    Textos anteriores sobre esta temática:

    Posted by email from fliscorno's posterous



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    Uma má notícia

    Cavaco Silva promulga decreto para instalação de ‘chip’ electrónico nos automóveis.

    Solução? Comprar e registar carro em Espanha. Menos IVA, menos IA e mais privacidade. Claro, depois haverá outros pormenores a considerar.





    O próprio PR reconhece o problema:

    Comunicado sobre a promulgação do diploma que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados
    Trata-se, sem dúvida, de um domínio particularmente melindroso do ponto de vista da salvaguarda da esfera da vida privada dos cidadãos que exige uma adequada densidade normativa e um conjunto de garantias substantivas que o decreto-lei a emitir na sequência da lei de autorização legislativa deve contemplar, tal como foi transmitido por escrito pelo PR ao Governo.

    Infelizmente optou pela fuga para a frente, certamente por ainda não conhecer a Lei de Murphy: se alguma coisa puder correr mal, então correrá mal.

    Se há a possibilidade do uso indevido desta tecnologia, será apenas uma questão de esperar até que isso aconteça! Perante a dúvida, a melhor segurança consiste em optar pela inexistência dos meios que virão a causar problemas. Isso sim, seria prevenção.

    Agora, concretamente sobre a tecnologia em causa. Estes chips funcionam por proximidade. Isto é, será necessário estar junto ao chip - e ao veículo, portanto, para ler a informação nele contida. Além disso, a informação no chip, isoladamente, de nada serve, já que pode estar desactualizada ou adulterada. Portanto, esta tecnologia obriga a uma ligação online a alguma base de dados onde será verificada o estado das informações como sejam a inspecção periódica e o seguro automóvel. A figura seguinte ilustra uma possível forma de funcionamento desta tecnologia.



    O agente da autoridade estará ao lado do veículo - estes chips funcionam por proximidade, e usará um leitor para recolher a informação constante no chip. Terá alguma forma de comunicação sem fios para se ligar a um servidor, transmitindo-lhe a informação contida no chip. Tipicamente, esta informação será um número de série, acrescida de outros dados. Este número de série, o bilhete de identidade do veículo (poderá ser a matrícula) será usado para pesquisar as bases de dados e o resultado da pesquisa será devolvido ao agente da autoridade, o qual usará esta informação de acordo com o seu julgamento.

    Se o agente da autoridade já tem que estar junto ao veículo e tendo o tal dispositivo para se ligar às bases de dados, porque é que não basta inserir a matrícula do veículo no aparelho, obtendo desta forma exactamente as mesmas informações?

    O chip só virá a permitir a automatização dum passo: a leitura da matrícula. Todo o restante processo será semelhante.

    Excepto...

    ... excepto se não nos foi contada toda a história! Esta tecnologia também permite que se passe num determinado ponto e, sem intervenção humana, a informação contida no chip será lida e processada. Com que fim? Controlo automático da legalidade do veículo? Cruzamento ilegal de dados? A tecnologia passa a existir, tudo é possível!

    Existe ainda o potencial pântano da utilização comercial desta tecnologia. O próprio Governo admite que esta possa vir a ser utilizada de forma integrada na cobrança de portagens e outras taxas rodoviárias. Como é que uma empresa privada poderá ter acesso a estes dados para cobrar portagens e mesmo assim ser garantida a privacidade dos proprietários dos veículos automóveis?

    Finalmente, como é que se garante a inviolabilidade dos dados contidos no chip? Como é que o Governo vai garantir que daqui a algum tempo não aparecem no mercado, mesmo que seja no mercado negro, aparelhos para lerem a informação contida no chip? A resposta é simples: o Governo nunca conseguirá garantir isso e se o fizer estará a mentir com todos os dentes. Dirão que os dados são encriptados. Certo, grande coisa. Para demonstrar a debilidade deste argumento, reparem no que aconteceu com a indústria do DVD. Sim, do DVD. Um dos grandes receios dos estúdios cinematográficos era a possibilidade de os DVD passarem a ser copiados com a mesma facilidade com que aconteceu com os CD áudio. Por isso a indústria propôs um processo de encriptação dos dados contidos nos DVD, assegurando aos estúdios que esta tecnologia seria inviolável. Só assim os estúdios concordaram em abrir mãos aos seus valiosos conteúdos. E, no entanto, o resultado está à vista. Alguns anos passados e uma falha humana tornou pública uma das chaves de desencriptação dos DVD (ver caso Realplayer) e, com ela, todas as outras passaram a estar acessíveis.

