a política na vertente de cartaz de campanha

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Manuel Lopes Marques recebeu indemnização de 210 mil euros

Notícia na imprensa de hoje [link]:
  • Rave contratou o ex-director da Refer, Manuel Lopes Marques, que recebeu indemnização de 210 mil euros

  • A situação foi confirmada ao jornal [O Público] por Rui Reis, porta-voz da Refer.

  • Seis meses depois, Manuel Lopes Marques foi contratado para assessor do conselho de administração da Rave (Rede Ferroviária de Alta Velocidade), que é presidida também por Luís Pardal [Luis Pardal preside à REFER e à RAVE] , com um vencimento mensal de 5050 euros.
Agora pasme-se com o comunicado da REFER [link]
[...]
1.O Jornal “Correio da Manhã” publica com grande destaque na sua edição de hoje uma notícia intitulada “Director da CP despedido indemnizado e de novo contratado”, a qual, além de grosseiras confusões e erradas referências à estrutura empresarial do sector ferroviário, aborda igualmente, sem elementar respeito pelo rigor e correcção devidos, o processo de revogação do contrato de trabalho por mútuo acordo com um quadro superior da REFER e, cerca de seis meses mais tarde, o início da colaboração técnica contratada entre a RAVE e aquele especialista.

2. O Conselho de Administração da REFER, nesta como em todas as matérias, pauta a sua actuação pelo que entende ser as boas regras de gestão e pelo cumprimento rigoroso da lei, e age com total transparência de procedimentos.

3. Nessa medida, o Conselho de Administração tomou a iniciativa de solicitar à sua Tutela a instauração de um inquérito, tendo em vista proceder a uma apreciação rigorosa de todos os procedimentos adoptados na situação em apreço.
[...]
Repare-se:
  • o cumunicado realça as "grosseiras confusões e erradas referências à estrutura empresarial do sector ferroviário". Okkkkkkkaaaayyyyyyy e eu a pensar que a parte escandalosa era mesmo a questão da indemnização dada a alguém que pouco depois voltou a trabalhar no mesmo grupo empresarial.

  • o CA da REFER "pauta a sua actuação pelo que entende ser as boas regras de gestão". Pois o busílis da questão está mesmo no entendimento da REFER. Mas permite-nos perceber a razão da Rave, em 2005, ter registado um resultado negativo de 22 mil euros e a Refer ter fechado o ano passado com prejuízos acima de 160 milhões de euros. Questões de entendimento, está visto.
  • Mas ficamos descansados, pois tudo se vai resolver. A RAVE encomendou um inquérito!
Pergunta ao no querido governo: onde é que posso assinar o cartão do partido?


PS: uma pérola disponível na página da REFER:


Higher Technical Institute?! Este homem é um mister LOL
Oh bazarouco, muda lá isso e escreve Instituto Superior Técnico. Mas pensando melhor... mais vale isso ficar em inglês. Pode ser que assim algum estrangeiro descuidado o contrate. Sempre era menos um boy.


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Monty Python - Tchaikovsky's Piano Concerto No.1

Vá lá saber-se porquê, hoje apeteceu-me ser romântico. Encontrei o vídeo que, adequadamente, continua a misturada da frase anterior.



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País de cientistas



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Sobre o concurso para professor titular



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CCB

Mais uma para adicionar aos ditos de Mega Ferreira:
"Num país em que tanta gente não cumpre os mandatos, eu gosto de os cumprir. Mas se me perguntar: se eu soubesse que isto iria acontecer teria aceitado? Provavelmente, não."
Tadinho... É um incompreendido. E mesmo assim vai sacrificar-se, cumprindo a nomeação para Director do CCB. Talvez o seu actual lamento sobre a massagem ao ego do Sr. Berardo tivesse sido mais eficaz há uns meses atrás...


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Alerta Laranja na Madeira



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Gaivota no mar

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Mar azul, mas hoje nem tanto na Praia do Aterro, Leça da Palmeira, onde inacreditavelmente umas gotas de chuva fizeram transbordar os reservatórios ETAR. Segundo o Telejornal da RTP, os hidrocarbonetos que poluíram as areias e o mar "poderão não constituir um grande problema mas incomodam a população" (sic).

Só me ocorre perguntar: é a RTP accionista da Petrogal?!


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Os autarcas e as obras públicas

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Ordenamento urbanístico

Um amigo benfiquista mandou-me, orgulhoso, uma foto com uma vista aérea do seu estádio. Não pretendendo tecer comentários clubistas, não pude deixar de reparar na confusão de estradas, acessos e prédios que compõem o caos urbanístico daquela zona. Acto reflexo, procurei uma foto que mostrasse o novo estádio de Munique, apesar de já saber o que ia encontrar: um espaço organizado, com áreas verdes e sem os prédios em cima da auto-estrada, à lá segunda-circular.

O Benfica, bem como o Sporting, o Leiria (por ventura, o maior dos descalabros!), a Briosa, o Dragão e muitos outros (todos?) clubes da altura glória (!) do 2004 poderiam ter optado por soluções que fugissem dos centros urbanos, como fizeram as cidades do Mundial 2006. E vendendo os valiosos terrenos dos antigos estádios ainda teriam encontrado uma receita adicional para, porque não, pagar os impostos que nos devem (sim, porque o Estado somos nós).

Mas para quê planear e fazer coisas com ordem quando se pode fazer tudo de forma caótica? E se com esta estratégia ainda recebem apoios camarários e governamentais, para quê mesmo pensar se quer no assunto?

Tem-se falado em colocar portagens nas entradas da cidades. Dizem que é para limitar a entrada de carros. Mas são as políticas estruturais conducentes a que as pessoas se afastem da cidade? Os factos falam por si e estes dizem:
  • investimento nas redes de transportes significa novas estradas (os futuros elefantes brancos OTA e TGV obviamente que não contam como transportes públicos);
  • a educação, a saúde (por enquanto maternidades e urgências), forças de segurança, a cultura, serviços estatais e tantas outras coisas concentram-se nas cidades - e a tendência não é a descentralização;
  • o comércio concentra-se cada vez mais - se não já exclusivamente - em gigantescos centros comerciais;
  • ...
Realmente, porque havia um clube de futebol colocar-se em dissonância com o resto da sociedade?

Se antigamente Lisboa era Portugal e o resto era paisagem, então agora já nem isso podemos dizer. Dunas devoradas pelo mar e serras que parecem plantações de geradores eólicos substituiriam essa paisagem. Factos que não preocupam os portugueses em geral. Que não toldaram, pelo menos, a exuberância de contentamento do meu amigo perante a foto que me enviara.


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Fevereiro na Baviera



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Georges Moustaki

"Conheci" Georges Moustaki numa noite algures pelos 80's. Tinha recebido o meu primeiro gravador de cassetes e como os tempos eram outros, procurava encher as quatro ou cinco cassetes que o acompanhavam com as músicas da altura. O que implicava algumas noitadas de gravações, que era quando passavam na radio as músicas sem cortes. Apesar da minha juventude de então, uma vez acabei por adormecer com o gravador ligado e ao acordar, dou com uma cassete de 90 minutos cheínha. Pensamento imediato: "bolas, terei que apagar tudo". Mas afinal a Antena 1 tinha passado na íntegra o concerto de 1977 no Olympia e, apesar de não ser a música que então "se ouvia", alguns temas começaram por impôr a sua presença. A cassete sobreviveu.

Agora no Youtube encontrei duas outras pérolas, as dos posts anteriores. Mas a mais fantástica é mesmo a frase inicial no vídeo "Ma Solitude", dita pela moça: "On est bien [dans] la télévision"! :)



PS: Ao procurar verificar alguns dados para este texto, encontrei uma entrevista interessante:
Entrevista de Georges Moustaki à Bayerischer Rundfunk
(clicar no autofalante)


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Georges Moustaki - Ma solitude



Pour avoir si souvent dormi
Avec ma solitude
Je m'en suis fait presqu'une amie
Une douce habitude
Elle ne me quitte pas d'un pas
Fidèle comme une ombre
Elle m'a suivi ça et là
Aux quatre coins du monde

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude

Quand elle est au creux de mon lit
Elle prend toute la place
Et nous passons de longues nuits
Tous les deux face à face
Je ne sais vraiment pas jusqu'où
Ira cette complice
Faudra-t-il que j'y prenne goût
Ou que je réagisse?

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude

Par elle, j'ai autant appris
Que j'ai versé des larmes
Si parfois je la répudie
Jamais elle ne désarme
Et si je préfère l'amour
D'une autre courtisane
Elle sera à mon dernier jour
Ma dernière compagne

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude
Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude


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Georges Moustaki - Le meteque



Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Avec mes yeux tout délavés
Qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent
Avec mes mains de maraudeur
De musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins
Avec ma bouche qui a bu
Qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim

Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
De voleur et de vagabond
Avec ma peau qui s'est frottée
Au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon
Avec mon cœur qui a su faire
Souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoires
Avec mon âme qui n'a plus
La moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire

Avec ma gueule de métèque
De Juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Je viendrai, ma douce captive
Mon âme sœur, ma source vive
Je viendrai boire tes vingt ans
Et je serai prince de sang
Rêveur ou bien adolescent
Comme il te plaira de choisir
Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir

Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir


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A Experiência Pedagógica TLEBS

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Câmara Municipal de Lisboa Big Brother

A Câmara Municipal de Lisboa aderiu ao plano tecnológico (ou pelo menos ao deslumbramento da tecnologia) mas esqueceu-se da privacidade.

