a política na vertente de cartaz de campanha

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Business as usual

echinopsis rhodotricha

Muitas coisas têm um ritmo próprio enquanto outras não conseguem ir além das condicionantes externas, repetindo-se ano após ano. Este é o fatídico destino das férias, que teimam em terminar em vez de nos surpreenderem com uma inesperada singularidade cujo limite as fizesse crescer na razão inversa do tempo de sobra.

Mas periodicidade não obriga a monotonia e, se calhar por isso, descobri que este cacto sisudo surpreende-nos uma vez por ano com a deslumbrante flor da fotografia seguinte. Chama-se echinopsis rhodotricha e a sua flor dura apenas um dia.

echinopsis rhodotricha


echinopsis rhodotricha

Já o sub-mundo da política retomou o ciclo do costume sem surpresa alguma. Já passámos pelos fogos, pelas tretas do tomateiro Alberto da Madeira, as notícias escolares são as do costume e até a governação de fachada não foge à regra. De fachada é, de facto, a expressão certa para o decreto lei recentemente anunciado sobre as obras domésticas de restauro e para entrar em vigor em Março do ano que vem. Sim, daqui a 6 meses!

«Fazer obras no interior da casa, trabalhos de preservação da fachada do prédio, construir uma piscina em casa são alguns dos procedimentos que, a partir do próximo mês de Março, já não precisam de licença prévia das câmaras municipais», escreve o portal Agência Financeira [link].

Anunciado pelo secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita, como sendo «o diploma mais importante do Simplex em 2007», este decreto lei não passa no entanto dum processo de cosmética do já existente DL 555/99:

Decreto Lei n.º 555/99

Ocorre-me que o Simplex cheira um bocado a Fachadex...

E pelo Fliscorno, o que se vai passar? Menos do mesmo, força da necessidade de estabelecer prioridades. Os textos por estes lados terão ritmo irregular, pelo que procuro um formato diferente para o blog. A ver vamos o que sai.


PS: Já agora, para não deixar passar em branco, esse caso Somague é mais um dos Caladex que tens a boca cheiéxa, tal é o voto de silêncio a que se remetem todos os partidos sobre esta falta de vergonha. Vergonhex.


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O Fliscorno vai de férias

fliscorno vai de férias

Caros amigos, o Fliscorno vai de férias. Até à última semana de Agosto os posts neste cantinho terão ritmo irregular.

Comigo vou levar uns livrinhos. Espero finalmente terminar "A brief history of time" de Stephen Hawking...
a brief history of time - Stephen Hawking


... e terminar também "A guerra do mundo", de Niall Ferguson.
A guerra do mundo - Niall Ferguson


Entretanto ainda passarei na Fnac para comprar outro volume da série "The far side gallery" de Gary Larson, cujos cartoons correspondem ao que eu gostaria de produzir se soubesse desenhar. :-)

the far side gallery by gary larson



Muito provavelmente também namorarei um ou outro volume do Calvin and Hobbes, a fantástica banda desenhada de Bill Watterson, que elejo como a minha favorita. Para quem aprecie estas tiras, o livro "Calvin and Hobbes - Tenth anniversary book" é imperdível. Nele, Watterson reuniu algumas tiras publicadas noutros volumes, acrescentou outras mas, sobretudo, incluiu textos com a caracterização das personagens e com algumas notas sobre determinadas sequências. Deveras interessante.

Calvin and hobbes tenth anniversary book


Boas férias ou bom trabalho, conforme seja o caso.


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Processo de Charrua arquivado

Acabo de ouvir na TVI: o processo de charrua foi arquivado. A ministra da educação considera que a liberdade de opinião seria afectada caso fosse executada a recomendação resultante do processo disciplinar.

Ai sondagens, a quanto obrigas... Tardiamente, mas menos um disparate na checklist do PS.

E agora, dona Guida, vai auto-drenar-se?

[Adenda]
No Público:
«[...] decidiu não aplicar qualquer sanção ao professor por considerar que o comentário jocoso que fez à licenciatura do primeiro-ministro se enquadra no direito à opinião. [...] Maria de Lurdes Rodrigues defende que "a aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável" numa sociedade democrática [...]»


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A sátira aos partidos: conclusão

Termino aqui esta sequência de textos sobre a forma como vejo os diversos partidos políticos. Dei uma volta pelo que se escreve pela blogosfera sobre esta temática e compilei parte a seguir. Por fim, acrescento algumas notas pessoais.


