a política na vertente de cartaz de campanha

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Susana Dutra e a persistência da memória - II

The Persistence of Memory
Salvador Dalí , The Persistence of Memory. 1931.

Não é que nutra especial interesse pelo percurso profissional de Susana Dutra mas já o mesmo não poderei dizer do destino que é dado aos nossos impostos.

Vem isto a propósito dum comentário recente em que alguém afirmava que Susana Isabel Costa Dutra seria filha de Alberto Costa, logo saltando para o domínio dos tachos familiares. Como não há relação parental entre estas duas pessoas, lá fui buscar um post que escrevera há uns tempos sobre o assunto e onde desmonto esta argumentação (Ainda a Susana Dutra).

A volatilidade dos URL
Agora, um pequeno desvido, antes de continuarmos. Em informatiquês, URL significa Uniform Ressource Location (localização uniformizada de recursos) e para as páginas web não é mais do que o seu endereço.

Num site pessoal ou num blog pode o webmaster dar-se ao luxo de, quando quiser, mudar os URL das páginas já anteriormente publicadas. Um eventual visitante que queira voltar a uma página cujo URL tenha guardado receberá o habitual «página não encontrada». Algo de semelhante se passará com um site que inclua uma ligação para essa página que mudou de sítio. Nada de grave se passará, são páginas pessoais, afinal de contas!

E numa instituição, também será assim? Façamos a analogia entre o arquivo dum site institucional e uma biblioteca. Em minha casa posso ter os livros como quiser mas fosse a minha organização aplicada a uma biblioteca municipal e ninguém encontraria o que procurasse!

Profissionalismo
É por isto que um site institucional precisa de planeamento, duma estrutura que evite referências inválidas. Ora, voltando à vaca fria, Susana Dutra foi contratada para webmaster do novo portal da Justiça, recebendo para isso a módica quantia mensal de €3,254+regalias. Com um vencimento destes, mais adequado a um especialista sénior do que a um webmaster, esperava uma excelente organização no Portal da Justiça. Por isso é com surpresa que uma nota de imprensa sobre a sua rica contratação já mudou de URL por três vezes, que eu tenha contado. Os sucessivos URL foram:
Não é ilegal mas esta regular mudança de URL é um óptimo incentivo para, no futuro, não se encontrarem documentos. O que pode ser interpretado de duas formas:

a) incompetência no planeamento da estrutura de arquivo ou

b) ocultação de documentos, mantendo uma porta aberta para, perante flagrante delito, afirmar «não removemos os documentos; isso é calunioso; apenas estão noutra localização».

Entre estas duas hipóteses, qual delas corresponde à realidade? Não sei. Mas nenhuma delas me parece justificar o generoso salário de (pelo menos) três vezes o que se ganha no privado para a função em causa.


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Jantar blgosférico


Informações e inscrições n'As notas do Kaos.



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Ford Focus e The Car Music Project


© createdigitalmusic.com

A minha amiga Pajarita, artista por natureza, mandou-me um artigo sobre o anúncio do novo Ford Focus que agora anda na TV. Certamente que já o terão mirado e talvez, como eu, tenham pensado «que lindo playback ali fizeram». Ora acontece que a música executada saiu dos instrumentos que são vistos no filme e, ainda mais surpreendente, esses instrumentos são feitos com peças tiradas de dois Ford Focus novinhos em folha.

Esta ideia decorre dum projecto de Bill Milbrodt, The Car Music Project, que vem já desde 1994, onde ele transformou o seu Onda de 1982, já completamente inútil, em alguns instrumentos musicais. O resultado foi «Music from a Parallel Universe», algo na linha do rock progressivo experimental.

Para o projecto Ford Focus, o cliente tinha requisitos específicos, tais como o tipo de instrumentos, a sonoridade (próxima duma orquestra convencional), afinarem pelos padrões da música ocidental e, ainda, poderem ser rapidamente tocados por músicos profissionais:

http://createdigitalmusic.com/2008/02/05/
interview-building-a-musical-ensemble-out-of-ford-focus-car-parts/

We had requirements for wind, brass, percussion, and string instruments that could play the music that was presented to us. We were also required — for credibility and authenticity — to make instruments from intact car parts as much as possible (as opposed to making major or defining parts out of sheet metal from the body of the car). And most important, the instruments had to A) be able to play in tune according to traditional western standards, and B) they had to be physically close enough to traditional instruments to enable professional musicians to learn them quickly because they would only have one or two rehearsals before recording the music. Finally, they had to be visually attractive; call it compelling if you like. In other words, television is mainly a visual medium and they needed to look great.

A parte musical do anúncio final teve dois ensaios antes da gravação, um de duas horas e meia e outro de seis horas. Notável, se tivermos em conta o resultado final, não é? Quanto à construção dos instrumentos foi mais demorada: 5 semanas desde que o Ford Focus foi desmontado. Estes e outros detalhes estão na entrevista do link supra-indicado.

E agora alguns vídeos relacionados. O anúncio final:




Uma versão mais longa, com 3 minutos:



Music from a Parallel Universe, a musicalidade original do projecto:


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The IT crowd - Moss and the German - Anti Piracy Message

The IT CrowdThe IT Crowd é uma britcom do Channel 4, actualmente com 12 episódios em duas séries. (Ainda) não estreou em nenhuma das nossas estações de televisão mas já existe em DVD (cerca de 30€) e também (ilegalmente, suponho) no youtube.

Vem isto a propósito da série ser genial e até ter um clip a gozar com o prepotente vídeo anti-pirataria que temos que gramar em diversos DVD que (ironia das ironias!) compramos.

O clip em causa é o seguinte. Enjoy.



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Sobre a avaliação dos professores V

Parte I, II, III, IV, V

Tem havido algum escândalo pela possibilidade, constante em Diário da República, de ser a presidência do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) ocupada por alguém nomeado pelo ME, matando à partida a suposta independência deste órgão.