As imagens seguintes foram criadas por cópia de parte da página do seguinte endereço:
http://webserver.cm-lisboa.pt/turismo/webcam/index.asp


A webcam pode ser controlada remotamente

Vista sobre a cidade

O zoom da webcam permite perfeitamente espiar
quem distraidamente se encontre no Castelo



Inclusivamente quem vá tomar café no Castelo

E até, espante-se, se pode espreitar
para o interior das casas em frente ao Castelo.


Sei que o Turismo de Lisboa já foi informado no ano passado que está a praticar uma desnecessária violação de privacidade. Mas certamente que outros assuntos mais nobres os ocupam, pois nesta data a webcam continua plenamente funcional.

Usando as funções de pan & zoom da webcam, não foi possível encontrar nem bifas desnudadas nem a tabuleta a dizer "Está a ser filmado para todo o mundo. Aproveite e mostre à sua esposa a sua nova amante." Eventualmente, ambas existirão.

(mail do Dep.to de turismo da CM Lisboa: turismo@mail.cm-lisboa.pt)


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Geada


Um destes dias, a madrugada nasceu assim. Chovera há pouco, ainda durante a noite e agora a neblina a que tanto me habituara pelas manhãs frias do vale pairava no ar, misturada com o cheiro intenso da terra molhada. Senti-me transportado para outro tempo, incerto, dado os já longos anos de vida adulta na cidade do ganha pão.

Num cantinho onde o sol ainda não chegara lá estava esta planta à espera de ser mirada, exibindo os seus colares feitos de cristais de água, gritando de evidência em como a natureza é ordenada. E frágil. Mais alguns minutos e estes adornos seriam despidos pelo sol que já por entre as folhagens ia insistindo em chegar.

Espero poder repetir esta foto daqui a mais alguns anos. Será o sinal de que os GW Bush deste mundo foram derrotados na sua teimosia de que o clima não está a mudar.


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It's a beautiful day

Hoje, tudo leva a crer, será um dia especial. Começou por haver acidente na ponte às 7 da manhã, sendo que às 8 ainda havia pessoas encarceradas nos veículos. Ponte cortada e filas intermináveis, mesmo no sentido contrário ao acidente - louvores aos incansáveis mirones.

Uma vez que me levantara cedo e, como de costume, ouvira o trânsito na Antena 1 - que por acaso também é ouvida na Covilhã, na Guarda e em Alguidares de Baixo, localidades onde é fundamental o conhecimento quadri-horário do caos IC19, A5 e Ponte - estou agora em casa a ponderar se já valerá a pena sair.

O que vale é que está sol. It's a beautiful day.


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Sobre as remunerações da ANA, CGD, CTT e AdP em 2004

6,100,000.00 € (perante um número tão alto, tenho que pensar em contos: um milhão e 220 mil contos) é o montante que quatro empresas públicas ( ANA, CGD, CTT e AdP) gastaram em remunerações com os seus gestores em 2004.

Dito de outra forma, em 2004 quatro EP pagaram em cada mês 101.67 mil contos em remunerações. Se fosse correcto dividir em partes iguais este valor, isso significaria que cada uma delas gastou 25,417 contos por mês.

Claro que não nos devemos esquecer que aos valores pagos com remunerações existem sempre os habituais pacotes de "regalias", tais como cartão de crédito, isenção de horário, ajudas de custo, despesas de representação, telemóvel, carro, combustível, seguro de saúde, seguro de vida, casa, etc. Uma forma de aumentar consideravelmente a remuneração mantendo o salário "oficial". Além disso, estes montantes não são sujeitos a impostos por parte do trabalhador e aumenta, ainda, as despesas da empresa, a qual pagará menos IRC.

De notar ainda que muitos salários são complementados com acumulação de reformas devidas a cargos anteriores (nomeadamente, no caso dos políticos, dos gestores substituídos por outros de nomeação política, etc.).

A crise existe. Mas não para todos. A função pública do tacho continua em grande.


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As portagens nas cidades


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O Professor Único


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O Interregno

"Everything that could be invented has been invented."


Alguns afirmam que por volta de 1899 Charles H. Duell, comissário do Gabinete de Patentes Americano, terá dito que "tudo o que poderia ser inventado já tinha sido inventado", tendo mesmo apresentado a demissão ao Presidente McKinley e recomendado o fecho do Gabinete de Patentes.

Esta suposta citação tem sido dita, re-dita e até o Presidente Reagan a usou num discurso.

Mas apesar poder ser usada para causar umas boas gargalhadas, como fez Reagan, a verdade é que esta "citação" não passa dum mito, nunca se tendo encontrado documentos oficiais que o consubstanciassem. Possivelmente, este teve origem num relatório que Henry Ellsworth enviou em 1843 ao Congresso americano onde afirmava que "o avanço das artes, de ano para ano, testa a nossa credibilidade e parece indicar a chegada dum periodo em que que o desenvolvimento humano terá que terminar". Mas Ellsworth apenas estava a usar alguma retórica para enfatizar o crescimento do número de patentes apresentadas no restante relatório, tendo até apontado áreas em que previa que esse número crescesse ainda mais.

De citação em citação, por transcrições cegas, ou pela não verificação dos factos, uma citação inexacta de Ellsworth poderá ter dado origem, anos mais tarde, à afirmação erradamente atribuída a Duell. Note-se que este último até propôs medidas para melhoria do sistema de patentes, algo que não faria sentido se ele acreditasse que o gabinete deveria fechar.

Vem esta divagação a propósito da inactividade deste blog. Acontece que o autor tem andado com um sentimento de que todos os escândalos/corrupções/más políticas/compadrios/falta de estratégia/etc. que poderiam tomar lugar já aconteceram, sendo os novos episódios apenas mais do mesmo. Tal como num típico filme mainstream americano em que a história é, no fundo, sempre a mesma, apenas variando os protagonistas e a forma como é contada. Mas sempre com igual fim: final feliz no filme, com absoluta falta de vergonha e impunidade na nossa política.

Assim sendo, para quê continuar a escrever?

Há séculos que este país anda torto e com falta de rumo. Não serão meia dúzia de textos, e muito menos os deste blog, que alguma coisa mudarão. Veremos o que vem a seguir. Possivelmente outros assuntos e materiais por aqui aparecerão.




Referências:
Jeffery, Dr. Eber. Journal of the Patent Office Society. July 1940

Sass, Samuel. "A Patently False Patent Myth." Skeptical Inquirer 13 (1989): 310-312

http://inventors.about.com/library/lessons/bl_appendix5.htm

http://ask.yahoo.com/20050407.html

Citação original de Henry Ellsworth:
"The advancement of the arts, from year to year, taxes our credulity and seems to presage the arrival of that period when human improvement must end."


"Citação" atribuída a Charles H. Duell:
"Everything that could be invented has been invented."


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Postal de Natal


Copiado do Anterozóide
 



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Sobre a TLEBS

Sobre a TLEBS [Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário] e a necessidade da mudança pela mudança, com alguma frequência se tem falado nos últimos tempos.

Não sendo linguista, pouco sei do assunto, excepto que a nova terminologia soa a artificial. Já sobre a pressa com que ela está a ser englobada nos programas do ensino básico, algo me ocorre dizer. Como nos tem habituado o Ministério da Educação, é notória a falta de reflexão e o fazer sem planeamento - absolutamente em cima do joelho - na adopção da TLEBS.

Vasco Graça Moura escreve sobre este assunto, com sabedoria, no DN (http://dn.sapo.pt/2006/11/29/opiniao/a_culpa_responsabilidade.html ):

[...] em Março de 2005, no mesmo mês em que o Governo Sócrates entrou em funções, mas ainda antes, o ministério enviou às escolas uma circular [...] determinando que a TLEBS constituísse uma referência no tocante às práticas lectivas, à concepção de manuais e aos documentos produzidos em matéria de ensino e divulgação da Língua Portuguesa.
O mais elementar sentido de responsabilidade de qualquer alto funcionário imporia se aguardasse mais uns dias ou umas semanas, até que a nova ministra pudesse decidir conscientemente em matéria de tamanha complexidade.

Vasco Teixeira, presidente da APEL [Associação Portuguesa de Editores e Livreiros], confirma que o ministério, não só então, mas posteriormente, induziu os editores a prepararem manuais em conformidade (DN, 23- -11-2006).

E isto quer dizer que alguém se terá aproveitado da situação de transição entre governos para criar um facto consumado...