1. Teses noutros blogs

Paulo Guinote e os deputados da nação versus os deputados limianos:
http://educar.wordpress.com/2007/07/19/havera-democracia-sem-abstencao
[...]
E porque há muito tempo que, especialmente em eleições legislativas em que, em vez de escolhermos deputados para ocuparem os lugares no órgão fundamental da Democracia, acabamos na prática a votar num tipo para primeiro-ministro que depois escolhe, equilibrando nos bastidores o peso relativo das facções grupos de interesses que o guindaram á ribalta, os ministros em que ninguém votou, porque votámos foi em deputados.

Em deputados que são da Nação e que, por isso mesmo, não devem ser limianos e defender as regiões/distritos por onde foram eleitos.

Porque é muito interessante defender-se a democracia representativa, mas depois os representantes não serem exactamente representantes dos representados que neles votaram.

Ou defender-se que no mundo anglo-saxónico é que é bom porque as listas são uninominais e existe uma maior proximidades e responsabilidades dos eleitores relativamente aos eleitores, mas esquecer-se que é exactamente nesses países que os deputados são limianos por definição, votando de acordo com os interesses da sua constituency. Quem não quiser perder muito tempo a ler prosa longa sobre este assunto pode ler um ou outro artigo mais curto e específico sobre o assunto. Ou este anúncio de um candidato em que faz do crossing party lines um trunfo.
[...]



Ruy sobre o Partido Socialista que daria lições de liberdade
http://classepolitica.blogspot.com/2007/07/o-ps-que-daria-lies-de-liberdade-j-no_8108.html
[...]
O facto é que o Partido Socialista que daria lições de liberdade já não existe.
Está morto e enterrado.
Hoje, o Partido Socialista quer o poder a todo o custo, não para servir o País mas para se servir do País. E é confrangedor presenciar o silêncio cúmplice dos velhos socialistas do velho PS.
Perante esta brutal e abrupta guinada ao liberalismo e à direita autoritária, por parte do PS chefiado por Sócrates, é lastimável que não se levante uma única voz dos seus “históricos” militantes. A Democracia, jamais lhes perdoará e de pouco lhes valerá recordar condutas passadas em defesa da Liberdade.
[...]



Rui Matos sobre os independentes
http://macroscopio.blogspot.com
[...]
Consabidamente, Helena Roseta do PS e Carmona Rodrigues suportado pelo PSD nos últimos dois anos (apesar de independente) apresentaram-se mais como candidatos ressentidos com os seus partidos, PS e PSD. Aquela porque Sócrates não lhe respondeu à carta nem nunca a convidou para uma qualquer secretaria de Estado; Carmona poque foi vilipendiado por MMendes quando deixou de servir os interesses da liderança da S. Caetano à Lapa que hoje está como está, curiosamente por causa da ferida aberta pela perda da fortaleza de Lisboa para o PS.
[...]



Rui Matos sobre as democracias versus ditaduras
[...]
http://macroscopio.blogspot.com/2007/07/o-efeito-de-criatognese-do-jumento.html
Por regra a democracia significa a eleição dos melhores, porque há competição nas propostas em contexto eleitoral, mas cedo esse pluralismo degenera ou enfraquece e acaba por corromper o governo e as políticas públicas que ele defendia. Logo, o poder democrático degenera, sofre a erosão do tempo e vai oxidando.

Por seu turno, as ditaduras oferecem uma vantagem: há uma poderosa unidade de comando, não existe opinião pública a chatear - mas não há liberdade.

Em suma: pobrezinhos, mas honrados, assim até temos a mania que somos independentes (à africana), e com tantos Portáteis distribuídos a um Domingo só podemos crer que o PIB irá disparar e os níveis de competitividade da economia portuguesa fronteiram com as taxas de crescimento de 10% ao ano verificadas na Ásia na altura do boom.
[...]




Jumento sobre a econodemocracia
http://jumento.blogspot.com/2007/07/econodemocracia.html
[...]
Há duas democracias, a democracia onde um homem vale um voto que serve para escolher deputados e vereadores, e a democracia onde cada um vale uma determinada percentagem do PIB. O conceito foi introduzido pelos assessores do primeiro-ministro, sempre que este faz uma viagem ao estrangeiro e se faz acompanhar de uma vasta comitiva os seus assessores encarregam-se de informar a comunicação social de que os acompanhantes de Sócrates representam 60 ou 70% do PIB.
[...]