Como se pode ver no Decreto Regulamentar n.º 4/2008, Artigo 5.º, n.º 4, 12 dos 21 elementos deste conselho científico são nomeados «pelo membro do Governo responsável pela área da educação, sob proposta do presidente do CCAP, por um período de três anos, renovável por iguais períodos.»

Realmente, é acessório que a ministra presida ao Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Pela nomeação política, este órgão já tem assegurada a maioria de votos alinhada com o governo.

Excepto se o presidente do CCAP insistir em não propor para nomeação as 12 personalidades que convenham o governo, caso que se resolve facilmente. «O membro do Governo responsável pela área da educação pode participar nas reuniões do CCAP, a convite do presidente ou por sua iniciativa, caso em que assume as funções de presidente.» (Artigo 5.º, n.º 2).


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Sobre a avaliação dos professores IV

Parte I, II, III, IV, V


De que se está a falar quando se referem a avaliação do desempenho dos professores? Na melhor do ir à fonte.



http://min-edu.pt/np3/1281.html

[...]

Fases do processo de avaliação

O processo de avaliação processa-se de acordo com as seguintes fases, estabelecidas de forma sequencial:

  • Preenchimento da ficha de auto-avaliação;
  • Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores;
  • Conferência e validação das propostas de avaliação com a menção qualitativa de Excelente, de Muito Bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação;
  • Realização de entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado;
  • Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.
[...]

A diferenciação dos desempenhos é assegurada pela definição de patamares de exigência que se concretizam na fixação de percentagens máximas para a atribuição das classificações de Muito Bom e de Excelente, por agrupamento ou por escola, tendo como referência os resultados obtidos na respectiva avaliação externa.

Para mais informações, consultar o Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.


Todo este processo burocrático, esplendor do papel, esbarra num facto claro: existe a «fixação de percentagens máximas para a atribuição das classificações de Muito Bom e de Excelente, por agrupamento ou por escola».

Depreende-se que não se pretende de facto realizar avaliação individual mas sim estabelecer numerus clausus de acesso ao patamar salarial seguinte.

Numa hipotética escola de 100 professores, todos igualmente excelentes, podemos imaginar estes números:
- 25 poderem ter a classificação de Excelente;
- 50 teriam classificação de Muito Bom;
- sendo as restantes 25 classificações de Insuficiente.

Por outro lado, noutra hipotética escola de 100 professores, todos igualmente maus, teriam definidos os mesmos números:
- 25 poderem ter a classificação de Excelente;
- 50 teriam classificação de Muito Bom;
- sendo as restantes 25 classificações de Insuficiente.

A preocupação do Ministério da Educação é, claramente, a gestão de custos. O discurso oficial não passa de propaganda quando afirma que o «novo regime de avaliação [...] tem como principal objectivo a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens, proporcionando condições para o desenvolvimento profissional dos docentes, tendo em vista o reconhecimento do mérito e da excelência.» Estas palavras não se traduzem nos actos!


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Sobre a avaliação dos professores III

Parte I, II, III, IV, V

Transcrevo um comentário que li no
Público sobre a questão da avaliação do desempenho dos professores, nos termos do actual ECD.

É longo mas fundamentado. Concorde-se ou não, vale a sua leitura como contributo para uma discussão séria sobre o assunto.

A autora do texto seguinte é Fátima Inácio Gomes, Professora de Português do quadro da Escola Secundária de Barcelos, sendo meus os "enriquecimentos" tipográficos.


«1º ponto - Avaliação do desempenho dos professores.


Deve ficar bem claro que os professores querem ser avaliados! Cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública, porque nada no sistema distingue os maus profissionais dos bons! Não queremos é esta avaliação. E não é por capricho. É por ser abusiva, quase que surreal, de tão distante que está do conhecimento objectivo da realidade escolar. É despótica e brutal em todos os âmbitos, desde a planificação à implementação... chegando, neste caso, a ser perigosa. A incompetência e falta de lisura dos senhores que comandam o Ministério da Educação são gritantes e raia o patético. Não só insultam os professores, mas insultam (e é bom que todos se consciencializem disso) todos os portugueses, sempre que tentam passar a imagem de competência e profissionalismo.

Passemos aos factos, que poderá constatar com toda a facilidade (e nem os mencionarei todos, por serem tantos).

É pedido, digo, exigido, às escolas que, num prazo de 20 dias, a contar da data de publicação do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro seja implementado o processo de avaliação dos professores com base em documentos, despachos, grelhas, recomendações que, decorridos quinze dias sobre aquele prazo, não foram tornados públicos:

