a política na vertente de cartaz de campanha

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A terceira pessoa

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Direito de opinião

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Parece que há um partido para o qual a eleição não passa do ritual onde distribuem os assentos para uma peça de teatro.


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Apertar o cinto

i-see-19 tales


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Começo hoje uma nova secção a que chamo de «I-See-19 tales». Ou traduzindo do inglês técnico: histórias do IC 19 ;-) Serão uma espécie de tira, pingadas ao ritmo irregular deste blog. Espero que gostem.


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Bill Gaitas é português

Não sei se não passará de comichosísse minha mas o correio não solicitado aborrece-me, pelo uso improdutivo dos nossos limitados recursos naturais. Diria que, duma forma geral, costumo rejeitar o que me é impingido.

O Windows Update começou por ser uma forma de a Micro$oft nos disponibilizar a correcção de bugs mas rapidamente a empresa de Bill Gaitas descobriu que também serviria para concretizar estratégias comerciais. É o caso da persistente tentativa de nos impingir - ai, lá fico eu chateado - software que consolide a posição da M$ no mercado, como sejam as novas versões do Windows Media Player, do Internet Explorer 7 e do próprio Windows Update (este actualizado sem possibilidade de intervenção do utilizador).

Acontece que prefiro usar o Winamp e o Firefox em vez dos equivalentes M$. Blasfémia das blasfémias, porque diabos há-de alguém querer usar no Windows software que não tenha sido
escrito pela Micro$oft?! Talvez por ser melhor?... Bom, o facto é que a M$ não parece assim pensar e insiste os disponibilizar no Windows Update o que bem lhe apetece. Livro-me deles de vez da forma que mostro na figura: 1º desselecciono-os, 2º primo CLOSE, 3º aparece uma nova janela e selecciono a opção "vai dar banho ao cão" e, finalmente, 4º primo close.

Porque não tem o software em geral garantia?
É ridículo que por 5 € compre uma porcaria dum gadget made in China, tendo garantia de dois anos, mas se for comprar um software que custe centenas de euros, por exemplo, já tenho que me limitar à habitual EULA (End User Licence Agreement, link em PT/BR).

Convido à leitura desta EULA e ao exercício de imaginar que seria, por exemplo, um televisor que estaria a comprar.
  • Antes de sequer ligar a TV teria que concordar com a licença imposta pelo fabricante. Caso contrário nem poderia premir o botão de ligar.

  • Ao aceitar a licença, concordo que o televisor nunca será meu. Apenas me é concedido o direito de o usar, sendo realçado que o equipamento não foi vendido mas sim licenciado.

  • Não posso abrir a caixa do aparelho (disassemble). Além disso, há um limite de 5 aparelhos que posso legalmente conectar e tenho que consentir que o fabricante possa recolher dados sobre a minha utilização.

  • Concordo que estou a comprar o equipamento no seu estado actual, problemas de funcionamento incluídos e o fabricante não poderá ser responsabilizado pelas consequências do seu normal uso. Mesmo que o televisor expluda à minha frente.
Pergunto, onde andam essas associações de defesa do consumidor que se mantêm silenciosas perante um bem que podemos comprar mas que temos que aceitar que poderá nem sequer funcionar como anunciado?

Bill Gaitas é português
A manta de retalhos que é o Windows, bem visível pelo número de actualizações/«tapa buracos» com que anualmente o Windows Update nos brinda lembra-me por vezes a maneira portuguesa de fazer obras públicas. Estas nunca são verdadeiramente concluídas; o que está no projecto pode ser esquecido a partir do momento em que uma utilização minimalista se torna possível; o momento da inauguração é criteriosamente escolhido com objectivos eleitorais; e o custo final nunca é bem o anunciado.

Perante estes paralelismos, temos que concluir que o Bill Gaitas é português, não vos parece?


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Governo rasca

tapar o sol com a peneira

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Sócrates e o seu governo deve achar que somos tapadinhos. Só assim se compreende a notável lata em pretender nos convencer que a estrutura das Estradas de Portugal muda radicalmente continuando tudo na mesma. Das duas três, ou a mudança é inútil ou a mentira é descarada.

Merecemos ser governados na mentira? Devemos pagar a estes políticos?