Jumento sobre Défice de formação democrática
http://jumento.blogspot.com/2007/07/dfice-de-formao-democrtica.html
[...]
A democracia portuguesa tem um longo historial de saneamento político, tudo começou no pós 25 de Abril e desde então a “confiança política” tem sido um instrumento de consolidação do poder. PCP, PSD e PS têm um vasto currículo nesta matéria, ainda que no caso do PS a vocação saneadora nunca tenha sido tão evidente como com os serviçais de Sócrates.

Quem não se lembra das grandes de cerimónias de apresentação dos novos militantes no tempo de Cavaco Silva, quando aceder a um lugar de chefia do Estado quase implicava a inscrição prévia no PSD? Já estamos esquecidos do recente saneamento do presidente da CM de Setúbal pela direcção do PCP? Vamos ignorar o que se passa na Madeira, esse paraíso da democracia de um Marques Mendes que agora anda armado em defensor das liberdades?
[...]



Kaos sobre o novo Estatuto dos Deputados
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/2007/07/quem-este-senhor.html
[...]
Mas, todos eles [os deputados], passarão a ter direito, a um clone, a um assessor privado, de acordo com o novo “Estatuto dos Deputados” agora em votação. Isto é, vai haver ali muita gente a ter um assessor para o ajudar a não fazer nada.
[...]



Vicente Jorge Silva sobre os "Pactos de regime e democracia", in Diário de Notícias
[...]
http://dn.sapo.pt/2006/09/13/opiniao/pactos_regime_e_democracia.html
Perante uma tal aridez da democracia representativa, faz todo o sentido questionar a legitimidade democrática dos pactos de regime - o da justiça ou quaisquer outros. Mas o cepticismo e o desprezo que Sócrates hoje ostenta perante a instituição parlamentar não são muito diferentes daqueles que, no fundo, Cavaco tem (e teve) acerca dela. O problema não são os pactos de regime, mas as formas democráticas de fazer política com base em ideias, convicções e liberdade de opinião. Essa seria, no fundo, a reforma fundamental.
[...]



2. Notas pessoais
A democracia assenta no princípio do voto igualitário do individuo no processo de decisão. Em política significa a escolha dum programa eleitoral e dos respectivos executores. No entanto os eleitores votam nas escolhas que lhes são apresentadas e aí começa a ironia da nossa democracia. Para o PR e para as autárquicas pode um candidato fora dos partidos lançar a sua candidatura. Já para o governo, o poder de facto, os partidos não abrem mão do seu domínio. Teoricamente votamos num parlamento mas todos sabemos que é para o governo que o voto irá contribuir.

Votamos num cabeça de cartaz, escolhido por um partido, de entre as opções que mais lhe interessam. Sou só eu, ou algures ficou perdido o objectivo de tudo isto que seria escolher os nossos representantes?

Votar para as legislativas é um acto de fé. O tipo que dá a cara na eleição sabemos quem é e o que se propõe fazer, mesmo que as probabilidades de não cumprir o prometido andarem altas. Já o resto de lote é nitidamente um acto de acreditar que vai correr bem. Só que segundo a inevitável lei de Murphy, se pode correr mal, correrá mal.


E quanto às outras eleições, que não as legislativas? Podem existir candidatos não partidários, os chamados "independentes", apesar de mais certo do que sem dúvida terem feito carreira nalgum partido. Há que pensar nas consequências dum político, independente ou não, já agora, não cumprir o programa prometido. Creio que a responsabilização deve ir além da derrota eleitoral. Pode muito bem acontecer que o eleito pouco se importe que perca as próximas eleições, por estar a pensar no seu próprio interesse, por exemplo. A derrota eleitoral pouco serviria nestas circunstâncias para garantir que o eleito faz o trabalho que é suposto fazer mas já o mesmo não se poderia dizer se o incumprimento tivesse consequências pessoais. Poder-me-ão dizer que estou a ir pela demagogia, ao que realçaria que a política não é nem mais nem menos do que qualquer outra profissão. Mesmo que, narcisicamente, os políticos se retratarem como praticantes da mais nobre das profissões. E em qualquer que seja a profissão, as pessoais devem ser responsáveis e responsabilizadas pelos seus actos.