  • Faltam as recomendações do Conselho Científico ("os avaliadores procedem, em cada ano escolar, à recolha, através de instrumentos de registo normalizados, de toda a informação que for considerada relevante para efeitos da avaliação do desempenho. Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores." - artigo 6º, ponto 1 e 2);
  • sem aquelas recomendações, o Conselho Pedagógico não pode elaborar e aprovar os tais "instrumentos de registo", nem se pode proceder à observação de aulas (artigo 17º);
  • o regime da "observação de aulas" raia o absurdo, não porque os professores vejam inconveniente em serem observados (são-no, todos os dias), mas pela violência que representa para o avaliador. Invocando um Decreto Lei que, expressamente, referia que a redução dos departamentos para quatro apenas teria efeitos no concurso para titular (200/2007), o Ministério agora exige o que não é apontado neste despacho 2/2008: a reorganização dos departamentos naqueles quatro, instalando mais confusão num processo já de si tão escabroso e provocando a aglomeração grande número de docentes em cada um desses quatro departamentos. O meu, e do qual fui eleita coordenadora, entenda-se também, "avaliadora" (Departamento de Línguas), tem 31 professores. O das Ciências, por exemplo, tem quarenta e muitos professores. Como é possível que uma pessoa consiga assistir a três aulas por ano lectivo (neste ano, generosamente, apenas serão duas) de 30 professores? Além disso, como é possível acompanhar as planificações das aulas, diárias, desses trinta professores, reunir com cada um, definir objectivos, estratégias e instrumentos? Tudo isto mantendo um horário completo (sim, porque os avaliadores não têm redução alguma da sua componente lectiva, nem tão pouco qualquer alteração no seu salário, nem direito a horas extraordinárias), tendo o dever maior de cumprir com as suas turmas (que, para mim, é o realmente importante! Eu sinto-me responsável pelas minhas cinco turmas do 11º ano!), ao que acresce todo o trabalho burocrático e administrativo do Conselho Pedagógico, onde tenho assento e... as minhas próprias planificações! Sim, porque eu também serei avaliada, duplamente, como professora e como avaliadora! Poderei vir a tornar-me uma competentíssima avaliadora, mas, certamente, me tornarei numa pior professora. E isso é o que mais me angustia, porque eu gosto de dar aulas!
  • é certo que no artigo 12º é apontada a possibilidade do coordenador "delegar as suas competências de avaliador noutros professores titulares, em termos a definir por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação.". Está bom de ver que... falta esse despacho.
  • O que falta, por parte do Ministério, não se fica por aqui: falta o despacho que aprova as fichas de avaliação (artigo 35º), como falta o despacho relativo às ponderações dos parâmetros de avaliação (nº 2, artigo 20º), como falta o despacho conjunto de estabelecimento de quotas previsto no nº 4 do artigo 21º, como falta a portaria que define os parâmetros classificativos a realizar pela inspecção (nº 4 do artigo 29º), como falta o diploma que rege a avaliação dos membros dos conselhos executivos que não exercem funções lectivas (nº1 do artigo 31º).
  • no artigo 8º pode ler-se:

1 -- A avaliação do desempenho tem por referência:

a) Os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada;

b) Os indicadores de medida previamente estabelecidos pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e a redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto sócio-educativo.

2 -- Pode ainda o agrupamento de escolas ou escola não agrupada, por decisão fixada no respectivo regulamento interno, estabelecer que a avaliação de desempenho tenha também por referência os objectivos fixados no projecto curricular de turma.

Nada disto existia antes de 10 de Janeiro e não se altera o Regulamento Interno de uma Escola nem o seu Projecto Educativo, documentos estruturantes que envolvem a participação de todas a comunidade escolar (pais, professores, funcionários, alunos, autarquia) em 20 dias! A menos que se faça com a mesma rapidez, consistência e respeito pelos envolvidos com que o Ministério da Educação despacha leis.

2º ponto - Postura do Ministério da Educação

Creio que os aspectos já apontados seriam suficientes para traçar o negro perfil dos órgãos responsáveis pela área de educação, mas este Governo colocou a fasquia bem alta, daí que tenhamos notícia de algumas pérolas de... escapam-me já as classificações.... e que passo a enunciar (pelo menos, as que eu conheço pelos meios de comunicação social:

  • Há dois dias atrás, a Sra Ministra respondeu aos jornalistas, a propósito do, chamemos-lhe, mal-estar manifestado pelas escolas, com a candura que caracteriza o seu discurso, que estavam reunidas todas as condições para se proceder à avaliação do desempenho e que o Ministério daria todo o apoio necessário (não encontrei a citação exacta). No dia seguinte, é comunicado que "a contagem dos prazos definidos no artigo 24º do Decreto Regulamentar 2/2008 iniciar-se-á na data da divulgação na internet das recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores". Então, não estava tudo a decorrer com normalidade? Até se perdoaria este "lapso" não estivesse o documento eivado de muitas outras arbitrariedades!
  • As cerejas no topo do bolo, porque são duas, chegaram hoje com as afirmações do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira: «Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz tendo em conta as recomendações que forem formuladas. Se não forem formuladas...» Creio que nem será necessário comentar uma declaração deste tipo... diz na lei, mas se não aparecerem as recomendações... Extrapolando: aqueles despachos em falta... se não aparecerem... as escolas improvisarão, que já vão tendo prática disso.
  • A outra cereja prende-se com o tal "Conselho Científico". Aliás, está prevista para hoje a apresentação das famigeradas "recomendações". O grotesco desta aparente prova de competência está bem expressa em mais uma afirmação do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, que refere que, estando "em funções há vários meses", a presidente do Conselho Científico, esta elaborará as recomendações! Se isto não é um insulto a tudo o que são os princípios de um estado democrático, já não sei mais o que pensar! Ora, lê-se no documento aprovado em Conselho de Ministros que regulamenta o Conselho Científico que "Este órgão consultivo será constituído por um presidente, cinco professores titulares em exercício efectivo de funções na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário, cinco individualidades em representação das associações pedagógicas e científicas de professores, sete individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação e por três representantes do Conselho de Escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1459.html).
  • Por fim, o próprio Conselho Nacional de Escolas, criado para trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação, levando para a mesa de trabalho a experiência de quem lida directamente com as escolas e seu funcionamento prático, tem feito várias recomendações às quais o Ministério não dá ouvidos O que prova que este Conselho foi criado, apenas, para o Ministério poder invocar uma relação de lisura com as escolas que não acontece de todo. Em anexo, colocarei as propostas apresentadas por este Conselho.


3º e último ponto - Qualidade de ensino.