Tristemente, faz lembrar os episódios de "Yes, Minister" onde eram os funcionários do Public Service a decidir as políticas e o Ministro a dar a cara. Entre nós, pelo menos explicaria porque há (más) decisões que se mantém mesmo quando o ministro muda.


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Flexigurança

Flexigurança parece um termo saído da Novilíngua Orwelliana LOL

Nesta linha de raciocínio, tal como o Ministério do Amor fomentava o ódio e o Ministério da Paz tratava da guerra, irá o Ministério do Emprego e etc. promover o desemprego?


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Sobre o Estatuto da Carreira Docente

Parece que este ECD é só coisas boas. Não se percebe então porque não é aceite pela classe docente. Será por unicamente se resumir a uma forma de, em termos estatísticos e a longo prazo, reduzir os vencimentos pagos aos professores?

Haja honestidade e admitam-se os factos. Os argumentos usados para justificar o ECD são meras falácias:
  • Já existia avaliação na carreira docente, tal como na restante função pública. A mudança de escalão implicava, por parte do professor, a produção dum relatório que seria avaliado pelo ME. Se o ME o lia e usava ou não, convenhamos que isso já era problema do ME!
  • Lançou-se esse argumento que só na classe docente é que todos chegavam ao topo. A questão aqui é que a carreira docente não está estruturada em termos de hierarquia, como acontece por exemplo na administração pública. Aqui sim, existem funcionários, chefes de secção, chefes de departamento, etc., etc. (desculpem-me a imprecisão mas não conheço as exactas designações) e há de facto a necessidade de nem todos chegarem ao topo. Obviamente que não se podem passar todos os funcionários a chefes de departamento pela simples razão de que o trabalho realizado pelo "funcionário" não é o mesmo do realizado pelo "chefe de departamento" e porque há um número exacto de quantas pessoas são necessárias em cada posto. E nos professores, também é assim? Claro que não, quando se é professor, é-se professor! Não há professores e chefes de professores. Há alguns lugares como o Conselho Executivo que têm funções específicas e diferentes mas dentro da classe de professor não há distinção. Portanto, não faz sentido colocar a questão de todos os professores chegarem ao topo, pois quando um professor entra para a carreira, acabou nesse mesmo momento de chegar ao topo! O que acontece é que à medida que se é professor há mais tempo, o Estado decidiu pagar mais aos professores para eles executarem as mesmas funções. Terá sido uma decisão correcta? Isso é outra questão, a qual não está a ser abordada aqui.

    O que importa reter é que na carreira docente não há verdadeiramente carreira, pois isso significaria fazer coisas diferentes escalões diferentes. Começa-se por se ser professor e termina-se sendo professor. Não se começa como escrivão e se termina como chefe de secção.

    Por isso, argumentar que só na classe docente é que se chega sempre ao topo da carreira, sem dúvida que foi uma tirada de génio do ponto de vista da argumentação mas não deixa de ser uma falaciosa mentira.

    A artimanha do professor titular e do professor auxiliar consiste numa artificialidade pelo facto de ambos fazerem o mesmo: dar aulas. O ME lançou a ideia de que o professor titular, sendo mais experiente, teria a seu cargo algumas responsabilidades acrescidas, tais como escolha de manuais, decisões pedagógicas, etc. Vejamos, um leigo depreenderia que este tipo de responsabilidades seriam tomadas individualmente e, em consequência, também por professores sem experiência. A ser assim, estaríamos de facto perante uma situação grave. Mas acontece que essa não é a realidade, pelo simples facto de estes assuntos serem tratados ao nível do Conselho Pedagógico, no qual obviamente estão incluídos esses professores mais experientes. E creio que assim vai continuar a ser, mesmo com o novo ECD.

    Depreendemos então que a divisão da classe docente em duas, não servindo para distinguir funções efectivamente diferentes, serve unicamente para pagar mais a uns e menos a outros e, em termos médios, pagar menos pelo trabalho docente.
Mas ser político em Portugal é muitas vezes sinónimo de invertebrado gelatinoso. Por isso, em vez de se dizer "queremos pagar menos aos professores", afirma-se que eles trabalham pouco, faltam muito e ganham demais. Vira-se a população em geral contra eles, mesmo que isso traga o descrédito da Escola. Incentivam-se os ódios e depois aparece-se como justiceiro que acaba com privilégios sem fim.

Aproveito novamente para esclarecer que não sou professor (ainda bem!). Apenas tenho memória e vejo que esta mesma técnica vai sendo aplicada sectariamente, dum grupo profissional a outro. Com a excepção óbvia daquela função pública do tacho.


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Festa da Música 2007 - II

Festa da Música 2006 - fonte: http://www.flickr.com/photos/velouriadark/133121195

Em 23.03.06, sobre o orçamento da Festa da Música de 2007, Mega Ferreira disse em conferência de imprensa que "teve de haver reajustamentos de acordo com a nossa disponibilidade financeira, que é de 850 mil euros."

É só a mim que algo me escapa?! Mas vejamos, diz ele que não há orçamento. Será devido aos 500,000.00 euros que o MC vai passar a gastar obrigatoriamente cada ano com a exposição do sr. Berardo? Será também pelas obras que terão que ser feitas no CCB para albergar o tal museu? Será ainda também pelo facto desse museu passar a ter 5 administradores (cinco!!!), um dos quais esse senhor que foi acessor do Sr. Jack Lang?

Valerá a pena trocar a Festa da Música, um evento ímpar e de referência no nosso panorama musical, pela massagem ao ego do sr. Berardo?

Recomenda-se vivamente a leitura do texto do acordo entre o Estado e o sr. Berardo para que se perceba porque não há dinheiro para a Festa da Música.


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Festa da música 2007



Em Março de 2006 disse-se:

http://dn.sapo.pt/2006/03/23/artes/festa_musica_encontra_parceria_para_.html
Mega Ferreira, 2006/03/23:
O orçamento para a sua sétima edição (2006) foi de "850 mil euros".

http://dn.sapo.pt/2006/03/23/artes/festa_musica_encontra_parceria_para_.html
O Centro Cultural de Belém (CCB) conquistou uma parceria institucional para a sustentabilidade da Festa da Música: a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que concordou em apoiar com cem mil euros cada uma das próximas três edições do evento cultural (até 2008), prometendo ainda uma relação mais estreita com aquela instituição.


Em Novembro de 2006 disse-se:
Público, edição impressa, 11 de Novembro de 2006
Mega Ferreira: "a Festa da Música é um bom amigo da cidade de Lisboa e de Portugal"

http://jn.sapo.pt/2006/11/15/primeiro_plano/ministra_que_camaras_devem_financiar.html
Ministra da Cultura, 15 Novembro 2006:
"a Cultura também gera riqueza material", apoiando-se num estudo da Comissão Europeia o qual revelou que a chamada Economia Criativa (ligada às artes), em 2003, representou 2,6% do Produto Interno Bruto dos Países da União Europeia. "Mais do que o sector imobiliário, alimentar ou têxtil. Em 2004, a indústria criativa empregava 5,8 milhões de pessoas, ou seja, 3,1% do total de emprego na Europa".

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
"Tomámos a decisão de suspender a edição de 2007 da Festa da Música, embora seja substituída por outro evento musical, entre 20 e 22 de Abril, que será proposto pelo CCB e com um orçamento muitíssimo inferior".

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
Sobre o evento que substituirá em 2007 a Festa da Música, Mega Ferreira disse que se chamará "Dias da Música" e será dedicado ao piano, não devendo o seu orçamento ultrapassar um terço do da anterior iniciativa.

http://www.rtp.pt/index.php?article=260539&visual=16
20/11/2006: Ministra da Cultura:
"A programação que nós temos para o próximo ano é muitíssimo melhor do que aquela que tivemos para 2006", afirmou a ministra da Cultura.

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
Mega Ferreira explicou que a decisão da administração do CCB foi motivada pela falta de dinheiro para uma iniciativa daquela envergadura, acrescentando que o cenário para a continuação da mesma nos próximos anos "não é dos mais favoráveis".


Comentário
Um recital de piano e um concerto sinfónico não são comparáveis: ambos podem ser excelentes. Portanto, substituir a festa da música por "dias da música", preenchidos com obras para piano não torna a "programação muitíssimo melhor". Apenas diferente. No entanto, há alguns aspectos a ter em conta:

- a festa da música, entre concertos sinfónicos, recitais diversos, obras corais, conferências, etc., etc. também englobava concertos de piano; portanto os "dias da música" são necessariamente mais pobres;

- sendo esses "dias da música" muito mais pobres em termos musicais mas ainda assim apresentando um orçamento que não deve "ultrapassar um terço do da anterior iniciativa", é caso para dizer que gastar um terço do orçamento da festa da música em alguns concerto de piano soa (e muito) a esbanjar de dinheiro, sem que se atinja um terço da mesma produção musical.

Outra questão a colocar é para onde vão os outros dois terços que não se gastam com a festa da música. Estará esta decisão relacionada com a criação dum museu para acolher a exposição Berardo?