Também, volta e meia, se tem falado se queremos os deputados da nação ou os deputados representantes duma zona geográfica do país. Por arrasto, o deputado do Queijo Limiano acaba por vir à baila, no entanto seria bom abordar a questão mais seriamente. Actualmente, após a eleição, os deputados da nação não têm que responder perante ninguém, mantendo-se no confortável anonimato de deputado da nação, um entre duzentos e trinta. Por quatro anos, em parceria com o governo, são os senhores feudais do país, podendo fazer trinta por uma linha. E é o que tem acontecido, com o ciclo eleitoral. Dois anos a implementar medidas com impacto negativo e dois anos a fazer medidas populistas para se ganharem as próximas eleições. Eventualmente, governa-se no meio termo. Mas seria assim se estes deputados tivessem que responder perante os eleitores que directamente os elegeram? Poderão dizer que logo os regionalismos virão ao de cima mas para mim isso seria a forma das pessoas individualmente terem alguma coisa a dizer sobre decisões que as afectam directamente. Talvez assim não ouvíssemos esses omnipresentes e inevitáveis "muito bem" de cada vez que o líder falasse no parlamento.

A nossa democracia está doente e é o sistema partidário a raiz podre causadora desta perda de vitalidade. Com maior ou menor democracia, menor geralmente, os partidos escolhem os seus representantes. A nós, eleitores, cabe conformarmos-nos com a escolha oferecida. Feita a eleição, o cabeça de lista vencedor forma governo com quem bem entender, indo buscar pessoas que não votámos. E finalmente, em vez de representarem os eleitores, os deputados devem obedecer ao partido, pela disciplina de voto.

No entanto, haverá democracia sem partidos?!


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O quadro para sombrinhas chinesas

Via Blasfémias:
Já conhecíamos os manifestantes de aluguer.
Agora, temos eventos promovidos pelo governo com recurso a figurantes de agências de casting.
Crianças a fazer de conta que são da escola.

Comentário
Agora, com estes quadros maravilha com projector, é que as criancinhas vão aprender em condições. A fazer sombrinhas chinesas, bem se vê!

Se o ridículo matasse, a classe política teria desaparecido antes dos dinossauros.


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Ensemble de Plectro Carlos Seixas

Será que também vos acontece isto: querer publicar pela positiva mas acabar derreado pela força da actualidade?

And now, for something completely different: para quem acha que tuna começou por ser (e apenas é) o abana para a direita e para esquerda, duas piruetas e vai de roda, aqui vai uma hipótese de reconsideração.

Ensemble de Plectro Carlos Seixas da TAUC:
  • Minueto, Carlos Seixas (mp3: link);
  • Komm, liebe Zither, komm, W. A. Mozart, KV 351 (mp3: link; partitura: link);
  • Crepúsculo, José Firmino (mp3: link);
  • Die Zufriedenheit, W. A. Mozart, KV 349 (mp3: link, partitura; link).


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A alínea I

exclusão do concurso de professor titular

Pelo blog PURO ARÁBICA fiquei a saber:
[...] vi [...] as listas de candidatos admitidos e excluídos do Concurso de Professores Titulares que está a decorrer no âmbito da reestruturação do Estatuto da Carreira Docente (não superior). A acompanhar a lista de excluídos apareciam tipificadas, através de códigos/letras, as razões para uma possível exclusão. Uma delas, a que corresponde ao código/letra I, apresenta uma razão que, do ponto de vista do enquadramento geral político, é, no mínimo, muito preocupante.
[...]
Dito de outra maneira “bem curta e grossa”: um professor que realize e/ou participe em alguma acção, no âmbito do Direito à Liberdade de Pensamento e de Expressão, poderá ser alvo de uma exclusão de um concurso público da Função Pública?



Esta alínea I parece feita à medida da necessidade de controlar os blogs!


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Ainda o abono de família

Deixo estas questões:

O que é que trará maior crescimento ao país: inverter a actual baixa natalidade ou a OTA+TGV?

Ambas significam elevado esforço mas uma traz votos já nas próximas legislativas. Qual delas?


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The bug



Via Contra Capa:
Um insecto robótico de tamanho natural foi posto a voar pela primeira vez na Universidade de Harvard. Pesa apenas 60 miligramas, com uma extensão de asas de três centímetros e os pequenos movimentos do robot são baseados em um vôo real.


Fantástico! Imagem e texto adicional em http://www.technologyreview.com/Infotech/19068.

Uma novela do escritor mainstream Michael Crichton sobre esta temática: Prey.


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O novo selo do carro

selo do carro

Este pedaço de papel medindo 5.6x5.6 cm é o novo "selo do carro" para 2007. Pelo seu tamanho, não cabe na camisinha onde o costumo colocar, efeito do novo azul viagra, certamente.

Mas a parte absolutamente estúpida é que durante um ano inteiro iremos andar com um letreiro a dizer finanças, na mesma linha que os carros da EDP têm escrito EDP de forma bem visível.