Este é, a meu ver, o aspecto mais terrível desta arquitectura que o Ministério montou. Custa-me, na verdade,acreditar que pessoas de bem ajam com tanta leviandade e desprezo pelo futuro do país e é esta a razão da premência do meu apelo:

- esta torrente de grelhas, recomendações, parâmetros, planificações diárias, instrumentos, registos e afins esgotarão os professores num trabalho inglório e improdutivo, pois não estarão a trabalhar para os alunos, mas para a sua avaliação;

- o mais grave, ainda, gravíssimo! A subordinação da avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira ao sucesso dos alunos (artigo 16º):

5 -- Para o efeito da parte final do número anterior o docente apresenta, na ficha de auto -avaliação, os seguintes elementos:

a) Resultados do progresso de cada um dos seus alunos nos anos lectivos em avaliação:

i) Por ano, quando se trate da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico;
ii) Por disciplina, quando se trate dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

b) A evolução dos resultados dos seus alunos face à evolução média dos resultados:

i) Dos alunos daquele ano de escolaridade ou daquela disciplina naquele agrupamento de escolas ou escola não agrupada;
ii) Dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma no caso de alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

c) Resultados dos seus alunos nas provas de avaliação externa, tendo presente a diferença entre as classificações internas e externas.

Tenho a certeza que reconhece de imediato o perigo que isto constitui... nada mais fácil para um professor que "produzir" sucesso. Aliás, estou convicta de que é essa a intenção deste Governo, para assim poder ostentar, com orgulho, as grelhas e os números e o inquestionável sucesso destas medidas... porque os números estão acima de qualquer dúvida! E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens... aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.

E não olhem com esperança para a alínea c!... a avaliação externa só existe em algumas disciplinas e em alguns níveis de ensino. Como vê... mais um factor de desigualdade entre professores: uns nunca passarão por essa bitola e serão, com toda a certeza, professores de sucesso!

E já nem falo do que é subordinar a qualidade do desempenho de um professor à heterogeneidade das turmas que encontra (ambiente familiar e social, motivações pessoais, capacidades cognitivas, enfim, muitos dados em jogo). Eu já tive boas, menos boas e más turmas: será que a minha competência varia tanto?

Peço perdão pela extensão desta carta, mas o problema é por demais sério e, infelizmente, as arbitrariedades são tantas que não as consegui reduzir a menos. Creia-me, preocupada, mas esperançosa, no poder que a comunicação social exerce sobre a opinião pública. Neste momento, o problema não é só dos professores, é do país inteiro.

É uma cidadã, professora e mãe que lhe escreve.

Com elevada estima,
Fátima Inácio Gomes
Professora de Português do quadro da Escola Secundária de Barcelos»




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Blog & roll

Lendo os outros... também offline :-)
(click to zoom)






















Todo o texto no The Watchdog.


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Sobre a avaliação dos professores II

Parte I, II, III, IV, V

Joguemos ao faz de conta que eu não que a avaliação dos professores está errada no que respeita a sua concretização. Ao ouvir as palavras da Fenprof sou levado a concluir que o interesse deste sindicato é que a avaliação não exista.

Por algum motivo que me escapa, os sindicatos ligados à educação têm sido prolíferos em tomadas de posições que conduzem quem esteja desatento às especificidades educativas a julgar que o interesse dos professores não vai além da manutenção do seu status quo.

De facto, não sei quais são as motivações dos professores mas pretender anular o actual processo de avaliação desta forma é um autêntico tiro nos pés. Como de resto têm sido as anteriores posições sindicais, com os resultados práticos que temos visto.

Fosse eu professor e preferiria que este processo de avaliação fosse desmontado pelas consequências negativas que trará para a escola pública, nomeadamente por, já no imediato, ser um incentivo à passagem dos alunos independentemente do seu grau de conhecimento.

Aliás, iria mais longe. Porque hão-de os sindicatos serem os representantes dos professores? Representam os seus associados mas não a totalidade, até porque há vários sindicatos. Questões laborais aos sindicatos e questões profissionais a uma ordem profissional, é o que me pareceria mais adequado.


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Sobre a avaliação dos professores I

Parte I, II, III, IV, V

No 4R:
http://quartarepublica.blogspot.com/2008/02/escola-democrtica.html
Visto tudo isto e concluído, a escola como local de ensino já foi.
Modernamente, e em Portugal, a escola é para se passar por lá, assistir a umas aulas facultativas, porque se pode faltar à vontade, ter umas aulas teóricas de educação sexual, e sair rapidamente, para ter tempo de praticar.


Repesco algo que escrevera há tempos (O novo estatuto do aluno):
Cada vez mais, a escola é um local de passagem entre os 6 e os 18 anos. Como um corredor. Entra-se numa ponta, avança-se e sai-se na outra. Mas nada de parar, que isso estorva à passagem dos demais. Continuando esta metáfora, algures no corredor existe conhecimento afixado. Quem quiser que lhe pegue mas não será isso que contribuirá para os números do sucesso educativo. Para estes, conta mesmo é o tempo que se demora duma ponta à outra.


O professor não tem autoridade para obrigar o aluno a frequentar as aulas nem para o fazer estudar. Tem que o recuperar, independentemente da vontade em colaborar por parte do aluno. Nem mesmo lhe sobra a arma de chumbar o faltoso. Terá que lhe fazer um exame.

Quanto à sua progressão na carreira, pela avaliação de desempenho (grande chavão!), esta depende do volume de alunos passados. Portanto, é responsabilizado por algo que não tem poder para controlar.

Mas há uma forma de todos, professores e ministério, se sairem bem: baixar o grau de exigência e passar todos os alunos. Ficam de fora os alunos e os pais, para quem terminou a escola pública como sinónimo de boa formação.

Ah!, então e o brio profissional e dar o seu melhor? Ceeerrrtooooooooo. Passam o tempo a levar porrada da tutela e da opinião publicamente construída, pelo que estou mesmo a ver "Bem, vou chumbar estes miúdos aqui; não vou ter avaliação de Bom mas não faz mal. É para o bem deles".

Não pretendo fazer a defesa dos professores. Mas "aborrece-me" que continue a pagar os mesmos impostos e ainda o colégio privado, se quiser uma escola em cuja formação possa confiar.


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Analogia

Nos dias que correm, o "Público" está para Sócrates como o "O Independente" esteve para Cavaco.