    A lição, que se aplicará necessariamente a estes chips nas matrículas é: se a informação existe, apenas será necessário algum tempo até que alguém a consiga ler. Conseguindo-a ler, passará a poder fazer por si mesmo o controlo da mobilidade do veículo e passará a poder aceder aos dados que estejam contidos no chip, aos quais actualmente não terá acesso.

    Esta novidade bacoca consiste num enorme atentado potencial à liberdade individual. Mas isto não preocupou o PR! A ele bastou-lhe «a necessidade de assegurar, de uma forma vincada, que a tecnologia a utilizar não desvirtue, na prática, os objectivos ligados ao controlo do tráfego rodoviário e, por outro, assegurar, com muita clareza, que os dados pessoais registados sejam objecto da maior reserva e acompanhados de um sistema que garanta efectivamente tal reserva». Ou seja, basta-lhe que teoricamente tudo funcione na forma ideal, mesmo que na prática isso possa não acontecer.

    Como seria de esperar, o pavlov PS lançou hurras:
    "Se o diploma foi promulgado é porque não suscitou nenhuma dúvida e como tal regozijamo-nos pela sua promulgação", afirmou o porta-voz socialista, Vitalino Canas. "O facto de não ter havido nenhuma dúvida constitucional nem nenhuma objecção política legitima duplamente o diploma", acrescentou

    Dupla mentira, como se pode ler no comunicado do PR. O diploma levantou dúvidas mas o PR acha que se podem fechar os olhos.

    Nitidamente, o partido que se chama a si mesmo da liberdade, guardou-a juntamente com o socialismo. Na gaveta.


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    Carrinhos de choque


    Para quê ter um carro eléctrico, supostamente amigo do ambiente, indefinido em termos económicos (a relação custo/benefício não é o ponto, segundo o ministro da economia) quando se pode ter um veículo verdadeiramente ecológico e sem dependência energética quanto aos combustíveis fósseis?


    Basta esperar que os pólos derretam, como se tem afirmado por aí e logo se poderá ir até qualquer ponto do globo neste novo transporte individual. E ainda torna desnecessários ginásios e directivas europeias sobre alimentação saudável, já o exercício é prato forte nesta forma de locomoção.

    Só falta esclarecer um ponto, problema também comum a estes novos carrinhos de choque: se estes veículos vão pagar apenas 30% de imposto automóvel e se não estão sujeitos ao ISP da gasolina e do gasóleo, onde vai o Estado buscar estes impostos? Hipóteses:

    a) o Estado passa a gastar muiiiiito menos (sim, sim, e o Pai Natal foi com o coelhinho mais o palhaço ao circo) ou

    b) a parvoíce passará a pagar imposto (o que daria muito jeito desde que os políticos não se auto-isentassem).


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    Em cheio

    A Blogotinha descobriu a crise para os combustíveis:



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    Questões para um milhão de dólares/638 mil euros

    1. Em que medida tem o dólar fraco contribuído para a escalada de preços do crude?

    2. Porque tem o dólar desvalorizado tanto e como se relaciona este facto com o financiamento do défice externo americano?


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    Novamente, quem não chora, não mama

    Empresas que tenham frota de transportes próprio vão passar a pagar
    mais imposto de camionagem, mantendo-se este inalterado para as
    empresas de camionagem. A perda de receitas que o Estado tem com umas
    empresas passa a ser compensado por outras empresas. Também a Brisa já
    fez saber que só aceita suportar os descontos nas portagens nocturnas
    para os camionistas até ao fim do ano, altura em que exige negociar
    contrapartidas com o governo.
    Aí está como se faz a aposta certa na gestão da crise dos transportes
    de mercadorias.


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    Democracia de camionista

    Não posso concordar com esta democracia de camionista. Se a vida lhes está difícil, também para mim o está. Acaso estiveram eles a defender baixas de impostos e benefícios fiscais para toda a população? Não. Eles trataram do seu negócio, tendo obrigando à participação quem quis e quem não quis. E quando o negócio da camionagem der lucro novamente, vão os camionistas fazer bloqueios para exigir que lhes aumentem os impostos?! Lamento que mais uma vez que o Estado só exista para me levar dinheiro, já que para manter a ordem pública não serviu.

