a política na vertente de cartaz de campanha

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A greve da CGTP

Os diversos pré-avisos da greve de 30 de Maio de 2007 podem ser encontrados no site da CGTP [link] e, mais coisa menos coisa, consistem nisto:
  • Pelo Emprego com direitos, contra o desemprego e a precariedade no trabalho;
  • Pela melhoria dos salários, defesa da contratação colectiva, mais justiça na distribuição da riqueza;
  • Contra a flexisegurança, que mais não visa do que despedir sem justa causa e desregulamentar as relações do trabalho;
  • Defender os serviços públicos e funções sociais do Estado;
  • Pelo Serviço Nacional de Saúde, Escola Pública, Segurança Social Universal e Solidária.
A mim salta à vista que estes objectivos, vagos na sua maioria, são completamente ridículos. Não é difícil concordar com cada um individualmente - certamente que que tinham essa apelativa intenção - mas juntos assim mais parecem frases saídas dum pote de rifas. "Olha, saiu a dos melhores salários, junta-a aí". Uma iniciativa, seja ela qual for, deve ter objectivos claros e concretos. Frases nublosas como as usadas nestes pré-avisos de greve só podem conduzir a resultados incertos.

Depois há o paleio gasto das centrais sindicais, seja a do braço direito do PS e PSD - a UGT - seja o braço esquerdo do PCP, a CGTP. (Sobre a primeira acresce ainda a inacreditável história do processo arquivado das fraudes da formação profissional, que certamente teve esse desfecho graças à sua condição de braço direito.) Ou as greves promovidas são de absoluta ineficácia ou algo está errado, pois desde que tenho consciência política que as ouço. Nunca vi uma greve ser convocada por alguma empresa ou serviço não estar a produzir/prestar serviços com a qualidade que os seus clientes/utentes esperam. Pois para mim seria de esperar que a principal preocupação dum sindicato fosse o sucesso das empresas/serviços onde actuassem, como condição para depois exigir que esses lucros fossem investidos na robustez dessa empresa/serviço, seja pelo investimento na investigação, seja pelo aumento da satisfação dos seus colaboradores - a melhor forma, sem dúvida, de aumentar a sua produtividade. Olhando para o sector dos transportes públicos, tão queridos às centrais sindicais, com certeza pelo transtorno que causam e que facilmente se pode confundir com descontentamento solidário à greve, alguma vez uma greve foi convocada nos termos que se seguem?
  • Estamos em greve porque há transportes insuficientes na hora de ponta;
  • porque os autocarros não têm corredores exclusivos que lhes permitam assegurar a pontualidade;
  • porque a política de transportes tem sido a do investimento no transporte individual em vez de no transporte colectivo como a solução mais confortável, mais rápida e mais económica.
Não, claro que não. As centrais sindicais acham que existem para definir políticas e, consequentemente, não poderão defender os seus representados. Além disso, funcionam como força política sem no entanto terem as suas linhas de acção validadas por eleições como acontece com os partidos. A CGTP decidiu avançar para uma greve, com os objectivos que algumas das suas pessoas decidiram - ou foram convidados a aceitar como sua decisão. Com que legitimidade? Simplesmente por serem sindicatos? Pois o resultado está à vista, com prejuízo para quem só pode contar com eles como forma de diálogo em negociações laborais.

Deixo esta questão: é a greve um direito de todos ou o privilégio de alguns?

Alguns textos que li por aí:
http://educar.wordpress.com/2007/05/06/e-agora-para-uma-boa-discussao/
http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/05/sete_razoes_para_fazer_greve
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2007/04/1099-greve-geral-2.html
http://acausafoimodificada.blogspot.com/2007/05/no-posso-aderir-greve-geral-porque.html
http://pimentanegra.blogspot.com/2007/05/greve-geral-de-30-de-maio-diz-respeito.html
http://sobreviver.wordpress.com/2007/05/06/a-greve-geral-e-a-contra-informacao/
http://abafosedesabafos.blogspot.com/2004/05/conhecem-aquela-experincia-da-r.html


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Funcionários públicos - a opinião de um juiz