Segundo o acordo assinado por Socrates e Berardo, o 2º empresta por 10 anos os seus gatafunhos ao CCB. Em contrapartida, o Estado português deve:
- constituir um museu até 31 de Dezembro de 2006 para albergar essas coisas que o Berardo comprou;

- fazer as obras obras no CCB "que venham a mostrar-se necessárias para instalar o Museu".

Além disso:
- "Berardo exercerá vitaliciamente o cargo de Presidente Honorário da Fundação";

- "O Estado tem opção de compra da Colecção Berardo (a que seja constituída pelas obras que façam parte do Anexo)";

- O Conselho de Administração será constituído no regime de paridade, entre o Estado e o Comendador José Manuel Rodrigues Berardo (o quinto administrador será escolhido por acordo).

- "O Estado e o Comendador Berardo, constituirão um Fundo de aquisições para compra de novas obras de arte";

- "O Fundo será dotado anualmente com 500,000.00 euros por cada uma das partes."

Então vejamos, se a última festa da música custou 850,000.00 euros, teve à volta de 60,000 visitantes e cada bilhete custou pelo menos 6 euros, então, o "prejuízo" foi 850,000-360,000= 490,000.00 euros. A CML já tinha oferecido 100,000.00 euros, portanto o Estado só teria que entrar com 390,000.00 euros. Bem menos do que os 500,000.00 a pagar pelos rabiscos do comendador. E ainda se poupavam nas obras do CCB, na equipa de 5 administradores do museu(cinco!!!!!!!!! um dos quais o franciú que foi assessor de Jack Lang!), nos necessários funcionários do museu, etc., etc.

Portanto se o Mega-Estoirador Ferreira diz que não há orçamento, fica claro que isso se deve às fantasias do Sócrates e do seu amiguinho comendador.

Neste contexto, temos que colocar esta questão: vale a pena trocar a Festa da Música, um evento ímpar e de referência no nosso panorama musical pela massagem ao ego ao sr. Berardo?

Só tendo em conta o meio milhão de euros que o Estado tem que desembolsar para o tal fundo
de aquisições para compra de novas obras de arte já a brincadeira fica 110,000.00 euros mais cara do que a Festa da Música. A esta despesa há a somar o disparate da constituição e funcionamento do museu e dos seus 5 administradores e despesas associadas.

Ah, mas a programação do CCB vai ser muito melhor em 2007! Isso e eu vou doar todos os meus rendimentos ao fisco e os políticos vão passar a cumprir as promessas eleitorais.


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O ano Mozart e o CCB



2006 é o ano em que decorrem 250 anos sobre o nascimento de Mozart. Um pouco por todo o lado, com especial incidência na Áustria e na Alemanha, o número redondo foi aproveitado como pretexto para programas musicais especiais com obras do génio. Como de resto se vai fazendo com outras datas redondas de outras efemérides.

Mas será mesmo um pouco por todo o lado? Numa certa jangada de pedra, existe um jardim à beira mar plantado que resiste agora e sempre ao invasor cultural, recorrendo à velha arte de não planear atempadamente. Tal é a sua eficácia que poucos são os locais cujas barreiras são transpostas, sendo uma dessas excepções um tal CCB, conhecido por Centro Comercial de Belém.

E é precisamente no próximo dia 5 de Dezembro de 2006, quando faz 215 anos sobre a morte de Mozart, que o CCB encerra a sua temporada comemorativa do nascimento de um dos expoentes máximos da música clássica. A qual, já agora, começou a 4 de Novembro.

Terei notado nos caros leitores um ligeiro franzir do sobreolho, revelador de algumas dúvidas sobre a exactidão das datas e números apresentados? Ou terá sido apenas o meu próprio reflexo no monitor deste computador?

Vejamos o que diz o editorial do CCB:
"A série dedicada a Mozart, nas semanas finais das comemorações dos 250 anos do seu nascimento, inclui a integral das sonatas para piano, executadas por Jorge Moyano e António Rosado, o concerto de encerramento (no dia da morte do compositor) em que Harry Christophers e The Sixteen apresentarão a Grande Missa em Dó menor KV 427 e um inovador ciclo de sessões de ópera em vídeo, animadas por João Maria de Freitas Branco, em que serão discutidas e apresentadas cinco produções históricas de outras tantas óperas mozartianas."

Como?! Então de um compositor que criou mais de 600 obras, indo de pequenas peças a sinfonias, passando por concertos, música de câmara, obras de piano, óperas e música coral, opta-se por um "inovador ciclo de sessões de ópera em vídeo"?! Ah, ok, são "animadas por João Maria de Freitas Branco"...

Bom, mas o programa é mais do que isto, por isso analizemo-lo em maior detalhe.

ccb mozart festa da música
Portanto, para além da exibição de 5 vídeos com óperas de Mozart, há ainda a projecção dum filme intitulado "A Flauta Mágica", obra cinéfila notável mas uma escolha questionável para uma programação musical... Sobre este filme, está escrito no site do CCB:
"Por outro lado, o público português poderá admirar, pela primeira vez, o pano de cena (23,5×13,5) pintado sobre cartão de Marc Chagall para a terceira cena do segundo acto da produção de 1965 da Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. A obra faz parte do acervo da Colecção Berardo."


Oookkkkkkaaayyyyyyyyyyyy, assim está bem. Poderemos admirar, pela primeira vez, o pano de cena (23,5×13,5) pintado sobre cartão de Marc Chagall para a terceira cena do segundo acto da produção de 1965 da Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. Esta colecção Berardo é mesmo o máximo, até tem cenários e tudo.

Sobram-nos ainda três eventos: os quatro concertos para piano onde desfilarão as 18 sonatas de Mozart, uma coisa entitulada o "Chiaroscuro das Paixões" e uma outra designada por "The Sixteen/The Symphony of Harmony and Invention". Vamos então ver do que se tratam.



O Chiaroscuro
ccb mozart festa da músicaO Chiaroscuro, junção das palavras italianas claro e escuro, dá o nome a este concerto sem que se perceba bem porquê, excepto se for pelo cinzento resultante desta mistura musical com temas de Bach, Brahms, Liszt, Stravinsky, Gershwin, Bernstein, Takemitsu, Lutoslawsky! Ah, é verdade, e de Mozart. Uma verdadeira rapsódia que se serve para um concerto de Mozart, também serviria para qualquer um dos outros oito compositores. Nota a reter: ora aqui está um belo exemplo de como se pode planear um concerto que poderá ser re-utilizado em oito outros ciclos.

Missa Incompleta de Mozart KV 427
ccb mozart festa da músicaA Missa Incompleta de Mozart KV 427, escrita em 1782-3, terá sido um presente de casamento à sua esposa Constância. Estreou a 26 de Outubro de 1783 e a própria Constância foi soprano solista. Nesta data foram apresentadas as partes Kyrie, Gloria, Sanctus, Osanna e Benedictus e no regresso a Viena Mozart esboçou parte do Credo e do Agnus Dei, sem no entanto os terminar. Por esta razão tem esta missa sido adjectivada de incompleta. Há, no entanto, quem não partilhe desta ideia. Philip Wilby e Peter Allan, por exemplo, na sua recente edição Novello, escrevem no prefácio que "[esta partitura incompleta] pode ser explicada pela prática litúrgica nos tempos de Mozart. Não era costume cantar o Agnus Dei numa missa coral com orquestra, nem o credo, excepto aos domingos e dias festivos... Podemos então assumir que Mozart disponibilizou todo o material para a primeira audição desta missa."

Portanto, estamos perante uma boa escolha para um programa musical desta natureza. Já a opção por Caldara e Gluck, se bem que explicáveis, soa a algo forçado, especialmente pelo facto de tantas outras opções musicais existirem na obra deste autor e que não foram nem levemente abordadas neste ciclo do CCB. Parece, antes, que este pequeno coro de 16 elementos e a necessariamente pequena orquestra que os acompanhará (pequena em número, pois de contrário as vozes serão abafadas) vai interpretar o repertório que tem ensaiado.

Os preços para os bilhetes da plateia situam-se entre os 40 e os 50 euros e, francamente, este era o toque que faltava que não ficar com problemas de consciência ao afirmar que além de caro, este festival não vale um corno e que só existiu para cumprir calendário. Mais valia terem guardado o dinheiro para a entretanto cancelada Festa da Música 2007. Sobre os bilhetes deste concerto serem caros, é de notar que por 30 € poderia em Salzburg assistir a um concerto a sério como este:

ccb mozart festa da música
Mozart, porque não nasceste um ano mais tarde?! É que parece que a crise por cá acabou, por decreto, e para o ano já haveria dinheiro para um ciclo a sério.


PS: a título de curiosidade, aqui ficam alguns extractos da Missa Incompleta de Mozart KV 427.



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Cansei...

Algumas gordas durante apenas 10 dias no Público.