Dizem que esta mudança tem impacto nulo no orçamento do estado. Mas a futura empresa poderá vir a criar novas portagens (apenas em túneis, pontes e autoestradas, dizem!), devendo por isso esta empresa passar a pagar uma renda ao estado. Como?! Então algo que dava prejuízo passa a dar lucro? Adivinhem do bolso de quem virão estas novas receitas...

Outro aspecto é a questão da privatização da Estradas de Portugal. Dizem que neste governo isso nunca acontecerá. Então, pois claro, primeiro é preciso garantir que a sociedade anónima é constituída. Depois de 2009, o novo governo (PS?) já poderá fazer o que bem entender. Daqui a quatro anos alguém se lembrará da promessa de não privatizar?

Mas nem é a questão de privatizar ou não o que me incomoda neste negócio. É a falta de frontalidade, a cobardia política e a desonestidade desta forma de governar, a qual me leva sempre a duvidar das intenções anunciadas.

Vicente Jorge Silva escreveu há uns anos no Público essa frase que se tornou da famosa sobre a geração rasca. Depois das variadas negações, temos que admitir que ela existe, materializando-se na actual classe política.


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Secretos de porco

Ingredientes:
Secretos de porco preto alentejano: 800 gr
Colorau doce espanhol: 120 gr
Alho seco: 25 gr
Azeite 0,3 acidez: 3 dl
Sal grosso:20 gr
Louro em folha: q.b.

Receita:
Cortar a carne de porco preto em triângulos e mariná-los com água, colorau doce, alho picado fininho, louro em folha sem o veio, um pouco de azeite e sal grosso q.b.. Deixar no frio pelo menos 3 horas. Numa sertã, fritar os secretos de porco preto, num pouco de azeite. Acompanhar com migas de broa, couve portuguesa e feijão frade.



Alternativamente, imite Paulo Portas, fotocopiando o arquivo do Ministério da Defesa, num total de 60 mil e tal páginas.


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Sobre o debate do Orçamento de Estado 2008

wannabes

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Dos ecos que me chegaram do Parlamento Fight Club, retive algumas idiossincrasias:
  • um PM que não respondeu às questões concretas sobre o Orçamento;
  • uma comunicação social mais interessada num duelo, publicitado por uma das partes, do que na reflexão sobre o que nos espera no próximo ano;
  • uma oposição fraca, fonte de soundbytes, em vez de escrutinadora do documento em debate;
  • a técnica de guerrilha usada por Sócrates, apresentando de surpresa e em tempo inapropriado medidas a implementar pelo SNS;
  • a disciplina de voto imposta e a consequente questão sobre se elegemos deputados ou grupos parlamentares.


Esperava, ingenuamente, sim, que o debate nos poupasse o trabalho de ler e estudar o OE para sabermos coisas concretas como:
  • continuará a carga fiscal a aumentar?
  • vai o Estado diminuir a despesa porque vai desperdiçar menos ou porque reduzirá a qualidade e quantidade de serviços prestados?
  • prevêem-se medidas para que a Justiça finalmente comece a funcionar, procurando acabar com o estado de bandalheira e impunidade em que vivemos?
  • continuará o dinheiro a servir para forrar estradas em vez de ser usado para formar pessoas?
  • e os poderes local e regional, continuarão a viver sem controlo do maná que é o OE?

Nesta semana apresentou o Governo a forma como tenciona gastar os meus salários de Janeiro até Maio, que é em média quanto cada um de nós contribui em impostos para o Estado. Não fiquei mais elucidado. Apenas constatei novamente que, para os partidos políticos, o Estado não passa dum lugar a ocupar.


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Bacalhau à Socas, novo prato nacional




Já lá vai algum tempo mas não resisto a esta postagem. Boas gargalhadas ;-)
O vídeo original está aqui: http://youtube.com/watch?v=CegTUupkdUQ.


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O eduquês envergonhado

eduquês envergonhado
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Clique na imagem para a ver a 100%

Imagem publicada no Expresso, caderno Actual, de 27 de Outubro de 2007




Vale a pena ver esta imagem a 100% para constatar o absurdo que habita na cabeça dos nossos dirigentes educativos. E não me refiro apenas à actual equipa. Isto é mal de longa data e, na verdade, o rumo educativo tem sido o mesmo desde há décadas: deriva total.