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Ninharias

N'O Insurgente:

http://www.oinsurgente.org/2008/02/01/ninharias
«Parece que há alguma surpresa relativamente à notícia segundo a qual o nosso primeiro se teria limitado a assinar projectos de engenharia civil que lhe eram entregues por pessoas que, tendo-os elaborado, não tinham as competências legais necessárias para os assinar.

Não sei como alguém ainda se surpreende com o carácter prestável do (nos últimos tempos progressivamente rebaptizado - veja-se o exemplo da maioria dos líderes da oposição) Engº Sócrates.

Afinal, ainda há umas semanas o mesmo Sócrates recebeu um tratado todo preparado e também se limitou a colocar-lhe a sua assinatura. Não vejo onde está a estranheza.»


Na mouche :-)


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Já ouviram isto? Nem a Flauta Mágia vai tão longe :-)



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I-See-19 Tales #9

a remodelação 2008


gracinhas anteriores


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Tempo de antena

Grande tempo de antena o PS no governo acabou de ter com Pedro Silva Pereira em "entrevista" ao Jornal 2. Para que não fosse um monólogo, a jornalista volta e meia colocava uma questão que, obviamente, apenas dava origem a um chorrilho de propaganda "nós é que fizemos". Houve tempo para rever (quase) tudo o que se passou no governo Sócas.


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10 textos sobre corrupção

No Sobre o tempo que passa, via Blasfémias:
A propósito do bastonário, dez observações sobre a corrupção: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


No n.º 5:
Se a honra de representar a nação pela deputação fosse estéril de empregos, e distinções, haveria menos quem a ambicionasse
[citando o antigo ministro António Alberto Morais de Carvalho, em Aphorismos e Pensamentos Moraes, Religiosos, Politicos e Philosophicos, publicados em Lisboa, no ano de 1850]

No n.º 6:
Segundo um estudo do Banco Mundial basta eliminarmos a corrupção para triplicarmos o rendimento "per capita" e colocar-nos ao nível da Finlândia. Porque desemprego, corrupção, imigração, saúde e consumo são factores apontados como obstáculos para a segurança humana em Portugal, de acordo com dados do relatório da Social Watch.


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You've got mail*

windows_new_task

Pois é, apanhei um vírus, o da gripe. E o computador também. Um trojan-bla-bla-vou-infectar-todos-os-teus-porn-files-eh-lá,-o-que-raio-é isso.

Passou pela firewall, anti-vírus e lá se instalou confortavelmente num ficheiro crítico do windows (típico!), no wininet.dll, neste caso. O anti-vírus apagou-o, e bem, só que deixei de ter acesso ao computador.

Simples! Carrega-se em F8 logo ao início do arranque do windows e escolhe-se o modo «linha de comando» para aí reparar o sistema à unha.

Errado!

Noutro sistema operativo talvez assim fosse mas, vá lá, isto é o windows. Para carregar o modo de linha de comandos, esta primeiro carrega todo o sistema operativo, apesar de ser desnecessário no contexto da linha de comandos e, claro, falha porque lhe falta o ficheiro apagado pelo anti-vírus.

O mesmo se passa tentando correr o modo de recuperação do CD (original!) de instalação do windows.

Ora sem acesso à linha de comandos nem ao explorador do windows, como podia repor o ficheiro em falta? Re-instalando tudo... Excepto que descobri o truque da figura em cima.

O windows arrancou até meio. Para minha surpresa, ao carregar em CTRL+ALT+DEL abriu-se a janela do task manager. Aí pude lançar uma nova tarefa, a linha de comandos (cmd) e repor o ficheiro em falta.

Irónico, é que o windows não era capaz de arrancar em modo de linha de comando e, no entanto, pude faze-lo manualmente. Estes tipos não conhecem a expressão "keep it simply (and) stupid". Mas não é novidade para ninguém que o windows, desde os velhos tempos do MS-DOS, é uma autêntica manta de retalhos, com uma bonita colcha em cima mas com uma cama mal feita por baixo.

Para a malta que não passou pelo MS-DOS, este é o comando que corri na linha de comandos e que colocou tudo a funcionar de novo:

expand i:\i386\wininet.dl_ c:\windows\system32\wininet.dll

e para procurar um ficheiro com a linha de comando (por exemplo a localização do wininet.dl_):

dir wininet.dl_ /s



Se isto servir a alguém melhor. Se não servir e mesmo assim tiverem problemas, comprem um mac ;-)



*sorry, I meant a virus.


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Ana Jorge sobre o encerramento dos SAP e os partos em ambulâncias

http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=18193
Enquanto autarca, Ana Jorge foi uma das vozes contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde da Lourinhã em Outubro de 2006. Defendeu que os partos não devem ocorrer nem nas ambulâncias, nem nos centros de saúde e exigiu mais médicos para a população.

Em declarações hoje à agência Lusa, a futura ministra refere que irá “levar a bom porto a missão” e que acredita “na reforma em curso e no Serviço Nacional de Saúde”.

Um caso interessante para ver como se desenrolará.


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A remodelação

Foi preciso morrerem pessoas para o governo não conseguisse mais
disfarçar que a reforma da saúde não passou do fecho de serviços. Em
vez de primeiro se criarem as redes de emergência, formar pessoas e
ter os meios materiais, Correia de Campos, com o aval do PM, construiu
a casa começando pelo telhado. Era uma questão de tempo até que as
desgraças acontecessem.

E Isabel Pires de Lima também sai? Fica Berardo mais contente e assim
não vai Correia de Campos embora sozinho.



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Da pirataria



Este vídeo execrável, patrocinado pelo Ministério da Cultura, tem aparecido em vários DVD que comprei, sendo das primeiras coisas mostradas ao inserir o disco no leitor, sem se ter hipótese de o saltar nem de avançar em fast forward.

