a política na vertente de cartaz de campanha

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Afinal, quem faz os exames?

A Ministra da Educação, Valter de Lemos e Jorge Pedreira afirmaram recentemente em momentos e palcos diferentes que não é o Ministério que produz nem corrige os exames, que esta tarefa é feita por professores e que afirmar que o Ministério estaria a produzir exames mais fáceis em ano eleitoral seria um insulto aos professores.

anteriormente frisei que a realidade é um pouco mais complexa. Resumindo, é uma estrutura do Ministério, o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) que tem a responsabilidade de produzir as provas e os critérios de correcção (estes últimos determinam que respostas podem ser consideradas certas e erradas). Portanto, os exames têm um responsável político: o GAVE e, por inerência, o ME e a própria ministra.

É certo que há professores a produzir as provas e os critérios de correcção mas não são "os professores", a classe como um todo, a que se referia a ministra. São "alguns" professores, nomeados pelo ME para o fazer.

Excepto se alguém do GAVE tiver a bondade de relatar em que ambiente produzem o material para os exames, só se poderá olhar para a estrutura orgânica do GAVE e tentar perceber até que ponto esta é uma estrutura autónoma como frisou Maria de Lurdes Rodrgues. As imagens seguites, extractos do site do ME e de páginas do Diário da República, procuram esclarecer este ponto.




Fig. 1: A missão do GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional)



Fig. 2: Provas e critérios de correcção - competências do GAVE



Fig. 3: director do GAVE: cargo de nomeação política



Fig. 4: A ligação política - antes de ser director
do GAVE, Carlos Ferreira já era assessor no ME




Fig. 5: Estrutura e competências do GAVE



Fig. 6: Flash back - o GAVE já vem de trás e produzir os
exames e os respectivos critérios de correcção não é novidade



Fig. 7: O Júri Nacional de Exames: competências
e cargos de nomeação


Do exposto resulta que o GAVE, bem como o Júri Nacional de Exames, é uma estrutura funcionalmente dependente do ME, repleta de cargos de nomeação política. E em que consiste exactamente a nomeação política se não na escolha de pessoas que concordem com as decisões dos seus superiores?

Desta breve incursão nos meandros do Ministério da Educação não é possível concluir que o ministério tenha ordenado que se fizessem provas mais fáceis mas face à estrutura orgânica do GAVE também não podemos concluir que isso está fora de questão.

Os miúdos garantem que as provas foram fáceis. Coincidência ou acto deliberado? Cabe-lhe a si a conclusão.

Adenda 21.06.2009
- Gralhas corrigidas por amável sugestão de ACS, que também enviou este comentário:
Talvez fosse de frisar que os professores não têm autonomia ao corrigir os exames, seguem critérios de correcção estritos quer a nível do conteúdo quer a nível formal. Portanto, é duma profunda desonestidade dizer que os professores são responsáveis pela elaboração ou pela correcção.
- Um comentário pertinente sobre este assunto, por MJP.

Algumas notas adicionais
- Pretendi foi desmontar a tese “os exames são feitos e corrigidos pelos professores”. Demonstro que os exames são feitos pelo Ministério da Educação e são corrigidos de acordo com os critérios definidos pelo Ministério da Educação. Isto é, os exames têm um responsável político, para o bem e para o mal.

- Convencem-se os alunos a estudar não lhes dando segundas oportunidades gratuitas. A percepção “se falhar desta posso fazer depois”, implícita no conceito das aulas de recuperação e no programa Novas Oportunidades, leva ao laxismo.

- Convencem-se os alunos a estudar aumentando a exigência. Basta uma reportagem à saída de um exame com miúdos a dizerem “o exame fui bués da fácil” para passar a mensagem “não estudes”.

- Obviamente que não defendo que os exames não sejam feitos pelo GAVE nem defendo a inexistência de critérios de correcção. Pretendo, isso sim, que haja responsabilidade e responsabilização de quem é titular da responsabilidade: o GAVE. Dizer que os exames são feitos e corrigidos pelos professores é fugir com o rabo à seringa. O louros e as críticas que houver a distribuir devem ter um destinatário claro (o GAVE) e não uma entidade difusa (”os professores”).