OPA à PT: Autoridade da Concorrência vai emitir novo projecto de decisão "nos próximos dias"
Passados 9 meses, assim se vê o que é o " mercado" . Recorde-se que a decisão sobre a compra da Autoestradas do Atlântico por parte da Brisa demorou apenas 2 semanas.

Banco de Portugal: taxa de inflação revista em alta para 3,0 por cento
A velha técnica: estimar a inflação por baixo para se conseguir menores aumentos salariais .

Metade das universidades sem dinheiro para pagar salários em 2007
Ora aqui está como se obtém um orçamento de rigor: sub-orçamentação

Ministro da Saúde justifica novas taxas moderadoras como forma de viabilizar o modelo público
Umas vezes as taxas servem para pagar o serviços, outras não. Decidam-se. Mas se tudo se paga, para que queremos afinal o Estado?! Especialmente um Estado da dimensão do nosso (15% da população activa).

Ministério Público abriu mais de oito mil inquéritos relativos a crimes económicos
Segundo notícia recente até nos posicionamos bem no panorama global. Mas segundo outras notícias, com um ano, o fim da corrupção colocaria Portugal ao nível da Finlândia.

 "Buraco" na lei permite às instituições financeiras adquirir imóveis sem pagar IMT
Viva a criatividade financeira e quem tem os meios para a praticar

Regras de cálculo dos arredondamentos na banca publicada em Diário da República
Eis como de 4.520 se passa a 4.750... Um pequeno detalhe que, em que o arredondamento das taxas de juro aplicadas aos empréstimos concedidos pelos bancos em Portugal geram, pelo menos, um ganho total anual de 73 milhões de euros.


Cansei-me dos políticos, sejam estes ou outros. Mais episódio, menos episódio, o padrão de comportamento é sempre o mesmo. Novo governo = novos boys + mudar o que os anteriores fizeram porque foi errado. Umas vezes o mercado é para funcionar (se houver aumentos de preços), outras nem por isso (se os interesses de alguns estiver em causa). Depois de todos os habituais discursos de rigor vemos que este, aplicado a um orçamento, resume-se a aumentar os impostos (petrolíferos, taxas, contribuições, etc) e a sub-orçamentar (na educação, na saúde, adiando obras públicas,...).


Enfim, cansei, né?


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Prós e Contras e o Ministro das Finanças

No Prós e Contras de hoje, na RTP1, houve um momento que compensou a habitual má qualidade do programa e da performance da entrevistadora em geral. Um senhor da plateia colocou esta questão ao Ministro das Finanças (cito de memória):
"Tenho 5 filhos. Se fosse divorciado, seja por problemas familiares, seja por planeamento fiscal criativo, o Estado deduziria à minha colecta 6,500.00 € por cada filho. Como sou casado, não tenho direito a este benefício fiscal."
O Ministro, como seria de esperar, começou a enrolar e a dizer que se preocupava muito com as famílias e, em particular, com as numerosas. Uma graxa nítida, portanto. Mas essa pessoa da assistência esteve 5 estrelas e informou que não queria nenhum tratamento especial, apenas o mesmo tratamento que teria se fosse divorciado. O Ministro enrolou mais um pouco mas não conseguiu dar resposta. Ainda para mais com a entrevistadora a ser parcial - o costume, portanto - e a tomar o partido da assistência.

Valeu a pena ver alguém colocar uma pergunta simples e que exigia uma resposta simples, não dando hipótese de fuga ao Ministro.

Claro que o Ministro adiou uma tomada de decisão sobre o assunto para quando "houvesse um défice bem abaixo dos 3%". Ou seja, "importo-me lá que seja injusto, quero é o vosso dinheiro", bem podia ele ter dito.


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Ainda as aulas de substituição

Numa página do ME, existe um despacho com estes objectivos:



Ainda neste despacho, nas páginas 21 e 22 pode-se ler:




Observa-se que:
  1. a substituição deverá ser feita prioritariamente por quem não tiver o horário lectivo completo em vez de o ser pelo professor com habilitação a isso adequada;
  2. as actividades lúdicas são parte da "lista autorizada" pelo ME.
Ora, sobre as aulas de subsituição, afirmou a Ministra da Educação:

"Mas essas aulas [de substituição] têm de ser de qualidade, permitindo aos alunos tirar todo o partido delas e assim melhorarem os seus resultados escolares" [...]

Admitiu ainda que, em alguns casos, as aulas de substituição são encaradas como

"meros espaços para jogos ou entretenimento".

Algo me escapa ou a Ministra está a condenar a execução das suas próprias ordens?!



Mais sobre as aulas de substituição: http://fliscorno.blogspot.com/2006/10/tanta-demagogia.html


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MJLC

Hesitei antes de escrever estas palavras, questionando-me se não estaria a roçar a perseguição. Também me interroguei se o blog de que vou falar seria mesmo de quem diz ser: afinal de contas qualquer um pode fazer um blog em nome doutrem. Mas até informação contrária, vou aceitar que o blog é de quem diz ser.

Um leitor comentou o post sobre as aulinhas de ingês da sr.a Maria João Lopo de Carvalho e acabei por ler alguns dos posts de MJLC no blog http://frasesdalua.blogspot.com. Face a textos a textos tão toscos, vacilei em aceitar a respectiva autoria. Mas depois quem declara ao Público
"Cheguei ao pé dos agrupamentos e disse: eu estou na câmara mas sei que, modéstia à parte, faço isto muito bem. Vou ter os melhores livros e os melhores professores." como justificação para o facto duma assessora camarária ficar com um quarto das aulas de Inglês das escolas de Lisboa, bem pode igualmente ter produzido estas pérolas.

Há um texto em particular que tem graça por versar um tema sobre o qual escrevi: as aulinhas de inglês no ensino básico. Escreve ela
"Tenho andado numa azáfama a angariar professores de inglês e nada [...]".
E porquê? Os candidatos queixam-se que
"[...] os horários são pequenos, o preço hora curto, a escola longe… [...]"
Consta por aí que que estes "professores" não têm contrato e recebem à hora trabalhada, auferindo 5 a 10 euros de remuneração, pagos contra recibo verde. Pelas minhas continhas, e sendo um patrão bem mais generoso, o negócio é chorudo. Portanto se está difícil contratar "professores", talvez uma atitude menos à Tio Patinhas desse resultado...

MJLC conclui em grande:
"A essas [professoras] que se dispõe [sic*] de sorriso na cara a dar aulas de inglês ao 1º ciclo não se importando com os 90 km ou mais diários que têm por vezes de percorrer para chegar à escola, sem pedirem à cabeça qualquer extra para a gasolina e agradecidas por terem arranjado emprego, os meus parabéns! são uma espécie de professoras em vias de extinção!"
Com esta declaração fiquem sabendo que me encontro muito mais feliz. Afinal o caos educativo dos últimos 20 anos está a produzir cidadãos mais inteligentes.



*Erros ortográficos, de sintaxe, de pontuação e de construção frásica são fiel companheiros do blog Frases da Lua. Ninguém precisa de ser bom em tudo e a senhora até tem jeito para uma certa forma de fazer dinheiro. Não precisa é de insistir naquilo que não sabe fazer.

PS: Acabei por colocar aqui uma cópia do texto em apreço, não vá a autora ter um ataque de lucidez - por vezes acontecem surpresas, e apagar o blog.

PPS: Será mesmo MJLC a autora deste (e dos outros textos?!). Nem duma escritora light esperava uma destas! LOL


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EMEL e o fraccionamento do pagamento nos parques públicos

Escrevi há uns tempos sobre o facto da EMEL não estar a aplicar a lei no que diz respeito ao fraccionamento do pagamento dos parques públicos, conforme estipula a lei.

Recordo que apresentara reclamação, tendo nela deixado o meu email. Confesso que não esperava resposta, mas tive-a. A minha reclamação, dissera algo como (cito de memória):

Reclamo pelo facto do estacionamento deste parque continuar a ser pago à hora e não em fracções, como determina a recentemente aprovada lei.

A resposta que recebi foi (cópia do email recebi):
Exmo. Senhor
Xxxx xxx xxx xxx

xxx@xxxx.xx
Assunto Reclamação n.º xxxx
Ofício nº xxxxx
Lisboa, xx de Outubro de 2006

Exmo. Senhor,

Em resposta à reclamação que nos dirigiu, que nos mereceu a melhor atenção, vimos informar que a nova legislação referente à cobrança de estacionamento só entrou em vigor nos nossos parques no dia 8 de Outubro, por existir necessidade de alteração dos regulamentos da EMEL.

Com os melhores cumprimentos,
___________________________
Américo Brito Vitorino



Salta à vista uma certa atitude. Então basta ter-se um regulamento interno para que não se tenha que aplicar a lei?! Tenham paciência mas isto não é aceitável. Se uma afirmação destas não vos basta, vejamos se seria aceitável esta outra situação, com base no mesmo pressuposto: o meu condomínio tem um regulamento interno e imaginando que nele era dito que os moradores do meu prédio têm o direito de espancar quem nele entrar, será que eu poderia dar uma sova ao carteiro quando ele me trouxesse uma carta? Claro que não, porque daqui resulta a violação dum princípio básico que é o de nenhum regulamento interno poder sobrepor-se à lei.