Oh Sô Macedo, v.exa estava assim com tanto desespero de deixar uma marca do seu serviço?
Nós sabemos tudo o que possuimos se não é do banco é do fisco mas precisava de nos recordar disso diariamente?

[correcção]
Depois de uma comparação mais rigorosa, observei que este "selo" é do mesmo tamanho do do ano passado, contrariamente ao que aqui escrevera.


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A satira aos partidos: convite

Dou por quase terminada a sequência de descascanço nos partidos políticos, tendo focado apenas aqueles que têm representação parlamentar. Dos outros, pouco conheço e um deles, em particular, dá-me vómitos. Sim, o desse puto a quem lhe falta uma estada num campo de trabalhos forçados para compreender a palermice que defende.

CONVITE
Depois deste post pretendo ainda voltar uma vez mais à carga com umas divagações sobre democracia. Deixo aqui o convite e desafio aos leitores para participar neste último post.

Poderão escrever sobre o que bem entenderem (incluindo obviamente a discordância do que já escrevi), desde que se enquadre na temática dos posts já publicados nesta rubrica ou no texto seguinte. Para o fazerem, poderão mandar um mail para o fliscorno ou deixar o texto na caixa de comentários.

Este post conclusivo será formado pelas contribuições recebidas e por uma parte minha, a qual sumarizo a seguir para que a possam ter em conta.
A democracia assenta no princípio do voto igualitário do individuo no processo de decisão. Em política significa a escolha dum programa eleitoral e dos respectivos executores. Questões:
- o eleitor apenas pode usar o seu voto na eleição das propostas legislativas que lhe são apresentadas pelos partidos; os partidos não são necessariamente uma estrutura democrática; o eleitor não tem, universalmente, voto na escolha de quem o partido vai escolher para ser candidato; assim, em vez de democracia tempos antes uma espécie saco de rifas.
- outras eleições, que não as legislativas, já têm um carácter diferente, havendo o conceito de candidato não partidário; há de facto "independentes"?; se um "independente" não corresponder ao esperado e não havendo um partido para ser responsabilizado, como se deverá proceder nessa situação?
- é pensamento comum que o eleitor julga o mandando dos políticos no momento da eleição; deveria existir outro género de responsabilização pessoal pelos actos políticos? é suficiente a não eleição perante o não cumprimento do programa com o qual se fora eleito?
- deveria existir o sistema do deputado como representante duma zona geográfica do país?

Boas escritas e bom fim de semana.

[Adenda]
Esquecera-me de o referir: a contribuições poderão ser enviadas até segunda-feira à noite.


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6. A sátira aos partidos: PEV

pev partido ecologista os verdes

PEV significa "Partido Ecologista Os Verdes" mas bem que podia significar "Participante na Esquerda Vermelha", pois não passa duma delegação satélite do PCP, como várias outras que os comunistas criaram para tentarem controlar sectores diversos da nossa sociedade.

É pena. A ecologia não constitui uma moda como as calças à boca de sino ou o cabelo ensopado de gel à la lesma que deixou rasto. A preocupação com o futuro do planeta, com o garantido fim de certos recursos naturais e a reflexão sobre o hiper-consumo da nossa sociedade são actualmente ainda mais prementes para que os netos da nossa geração possam conhecer o planeta como ele agora é.

Pelas temáticas que poderia envolver, desde o ambiente ao comércio justo, podia ser meu partido. Assim, é apenas mais uma estrutura de acesso ao poder, um local de carreirismo político.


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5. A sátira aos partidos: PS

ps soca

Depois da bandeira de partido da liberdade, com o seu indiscutível papel na consolidação da democracia no pós-revolução, o PS tem vindo a habituar-nos aos dissabores da desilusão.

A nacionalização da economia deu naquilo que se sabe, no levantamento de monopólios não competitivos, arrogantes na postura com os seus clientes e com produtos/serviços de baixa qualidade. Pois foi este mesmo PS que havia defendido e implementado as nacionalizações que, décadas depois, acabou por ser o grande cobrador de dividendos vindos das privatizações desses mesmos sectores, tornadas possíveis com a injecção de capital público - os nossos impostos - para tapar os respectivos buracos financeiros.

Ainda não encontrei uma explicação séria para o destino que foi dado a esta pipa de massa feita nas privatizações. Depois de 10 anos de Cavaquismo, o PS estava sequioso de tachos e a minha suspeita é que todo esse dinheiro acabou por ser gasto na duplicação dos quadros da função pública, espalhando os seus boys lado a lado com os do PSD que já lá estavam. De nada valeu Guterres proferir a célebre frase "no jobs for the boys", pois o aparelho partidário é que dominava o terreno.