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Que se lixe o rumo

O sistema de avaliação dos professores que começou por ser errado e se transformou em manta de retalhos e errado na mesma, apesar dos remendos e dos alinhavos parece que está para ficar mais um ano. Afinal os professorzecos também votam e perder os professores mas ganhar o país é uma chatice em ano eleitoral. Bem podem os iluminados do PS dizer que não vão mudar o rumo só porque perderam as eleições. Os actos falam por si. Sócrates, tal como os que o antecederam, também treme perante um resultado negativo.


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Exames exigentes (exigem tempo para os fazer)



Bem pode o santo Valter dizer que provas fáceis em ano de eleições só pode ser insulto. Pois está ele, o insulto à nossa inteligência.


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XI PortoCartoon - Festa da Caricatura

É neste fim de semana.


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Onanismo




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Leituras

Sócrates versus Sócrates


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Tentação

iPhone 3G S


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Downgrade

Depois da Web 2.0, passámos a ter o Sócrates 2.0


*com uma vénia ao António de Almeida


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Killing instinct



Obama demonstrou o seu mortal instinto. Não, não me refiro ao facto de ele ter morto uma mosca durante uma entrevista mas ao facto de ele o fazer, dizer "I've got the sucker" e logo a seguir desdramatizar dizendo "Do you wanna film that? There it is". O que seria certamente noticiado metaforicamente como instinto fatal acabou por ser reduzido a um fait divers.

Ainda sobre moscas mortas e entrevistas coisinhas, JCD lançou o mote:
Diferença entre Obama e o Novo Sócrates
Obama dá uma entrevista e deixa uma mosca morta. Sócrates dá uma entrevista a uma mosca morta.



Adenda 19-06-2009
Entretanto, pelo i fiquei a saber que há temas que atraem as moscas:
«Quem não gostou da atitude foi a PETA, uma das mais conhecidas associações de defesa dos direitos dos animais, que não perdeu tempo e anunciou que iria oferecer ao presidente maricano...um mata-moscas. "Matar uma mosca na televisão mostra que não é perfeito. Oxalá não o tivesse feito", disse o porta-voz da associação, Bruce Friedrich.»


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Antes e depois

Imagem construída com os PDF disponibilizados pelo Público

O Ministério da Educação resolveu corrigir um erro menor numa prova de exame, publicando no site do ministério a versão corrigida em lugar da versão dada aos alunos. Eu cá acho que este acto marca o início de uma bela atitude e espero ver outros erros corrigidos já a seguir.Só para citar alguns: o Estatuto da Carreira Docente, o Estatuto do Aluno, a forma burocrática e inútil de avaliar os professores, o excesso de disciplinas por ano e a nivelação da exigência por baixo.


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Humildade, a nova palavrimagem socrática

Depois do animal feroz (2005) e do homem que faz história (2007/2008), a nova palavrimagem de Sócrates é humildade (2009). Que adjectivação lhe reservará 2010? Desmascarado?


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Fingido



vídeo no jornal i

Quatro anos a mostrar os dentes que agora se escondem por um sorriso forçado. Muita satisfação ouvida por uma tal Ana Lourenço. (Quem?) O grande erro do governo foi pouco investimento na cultura, diz Sócrates como se ter prometido uma coisa no programa eleitoral de 2005 e ter feito outro nos anos que se seguiram nada contasse.

Exigiram muito aos professores? Com efeito exigiram muito dos seus salários e da sua paciência. Foi pena que não tivessem exigido muito à educação!

Não precisar de se preocupar mais com as contas do estado? A mentira não tem limites. A estrutura da despesa pública não mudou e o défice só não vai além dos 6% (!) graças a receitas extraordinárias.

Quem acredita num fingido que mostra uma cara em campanha eleitoral e outra como governante?