Poderá o leitor pensar «olha cá está este outra vez feito de amiguinho dos professores», ao que eu comentaria lembrando que um país com pessoas para quem a escola foi um lugar de aprendizagem, em vez de passagem, é o que acaba por permitir que o país cresça económica e socialmente. Cresce economicamente porque o saber leva ao saber fazer e cresce socialmente porque todos nós sabemos que «pessoa educada não cospe no chão». Isto é, a educação muda atitudes. Muda a forma como reagimos à corrupção, faz-nos mais atentos aos destinos do país e leva, duma forma geral, a que as pessoas pensem por si mesmas. Eventualmente, também terá o efeito secundário de acabar com a nojeira da escarradela, devidamente precedida da sonora preparação nasal.

Portanto, a educação é muito mais do que portáteis para todos, quadros interactivos, estatísticas, reformas em cima de reformas, etc. É a forma como as gerações futuras são preparadas para a vida; é, afinal, a forma como é preparado o futuro do país. Ao que eu lhe pergunto: está o país a ser preparado com o devido rigor? Ou está, antes, a ser educado no permissivismo e na ilusão de que há sempre mais uma oportunidade?

Finalmente, recomendo vivamente a leitura do artigo de Nuno Crato «O eduquês envergonhado» publicado no Expresso, caderno Actual, de 27 de Outubro de 2007, ilustrado pela imagem aqui reproduzida. Um longo e sumarento texto sobre a falácia do "moderno" aprender brincando, sem esforço, sem memorização e onde os conteúdos desapareceram para dar lugar às competências. A ler no blog Sorumbático (link: Eduquês envergonhado).


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PS recebe dinheiro de empreiteiros (artigo do CM)

PS recebe dinheiro de empreiteiros - 1 PS recebe dinheiro de empreiteiros - 2
Clicar nas imagens para as aumentar (Hosted at Flickr)
Textos publicados no Correio da Manhã de 29-10-2007



Lembram-se do silêncio do PS perante o caso Somage/PSD (factura da campanha eleitoral de Barroso, no valor de 233.415 euros, paga pela Somage)?

Terá sido porque quem tem telhados de vidro não atira pedras?

E depois ouvem-se uns pavões falar do povinho que diz serem todos iguais.


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Auto-avaliação (para professores)

avaliação dos professores

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Depois do Estatuto do Aluno, a Lulu mandou-me este esboço para a avaliação dos profs, no contexto no novo ECD. Que acham?


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Piadinha de ocasião

Não resisto a esta adaptação.



Está o Sócas a pegar nuns croquetes durante o banquete de recepção do Czar Putin quando chega o Cherne Barroso.

Cherne Barroso: Serves-me?


Sócas: Às vezes.



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Incómodos e universo futuro das subvenções vitalícias

No CM de 2006-11-04:
«No final de Maio do ano passado [2005], durante o debate mensal na Assembleia da República, o primeiro-ministro surpreendeu as bancadas parlamentares, e mesmo o País, com a célebre declaração de que as pensões vitalícias eram “privilégios injustificados” dos titulares de cargos políticos.
[...]
A revelação de que o Governo pretendia acabar com a subvenção vitalícia causou incómodos no seio da própria bancada do PS, onde um número considerável de deputados estava em condições de obter a pensão vitalícia.

E, por isso mesmo, não foi fácil ao Executivo extinguir aquele “privilégio injustificado”, como dizia o primeiro-ministro. Face à pressão dos parlamentares socialistas, o Governo acabou por aceder que a subvenção vitalícia seja atribuída aos deputados que completem 12 anos de funções até ao final da actual legislatura

Poderemos depreender que se sentiu incomodado quem passaria a ter garantida a sua subvenção no final do corrente mandato, em 2009? Claro que não. Mas é um bom palpite.


Ainda no CM de 2006-11-04:
UNIVERSO FUTURO
Na lista inicial do Parlamento constavam 32 deputados com entre sete e onze anos de exercício de funções. Dessa lista, Anacoreta Correia, do CDS-PP, abandonou a vida parlamentar em 2006 e já pediu a subvenção vitalícia. E Ferro Rodrigues, do PS, suspendeu o mandato de deputado, em 2005, para ser embaixador de Portugal na OCDE. Em baixo, apresenta-se o universo futuro de potenciais beneficiários e o respectivo número de anos de mandato.