Recebi o texto seguinte por mail. Corresponde à minha opinião, portanto aqui vai. Acrescento, novamente, que considero a existência de duas funções públicas: a que nos presta serviços e a função pública do tacho. Incluo nesta última a função pública dos gabinetes, do governo, dos consultores, dos adidos de imprensa, dos secretários, das nomeações, dos assessores, das empresas municipais, dos deputados e dos seus gabinetes, dos governos civis e regionais, das delegações regionais, dos institutos, das fundações, etc, etc. Ou seja, aquela função pública que não nos presta serviço algum directamente, encarregue de gerir o bem comum e que, com muita frequência, leva o rótulo de tacho. Porque é de tacho que muitas vezes se trata.

Funcionários públicos - A opinião de um juiz
Bom, não sou funcionário público mas tenho muitos à minha volta, e desde puto que cresci no meio deles. Por isso, vou também meter o bedelho.

É público e notório que existem MUITOS funcionários públicos que não fazem nenhum e outros que, mesmo fazendo alguma coisa, são manifestamente incompetentes. E, é também certo, raramente ou nunca lhes acontece alguma coisa.

Porém, isso é culpa deles, funcionários? Ou não será de um Estado que, desde sempre, assim o permite?

Mais, quem tem um MÍNIMO de conhecimento do funcionalismo público também sabe que existem alguns funcionários que fazem por si e pelos outros - exactamente graças a estes é que o Estado ainda existe.

Pergunto: é justo que estes, os bons, comam pela mesma medida dos maus?

É ÓBVIO que é imprescindível começar a diferenciar os bons dos maus. Mas pergunto, de novo: NÃO SERÁ QUE É POR AÍ QUE SE DEVE COMEÇAR? Ou é justo que se comece por pôr todos no mesmo saco, retirando-lhes direitos que adquiriram quando ingressaram na função?

Depois, há tudo aquilo que o povo desconhece: por exemplo, sabiam que os funcionários judiciais podem passar ANOS - repito, ANOS - a mais de 300 Km de casa? Tenho vários destes no meu tribunal. E não me esqueço da funcionária que tive em Benavente, que saía de casa (em LEIRIA) às 6h00 da manhã para vir de TRANSPORTES para o tribunal, onde chegava DUAS HORAS DEPOIS. Trabalhava que nem uma moura e, às 20h00, voltava para casa. Onde chegava pelas 22h00. Em regra, por essa altura já os filhos dela (com 1 e 3 anos) estavam deitados. Ela aproveitava então para, no PC dela, fazer actas...

E agora? Agora come com menos reforma, menos direitos, congelamentos...

E, pelos vistos, parece não ter direito a protestar. Porquê? Porque parece que há outros que não fazem nenhum...

Justo? Não creio.

Por fim: é justo que os problemas financeiros do Pais sejam pagos à custa dos funcionários públicos? Só por má fé se pode dizer que sim. E, no entanto, é o que está actualmente a acontecer...

Poupa-se nos aeroportos? Nos TGV's? Nos estádios de futebol para a Palestina? Nas reformas dos políticos? Não. Poupa-se nos salários dos FP's, nas suas reformas.

E resulta? CLARO QUE SIM! AFINAL, OS FP'S SÃO A MINORIA ODIADA DE TODOS OS DEMAIS PORTUGUESES. Tudo o que seja bater neles, é sucesso político garantido.

Nos entretantos, fazem-se aeroportos, TGV's, estádios na Palestina, gastam-se milhões em Timor, etc., etc., etc. e o povo... cantando e rindo.

Agora, aparecem os FP's a querer fazer greve.

Então digo isto: no meio de toda esta merda, parece que só mesmo os FP's é que ainda estão vivos.

De resto, o povo português morreu há muito.


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Greve



Não tenho a certeza que concorde com a greve da CGTP - ainda tenho que ler umas cenas.
Mas discordo de várias políticas que se estão actualmente a seguir, pelo que fica então este blog em greve.



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Ricardo Araújo Pereira sobre o deserto...



Em declarações ao SAPO, Ricardo Araújo Pereira diz que o ministro Mário Lino é um "bom humorista".