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Toque de midas azarado

Lá está, mais uma cena que envolve Sócrates e confusões.


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Lição de gramática

Da tira "For better or for worst".


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O favor de Portas ao PS

Hoje concretiza-se o golpe de maketing do CDS. A moção de censura ao governo é uma perfeita inutilidade e não é garantido que dê votos ao CDS. Mas o certo é que rouba o protagonismo que o PSD teria no primeiro debate parlamentar pós-derrota do PS, força o PSD a clarificar águas quanto a coligações e impede que Sócrates venha mostrar carinha de cordeiro manso, como decidiram passar a apresentar-se depois da reunião do PS na passada segunda-feira. Por outro lado, Portas acabará por fazer um enorme favor à causa da maioria absoluta que o PS deseja. Daqui a algumas horas poderemos comprovar se Sócrates não avançará com a tese "vejam só o que vos espera sem um governo estável". Adivinha-se dramatismo qb e veremos se o CDS não acabou por criar a principal linha de argumentação para o PS pedir maioria absoluta.


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TGV: Partir o mealheiro para comprar um cofre

Vamos lá ver. O grande argumento para que se faça o TGV é qual?

1. Passageiros? Actualmente o avião escoa suficientemente o fluxo de passageiros a nível ibérico e europeu. Ora, vai alguém deixar de andar de avião para andar de comboio? E fá-lo-ão em número tão significativo que justifique empenhar as próximas 2 ou 3 gerações? É preciso não esquecer que o TGV não vai criar passageiros do nada. Eles virão daqueles que actualmente usam as infraestruturas que já construímos e que nos custaram dinheiro. Logo o que faz sentido é rentabilizar ao máximo o que se tem. Além disso, o TGV nem vai ser competitivo a nível dos preços! Falaram por aí em cento e poucos euros para Lx-Madrid mas note-se que isto seria em tarifa promocional, o que tem que ser comparado com as actuais low cost aéreas e concluir que estas também fazem este mesmo preço promocional.

2. As mercadorias? Ora actualmente vêm de comboio e de TIR. De TGV passariam a gastar menos 3 horas para vir de Madrid. Ora o que se degradar em 6 horas também se degradará em 3 horas. Logo não será pelo lado da logística que se ganha vantagem. De resto, é indiferente se uma caixa de sabonetes demorar mais 3 horas ou não a cá chegar. Acresce ainda que o transporte rodoviário, tendo uma rede de distribuição muito mais fina, há-de ter vantagem na distribuição. E é preciso não esquecer que o TGV não vai a Alguidares de Baixo. Será preciso transporte rodoviário na mesma.

3. Lisboa-Porto? Francamente, este é o exemplo acabado da ausência de planeamento e do desapego com que se gastam impostos. Qualquer governante que tivesse vergonha na cara nem colocaria esta hipótese depois do dinheiro que se tem gasto na modernização da linha do norte. Ainda para mais quando se anuncia um ganho de apenas 20 minutos na viagem Lisboa-Porto. Acabem-se lá as eternas obras de modernização da linha do norte e lembrem-se que há outras linhas de comboio e não se fala mais nisso.

4. Viajar para a Europa? Alguém irá de TGV para Londres? Ou Paris? Ou Berlim. O único interesse do TGV para nós seria a ligação com Espanha e é neste contexto que que a decisão tem que ser tomada. A ligação europeia é aérea.

Fazer o TGV é como partir o mealheiro e gastar o dinheirito para comprar um cofre.


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Curtas

  • Vitor Constâncio, o homem que descobriu o défice, foi incapaz de ver que a banca andava a fazer falcatrua. Os jornais, por acaso já falavam do BPN há tempos pelo que é possível que Constâncio não leia jornais. Deve ser uma "cena Banco de Portugal". O que agora é Presidente da República, quando era Primeiro Ministro também não lia jornais. E todos sabemos de onde veio: do BdP.