Além disso, cada vez que um disco é inserido somos forçados a olhar para um texto sobre os direitos de autor antes do visionamento do produto comprado. Felizmente, não é possível aos editores de DVD controlar se o lemos, caso contrário aposto que o fariam.

Ora eu ao comprar um DVD sinto-me insultado pelo respectivo editor e, também, pelo Ministério da Cultura, por patrocinar propaganda como esta. É como se eu, que paguei o produto, fosse culpado pela existência da pirataria. Colocam-me no mesmo patamar dum violador da legalidade.

No contexto dum supermercado, por exemplo, esta atitude seria o equivalente a passar gravações tipo "roubar é crime" em vez de música misturada com o habitual brainwashing "aproveite a nossa promoção". Seria chamar ladrão a todos os clientes por um ou outro meter um chocolate ao bolso.

De cada vez que assim sou tratado sinto vontade de piratear o DVD para remover essas ameaças, podendo desfrutar tranquilamente do bem que adquiri. O ridículo da situação é que quem produzir cópias piratas pode, com a maior das facilidades, remover esta palhaçada antes de fazer o seu master para duplicação. Resulta então que estas medidas parvas não servem para mais do que insultar aqueles que, como eu, compram DVD.

Vem esta dissertação sobre mais uma pseudo-notícia trazida a público pela Federação de Editores de Videogramas, por intermédio do Diário de Notícias.

http://dn.sapo.pt/2008/01/28/artes/pirataria_dvd_rouba_milhoes_editoras.html
Estima-se que a contrafacção de filmes em DVD renda, em média, 800% de lucro, e roube mais de 20 milhões de euros por ano às editoras.

[...]falamos de um fenómeno que ninguém sabe avaliar com rigor. O meio milhão de DVD apreendidos são parte de um universo de contrafacção de contornos pouco exactos: "Mas é seguro afirmar que a pirataria movimenta por ano o equivalente a 20% das cópias originais lançadas no mercado." Contas feitas, mais de três milhões de discos piratas.

A mim parece-me que 20 milhões de euros é um número bem concreto para quem não sabe avaliar o fenómeno com rigor!

Da leitura deste texto, notam-se algumas tendências:
  • Tenta-se comparar o negócio da contrafacção ao tráfego de droga. Salta à vista que isto é tão comparável como o é a comparação da venda de camisolas «Lacoste» com o dopping no desporto;

  • Esta malta das editoras têm mais serviços policiais à sua disposição do que nós, simples "bestas" pagadoras de impostos;

  • Afirma-se que este suposto crime de pirataria surge «cada vez mais associado ao financiamento de redes criminosas», numa atitude pouco honesta, já que isto é feito sem nenhuma referência válida.

Se estas palavras lhe dizem alguma coisa e se achar que vale a pena, deixo-lhe umas imagens que pode usar como entender no seu blog. Sinta-se, igualmente, à vontade para usar deste texto o que bem entender. Cabe a quem não concorda com esta atitude fazer pressão para que o consumidor, nós, mereça respeito por parte desta gente.


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http://farm3.static.flickr.com/2092/2226698253_25b4a5ecc8_o.gif
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Paleio legal: imagens alojadas no flickr.

Adenda 28-04-2009: Ontem na TSF, hoje no Público, o assunto volta a ser tema.
No Forum TSF de ontem até ouvi um representante de uma qualquer associação de clubes de vídeo (!) afirmar que, desde 2004, têm caído os alugueres de vídeos nos videoclubes devido à internet flatrate. Que delírio. Em 2004 havia ligação em modem e descarregar uma foto demorada uma eternidade. Então e o preço dos DVD ter baixado drasticamente? Não terá sido por aí que o mercado de aluguer desapareceu? Isto sem contar com os preços altos (recordo-me de pagar 2.5€ pelo aluguer diário de uma "estreia"), pouca renovação de stocks, video on-demand, etc. Mas claro, fica bem dizer que é tudo pirataria.

Adenda 11-06-2009: Curiosamente, no Público saiu mais um artigo sobre a temática da pirataria.


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Corrupção na política?! Há cada disparate...

É do senso comum que os políticos são exímios em afirmar o contrário do que pensam.

Recentemente, a propósito das declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados sobre a suposta corrupção até em altos cargos do estado, Sócrates disse: "Tenho a certeza que ele não se referia a nenhum membro, nem a nenhum ministro deste Governo".

Decorre assim que ele pretenderia dizer que Marinho Pinto se referia a um membro e ministro deste governo.



http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317804
«Durante a entrevista, Marinho Pinto foi mais longe nas denúncias e, sem revelar nomes, deu exemplos de casos vê como demonstrativos da existência de “intocáveis da política”. “Um ministro de um governo recente atribui a concessão de um importante serviço público a uma empresa privada e depois saiu do Governo assumiu a presidência dessa empresa”, denunciou.

O bastonário revelou ainda que “há tempos”, em Coimbra, “vendeu-se um edifício público de manhã por 14 milhões de contos a uma empresa privada e às três tarde fez-se a escritura desse mesmo edifício por 19,5 milhões”.

Marinho Pinto denunciou ainda o caso de um “promotor imobiliário que pretendia fazer uma construção numa Reserva Ecológica Nacional” e, após anos de espera, “dois ministros consideraram que o projecto tinha interesse público". "Nesse mesmo dia entraram nos cofres do partido um milhão de euros", acrescentou o responsável numa referência clara ao caso Portucale, relativo à autorização dada pelo anterior Governo para o abate de sobreiros numa herdade de Benavente.

Os então ministros do Ambiente, Nobre Guedes, Turismo, Telmo Correia, e Agricultura, Costa Neves, foram investigados no âmbito deste caso, tendo o último chegado mesmo a ser constituído arguido, mas não viria a ser acusado.»


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Birthplace: A23, Km 18, Portugal

BI
Depois da geração fast food, é a chegada a vez
da geração fast born (dentro da legalidade dos 120km/h).