Copiado de http://videos.sapo.pt/6Ec6kEmieztZi6jWrC00


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Silly Season Preview

Silly Season Preview PS PCP BE PP PCP

Se até agora foi assim, esperem pelo Verão!



Está interessado em colocar esta imagem no seu blog? Esteja à vontade ;-)
Para isso, copie todo o texto na caixa seguinte e cole-o no seu post mas no modo de edição de HMTL.



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A borla do Público

publico


O Público decidiu dar uma borla a este blog. Publicou o texto anterior como sendo da minha autoria.

Acontece que o texto não é meu mas sim dum leitor que o deixou em comentário.

Ridícula, como adjectiva o jornalista, é a pouca atenção dada ao fazer uma citação. Esperemos que prestem mais atenção quando fizerem jornalismo copy/paste usando os materiais disponibilizados por assessores e agências de comunicação!


Post em causa: Para que servem provas de aferição que não avaliam os alunos?. O comentário é de JMD, do blog Lugar Onde.


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O deserto de Mário Lino

Mário Lino

Até aqui, Portugal era Lisboa e o resto paisagem. Agora sabemos que também há o deserto. Parece-nos que o verdadeiro deserto é o constituído pelo vazio de ideias de Mário Lino.

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou hoje, no final de um almoço promovido pela Ordem dos Economistas sobre a Ota, que “a Margem Sul é um deserto” e por isso seria uma “obra faraónica” fazer aí o futuro aeroporto de Lisboa.

“Na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio”, discursou o governante, acrescentando que, de acordo com um estudo recente, “seria necessário deslocar milhões de pessoas” para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto. Público, 23-05-2007 [Link]

Textos anteriores sobre a Ota: link


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Manuel Pinho é um mentiroso



Ora aí está, mais um. Devem ser como as nódoas, caem todas no mesmo pano.

A cronologia:
Segunda-feira, 21-05-2007: sabe-se que a Delphi, multinacional de componentes automóveis, vai despedir em Portugal metade dos seus trabalhadores (500 deles).

Segunda-feira, 21-05-2007: Manuel Pinho, armado em defensor da empresa e fazendo o trabalho dela, vem dizer que em contrapartida a Delphi criará postos de trabalho em Castelo Branco.

Terça-feira, 22-05-2007: Sabe-se que afinal esses tais empregos já existem, afinal nenhum novo emprego será criado.

Quarta-feira, 23-05-2007: Hoje de manhã na Antena 1, ouvi Manuel Pinho dizer que não tinha dito que novos empregos serão criados. Como o jornalista não gostou de ficar com a fama de mentiroso, passou as duas declarações do ministro. Ficou claro que Manuel Pinho além de patético é também mentiroso.

A realidade
Na verdade, a Delphi quer desaparecer na totalidade da Europa, passando-se para os países onde a mão de obra constitui um custo residual. Assim produzirá mais barato, vendendo ao mesmo preço. Tudo graças a um grupo de inteligentes terem aberto as fronteiras na totalidade a países que pouco lhes importa que sejam crianças a trabalhar em idade escolar, que os adultos trabalhem 20 horas por dia, que não haja segurança social, etc, etc. Para calar as populações, a Comissão Europeia, encabeçada pelo Cherne Durão, prometeu subsídios. Não há uma parábola sobre isto, algo como não lhe dês dinheiro, ensina-o a pescar?

As frases e os links
Ouça o que o ministro disse
http://www.rr.pt/PopUpMedia.Aspx?&FileTypeId=1&FileId=322693&contentid=207830

http://www.rr.pt/informacaoDetalhe.aspx?AreaId=23&SubAreaId=54&ContentId=207850
Empresa deverá despedir até 20 mil trabalhadores

A multinacional deverá despedir entre 15 mil a 20 mil trabalhadores em toda a Europa, nos próximos dois a três anos.

Estes números foram avançados hoje em Sevilha pelo presidente da Federação Europeia dos Sindicatos da Indústria Metalúrgica durante o Congresso da Confederação Europeia dos Sindicatos.