PS
Alberto Nunes - 11
José Apolinário - 10
Vera Jardim - 10
Rui Cunha - 10
António Galamba - 9
Miguel Coelho - 9
Jorge Strecht - 9
Mota Andrade - 9
Afonso Candal - 9
Celeste Correia - 9
Maria do Rosário Carneiro - 9
Miguel Ginestal - 9
Paula Cristina Duarte - 9
Jorge Coelho - 8
José Junqueiro - 8
Leonor Coutinho - 8
Nélson Baltazar - 8
Sónia Fertuzinhos - 8
António José Seguro - 7
Ferro Rodrigues - 7

PSD
Duarte Pacheco - 12
Mota Amaral - 10
Hugo Velosa - 9
Luís Marques Guedes - 9
Melchior Moreira - 9
Sérgio Vieira - 9
Carlos Pinto - 7
Mendes Bota - 7

CDS-PP

Anacoreta Correia - 10

PCP

Luísa Mesquita - 11
Bernardino Soares - 9

PEV

Heloísa Apolónia - 8

BENEFICIÁRIOS
Em 2005, pediram, segundo o Parlamento, a subvenção vitalícia 16 deputados. Deste total, quatro eram do PS, nove do PSD, um do CDS-PP, um do PCP e um de Os Verdes.

NOVA LEI
A Lei n.º 52-A/2005, de 10 de Outubro de 2005, revogou a atribuição da subvenção vitalícia aos titulares de cargos políticos [revogada sim, mas mantem-se para os que tenham completado os 12 anínhos em 2009!].


Olha ao que eu digo, não ao que eu faço.


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Subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos


Pela Espectadora Atenta do Portucale Actual tomei conhecimento destes dados que arranjei em forma de gráfico. Publicados inicialmente no Correio da Manhã.

De notar, a bem da honestidade intelectual, que a a Lei n.º 4/85, de 9 de Abril, que atribuía a subvenção vitalícia aos titulares de cargos políticos, foi revogada a 10 de Outubro de 2005. Esta subvenção pode, mesmo assim, ser pedida por quem, àquela data, adquiriu esse direito ou reúna, até 2009, condições para dela beneficiar.

Até 2009?
É caso para dizer que os deputados que votaram esta revogação trataram primeiro do seu pé de meia.

Deixo uma questão: em tempo de congelamentos e de contenção para toda a população (salvo algumas centenas de politicamente iluminados), será justo manter esta subvenção vitalícia, que “é acumulável com pensão de aposentação ou de reforma”?

Percebe-se melhor a natureza da nobreza que alguns dizem haver na actividade política. É uma questão de tesouro!


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O novo estatuto do aluno

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=62629
O actual regime distingue entre faltas justificadas e injustificadas. Os pais do aluno são chamados à escola quando ele atinge um determinado número de faltas por justificar.

Quando o aluno ultrapassa o limite previsto por lei, fica em situação de retenção (no ano seguinte faz o mesmo ano de escolaridade) ou exclusão (quando já não está abrangido pela escolaridade obrigatória).

 Creio que isto é só no secundário, não será? No básico já não se reprova por faltas, se não estou em erro. Alguém pode esclarecer?




http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1308631
A proposta do PS hoje aprovada prevê que os pais sejam avisados logo à primeira falta injustificada e que a escola aplique uma medida correctiva ao aluno.

Quando o aluno atinge um número de faltas (justificadas e injustificadas) correspondente a duas semanas, no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao dobro do número de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos ou níveis de ensino, os pais ou encarregados de educação são convocados à escola.

Ainda de acordo com a proposta socialista, quando o aluno atinge um número de faltas (justificadas e injustificadas) correspondente a três semanas, no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo do número de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos ou níveis de ensino, o aluno realiza uma prova de recuperação organizada pela escola.



Discordo desta postura porque:
  • As pessoas devem ser responsáveis e responsabilizadas pelos seus actos. O aluno que falta sem justificação deve sentir a consequência do seu acto, ou seja, ultrapassado o limite do aceitável deve reprovar de ano. Dar-lhe a hipótese de recuperar o erro com um exame, apesar de muito humanamente se estar a acreditar que quem erra poderá emendar-se, também está a ser transmitida a mensagem «podes baldar-te agora que a escola estará aqui para te dar uma segunda oportunidade ».