  • Acabo de ouvir na TSF Valter de Lemos dizer que é uma acusação falsa dizer que o governo, em ano eleitoral, poderá fazer os exames mais fáceis. Diz ele que "são os professores que fazem e corrigem os exames" pelo tal afirmação é um insulto para os professores. Acontece que não importa quem elabora as questões dos exames tal como não importa que Maria de Lurdes Rodrigues tenha sido professora. Os exames são feitos por um organismo sob tutela do ME (o GAVE) e se lá há professores a fazer a prova, nunca serão "os professores", designação genérica que se refere à classe na totalidade, como convenientemente pretende Valter de Lemos fazer passar. De outra forma, por a Ministra da Educação ter sido professora também seria legitimo concluir que foram "os professores" quem refez todo o sistema burocrático da educação.

  • A anterior mentira de Valter de Lemos tem duas compontenentes. A primeira, já focada, é que não são "os professores" quem faz os exames mas sim o GAVE, organismo tutelado pelo ME. O facto de no GAVE trabalharem professores é irrelevante, tal como o é o facto de haver advogados entre os deputados, de haver médicos no ministério da saúde e até de o primeiro ministro ser engenheiro. De outra forma, as leis seriam feitas por advogados, as políticas de saúde pelos médicos e a construção civil seria feita por Sócrates. A segunda mentira é que são os professores quem corrige os exames. É uma meia mentira - ou meia verdade se quiserem, pois o GAVE elabora uma detalhada grelha com critérios de correcção e são estes que determinam o que é aceite como resposta certa. Independetemente do grau de facilidade do exame, os critérios de correcção serão determinantes nas notas obtidas. Os professores - e aqui são "os professores" como classe - corrigem as provas de exame com base nos critérios de correcção, como se estivessem a seguir um guião escrito pelo GAVE.

  • O TGV anda em alta. Se o caso Freeport serviu para alguma coisa foi para precisamente para parar uma adjudicação em cima das eleições. O que ainda poderá acontecer mas desde logo terá o custo político da comparação com o Freeport. O PSD já bate palmas perante a perspectiva da obra ser adjudicada no seu mandato e o PS deve estar preocupado por esta boa hipótese de financiamento partidário lhe estar a fugir... dos carris. Entretanto há esperança. Pode ser que para variar tenhamos sorte e que este elefante branco não avance. Passa pela cabeça de alguém fazer uma segunda linha do norte, gastando uma pipa de dinheiro para ganhar 20 minutos de viagem? E faz sentido uma linha Lisboa-Madrid quando as transportadoras aéreas low cost fazem o mesmo preço de uma viagem de TGV? Já para as mercadorias, então nem se fala: o que importa chegarem cá em 3 horas em vez de demorarem 6 horas?

  • O PS reuniu as tropas para... bom para que os seus soldados deixem de disparar contra a população. Agora vão andar com flores de oliveira nas espingardas e a fazer de conta que não são os mesmos que por aí andaram durante quatro anos.


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Divulgação: Ensinar o empreendedorismo

Ouvimos com frequência generalizações tais como «os portugueses são comodistas», «precisamos de empreendedores» e «estamos sempre à espera que o estado nos resolva os problemas». As soluções que têm sido apresentadas para este diagnóstico têm incidido, ironicamente, em incentivos estatais, programas estatais e acções de marketing promovidas pelo estado. Isto é, tem-se procurado aumentar a autonomia face ao estado com mais presença do estado.

Mas, dirá o leitor, há outro caminho? Claro, basta atender ao antigo provérbio «Ensina-os a pescar em vez de lhes dar o peixe». Parece ser exactamente isto que Ângela Pereira está a fazer no âmbito da sua tese de doutoramento:

No âmbito do meu trabalho de doutoramento, 42 crianças do 3º ano do ensino básico, desenvolveram durante o 3º período o projecto intitulado "Empreendedorismo no Ensino Básico" que consistiu na criação de negócios dentro do mundo virtual Active Worlds Education. No decurso deste projecto, as crianças desenvolveram várias actividades para a criação de um negócio que vão desde a ideia do negócio até à venda dos produtos por eles efectuados.