“A longo prazo a Delphi está a planear sair completamente da Europa ocidental”, disse, acrescentando que esta empresa “é apenas uma das empresas fornecedoras que estão a reduzir. Temos visto outras grandes empresas a fazer o mesmo”.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, também já se pronunciou sobre os despedimentos da Delphi, disponibilizando o fundo social europeu para ajudar os trabalhadores da empresa, agora ameaçados com despedimento.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/empresas/pt/desarrollo/996668.html
O ministro da Economia, Manuel Pinho, revelou hoje em Bruxelas que a empresa Delphi vai criar postos de trabalho em Castelo Branco, minimizando assim o impacto do despedimento de 500 trabalhadores na Guarda.
Textos anteriores sobre a globalização
http://fliscorno.blogspot.com/search/label/globaliza%C3%A7%C3%A3o

A lição

Quando comprar produtos com etiqueta Made in PRC, Made in China, Made in Bangladesh, Made in what-ever-country-where-hiring-a-person-is-cheaper-than-a-bottle-of-cheap-wine, lembre-se que estará a contribuir, mesmo que indirectamente, para o nosso desemprego. A dificuldade consiste, já, em encontrar alternativas a estes produtos. Something to think about...


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Para que servem provas de aferição que não avaliam os alunos?

Hoje o meu chefe disse-me:
- Olha pá, ali o departamento de relações públicas precisa de ter umas luzes de Excel, por isso vais dar-lhes formação. Os tipos são um bocado desordeiros e estão-se nas tintas para a informática, pelo que terás que os motivar e manter na linha. Mas como isto é só para calar director do departamento, que por vezes tem estas ideias peregrinas, basta que eles tenham aprovação no final; eles não precisam mesmo de aprender, não compliques! E parece que andam bem ocupados nesta altura do ano, portanto tolera umas faltitas que venham a dar.

- Quer dizer, disse eu, que então é para passar uns PPS e contar umas piadas...

- Oh pá, tu é que vais dar a formação, isso é contigo. Mas no final do módulo farás uma prova de aferição, para percebermos se és bom formador.

Grande pincelada! Aqueles baldas não têm que estudar uma linha para a prova mas os seus resultados servirão para me avaliar. Vou é dar Muito Bom a todos!


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O respeitinho

Margarida Moreira DREN


«Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.» Público, 19.05.2007 [link]

Continuando esta linha de acção, parece que a dona Margarida Moreira lançou uma nova linha de uniformes para trabalho na DREN.


Os assessores da CML
Não posso deixar de passar esta. Mais de 200 assessores distribuídos pelos diversos partidos pairavam pela Câmara Municipal de Lisboa até à queda de Carmona. E isto numa única câmara. Quantas são? É por estas e por outras que alguns de nós sentem a crise e outros não. PQP toda essa cambada de abutres. Não há inocentes nesta história.


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A Governadora Civil de Lisboa fez merda

Maria Adelaide Rocha fez merda

Há pessoas assim: erram e não assumem o erro. A não ser que não tenha havido erro e tenha sido de propósito. Maria Adelaide Rocha, Governadora Civil de Lisboa, decidiu não respeitar prazos ao marcar eleições para a CML e diz-se de "consciência tranquila", agora que o Tribunal Constitucional lhe chumbou a data escolhida. Dizem que a data inicial davam mais hipóteses ao PS na corrida à CML. Mas isso são só más línguas, claro...

Como parte do processo de aprendizagem e porque errar é humano, as pessoas devem assumir os seus erros. Esta é a melhor forma de não os repetir e a política não é excepção a esta regra de conduta. Infelizmente, entre nós esta é uma atitude rara. Será por isso que algumas aselhices parecem eternizar-se?


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A corrente thinking blogger

Isabel Magalhães, num dos seus blogs, o Oeiras Local, incluiu o Fliscorno na corrente thinking blogger, amabilidade que agradeço.

O boneco que tem sido usado para o logo desta corrente [link], uma espécie de alien amarelado com um não-sei-o-quê na testa (e alien, alien é mesmo esta do Alien's corner), não me seduz por aí além. Não o vou reproduzir aqui por isso.