Outros destinos possíveis para esse dinheiro das privatizações são o Rendimento Mínimo Garantido e as autoestradas em ALD, as SCUT. Mais subsídios. Dinheiro mal empregue, se aceitarmos a máxima "não lhes dês peixe, ensina-os a pescar".

Depois do pântano, da passagem do PSD pelo governo, que tratou de colocar mais dos seus boys na função pública (FP) e depois da vergonhosa fuga de Barroso para o seu tacho europeu, as contas do país estavam mal. Culpa dos todos os governos lá passaram, ou seja do PSD e do PS, que isto fique claro.

Quando chegou a vez de Sócrates, muitos acreditaram no seu programa e na honestidade das suas propostas e mesmo sabendo que mais um aperto aí viria, a promessa dum fim à vista angariou apoio. O meu inclusive. Mas mais do que antes, ficou claro que político não é pessoa de palavra e o prometido só valeu na campanha eleitoral.

O controlo das contas públicas não foi feito com a racionalização da FP e com a redução da despesa mas sim com um aumento massivo de impostos, contrariando as promessas eleitorais, com o congelamento da progressão nas carreiras da FP e redefinindo as próprias carreiras para que a médio prazo os salários constituam um menor encargo.

Contrariamente à propaganda do governo, a despesa pública não baixou (link). Era 42,033.6 milhões de euros em 2005 e passou para 43.967.2 milhões de euros em 2006. Em termos absolutos, a despesa pública aumentou. Só se for comparada com o PIB, como o fez Sócrates com esperteza, é que se pode afirmar que baixou. Mas isso só aconteceu porque o PIB cresceu mais do que a despesa.

Na verdade, as causas da despesa pública continuam presentes e consistem na desorganização do Estado, partido em incontáveis organismos, fundações, empresa públicas, delegações regionais, governos civis e regionais, parlamentos regionais, câmaras municipais, juntas de freguesia, ministérios, altas autoridades, etc., etc. Muitas vezes as competências destas entidades sobrepõem-se e o controlo das respectivas contas não é propriamente público. A título de exemplo, alguém consegue produzir uma tabela com os gastos por departamento de todas as câmaras municipais do país? Estas também são Estado...

Não fosse o azar da torneira dos fundos comunitários se ter começado a fechar no fim do Cavaquismo, não estaríamos agora a pagar os elevados impostos que pagamos. O Estado estava habituado a estoirar dinheiro, continuo-o a fazer com Guterres e seguintes e não parou de o fazer com Sócrates. Apenas teve que encontrar novas fontes de receitas e estas vieram dos impostos e da redução dos serviços prestados à população pelo Estado. Menos segurança social, menos saúde, menos educação, menos reforma, menos ...

Todas as classes profissionais foram afectadas por este bota a baixo, excepto a classe política. Esta é a única que não viu os seus privilégios diminuídos como em todas as outras. Aliás, ainda se queixam que ganham mal para a nobre actividade que desempenham, estando aí a razão da mediocridade dos seus políticos. Sinceramente, não sei que outra classe profissional tem dois meses de férias, reforma completa ao fim de 12 anos de serviço e acesso directo a apetitosos cargos simplesmente por estarem na política.

Nada distingue a actuação deste governo dos anteriores, desde os episódios das nomeações e exonerações à propaganda reformista. O PS pode já ter sido o estandarte da liberdade mas hoje não passa do pau da vergasta com que tenta controlar as vozes dissonantes. "Quem se mete com o PS, leva."


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O abono de Sócrates

sócrates e o abono de família


http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1300036
Sócrates anuncia programa de apoio à natalidade

Com estes 100€ a atribuir a algumas famílias, que podem chegar a 130€ em algumas situações, Sócrates espera resolver o problema da baixa natalidade. Estabeleceu, assim, um desígnio para as famílias de menores rendimentos: re-popular o país. Esperemos que estas achem o incentivo com suficiente sex appeal.