Venho assim, por este meio, solicitar-vos que entrem no mundo virtual Active Worlds EDUcation a fim de visitarem os 16 negócios criados pelas crianças e encomendarem, se quiserem, alguns dos produtos disponibilizados por cada negócio.

Instruções para instalar e aceder a este mundo virtual

Informação adicional:


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Ano eleitoral vai custar cerca de 11.6 € por cidadão

No DN:
Ano eleitoral vai custar 116 milhões
Uma análise comparativa entre a anterior e a actual Lei do Financiamento dos Partidos e das campanhas eleitorais mostra um crescimento exponencial das subvenções públicas após a entrada em vigor da legislação de 2003. Este ano, entre os custos associados às três eleições agendadas e a subvenção aos partidos, o Estado vai custear 116, 5 milhões de euros.

11.6€ por cidadão, eleitor ou não. É obra.


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Da pirataria

Republicação



Este vídeo execrável, patrocinado pelo Ministério da Cultura, tem aparecido em vários DVD que comprei, sendo das primeiras coisas mostradas ao inserir o disco no leitor, sem se ter hipótese de o saltar nem de avançar em fast forward.

Além disso, cada vez que um disco é inserido somos forçados a olhar para um texto sobre os direitos de autor antes do visionamento do produto comprado. Felizmente, não é possível aos editores de DVD controlar se o lemos, caso contrário aposto que o fariam.

Ora eu ao comprar um DVD sinto-me insultado pelo respectivo editor e, também, pelo Ministério da Cultura, por patrocinar propaganda como esta. É como se eu, que paguei o produto, fosse culpado pela existência da pirataria. Colocam-me no mesmo patamar dum violador da legalidade.

No contexto dum supermercado, por exemplo, esta atitude seria o equivalente a passar gravações tipo "roubar é crime" em vez de música misturada com o habitual brainwashing "aproveite a nossa promoção". Seria chamar ladrão a todos os clientes por um ou outro meter um chocolate ao bolso.

De cada vez que assim sou tratado sinto vontade de piratear o DVD para remover essas ameaças, podendo desfrutar tranquilamente do bem que adquiri. O ridículo da situação é que quem produzir cópias piratas pode, com a maior das facilidades, remover esta palhaçada antes de fazer o seu master para duplicação. Resulta então que estas medidas parvas não servem para mais do que insultar aqueles que, como eu, compram DVD.

Vem esta dissertação sobre mais uma pseudo-notícia trazida a público pela Federação de Editores de Videogramas, por intermédio do Diário de Notícias.

http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=1001614
Estima-se que a contrafacção de filmes em DVD renda, em média, 800% de lucro, e roube mais de 20 milhões de euros por ano às editoras.

[...]falamos de um fenómeno que ninguém sabe avaliar com rigor. O meio milhão de DVD apreendidos são parte de um universo de contrafacção de contornos pouco exactos: "Mas é seguro afirmar que a pirataria movimenta por ano o equivalente a 20% das cópias originais lançadas no mercado." Contas feitas, mais de três milhões de discos piratas.

A mim parece-me que 20 milhões de euros é um número bem concreto para quem não sabe avaliar o fenómeno com rigor!

Da leitura deste texto, notam-se algumas tendências:
  • Tenta-se comparar o negócio da contrafacção ao tráfego de droga. Salta à vista que isto é tão comparável como o é a comparação da venda de camisolas «Lacoste» com o dopping no desporto;

  • Esta malta das editoras têm mais serviços policiais à sua disposição do que nós, simples "bestas" pagadoras de impostos;

  • Afirma-se que este suposto crime de pirataria surge «cada vez mais associado ao financiamento de redes criminosas», numa atitude pouco honesta, já que isto é feito sem nenhuma referência válida.
Se estas palavras lhe dizem alguma coisa e se achar que vale a pena, deixo-lhe umas imagens que pode usar como entender.