Apesar da vertente holiodesca destes awards, aqui vão cinco blogs que gosto de visitar:
Para vós, aqui fica o thinking blogger award, para embrulhar, pôr na estante, atirar aos pardais ou para fazerem o que bem entenderem :-)

Por acaso, cinco é um número curto para os blogs que gosto de visitar. A lista completa está nesta página, na coluna "Pela net", à direita. A vários destes daria destaque com este "prémio", alguns dos quais até já repetidamente "premiados" mas fico pela lista anterior.


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Jogos de bastidores

carmona marioneta

Ao ver Marques Mendes decidir o que fazer com a CML, no lugar dos eleitores, vereadores e Assembleia Municipal, fiquei com dúvidas sobre quem era o prrrelesidente da junta, carago. Mas descobrimos na recta final que Carmona ainda tinha pedal para mais uns metros, mesmo que não saibamos para ir onde...

Há demasiado veneno no ar desta cidade. O melhor mesmo é proceder a uma retirada para a província, até meados da semana que vem.


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Bilhete de TGV entre Lisboa e Madrid vai custar 100 euros

elefantes brancos tgv ota


Ficámos a saber que numa entrevista dada ao "Acção Socialista" (30/04/2007) a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, calculou que o preço duma viagem Lisboa-Madrid (one way only) será de 100 €.

Desculpe?! Mas agora o pasquim do PS é a nova fonte de informação sobre os projectos do PS? Ups, queria dizer do governo.

E a senhora Ana Paula Vitorino, adicionalmente, acha que será um preço competitivo... Bem se vê que ela alargou a outros sites a recomendação de não ler blogs que o seu PM fez. Senão, ela poderia ter passado por exemplo pelo www.skyscanner.net para concluir que essa mesma viagem, feita de avião custa entre 35 € e 90 €, sendo que tende mais para os 35 do que para os 90.

Bem se vê que este será um projecto de elevado sucesso financeiro. Talvez mais para os espanhóis do que para nós, já lhes ficará mais barato cá colocar os seus produtos. Seria interessante saber qual o preço do transporte de mercadorias pelo TGV, já que talvez esta seja uma alternativa de facto ao transporte rodoviário. Mas que não chega para justificar o enorme investimento necessário.

Mas não há problema. Portugal já é um país exótico, pelo menos se atendermos ao elevado número de palmeiras que por aí se encontram. E ainda o vai ser mais, já que aos estádios do Euro, ao Alqueva, ao Túnel do Marquês e a outros de que me esteja a esquecer, dois novos elefantes se lhes juntarão. Brancos.


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Troia resort - Soane Turismo

Encontrei este vídeo promocional sobre os investimentos que a Sonae está a fazer na Península de Setúbal.



Realmente, ter o aeroporto na margem sul, em vez de a 87Km de distância na Ota, seria mais conveniente. Haverá de facto um lóbi para que alterar a localização do elefante branco?


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Runaway Carmona

run away Carmona Rodrigues

Consta por aí que Carmona Rodrigues anda em parte incerta, a ver motas em Londres, diz-se. Certamente que nada terá a ver com ter-se sabido que passara a (mais um) arguido no caso Câmara Municipal de Lisboa/Bragaparques. A aproveitar, antes, o fim de semana prolongado, com certeza.

E é também o que eu vou fazer. Bom resto de fim de semana e até quarta.


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Presidentes das câmara municipais corruptos

presidentes de câmara municipal corruptos


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Os números dos Dias da Música 2007 - II

Pensei ter encerrado o tema dos Dias da Música no texto "Os números dos Dias da Música 2007" mas dois excelentes textos sobre o assunto, focando outros pontos de vista, trouxeram-me de volta à temática.

São eles:

Eu também não volto a falar dos Dias da Música, por Teresa
Destaco:
«[...]Há um aspecto que me interessa particularmente enquanto musicóloga. A programação da Festa da Música orientava-se por critérios de carácter vagamente historiográfico, pelo que a criação ulterior de discurso estava assegurada. Tinha, portanto, entre outras, uma evidente função pedagógica. Não oferecia apenas o prazer efémero da música ao vivo, mas a possibilidade real de aprender alguma coisa sobre a história da música em sentido lato, assim como sobre a história dos géneros musicais, da interpretação, do percurso dos próprios compositores. Colocava questões e dava perspectivas.