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Lei do tabaco

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Lei do tabaco, a que coloca lado a
lado o CEO e a sua empregada dos cafés.
Enquanto
a chama do cigarro durar , claro.

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Partos na ambulâncias


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The most dangerous software patents

Na página da Electronic Frontier Foundation, a lista das 10 mais perigosas patentes de software. Link: http://w2.eff.org/patent/wanted
Um aviso em particular para quem, como eu, costuma instalar software sem ler as condições de utilização.
 
E já agora, voltando à carga:  porque é que qualquer bagatela Made in China, custando uns 5€ tem que ter garantia de 2 anos, de acordo com a legislação europeia, mas um software de 200€ não tem garantia, sendo apenas disponibilizado como no estado em que encontre (paleio generalizado das EULA, as licensas de utlizador final)?
 
 
Wanted by EFF Marshals
Acacia Research Acacia Research:
Audio and video receiving and transmission system; threatening dozens of small companies, including many home-grown adult websites
Clear Channel Clear Channel Entertainment:
System and method of creating digital recordings of live performances; claims to own a monopoly on all-in-one technologies that produce post-concert live recordings on digital media
Acceris Acceris:
Method and apparatus for implementing a computer network/internet telephone system; threatening 14 VoIP companies with expensive legal disputes if they do not pay licensing fees
Sheldon Goldberg Sheldon F. Goldberg:
System and method for playing games on a network; threatening small online gaming websites
 
Ideaflood/Hoshiko Ideaflood/Hoshiko:
System apparatus and method for hosting and assigning domain names on a wide area network; Threatening community site LiveJournal, with 3 million users who each have their own subdomain
Neomedia Neomedia Technologies:
System and method for automatic access of a remote computer over a network; threatening small info-aggregating companies such as ScanBuy, AirClic, Inc., and LScan Technologies
 
Test.com Test.com:
Method for administering tests, lessons, assessments; claims it should receive licensing fees from companies, universities or individuals that administer tests over the Internet
Nintendo Nintendo:
Software implementation of a handheld videogame hardware platform; threatens reverse engineering of videogames to promote interoperability and emulation by hobbyists
Firepond Firepond/Polaris:
System that uses natural language processing to respond to customers' online inquiries by email; patent uses basic natural language processing techniques taught in introductory computer science courses
Seer Systems Seer Systems:
System and method for generating, distributing, storing and performing musical work files; currently threatening small companies trying to innovate in this field


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Linhas limitrofes para aeroportos

cartografia aeroportuária


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Sobre a necessidade da maior obra de sempre

Portela está mesmo esgotada?
Todos os aeroportos do Mundo recusam voos e Lisboa não é excepção. No entanto, quando comparamos a Portela com Gatwick e Heathrow, em Londres, a diferença é notória. Veja a comparação que o PortugalDiário fez.


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O relatório confidencial

Realmente, o que mais gostei no relatório do LNEC sobre o novo aeroporto foi a estampa "CONFIDENCIAL", em particular depois do Sócas ter anunciado a sua publicação na net. Clicar na imagem para a aumentar.

Relatório: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4.


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Ponte 25 de Abril, vista de Cacilhas

Ponte 25 de Abril, Cacilhas


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Le fabuleux destin d'Amélie Poulain



Estivesse a nevar e o sol brilhasse, outra música me apeteceria. Agora que é madrugada, que melhor do que um ternário?


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USA Casting



Boys don't cry, logo a Hillary está em vantagem.


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Aeroporto em "Alcochete", um resumo

o cacto de alcochete
O cacto de Alcochete no deserto da margem sul
Repescado de «
O cacto de Alcochete»

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O momento de decisão é sempre uma boa ocasião para bloggers atreitos à indolência, pelo que repesco uma série de textos anteriores. Creio que vale a pena passar por eles para reflectir sobre a escolha «Alcochete».
Certamente que a opção Ota também permitiria uma resenha semelhante a esta, não é isso que importa. A questão está em entender que não há estudos "definitivos" nem escolhas imparciais e isentas.

Também nada há de errado em haver lucro em consequência de investimentos nem que as partes interessadas procurem convencer o decisor sobre as vantagens da sua proposta. Não há nada de errado, note-se, desde que o jogo seja aberto.

O meu palpite sobre a questão do aeroporto, no entanto, é que ao governo de Sócrates o que importa mesmo é lançar a obra. A questão da localização não passa de chicana política, agora por parte do PSD mas antes também pelo PS, quando era oposição. A oposição procura que a obra não arranque até que seja governo e depois os papeis invertem-se. Sócrates apenas só tem sido mais esperto do que os seus antecessores, trocando-lhes as voltas. Primeiro escolheu a localização que o PSD tinha escolhido, a Ota, deixando a oposição sem trunfos. E agora, com a reviravolta Menezes, escolheu a margem sul calando novamente os opositores.

Apenas importa lançar a obra, já classificada como a maior de sempre em Portugal. Os cheques para as campanhas eleitorais, a melhoria nos números do emprego e os tachos para todos não se farão esperar.


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Sobre a escolha do novo aeroporto de Lisboa

Vale a pena relembrar as declarações de Mário Lino sobre o deserto da Margem Sul para se perceber o ajuste no actual discurso "Rio Frio/Poceirão=Mau, Alcochete=Bom".




E um mapa com as diversas opções que estiveram em jogo.

alcochete, ota, poceirão, rio frio, aeroporto de lisboa

A necessidade do aeroporto apenas foi liminarmente discutida, pelo que poderá haver dúvidas neste aspecto. Mas a ser necessário, esta aparenta ser a melhor escolha.


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A maior obra de sempre e o ano das três eleições

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Mário Jamais Alcochete Lino

Mário «Jamais» Lino
Segundo Sócrates, o jamais era relativo a outro lugar.