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http://farm3.static.flickr.com/2092/2226698253_25b4a5ecc8_o.gif
tamanho: 424x357


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http://farm3.static.flickr.com/2092/2226698253_25b4a5ecc8_o.gif
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Paleio legal: imagens alojadas no flickr.

Adenda 28-04-2009
Ontem na TSF, hoje no Público, o assunto volta a ser tema.
No Forum TSF de ontem até ouvi um representante de uma qualquer associação de clubes de vídeo (!) afirmar que, desde 2004, têm caído os alugueres de vídeos nos videoclubes devido à internet flatrate. Que delírio. Em 2004 havia ligação em modem e descarregar uma foto demorava uma eternidade. Então e o preço dos DVD ter baixado drasticamente? Não terá sido por aí que o mercado de aluguer desapareceu? Isto sem contar com os preços altos (recordo-me de pagar 2.5€ pelo aluguer diário de uma "estreia"), pouca renovação de stocks, video on-demand, etc. Mas claro, fica bem dizer que é tudo pirataria.

Adenda 11-06-2009
Curiosamente, no Público saiu mais um artigo sobre a temática da pirataria.

Adenda 13-06-2009
A notícia do passado dia 11 tem agora destaque na galeria de topo do site do Público.


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Eleições europeias: a victória do PSD

Eleições europeias: a victória do PSD

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Personalizar caixa de comentários do Blogger

No Usuário Compulsivo:
Que tal deixar a sua caixa de comentários incorporada as páginas de postagem do Blogger / Blogspot melhor integrada ao seu template?

Neste tutorial você vai aprender como colocar bordas na mensagem que aparece antes do formulário de comentários. Como deixar a área do formulário de comentários mais larga, igual a largura da coluna das postagens, e como otimizar o cabeçalho da área de comentários. (...)


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Explicações: é para amanhã, bem que podias fazer hoje

Parece que as explicações do 12º ano estão lotadas com inscrições de última hora.
Explicações lotadas com inscrições de última hora
A primeira fase começa na terça-feira, mas durante esta semana os centros de explicações ainda aceitaram inscrições de alunos desesperados. Estudo de última hora não é recomendado por professores nem por explicadores que não garantem sucesso. Mas os jovens tentam tudo para não falhar nas provas. Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.

A poucos dias do início dos exames do 12.º ano, a maioria dos centros de explicações estão lotados devido às inscrições de última hora. Os alunos que vão concorrer ao Ensino Superior procuram cada vez mais o apoio de explicadores e ainda chegam inscrições. "Continuam a aparecer alunos", reconhece Sara Amado, directora do Nota 20, em Lisboa.
Há por aí até quem diga que a culpa é uma consequência da má qualidade do ensino. Ocorre-me que os alunos não estudarem é capaz de explicar o problema mais objectivamente do que acusações genéricas. Mas por outro lado, tenho que reconhecer que a falta de qualidade no ensino terá as suas consequências. Se não vejamos:

Aluno não estuda -> planos de apoio -> depois falta às aulas -> prova de recuperação -> depois chega ao fim do ano e lembra-se que há exames -> explicações -> eventualmente chumba -> não faz mal, faz o 12º ano num instantâneo das Novas Oportunidades.

Estes miúdos crescem convencidos que há sempre uma segunda oportunidade. E, de facto, enquanto andarem na escola assim parece. Até que chega a hora de ganhar uns tostões e aí a porca torce o rabo. Ou não, afinal sempre há o rendimento mínimo garantido (assim o baptizou Guterres!) e mais umas benesses do estado papá.

Por fim, também o inevitável sr. Almeida, Pai do País, lá emitiu o julgamento MEzinho-correcto:
Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) também aponta o dedo ao sistema de ensino. "A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente". Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica.
Como, importa-se de repetir? Procurassem os pais saber o que fazem os filhos durante 12 anos de escola e certamente que não precisariam de pagar explicações!


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Sócrates perde eleições europeias 2009

Sócrates perde eleições europeias 2009

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Adenda: Os bombeiros do PS preparam-se para apagar o fogo.