Asseguro-vos, meus caros contertúlios, que ter escutado no mesmo dia, por exemplo, as Variações sobre um tema de Paganini, de Rachmaninov, o Festim da Aranha, de Roussel, prelúdios de Debussy, obras de Chopin e a sonata de Liszt, o terceiro de Prokofiev, Frescobaldi e Bach entremeados por música techno, o terceiro de Beethoven… não leva, intelectualmente, a lado nenhum. As minhas escolhas foram, por força das minhas circunstâncias pessoais, pouco ponderadas. Mas, mesmo assim...[...]»

Alguém que me explique isto dos dias da música, por Henrique Silveira
Destaco:
«[...]30 pianistas, alguns nem devem aparecer no google. Concertos a solo e a duo. Muitos eram pianistas portugueses, mais baratos por causa das viagens, e algumas orquestras: Orquestra de Câmara Württemberg, ORCHESTRUTOPICA, Orquestra Metropolitana, Orquestra Filarmónica da Eslováquia.
Serão 250 músicos no máximo, com muita caridade, mais os 30 pianistas, um percussionista e um cravista. Ficou, mais coisa menos coisa, a cerca de 2100 euros por músico (onde se incluem os músicos das orquestras, que são pagas sempre da mesma forma tabelada e institucionalizada). Conclusão: os preços pagos pelo CCB aos solistas são muito mais elevados do que nos tempos de René Martin e não são inferiores a preços de concerto normal, não existe qualquer economia de escala. [...]

Custo de 2006: [...] Feitas as contas fica a 1400 por músico, e que músicos, além disso vindos (mais de 450) do estrangeiro, com viagens a pagar pelo CCB. [...]

[...]Copia-se descaradamente e despudoradamente o modelo, faz-se uma versão baratucha que putativamente fica a um terço do custo de 2006, ultrapassa-se o orçamento em 50%, chega-se a metade do valor anterior; chamam-se, de caminho, uns nomes ao programador antecedente, finalmente até se diz que não se sabe o que é a Festa da Música, muito edificante, sem dúvida.[...]»


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25 de Abril


Não queria deixar passar o dia sem uma referência 33º aniversário do dia da revolução.

Tinha 6 anos e estava uma manhã primaveril fantástica em toda a aldeia. Eram 10 da manhã e o meu pai e eu íamos a sair de casa para sulfatarmos uma vinha. O nosso vizinho de frente, com quem não falávamos fazia anos, cruzou-se connosco e, surpreendentemente, dirigiu-nos a palavra:

- Então oh vizinho, está a haver uma revolução, sabia?

O meu pai, homem da terra e mais preocupado com a abundância de água para as searas do que com golpes de estado, nem respondeu. Continuámos o passo apressado mas eu estava curioso:

- Oh pai, o que é que aconteceu?
- Xiu, cala-te. Isso não interessa para nada.