Portanto, não importa se o regulamento interno da EMEL estava ou não actualizado. O que manda é a lei, não esse regulamento, e se por alguma razão não foi tecnicamente possível aplicá-la no imediato, terão que ser ter adoptadas medidas para proceder à respectiva aplicação posterior. O que no caso em concreto levaria à devolução do dinheiro injustamente cobrado.

Mas foi essa a atitude da EMEL? Não. Apenas me disse que não aplicou a lei por causa do seu regulamento interno, como se isso me dissesse respeito ou tivesse fundamento legal.

Sinceramente, não sendo cliente habitual da EMEL, pouco me importam os 30 cêntimos que paguei a mais. O mesmo já não digo da arrogância e prepotência desta empresa.


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Estatuto da Carreira Docente

Argumente-se o que se quiser, o Estatuto da Carreira Docente consiste essencialmente numa forma de, a longo prazo e em termos estatísticos, se pagar menos aos professores.

Pode-se ou não concordar com uma decisão destas. Agora creio que é profundamente errado e desonesto pretender-se que existem outros objectivos.

Quem se mantiver atento percebe isto e só pode discordar das estratégias como esta. Há que ter honestidade política e dizer as coisas como são sem fazer da população parvos que nada vêm. Isso apenas aumenta a desconfiança sobre a política.


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Tanta demagogia...

Maria de Lurdes Rodrigues dixit:

"Mas essas aulas [de substituição] têm de ser de qualidade, permitindo aos alunos tirar todo o partido delas e assim melhorarem os seus resultados escolares" [...]

Admitiu ainda que, em alguns casos, as aulas de substituição são encaradas como "meros espaços para jogos ou entretenimento".

Em todas as profissões há pessoas que faltam, seja porque se atrasaram, seja porque tiveram um assunto pessoal a tratar, seja porque adoeceram, seja lá pelo que for. Pelo que tenho lido, os professores se faltam têm que justificar a sua falta, como em qualquer outra profissão. Questão: Têm eles mais possibilidades de justificar as suas faltas do que a restante função pública? Sinceramente, não sei. Mas o meu palpite é que não. Até porque se fosse esse o caso, já o assunto teria sido apontado pelo ME.

Então porquê esta insistência em que os professores faltam demasiado? De uma vez por todas, gostava de ver ver uma estatística que agrupasse as faltas dos professores por categorias. Para saber quantos faltam por doença, quantos faltam por licença de parto, quantos faltam à conta das férias, etc. Isso permitiria de uma vez por todas esclarecer se os professores são ou não baldas.

Independentemente disso, considero que as aulas de substituição, na forma como foram criadas, são uma boa bodega. Então, professores que não são da cadeira vão dar uma aula de substituição?! É mesmo para inglês ver. E mesmo que sejam da mesma área e que o professor que faltou tenha deixado uma aula preparada, aceitar as aulas de substituição é admitir que em vez dum professor bem que lá podia estar uma máquina - uma televisão por exemplo, que seria a mesma coisa! Ora venha lá a tele-escola de volta!!! (lembram-se?)

Onde é que está a relação pedagógica, tão amada dos nossos pensadores do Ministério da Educação?


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A síndrome do taxista

Notícia hoje no Público :
"A tutela prepara-se ainda para aumentar de cinco para oito horas diárias o tempo de aulas que cada professor pode dar [...]"
8 horas diárias? Ou o artigo está errado ou a ministra passou-se. Isto daria 40 horas semanais, mais 5 do que a função pública.

Não é indicado quem forneceu tal informação. Foi o ME? Foi comentário de fonte sindical? O meu palpite é que poderá constar das intenções ministeriais mas terá sido resultado de conversa sindical. Isso explicaria a falta de nexo da ideia bem como se enquadraria numa estratégia de provocar exaltação na classe docente. O que parece estar a ser conseguido, avaliando os comentários dos leitores dessa notícia do Público.

Seja como for, tenho reparado que este tipo de notícia bombástica, passível de enorme reacção de descontentamento, tem sido publicada com regularidade aos sábados. Haverá alguma justificação que não inclua a desonestidade política? Seja a respectiva fonte o ME ou um sindicato, uma coisa é certa, a escolha do dia de publicação não é inocente.

No entanto não me surpreenderia que esta ideia das 8 horas diárias se viesse a confirmar como mais do que um boato. Estaria sem dúvida enquadrada na linha de actuação recente do ME. Então e tempo para preparar aulas e para fazer e corrigir testes? E tempo para as inúmeras reuniões que a burocracia do ME estabeleceu?

Entre as reuniões a que o ME obriga e as que decorrem da necessidade de concretizar as suas políticas, existem estas:
- reuniões de conselho turma (1 por período, em média);
- reuniões de avaliação (1 no fim de cada período);
- reuniões de departamento (1x por mês);
- reuniões de directores de turma (2x por período);
- reuniões de conselho de turma de cursos profissionais (1x por semana para os professores destas turmas);
- reuniões de estudo acompanhado e área de projecto (1x por período para os professores envolvidos);
- reuniões de grupos de professores que leccionam o mesmo nível lectivo (1x por período, pelo menos).

Tenho notado que a maior parte dos comentários têm caracter de discordância relativamente a esta notícia. Esporadicamente surgem no entanto alguns comentários a favor desta medida, bem como das outras que o ME tem colocado na ordem do dia. Estes podem ser classificados como pertencentes à "Síndrome do Taxista", no sentido de eu estou certo os outros estão sempre errados; ou a culpa é sempre dos outros; ou os outros são privilegiados e eu sou um desgraçado que me farto de trabalhar.

Um exemplo. Há lá um (ou uma!) tal que assinou por ROLF, de Setúbal, que escreveu:
" Está errado...o excesso de férias.
Por ROLF - Setúbal
E tem toda a razão. Por uma vez a equidade exige-se. Todos somos necessários ao País, porque haveremos de ter regalias diferenciadas? Salvo casos muito excepcionais, sempre fui contra estes privilégios das férias dos professores. Se eu trabalho e tenho 22 dias de férias, porque é que há-de haver tantos dias para estes snrs? Somem tudo e vejam os dias de papo para o ar... "
Não sabemos quantas horas por semana trabalha o(a) sr.(a) ROLF de Setúbal. Serão 40 horas semanais? Certamente que não, se for da função pública. Idem se trabalhar na privada. Na sua magnânime ignorância, a pessoa em causa não é capaz de distinguir horas de trabalho com horas lectivas. (Precisará de voltar à escola?)

Deste género de comentários identifica-se com facilidade o padrão da referida síndrome. "Eu farto-me de trabalhar e os outros não fazem nada". Conheço várias pessoas assim e estas, quando as observo com atenção, vejo que não são afinal o modelo que defendem para os outros. Como a generalidade da população, fazem uma pausa para café a meio da manhã e outra a meio da tarde - menos uma hora de trabalho. Lêem e reencaminham uns tantos mails não relacionados com trabalho e não prescidem duma leitura dos seus jornais online e dos seus blogs de eleição - menos outra hora de trabalho. Entram às 9 da manhã e saem algures entre as 18 e as 20h e, sem capacidade de autocrítica, afirmam que passam tempo de mais na empresa. O que não deixa de ser verdade, apesar de não corresponder ao sentido original da sua lamentação.

Estas pessoas constituem uma massa crítica manipulada pela propaganda política. Exteriorizam a sua frustração perante as expectativas não conseguidas culpando o "outro", como por exemplo uma classe profissional, pela sua incapacidade organizativa. Onde há frustração há terreno para a demagogia e a classe política tem, ao longo das últimas décadas, feito uso desta estratégia baixo-ventre. Quem tiver memória certamente se recordará que os nossos diversos governos já colocaram os médicos contra a população, os juizes contra a população, os polícias contra a população, os enfermeiros contra a população, os professores contra a população, os militares contra a população, os profissionais liberais contra a população, os funcionários públicos contra a população, etc, etc.

É curioso notar que os atingidos por esta estratégia queixam-se de falta de solidariedade por parte da população mas depois de cessado o fogo sob a sua classe profissional passam a fazer parte da população que se insurge contra a classe profissional a ser atacada de seguida.

Estas são afirmações algo generalistas e, potencialmente injustas. Mas há que reconhecer um padrão na forma de governação e que consiste, como referido, em apresentar um conjunto de características duma profissão, apresentá-las como privilégios e incentivar a indignação. O que resulta em cheio numa população que pouco lê, não procura informar-se e contenta-se com a opinião construída em vez de formular a sua própria opinião.

Disto isto, fosse eu professor, faria duas coisas:
- Em primeiro lugar procurava encontrar forma de fazer com que os sindicatos não me representassem. Acho inacreditável que uma estrutura não eleita possa representar a classe docente. Além disso, fico sempre com a nítida sensação de que a sua actuação tem mais preocupação com os seus interesses corporativos do que com as questões educativas.