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4. A sátira aos partidos: PCP

PCP carimbo

Se estivéssemos no Estado Novo seria garantido que a publicação deste texto me traria uma visita da PIDE e o rótulo de comunista - tratamento chapa-7 para quem discordasse do regime. E se o PCP tivesse conseguido impor o modelo comunista em Portugal depois do 25 de Abril, como tentou fazer, será que ainda poderia colocar este texto online ? Atendendo ao discurso tão apoteótico sobre os direitos, liberdades e garantias, sobre a direita tão satânica e sobre os altos valores éticos e morais, poderíamos achar que sim. No entanto, os factos apontam noutro sentido. As vozes discordantes dentro do partido são classificadas de dissidentes e traidoras; quem desalinha das posições do Comité Central é expulso; e o partido não vê problema absolutamente nenhum em, a meio do mandato, mudar os deputados que tinham sido eleitos, escolhendo outros que melhor lhe conviessem. Como se uma eleição não passasse dum formalismo para definir numeros clausus de acesso ao poder.

Quanto aos regimes comunistas ainda em vigor e que entretanto desapareceram, registamos que o PCP se mostra em consonância com eles, apesar das atrocidades humanas que foram cometidas e das ditaduras que representaram e representam. Não, ironicamente, liberdade e PCP não combinam. Resulta a leitura de que a liberdade individual é perfeitamente dispensável face aos interesses do Estado. Mas para os regimes comunistas, Estado e Partido são sinónimos, pelo que, dificilmente este texto viria a luz do dia e o respectivo autor também rapidamente a deixaria de a ver por tempo incerto.

Sobre o modelo económico de eleição do comunismo, mesmo perante a respectiva derrocada e a evidência de que a gestão estatal do que é de todos, sem ser de ninguém, não consegue ser eficaz nem eficiente, o partido insiste nessas mesmas políticas económicas, repetindo até à exaustão, e sem diferenças de nota, um discurso gasto e desadequado da presente realidade. Persiste na ausência de mudança apesar destas políticas não terem receptividade por parte dos portugueses, conclusão a que se pode chegar pela observação dos sucessivos resultados das eleições legislativas.

O Estado é a economia, o Partido é o Estado e o indivíduo apenas existe no contexto do Estado.


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3. A sátira aos partidos: PSD

PSD: pê esse dê

Ao longo da nossa longa história como nação, tivemos surpreendentes momentos de entrada de riqueza no país. As especiarias da Índia, o ouro do Brasil e os fundos comunitários da UE, só para citar alguns. Como reagiram os governantes de então? Realizou-se uma faustosa embaixada a Leão X, deslumbrantes templos religiosos foram construídos - Convento de Mafra incluído - e, na história recente, torrentes de dinheiro foram transferidas para formação profissional que formou ninguém, subsídios a uma agricultura que acabou extinta e obras públicas que renovaram o país mas sem o modernizar.

O PSD foi o partido que teve os recursos financeiros e a oportunidade para as transformações mas para além dum artigo no Financial Times sobre o aluno exemplar, da nova rede rodoviária, construída com tanto capital público e mesmo assim paga a preços de mercado e da construção selvagem permitida pelo poder autárquico, o que é que sobrou?

Sobrou a subsídiodependência, essa cultura de não correr riscos e de pedir apoio ao Estado quando o negócio corre mal, guardando o lucro quando vai de feição. Ficaram as pessoas, para quem a política foi um trampolim na vida profissional, aconchegada em cargos públicos, em empresas apadrinhadas pelo Estado e em cargos internacionais, mesmo que para isso compromissos sejam quebrados sem vergonha.

Sobrou uma cultura de interesse privado tão forte que nem conseguem encontrar quem sirva o partido depois dele se terem servido.

As "estradas" são necessárias, isso não está em causa. No entanto, se constituirem a apoteose duma estratégia de desenvolvimento, apenas servirão para mais rapidamente concentrar na capital as pessoas que antes viviam por todo o país.


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2. A sátira aos partidos: BE

BE: bloco na esquerda

Por alguma razão que não identifiquei, existe uma certa crença de que a esquerda deve ser irreverente e, ainda, que irreverência precisa de conotação sexual. Talvez por isso o Movimento Gay, Lésbico, Bissexual e Transgénero e o casamento por parte de casais homossexuais façam bandeira no BE. Sinceramente, pouco me importa a postura sexual de cada qual desde que eu não seja parte envolvida e, parece-me, que também o Estado nada tem a ver com isso. Pretender que o Estado vá além do reconhecimento das uniões de facto gay, ambicionando transforma-las em casamentos - acto paradoxalmente conservador - não é vanguardismo mas sim pirosíce.

Estas e outras opções similares (por exemplo: defender que não se usem animais nos circos como se o circo fosse necessariamente um antro de tortura) acabam por ser o bloco que impede a ascensão a outros patamares eleitorais. O que poderia acontecer graças à postura ambiental defendida, às preocupações com o Estado social e à visão contundente das temáticas da economia.