A forma receosa como ele me respondera calou-me realmente e só anos depois é que soube o que era uma revolução.

~~~~~~~~ ~~~~~~~~ ~~~~~~~~

Muito se tem dito sobre estes anos em que passámos a viver em democracia. O Jumento dissertou duma forma clarividente sobre o tema das heranças do 25 de Abril, colocando em palavras alguns pensamentos dispersos que por mim se cruzaram. Destaco, em particular, o facto de os portugueses ainda olharem para o Estado como o pai que por eles olha. Mas o Estado somos nós, os políticos apenas tomam conta dele por lhes pagarmos para o fazerem. Enquanto este pensamento não se instalar na mentalidade dos portugueses, nunca se exigirá que os políticos sejam responsáveis e responsabilizados pelas suas acções. Até lá, continuaremos a ver a classe política zelar mais pelos seus interesses do que pelos do país.

Para não me ficar apenas com abstracções, deixo um exemplo concreto. Em 2002, um membro do governo alemão foi notícia porque se tornou público que usara as milhas acumuladas em voos de serviço para uma viagem particular com a sua família. A razão do escândalo era o entender da população que ele estaria a ter um benefício privado à custa dum cargo público e que esse benefício não fazia parte das regalias que lhe estavam atribuídas. Ele admitiu que assim era e demitiu-se do cargo. Um exagero? Talvez, segundo os nossos padrões em que gestores públicos atribuem a si próprios prémios de desempenho, em que autarcas com suspeitos de corrupção são eleitos e, além disso, se mantém nos cargos quando passam a arguidos, em que os gestores dos comboios, água, luz, etc. são cargos de nomeação política, em que .... e a lista continua. Um Exagero? Uma questão de princípio, diria eu.

A transformação que ainda falta acontecer é a classe política deixar de encarar o Estado como o seu porquinho de mealheiro e a população em geral exigir que esse comportamento termine.

PS: para que não restem dúvidas e porque tem andado no ar um certo clima saudosista, estamos inquestionavelmente melhor do que antes do 25 Abril. Por exemplo, lembro-me perfeitamente de partilharmos uma sardinha para cada duas pessoas na minha família.


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Os números dos Dias da Música 2007

Por gostar de elaborar opiniões com algum fundamento, aguardei que saíssem os "números" dos Dias da Música de 2007. Estes são os dados que compilei:


2006
Festa da Música
2007
Dias da Música
Notas
N.º de bilhetes vendidos52,00030,286Dados sobre 2007: link
Dados sobre 2006: listados em: link
Preço do bilhete6.00€6.00€
Custo da festa850,000€600,000€Em 2006/03/23 Mega Ferreira disse: O orçamento para a sua sétima edição (2006) foi de "850 mil euros". Portanto, ou MF "errou" em 2006 ou "errou" agora.
Ver: link

É de notar que, por altura da decisão de cancelar a Festa da Música, tinha sido anunciado que os Dias da Música custariam 450,000€. Estamos portanto perante uma derrapagem de 33% num evento de bastante menor dimensão.
Receita de bilheteira312,000.00€150,613.00€
Patrocínios372,000.00€372,000.00€Desconheço o valor de patrocínios de 2006. Assumo que era pelo menos o mesmo valor de 2007.
Saldo-166,000.00€-77,387.00€

Concluo:
  1. o saldo financeiro em 2007 poderá ter sido menos negativo, mas para sabermos com toda a certeza, seria necessário saber qual o valor dos patrocínios conseguidos em 2006;

  2. a diferença (cerca de 88,000€) não é assim tão grande quanto se pretendia para justificar o fim da festa da música;

  3. e sobretudo, se não fosse a pipa de massa que todos os anos nos vão custar os rabiscos do Berardo, este problema nem se colocaria.


Sobre o Berardo, recordo o que já aqui escrevera [link]:
Segundo o acordo assinado por Socrates e Berardo, o 2º empresta por 10 anos os seus gatafunhos ao CCB. Em contrapartida, o Estado português deve:
- constituir um museu até 31 de Dezembro de 2006 para albergar essas coisas que o Berardo comprou;

- fazer as obras obras no CCB "que venham a mostrar-se necessárias para instalar o Museu".

Além disso:
- "Berardo exercerá vitaliciamente o cargo de Presidente Honorário da Fundação";

- "O Estado tem opção de compra da Colecção Berardo (a que seja constituída pelas obras que façam parte do Anexo)";

- O Conselho de Administração será constituído no regime de paridade, entre o Estado e o Comendador José Manuel Rodrigues Berardo (o quinto administrador será escolhido por acordo).

- "O Estado e o Comendador Berardo, constituirão um Fundo de aquisições para compra de novas obras de arte";

- "O Fundo será dotado anualmente com 500,000.00 euros por cada uma das partes."
Acresce que para este tasco do Berardo o Estado teve que pagar as obras de adaptação do CCB e que ainda será necessário pagar uma equipa de 5 administradores do museu(cinco!!!!!!!!! um dos quais o franciú que foi assessor de Jack Lang!), os necessários funcionários do museu, etc., etc.

Portanto, não houve dinheiro para a música porque se o passou a gastar na massagem ao ego do Berardo.

Opções políticas, dirão. Certo, mas que sejam assumidas em vez de mascaradas com meias verdades.