- Em segundo lugar, faria única e exclusivamente o horário de trabalho. Se o ME pretendesse que este coincidisse com o período de permanência na escola, tudo bem, aí passaria as minhas 35 horas semanais, tal como a restante função pública. Se não fosse suficiente para corrigir fazer e testes, não os faria. Se não fosse suficiente para a realização dos exames, paciência.

Agora seguramente que não andava a levar cacetada em cima e lastimando-me mas ainda assim a esforçar-me para que a qualidade do ensino não baixasse. Quando finalmente desse bronca, haveria que perguntar aos nossos políticos se as suas orientações fizeram sentido.


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TGV entrará em Lisboa pela margem direita do Tejo

O título deste post deveria começar por "O comboio regional europeu mas que custa tanto como o TGV europeu entrará em... etc".

Justificar-se-á gastar tanto dinheiro para fazer um pouco mais rápida a viagem Lisboa-Porto? Convêm recordar que TGV significa "Train de grand vitesse", comboio de grande velocidade. Ora grande velocidade é coisa que não haverá, isso já foi dito.

E com as paragens anunciadas, em que difere da recém melhorada linha do Norte com os seus Alfa Pendulares? Das duas três, ou o investimento nos pendulares não fez ponta de sentido ou é este do TGV que é um disparate.

Em ambos os casos é o nosso dinheiro que é estoirado, para pagar às empresas de obras públicas. Que como se sabe, são grandes financiadoras dos partidos políticos. Haverá aqui alguma relação?

Uma coisa é certa, com ou sem derrapagens orçamentais, mas obviamente com estas, as empresas de obras públicas têm óptimas perpesctivas pela frente. Nova ponte no Tejo (?), TGV, Ota...

O que eu queria unicamente é que a justiça funcionasse e em tempo útil. O resto do desenvolvimento do país viria por acréscimo. Mas esta abordagem não financia campanhas políticas, pois não?


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Portugal vale a pena

Circula por aí, e nas Fugas Lusas também, um texto do Director adjunto do Jornal Expresso, Nicolau Santos, publicado na Revista Exportar.

De alguma forma, este texto patriótico faz-me lembrar as omnipresentes, mas bem idas, glórias dos descobrimentos.

No outro dia, no "Contraditório" da Antena 1, comentaram que é muito mais fácil criticar (deviam com isso querer dizer apontar o lado negativo) do que elogiar. É verdade e eu, olhando para os meus textos, admito que constituem desabafos de insatisfação. Desde então que estou, sinceramente, a fazer um esforço para encontrar o lado positivo da actual governação (semelhante exercício seria igualmente válido para qualquer um dos anteriores governos). Mas sendo uma pessoa limitada como o sou, deparo-me com muitas dificuldades. E uma das maiores de todas elas resulta desta obstinação de se pretender levar a cabo medidas sem admitir o verdadeiro objectivo. Em vez disso, apregoa-se a medida como uma melhoria para os envolvidos quando salta à vista ser conversa fiada.

Para não me cingir a generalidades, aqui vai um exemplo concreto. As maternidades foram fechadas para que se prestasse um melhor serviço aos utentes, se acreditarmos na propaganda oficial. Mas todos vemos que a razão do fecho reside nas questões financeiras associadas. Na minha ingenuidade, creio que seria preferível assumir as verdadeiras motivações em vez de se tentar fazer da população um amontoado de tolos.

O texto de Nicolau Santos tem, quanto a mim, a beleza da poesia, especialmente na sua capacidade de construção duma realidade muito própria, composta por imagens idílicas do ser amado. Mas ignora esse país em que ganham eleições pessoas de reputação duvidosa; em que ao fim 12 anos de tribunal, o processo que envolve uma central sindical volta à estaca zero; em que as regras dos exames de acesso à universidade se alteram durante o decorrer dos mesmos; em que privatizações transformam monopólios estatais em monopólios privados; em que a construção selvagem destruiu qualquer possibilidade de termos um país geograficamente estruturado, em particular pela criação do caos urbanístico que é o nosso litoral; ...

Estarei a sofrer dum ataque de pessimismo? Ou a crua realidade ensombra-me eventuais réstias de sucessos? Não sei, mas procuro, como disse, sinais positivos.


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Taxas





Mais palavras para quê?...


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Ainda a electricidade

O preço da electricidade vai aumentar seis por cento no próximo ano, anunciou o ministro da Economia.

Então "apenas" aumenta quase 3 vezes o valor da inflação prevista para 2007... Foi por isso que foi apresentado o primeiro valor, para que este parecesse baixo?!

Face ao preço do pretróleo, não sei se este é um valor justo. Mas sentir-me-ia mais confiante se estivessemos num mercado concorrencial.


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O mais disfarçado dos aumentos de impostos

Esta tentativa de aumentos ilustra bem porque é que há interesse em
comprar a participação estatal em empresas como a EDP. Afinal, se o
Estado arrecada milhões com uma venda, o comprador tem que recuperar o
investimento de alguma forma.

Uma vez que as privatizações quase nunca trouxeram mais concorrência
aos sectores envolvidos, esta forma do Estado encontrar receitas
adicionais é mais o mais disfarçado dos aumentos de impostos. Empresas
públicas em regime monopolista é manifestamente mau. Mas ainda pior é
uma privatização sem que se crie concorrência, pois o resultado é este
que agora vemos: aumento de preços para recuperar o capital investido.

Ninguém dá nada a ninguém, ou acreditam que os accionistas que
encheram os cofres do Estado o fizeram desinteressadamente? Todos nós
sabemos que as empresas vendidas não geravam lucros, mas mesmo assim
foram compradas...

Falam em défice tarifário. Como se nós consumidores fôssemos
responsáveis pela má gestão de empresas agora privadas. O que acontece
é que o Estado tem que facilitar a vida a estas novas empresas
privadas, deixando-as vender o mesmo de sempre mas a preços superiores
para que recuperem o investimento.

As privatizações foram como um empréstimo bancário, em que uma parte
do Estado usufruiu do capital adicional e em que todos vamos pagar os
juros.

A propósito, alguém consegue enumerar onde foram gastas as fortunas
que o Estado fez em privatizações neste últimos 10 anos? Para diminuir
o défice não foi, isso já nós percebemos! Para diminuir impostos
também não.



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Como fazer aumentar a electricidade quase 4x a cima da inflação e ainda parecer que se está a fazer grande coisa

1. Prometer a alguém um novo e melhor lugar (especulação, mas linha com o modus operandi) em troca de declarações vergonhosas e que incluam aumentos 7.5x a cima da inflação.

2. Colocar o ministro da tutela em acção, anunciando que esses aumentos vão ser metade do anunciado, apesar de ainda corresponderem a cerca de 3.8x o valor esperado para inflação de 2007.

A mais alguém mete nojo estes políticos?

Uma nota adicional: afinal, a EDP deu lucro ou não? Aparentemente deu, tendo em conta os dividendos anunciados nos anos anteriores. Mas parece que não chega... Ou será que não houve lucros, apesar da distribuição de dividendos, e agora há um buraco a tapar?

Dados: - inflação prevista para 2007: 2.1%; - valores anunciados para o aumento da electricidade pela entidade reguladora: 15.7% - valor corrigido pelo ministro da tutela: no máximo 8%


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A "função pública do tacho"

Podemos enumerar dois tipos de função pública. Por um lado temos aquela que nos presta serviços, como os professores, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, quadros das finanças, polícia, bombeiros, juízes, advogados, pessoal dos tribunais, etc, etc.

Por outro, temos a função pública dos gabinetes, do governo, dos consultores, dos adidos de imprensa, dos secretários, das nomeações, das empresas municipais, dos deputados e dos seus gabinetes, dos governos civis e regionais, das delegações regionais, dos institutos, das fundações, etc, etc. Ou seja, aquela função pública que não nos presta serviço algum directamente, encarregue de gerir o bem comum e que, com muita frequência, leva o rótulo de tacho.

Sobre este último género de função pública, é necessário saber duas coisas:
1. Quantos são estes funcionários públicos e a que percentagem correspondem no total da função pública;
2. Que percentagem do PIB se gasta nesta função pública, tanto em pessoal como em despesas de funcionamento dos respectivos serviços.

Com estes dados podemos perceber se a estrutura de pessoal corresponde efectivamente à pirâmide ideal, em que poucos, a gerirem, estão no topo e muitos, a executarem, na base.

Os nossos governantes, sempre que falam em cortes na função pública, referem-se invariavelmente àquela que nos presta serviços. O que se traduz, em consequência, na redução da qualidade do serviço prestado. Por exemplo, menos auxiliares de limpeza nas escolas, menos maternidades, menos pessoal na justiça, menos médicos, menos polícia, etc. Não é notícia frequente algo como "este ano o Ministério X vai funcionar com menos Y pessoas" ou "a Secretaria de Estado Z vai realizar o mesmo trabalho com menos orçamento", mas certamente que também aqui haverá dinheiro que se gasta sem necessidade.