  • No novo ECD, os professores são avaliados em função do número de alunos que reprovam. Ou dizendo isto duma forma politicamente correcta, são avaliados em função do seu desempenho. Mas o professor não tem autoridade para obrigar o aluno a frequentar as aulas. Nem mesmo lhe sobra a arma do chumbar o faltoso. Terá que lhe fazer um exame. E se passar um aluno que se desinteressou pela escola terá melhor avaliação do que o fizer sentir as consequências do seu acto. Portanto, o professor é responsável, neste contexto, pelas faltas dos alunos, apesar de não as poder impedir.
Estou a ser castrador ao dizer que o aluno que falta além dum limite deve reprovar? Deveria antes acreditar que as pessoas perante o erro e por livre iniciativa se corrigem e aproveitam uma segunda oportunidade? Devo recordar que quem tem uma segunda oportunidade sem a merecer, achará natural que também lhe seja oferecida uma terceira oportunidade.

Cada vez mais, a escola é um local de passagem entre os 6 e os 18 anos. Como um corredor. Entra-se numa ponta, avança-se e sai-se na outra. Mas nada de parar, que isso estorva à passagem dos demais. Continuando esta metáfora, algures no corredor existe conhecimento afixado. Quem quiser que lhe pegue mas não será isso que contribuirá para os números do sucesso educativo. Para estes, conta mesmo é o tempo que se demora duma ponta à outra.


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Solidão



Neste vídeo, da câmara de segurança (?) de um comboio, vê-se um espanhol de 21 anos, identificado como Sergi Xavier M.M., agredir violentamente uma adolescente Equatoriana, dizendo-lhe para voltar para o país dela. Aconteceu a 7 de Outubro em Santa Coloma de Cervello, perto de Barcelona.

Este disse «"iba borracho, ni me acuerdo de lo que pasó". Además, afirmó que nunca antes había tenido un comportamiento así: "Yo racista no soy"». Mas «"no iba borracho y era consciente de lo que hacía", afirma la menor agredida» (links).


No comboio seguia mais uma pessoa, a qual fingia nada ver.


A parte que mais me espanta nestes episódios é a passividade da assistência. Podia alguém estar a ser degolado que cada qual continuaria a escrutinar o estado das biqueiras dos seus sapatos, eventualmente incomodado com os salpicos que teria que limpar mais tarde.

É curioso como os papéis se inverteram. Actualmente é o grupo que tem medo do indivíduo, enquanto que antes do contexto individualista gerado pela cidade, seria o indivíduo que teria medo do grupo. Este episódio seria impensável na aldeia de há umas décadas a trás pelo simples facto de o respectivo protagonista ser simplesmente trucidado.

Vivemos o apogeu do individualismo.


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O estado do ensino em Portugal

No Jumento, através do Público.

«VALE A PENA MANDAR OS FILHOS À ESCOLA

«Ao longo dos séculos, a resposta a esta pergunta tem variado, mas uma coisa é certa: os pais só mandam os filhos à escola quando nisso vêem um benefício. Nos países protestantes, como a Suécia, os pais desejavam que os filhos soubessem ler, a fim de poderem meditar sobre os ensinamentos da Bíblia, e, nos países com uma forte mobilidade social, como os EUA, os pais ambicionavam que os filhos tivessem um diploma, por pensarem ser essa a via para subir na vida. Quanto à oferta escolar, as situações variaram: os países que procuraram modernizar-se rapidamente, como foi o caso do Japão durante o século XIX, criaram uma rede escolar alargada; os impérios a sério, como a Inglaterra, aumentaram o número de escolas, como forma de subjugar, através da cultura, os nativos.

Pela negativa - e duplamente - Portugal é um caso paradigmático. Aqui, tudo jogou contra a escolarização. Nem os camponeses queriam enviar os filhos à escola, nem, se exceptuarmos uns hiatos temporais, estiveram os governos empenhados em ensinar o povo a ler. Em meados do século XX, o país ainda era uma sociedade rural, onde não só a educação estagnara, como as aspirações populares eram reduzidas. O Estado Novo não estava interessado em industrializar o país, muito menos em formar cidadãos esclarecidos. Foi por isso que chegámos a 1974 com mais de metade da população analfabeta.