    Sócrates diz que fez a aposta certa na gestão da crise dos transportes de mercadorias. Fez certamente a gestão que menos prejuízos eleitorais lhe causou. Nesse sentido, a gestão da crise foi-lhe certeira. De resto, tudo se resumiu a ceder à pressão sem parecer que estava a dar subsídios (está) e sem deixar os camionistas de mãos a abanar (não deixou).

    Numa gestão comunicacional bem elaborada, bem melhor do que a gestão do conflito, ainda aproveitou para criar a antítese da imagem construída nos últimos três anos de mandato. O Homem que faz História, que tem Rumo e Soluções também tem Medo. Deve ter falado na TV sobre isto. Não vi mas até posso antever a comoção que invadiria a minha pessoa. A mesma que, no cálculo estratega, leve milhões de espectadores a pensar que há um homem como nós à frente do governo. Um homem que vê cada vez mais mês no fim do ordenado e que não tem um camião para bloquear a Segunda Circular até que o Estado lhe conceda umas benesses.

    À conta dos impostos que o caro leitor e eu pagamos, o país pode continuar o seu rumo. Até ao próximo episódio.


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    O factor Chindia

    Tenho ouvido com frequência dizer que a crise dos combustíveis se deve ao factor Chindia, o aumento de procura na China e na Índia.

    Para que todos falemos do mesmo, convem notar que o aumento de mais de 100% no PVP dos combustíveis resulta, segundo esta explicação, do aumento de apenas alguns pontos percentuais no consumo da China e da Índia.

    http://www.newsweek.com/id/139396
    China is indeed a trendsetter when it comes to most commodities, typically accounting for 25 to 30 percent of total demand in various base metals and bulk commodities. But on the oil front, the United States is still the 800-pound gorilla of that market; it consumes nearly 25 percent of the world's total output, compared with 9 percent for China. India is far from being a major player in the commodity arena, accounting for no more than 5 percent of global demand for any major commodity and just 3 percent of the world's oil demand.

    Decorre naturalmente esta questão: explicará mesmo o factor Chindia a actual crise energética?


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    Passes sociais e paisagem

    Sócrates justificou o congelamento do preço dos passes sociais como
    forma de apoio aos mais desfavorecidos perante o aumento do custo de
    vida derivado da escalada do preço dos combustíveis.

    Hoje ficámos a saber que esses passes sobem em todo o país excepto,
    excepto para os passes sociais de Lisboa e Porto.

    Temos que concluir na paisagem que constitui o território fora de
    Lisboa e do Porto não existem desfavorecidos.



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    Vendas de combustíveis 1995 a Jan. 2008

    Vendas de combustíveis em PT 1995-2007
    Tamanho 100%:
    http://farm3.static.flickr.com/2274/2522066737_20fa498eae_o.gif



    Vendas de combustíveis em PT Jan. 2007 a Jan. 2008
    Fonte: DGEG
    Tamanho 100%:
    http://farm4.static.flickr.com/3156/2522896860_810893f72f_o.gif


    Conclusões
    • Muito ao contrário do que se tem por aí dito, não há assim um tão grande decréscimo no consumo de combustíveis;

    • De 2006 para 2007 até houve um incremento no consumo;

    • O consumo de Janeiro 2008 (últimos dados disponíveis na DGEG) é comparável ao de 2007, especialmente se atendermos ao padrão das oscilações;

    • A lamuria da Golpe relativamente aos menores lucros no sector retalho não corresponde a uma visão geral mas apenas a período concreto; temos que admitir que, no global, o padrão de subidas e descidas nas vendas é algo flutuante, não fazendo sentido olhar para o último período, em que terá havido menores vendas (não há dados oficiais!) para elaborar conclusões sobre os lucros da empresa.


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    Continue a dizer não à Golpe



    N'A Barbearia do senhor Luís

    Só para recordar:
    • A Golpe controla o mercado da refinação e da distribuição;
    • Como não há concorrência no mercado, os preços que a Golpe estabelecer serão aqueles que as outras cadeias seguirão;
    • Porque há-de a vida estar mais difícil para uns milhões, excepto para uma empresa de lucros milionários?