Neste orçamento, o buraco volta a ser tapado aumentando a receita, ou seja fazendo-nos pagar mais e dando-nos menos. Afinal, para que queremos este Estado? Não nos consegue dar atendimento médico em tempo útil, empurrando-nos para a consulta privada, é incapaz de nos garantir uma reforma decente daqui a umas décadas, demora meses ou anos para resolver um processo judicial, apenas consegue aumentar o sucesso escolar com medidas administrativas conducentes à aprovação automática, não consegue evitar que o país arda na totalidade, não assegura um ordenamento do território livre da construção selvagem. Só para citar alguns exemplos.

Se nada disto é conseguido, e se o Estado não se encontra a poupar às escondidas para esbanjar mais tarde em ano de eleições, resta esta pergunta pertinente: onde é gasto o dinheiro dos nossos impostos? Estes não param de aumentar mas cada vez temos menos do Estado. Mais alguém vê aqui um paradoxo? Possivelmente, só se poderá responder a estas questões depois de se saber quanto gasta essa "função pública do tacho".

Numa altura em que tanto se fala de transparência, apresentar estes dados com certeza que colocaria o verbo e a acção em sintonia e permitir-nos-ia compreender/aceitar a necessidade de mais impostos e menos serviços, evitando a habitual desconfiança sobre a boa fé do Estado.


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CARTA ABERTA AO BES

Recebi este texto por email. Assino por baixo.

Esta carta foi direccionada ao BES. Porém, devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direccionada a todas as instituições financeiras. Que acham? Pessoalmente já tive a experiência BES há vários anos a trás. Cancelei a conta com eles devido às taxas descaradamente despropositadas que me tentaram cobrar. Fiquei, no entanto, a perceber onde vão buscar dinheiro para os seus investimentos massivos em publicidade.


CARTA ABERTA AO BES

Exmos Senhores Administradores do BES

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os meses os senhores e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer produto adquirido (um pão, um remédio, uns litros de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do meu BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como, todo e qualquer outro serviço. Além disso, impõe-me taxas. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobraram-me preços de mercado. Assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.
Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobraram-me uma "taxa de abertura de crédito" - equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobraram-me uma "taxa de abertura de conta".
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos cobravam "por fora", o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos.
Agora ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro".
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobraram-me uma taxa de 1 EUR.
Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para a manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da rua".
A surpresa não acabou: descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".
Mas, os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações do v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc, etc, etc. e que apesar de lamentarem muito e nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal.
Sei disso.
Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais.
Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.
--
Vitor Pinheiro


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Munique e as bicicletas

Duas notas prévias:
1. escrevo com um teclado alemao, pelo faltarao alguns acentos;
2. neste internet café nao é permitido usar o USB pelo que nao pude usar as fotos que tinha feito; em contrapartida o fantástico flickr é uma fonte inesgotável de fotografias, que me permitiu encontrar outras semelhantes às que pretendia usar.




Munique.

Se há coisa que um bávaro faz antes de planear algo a mais do que um dia de distancia é ver a previsão meteorológica. Por estes lados, com maior incidência perto das montanhas, o tempo muda com considerável rapidez, afirmado alguns não sei se com conhecimento de causa, que muda inclusivamente mais depressa do que uma mulher muda de opinião.

Por isso ao ver ontem a menina do tempo anunciar sol com fartura para hoje, logo desfilou perante os meus olhos essa intencao de pegar na bicicleta e percorrer a cidade. O que aconteceu até certo ponto. Da última vez que por aqui estive, faz uns meses, tinha deixado a bicla trancada num dos omnipresentes parques para bicicletas.





Estava furada, que é o que acontece quando se compra uma bicicleta usada por 50 euros, já com os pneus a puxarem ao careca. Resolveu-se facilmente este transtorno alugando uma bicicleta ao minuto. O DB, que é como quem diz a nossa CP, tem bicicletas espalhadas por parte significativa da cidade que podem ser alugadas através dum telefonema. Paga-se 7 centimos ao minuto, num máximo de 15 euros ao dia. Usam-se e deixam-se onde se quizer, depois de comunicar o fim do uso e respectiva localizacao.


Feita a chamada, dado o número de cartao de crédito e eis que se abre a fechadura electrónica e, com ela, as ruas da cidade. O plano para o dia era simples: partindo da estacao central, rumar à Odeonsplatz para tomar um café e ir almocar ao Jardim Ingles. Isto significa atravessar grande parte da cidade, o que seria consideravelmente complicado em muitos outros locais se tal se pretendesse fazer de bicicleta.

Mas Munique é particularmente bem organizada em termos de transportes públicos, pelo que o caos automovel nao é significativo, apesar dos 1.3 milhoes de pessoas que aqui vivem (dados de 2003). Acresce que as zonas de estacionamento estao bem delimitadas (e cada 12 minutos de estacionamento custa em média 50 centimos), a polícia multa com eficiencia quem estacionar em cima do passeio e, qual cereja no topo do bolo, as ruas sao compostas pelas vias de rodagem para carros, por uma ciclovia de cada lado da estrada e pelos habituais passeios para peoes.


Claro que o facto de quase toda a cidade ser plana ajuda em muito à popularidade deste meio de transporte, pelo que perante chuva, neve ou sol, basta a roupa adequada para se ir dum lado para o outro. De tal forma que inclusivamente passei por um grupo que participava numa visita guiada pela cidade, em bicicleta. Há algumas empresas dessas por aqui mas a primeira foi a Mike's Bikes.

Mais umas pedaladas e uma pausa para café com um pouco de leitura, neste caso o "Último Papa"de Luís Miguel Rocha e sobre o qual aqui direi algo noutra ocasiao.



Já o sol vai alto e a fome comeca a apertar. É hora da paparoca. O Englischer Garten, o Jardim Ingles, é um parque enorme no meio da cidade, com cerca de 3 Km2, ou seja aproximadamente o tamanho do parque de Monsanto em Lisboa. Com a diferenca que toda a área do parque está acessível para se passear, pedalar, desportos, banhos e, inclusivamente, para fazer surf numa pequena cascata com uns 5 por 10 metros de área! É caso para dizer que quem nao tem cao, caca com gato (LOL esta cedilha faz mesmo falta aqui) e o certo é que o pessoal faz fila de prancha na mao para esperar a sua vez até saltar para onda. Como o espaco é pouco, só vai um de cada vez, mas mesmo os mais experientes rapidamente dao o lugar ao seguinte após a inevitável queda.


Num dia soalheiro como este era de esperar que toda a gente andasse a aproveitar um dos últimos dias de sol, que o tempo chuvoso já se andou a insinuar. Nao sei se os lisboetas fariam o mesmo se em vez de Colombos e Vascos da Gama tivessem espacos assim. Se acreditarmos que uma populacao tem aquilo que exige, pela escolha de certos caminhos em detrimento doutros gracas ao voto eleitoral, entao a resposta é que possivelmente a nossa escolha nao recaíria nas actividades ao ar livre. E o pouco uso do Parque das Nacoes para aí aponta. Mas nao se podem tirar estas ilacoes só com as modestas aproximacoes que temos deste Englischer Garten.

O facto é que por aqui existe uma verdadeira cultura de "ar livre" e actividade física. Uma coisa infuenciará a outra, certamente. A par desta, existe uma outra, a dos Biergarten, os jardins da cerveja.

Algo comparável ao nosso hábito de ir ao café. A palavra Munique, München, deriva de monge, os que habitavam um certo convento que acabou por dar origem à cidade. E se há coisa que por aqui liga é monge e cerveja, tal como entre nós convento e doce. Estes eram grandes produtores de ceveja, que guardavam em pipos de madeira acondicionados debaixo de terra até o momento de a consumir. Por isso, Dona Ines, no milagre das rosas, nao podia ter dado aqui a desculpa "Sao rosas senhor" pelo simples facto que nestes jardins colhem-se barris de cerveja. Noutros tempos, claro. Hoje em dia, os Biergarten sao lugares onde se vai buscar uma canecada e a comidinha, seja um petisco ou uma refeicao.

Hoje a fome apertava um pouco pelo que saiu meio passo assado, uma salada de batata e uma litrada de Weißbier, a que chamamos de cerveja turva.

Uma tarde bem passada. Pedalei de volta ao hotel, telefonei para o servico do call a bike e como bom portugues que sou, já tinha ar livre a mais, já sentia a falta da clousua dum shopping. Sendo domingo e estando todo o comércio fechado, shoppings incluídos, tive que me contentar com a vinda para o internet café para escrever estas balélas.



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Munique I

Faz uma semana que por aqui ando. E' bom estar na Europa, mesmo que nao possa usar caracteres acentuados.

Hoje predominou o tempo cinzenzo mas conta que amanha o sol reinara´ por aqui. Uma boa ocasiao para umas pelingrafias `a la turista.

Espero que o USB daqui funcione, para partilhar algumas.