A revolução contribuiu para que muitos acreditassem ser a educação o caminho para uma vida melhor. Ao longo das últimas três décadas, os pais fizeram enormes sacrifícios para levar os filhos até à universidade. Não é raro encontrarmos empregadas de limpeza ou taxistas - os indivíduos das chamadas classes baixas com quem os intelectuais têm contacto - que alimentaram sonhos quanto à mobilidade social dos descendentes. Vendo-os desempregados, sentem-se, como é óbvio, ludibriados. É no contexto da estagnação da economia nacional que devemos abordar a questão do abandono escolar. A publicação das recentes estatísticas do Eurostat que revelam que, entre os 18 e os 24 anos, 40 por cento dos alunos - mais do dobro da média europeia - abandonaram a escola levou os responsáveis a prometer o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos. Mas as leis pouca influência terão sobre o que se vai passar. Perante a questão de ter de decidir se devem manter os filhos na escola, os pais interrogar-se-ão sobre duas coisas: em primeiro lugar, se se podem dar ao luxo de passar sem o contributo do seu trabalho (em termos sociológicos, o chamado custo da oportunidade da educação); em segundo, se aquilo que os filhos irão aprender na escola tem alguma utilidade.

Abordei este tema, no que diz respeito ao ensino primário, na minha tese de doutoramento. Entre outras coisas, pretendia averiguar se, durante os primórdios do Estado Novo, a escolaridade era bem vista pela população. Para meu desgosto, a conclusão foi a de que, para a imensa maioria, a resposta era negativa. Era-o nas regiões de propriedade minifundiária, onde uma criança de sete anos já podia tomar conta dos animais, apanhar lenha e ajudar nas actividades domésticas. Prescindir dela, enviando-a à escola, equivalia a uma descida do nível de vida da família. Um jornal de Viana de Castelo descrevia o modo como um camponês encarava a instrução primária em geral e a alfabetização das mulheres em particular. Interrogado sobre se tencionava mandar as filhas à escola, respondeu: "Nada, nada. Elas estão aqui mas é para trabalhar. Qual escola? Se lá fossem, mais tarde não lhes chegava tempo para se escreverem com os namoros". Saber escrever era um luxo destinado aos privilegiados.

Se tivermos em conta que a estrutura social dessa época não deixava antever qualquer mobilidade social, o comportamento deste camponês era racional. Numa sociedade em que as posições hierárquicas dependiam do nascimento, a instrução não proporcionava benefícios. Além de que, numa sociedade analfabeta, não saber ler estava longe de constituir um estigma. Manhoso, Salazar limitou-se a reforçar os traços retrógrados da sociedade que governou. Os resultados estão à vista: os 10 por cento de alunos de sete anos que reprovam na primeira classe são herdeiros de gerações de analfabetos.

Um momento houve, em 1974, em que tudo pareceu possível. Mas a esperança de que Portugal se pudesse tornar numa sociedade meritocrática está em vias de desaparecer. A maioria dos pais considera, mais uma vez, que não é através da escola que se sobe na vida, mas através de "cunhas". Por outro lado, olha o espectáculo dos licenciados no desemprego com espanto. Muitos, pais e filhos, pensarão duas vezes antes de continuar na escola. O problema do abandono precoce excede em muito o âmbito do Ministério da Educação: é bom que se perceba isto.

É verdade que o objectivo dos nove anos de escolaridade está praticamente cumprido. A isso ajudou, em grande medida, a evolução da sociedade portuguesa, com destaque para o facto de, na economia, o sector primário ter diminuído de forma drástica. Mais do que um bem de produção, os filhos passaram a ser um encargo. Já não há cabras para guardar, nem couves para plantar; vive-se nas cidades, onde as oportunidades para o emprego infantil escasseiam; ser-se analfabeto tornou-se uma vergonha. Em vez de vadiarem pelas ruas, mais vale, pensam os pais, que as crianças fiquem na escola, onde, mesmo que pouco aprendam, estão afastadas do perigo dos gangs. A escola passou a ser considerada um depósito, o que, na medida em que pouco dela é exigido, não é uma vantagem.

Quanto ao prolongamento da escolaridade, em nada contribuirá para diminuir a desigualdade social. A massificação do ensino encarregar-se-á de fazer diminuir o valor desse diploma. Do ponto de vista da mobilidade, o 12.º ano valerá menos do que a antiga 4.ª classe: não porque os alunos saibam menos, mas porque, ao distribuir um bem a todos, fica ipso facto desvalorizado. Os factos mais importantes são a evolução do mercado de trabalho e a melhoria dos curricula. Sem isto, o prolongamento da escolaridade apenas serve para esconder o desemprego juvenil.