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A Ota/Alcochete, o Aeroporto e demais obras públicas

Mesmo perante a quase certa surpresa sobre a escolha do aeroporto, tenho a tirar o chapéu ao Jumento pela antecipação da jogada de Sócrates. Resta esperar pela remodelação, inevitável se a opção Alcochete se verificar.

N'O Jumento:
RATIFICAÇÃO PARLAMENTAR DO TRATADO, OTA E REMODELAÇÃO

Está visto o que vai suceder nos próximos dias: Sócrates decide que o Tratado será ratificado pelo parlamento e começamos a discutir o assunto, quando o pessoal começar a debater o tema Sócrates divulga que escolheu a Ota, o maralhal esquece o referendo e desata a discutir o aeroporto, ainda a discussão vai a meio e Sócrates divulga que decidiu fazer uma remodelação, o pessoal esquece logo a Ota e o referendo e discute a remodelação.

Estarei enganado? Aceito apostas...


O curioso mesmo é que toda a discussão centrou-se na localização do aeroporto em vez de na sua real necessidade.

Durante todo o Cavaquistão e governos seguintes a estratégia do país centrou-se na realização de obras públicas, com particular ênfase nos transportes individuais. Isso não impediu que ficássemos em último na Europa dos 12 e para a mesma posição caminhamos agora na Europa dos 27. Perante o fracasso,seria sensato pensar se não tem sido uma aposta errada, se não haveria outras prioridades. Mas as obras públicas dão votos no imediato, fazem ganhar eleições e até as pagam, como foi recentemente sugerido no caso Somage/PSD.

Há países que fizeram outras apostas e que se desenvolveram mais do que nós, sabia sr. Sócrates?


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PS falha promessa de referendar a Constituição Europeia*


ps soca
imagem repescada de: a sátira aos partidos

* ah ok, agora é Tratado de Lisboa. Se calhar então não quebrou a promessa, já que o nome da coisa mudou. Assim sendo, apenas ludibriou aqueles que nele votaram.


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António Correia dos Santos a reinar connosco


Sôtor, não se importa de se calar?

Outras frases da noite, debitadas pelo nosso tolerante ministro, foram:
  • «Reduza-se à sua importância de participante no debate.»
  • «Quer fazer o favor de se calar?»



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Mais um prós & prós

"Meus senhores parem com as palmas."
Fátima Campos Correia dixit, no seu prós e prós de hoje. Não gosto da prepotência da apresentadora. É tendenciosa por não dar igual tempo às partes envolvidas e por cortar a palavra mais a uns do que a outros.

Mais impressionante do que esta senhora, só o presidente do INEM, a personificação do histérico-agressivo típico. Que por acaso tem todo o tempo de antena que precisa sem que FCC lhe corte a palavra como faz aos restantes intervenientes.


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Opération Dakar

Ça devient clair maintenant qui conduit le monde.

Nestes tempos globalizados das pechinchas Made in China, Produit au Sénègal, Handmade in Bangladesh, só para citar alguns centros de produção sob o conceito sweetshop, há custos indirectos que são exportados com esses produtos:
- o dumping social chega até nós;
- o desemprego aumenta por deslocalização da produção;
- os conflitos são exportados com a mesma facilidade dos bens materiais.

«Tendo em conta as actuais situações de tensão politica, a nível internacional, o assassinato de quatro turistas franceses, no passado dia 24 de Dezembro, atribuído a um ramo do Al-Qaida, no Magreb islâmico, e acima de tudo as ameaças, directas, lançadas contra a prova, por movimentos terroristas, a A.S.O. não pode tomar outra decisão que não seja a anulação da prova», lê-se no site do Lisboa-Dakar.

O rally foi cancelado supostamente por razões de segurança. É plausível. Até bate certo no conceito da mundialização dos conflitos locais e do terrorismo global. Mas a justificação pouco precisa, leviana até, se atendermos aos investimentos realizados, não deixa de fazer soar a campainha da teoria da conspiração.

Não terá o rally sido cancelado como forma da França vingar os seus quatro turistas franceses recentemente mortos a tiro na Mauritânia?

Os franceses nunca engoliram bem o domínio anglo-saxónico. Desta vez, sejam quais for as razões, impuseram a sua vontade. Afinal, quem manda no mundo?


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There are unused brains at Microsoft


Parte do écran dum contador da vez para atendimento numa loja Vodafone.


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Pode-se fumar numa catedral?

casino do estoril
No http://www.casino-estoril.pt/ItemTemplate.aspx?areaId=98:
O Salão Preto e Prata é, mais que o "ex-libris" do Casino Estoril, a verdadeira catedral do espectáculo" em Portugal. Um estatuto que lhe é nacional e internacionalmente reconhecido mercê de uma política de programação artística que permite exibir diáriamente [sic] no seu palco espectáculos de qualidade e grandiosidade ao nível do que de melhor se produz à escala mundial. São inesquecíveis as Galas que, com regular periodicidade, fazem brilhar no palco do Salão Preto e Prata os maiores nomes do "music-hall" internacional.»

A lei diz que é proibido fumar em salas de espectáculos mas o Casino do Estoril classifica o Salão Preto e Prata como uma catedral do espectáculo... Será que a lei também se aplica a catedrais? É possível que não, caso contrário haveria problemas com a queima do incenso. Portanto, o director da ASAE, António Nunes, não estaria certamente a violar a lei cuja fiscalização compete à Autoridade que dirige. E se violou, também o que custa pagar 750€ de multa quando já teria pago 500€ para passar o reveillon no Casino?

António Nunes, como fazem muitos dos nossos políticos, veio queixar-se da comunicação social.
Pois é, pela boca morre o peixe. Talvez a notícia não tivesse sido esta se tivesse dado mais enfoque ao trabalho e menos ao show-off.


PS: uma dica ao redactor do site do Casino do Estoril: advérbios terminados em -mente não têm acentuação ;-)