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1. A sátira aos partidos: CDS-PP

 CDS: ao centro

O logotipo do CDS-PP faz-me pensar na conveniência do centro, moradia da virtude, segundo dizem. Nada assim tão estranho se pensarmos um pouco. Quantos não preferem conduzir na faixa do meio, é no meio dos amigos que se está bem e é o meio duma gaiola de Faraday o local mais seguro em dia de trovoada.

Também nas abordagens políticas o centrão aparenta virtudes. Mas eleitorais, claro. O discurso oficial pode sempre ser ajustado um pouco para a esquerda ou para a direita até que no eleitorado mainstream se crie um elemento de identificação. O problema destas oscilações poderá ser o mesmo de quem navega em mar instável e que é, precisamente, causar náusea e deixar a percepção de deriva sem rumo.

Mas o que mais gosto no centrinho é mesmo da postura familiar do partido. Todos muito lindos e correctos na fotografia mas depois, na hora da verdade, dia de congresso, é ve-los literalmente à estalada. Tal como numa pequena família.


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A sátira aos partidos

Hoje começo uma sequência em que, ao longo desta semana, irei retratando os partidos políticos da forma como os vejo. Sendo uma matéria sensível para alguns e dada a possível correspondência que possam estabelecer entre ideais e partidos, realço que apenas apresentarei uma visão pessoal de alguém algo descrente nos aparelhos partidários.


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O expresso da vitória

[Re-editado às 13:51]

No Bar Velho Online, DJ comenta as excursões do Partido:
- "De que bairro é que a senhora é?"
- "Não sou daqui. Sou de Famalicão."
- "E o senhor? É daqui?"
- "Não. Também sou de Famalicão."
- "A senhora vem de onde?"
- "Sou de Cabeceiras de Basto."
- "E o que é que está aqui a fazer?"
- "Não sei bem. Disseram-me para vir no autocarro e eu vim..."

Aí está uma verdadeira candidatura por Lisboa. Tanto a campanha, como a respectiva sede, têm muita gente, pena é que ninguém seja do município no qual houve eleições. Começa no Presidente da Câmara, que nem em Lisboa reside, e acaba nos restantes.
Eu bem sei que Portugal é pequeno, mas daí Famalicão e Cabeceiras de Basto estão um "bocadinho" fora da periferia da capital.


E no # % @ Código : Urbano § ? & Ricardo Belo de Morais escreve:
Tão fabulosa e memorável foi a vitória de António Costa com 29,54% nas eleições intercalares para a CML (resultado que objectivamente se traduz na legitimidade dada por mais-ou-menos 8% dos votantes inscritos na capital) que foi preciso o PS ir buscar velhinhos a lares de idosos, pelo país fora (Teixoso, Cabeceiras de Basto, Alandroal, Mafra...), em autocarros fretados, a fim de engrossar a massa de "população festejadeira", em aclamação a Sócrates e ao seu ex-vice. «Nem sabíamos que vínhamos para aqui, disseram-nos que vínhamos para uma festa», contavam às televisões os velhinhos "recrutados", sob o sorriso seráfico e irónico de repórteres, pivots e comentadores.

Os caciques locais do PS* resolveram organizar excursões às redondezas de Lisboa com passagem pelo hotel Altis. Se o fizeram foi porque tiveram a percepção de que o seu gesto teria retorno por parte do seu líder.
Um espectáculo deprimente.

* Sim, caciques. As bandeiras PS que os «excursionistas» empunhavam, aliadas às declarações que tinham vindo para um passeio, não deixam margem para dúvidas.

A maior vitória sem coligação?
Quem ouvisse as declarações de vitória dos quadros PS diria que tiveram uma votação notável, esmagadora da oposição. Nem uma coisa nem outra. A frase encenada e recorrentemente repetida sobre o PS ter tido a maior votação de sempre em Lisboa numa eleição sem coligação não passa de propaganda política. Costa foi eleito com menos 17,115 dos votos com que Carrilho perdeu em 2005. Portanto, é verdade que será a maior vitória sem coligação mas não é a maior votação que o PS teve sem coligação. Onde está essa esmagadora vitória que transbordava dos discursos de ontem?

AnoCandidato
Votos%MandatosAbstenção
2005
Carrilho
75,02226.56%5 47.35%
2007
Costa
57,90729.54% 662.61%
Votações PS em Lisboa em 2005 e 2007. Fonte: MJ

O mandato de Costa parece de facto começar como extensão da sede no Second Life: virtualmente alheado da realidade.