Vem isto a propósito de uma reportagem, transmitida no Perdidos e Achados da SIC no último dia 13, sobre o que, passados nove anos, acontecera a um grupo de alunos da Escola Básica 2,3 da Trafaria. O que impressiona não é tanto a indisciplina pretérita, mas o facto de os rapazes estarem hoje a exercer, como se a escola nada lhes tivesse dado, a profissão dos pais (a apanha da amêijoa). No dia seguinte, Nuno Crato comentou o programa, salientando justamente a falta de ambição. O que se esqueceu ou não teve tempo de esclarecer foi que, para se desenvolver, aquela carece de um solo apropriado. Ora, no contexto em que foram educados, surpreender-me-ia que estas crianças ostentassem o achievement syndrome presente em países como os EUA. A existência de expectativas profissionais quanto ao futuro só nasce em sociedades dinâmicas. Infelizmente, não é isso que acontece em Portugal.» [Público assinantes]

Parecer:
Este artigo de Maria Filomena Mónica seria um excelente ponto de partida para um debate sério sobre o estado do ensino em Portugal.»


Concordo em absoluto com Maria Filomena Mónica. É crucial pensar para que serve a escola hoje em dia. Voltarei a este tema; agora fico-me por tópicos:

  • Ser-se eternamente estudante, fazendo o básico, depois o secundário, depois a universidade, depois o mestrado, depois o doutoramento e finalmente descobrir que a elevada especialização que se ganhou não tem a correspondente procura no mercado?

  • Temos ensino técnico? Quando coloca o seu carro a reparar, onde foi formado o seu mecânico? E o seu cabeleiro, aprendeu a profissão na escola ou a cortar mal o cabelo até aprender em algum salão? E o seu electricista, o pintor, o pedreiro, .... Numa pesquisa no Google encontrei algumas destas profissões (link). Ainda não percebi se isto corresponde de facto a uma forma de entrar, com qualificações, no mercado de trabalho (feedback, please!!!).

  • A nossa escola é de facto exigente com os alunos ou não passa esta dum ATL com 12 anos de duração?

  • Escola depósito vs escola onde se ganham competências para a vida.

  • Investimento na educação vs. investimento nas obras públicas.

  • Têm os miúdos carga horária excessiva ou não? Sobra-lhes tempo para brincar?

Convido o leitor a dizer de sua justiça.



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Coimbra

Universidade de Coimbra
Alta de Coimbra

Neste fim de semana passei por Coimbra, cidade pela qual nutro uma relação ambivalente de carinho estudantil e de repúdio perante o establishment. É a cidade dos doutores mas também a cidade de costas para eles. Esta segunda vertente é particularmente notável na relação da Câmara Municipal com a Universidade, como se a segunda ensombrasse o protagonismo da primeira.

Coimbra existe como é graças à Universidade, sendo esta a sua mais importante bandeira. Se a universidade se tivesse mantido em Lisboa, como temporariamente aconteceu, em que diferiria esta cidade das suas vizinhas?

Vem esta divagação a propósito do painel informativo que existe na A1 ao passar ao lado de Coimbra. Quando foi colocado dizia "Cidade do Conhecimento" e depois passou a dizer "Cidade Museu". Desculpem lá, era preciso toda esta retórica para evitar dizer "Universidade de Coimbra"?


PS: Este ano o cortejo da Queima das Fitas será ao domingo, em vez de ser à terça-feira. A tradição já não é o que era e os euros são cada vez mais o que são.

PPS: Como terão reparado, o ritmo dos posts abrandou. Há alturas assim, Noblesse oblige. No fim de semana colocarei as caixas de comentários em dia :)


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Um grande pensador (do tempo dele)

Recebi por mail:

Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima, Notícias Sábado de 6 de Outubro:

Na sua opinião, uma mulher agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Depende do grau da agressão.

O que é isso do grau da agressão?
Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.

Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso de gravidade suficiente para deixar o homem que a amava.


Grande pensador, sim senhor. Acho que falta esta pergunta: E se esse homem que dá um soco de três em três anos lhe cortasse a pila durante uma missa, lhe emborrachasse um tomate passado três anos e lhe arrancasse o outro passados mais três anos, deve, na sua opinião, este católico prosseguir só ou com companhia na sua forma de interpretação das escrituras?


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Adriano Correia de Oliveira



Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro

Lava palácios, vivendas
casebres, bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais

Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder de uns senhores
que compram corpos e almas

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos, corpos destroçados
lava-os com sal e iodo

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar




Canção Com Lágrimas
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
Música: José Niza
Letra: Manuel Alegre



Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...