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Cavaco chumba lei de financiamento partidário

Cavaco chumba financiamento partidário

a notícia e a AR lá se autofagiou

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«Tudo muito fraquinho»

Miguel Esteves Cardoso, Público, 9.Junho.2008
Tudo muito fraquinho
Para interpretar os resultados eleitorais sem ter de sair do bar, basta olhar para as garrafas à sua frente e aplicar a tabela dos bêbados. É só converter as percentagens dos partidos em graduações alcoólicas.
Só com 40 graus é que há motivo para festa, entrando-se no estonteante mundo dos destilados. 43 ainda é mais excitante, alcançando os whiskies mais sérios e os gins mais puxadotes. Como se vê, também são estes os números das vitórias retumbantes e das maiorias absolutas.
Entre 35 e 37,5 encontram-se as mais pindéricas vodkas e os mais rascas gins e runs, diluídos com mão pesada, porque a água é mais barata e mais saborosa do que o álcool. Mas, pronto, ainda se podem aproveitar para coquetéis manhosos, disfarçando o gosto com sumos de frutas.
Pois o PSD nem isso teve. Teve 32 graus. Esqueçam as bebidas de adultos. Quando muito, é um licor de peppermint ou uma daquelas vodkas horríveis com sabor a fruta, concebidas para ajudar os adolescentes a fazer a transição dos rebuçados para o álcool. Quanto ao PS, teve 27 graus - é um pobre Pimm's, sem contar com a gasosa. Na melhor das hipóteses, é uma ginjinha caseira.
Já o BE passou de mera cerveja a vinho de mesa, com uns belos 11 graus. A CDU foi sempre vinho mas lá subiu de grau. E o CDS, que se dizia destinado a cerveja light, acabou como vinho verde de pipa, com 8,5 graus.
Enfim. Foram só aperitivos, licores e vinhos leves. Nada de whiskies ou aguardentes depois desta refeição mal regada.


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Delírio hipócrita

Vital Moreira, Público, 9.Junho.2009
Não há volta a dar-lhe. As eleições europeias foram mais uma vez disputadas num registo nacional, como julgamento político do Governo em funções. Como partido do Governo, o PS perdeu e as oposições ganharam. Não é provável que as posições dos partidos quanto à Europa e às políticas europeias tenham influenciado a decisão de voto de muitos eleitores.
Estas foram eleições europeias com a Europa ausente. Não que não tivesse havido por parte de algumas candidaturas - incluindo, à cabeça, a do PS - um esforço honesto de colocar na agenda da campanha eleitoral a crescente importância da UE, o relevo destas eleições europeias em especial (desde logo, por causa dos poderes acrescidos que o Tratado de Lisboa confere ao Parlamento Europeu), bem como ideias e propostas para as principais políticas europeias, desde a política económica à política de defesa. De nada valeu, porém. Desses esforços só algum eco chegava aos eleitores, e quase sempre de forma distorcida (como sucedeu com a questão do chamado "imposto europeu"), por efeito da filtragem de uma comunicação social mais interessada sobretudo nos assuntos domésticos ou na especulação política do que nos temas europeus.

Mas em que mundo viste este homem? Então andou durante uma semana a bramar por causa da agressão do 1º de Maio e outra semana a falar da roubalheira do BPN. Quer fazer-nos crer que não sabia que eram estes os assuntos que a comunicação social focaria? Quer tomar-nos por ingénuos procurando convencer-nos que não escolheu premeditadamente estes temas para que fossem sublinhados pela comunicação social? É por hipocrisias destas que eu gradualmente vejo a minha crença nos políticos diluir-se com o passar dos anos. É possível que o mesmo se passe com aqueles que optam por não ir votar, mostrando a sua indiferença por esses que "são todos iguais".


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Galeria actualizada

Nove novas entradas. Destaque especial para o fórum de bricolage, com muita informação.


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Falta de objectividade da Lusa

Esta infografia está no site do DN e é da autoria da Lusa. Diz que PSD ganhou as eleições com uma "ligeira vantagem". Sendo isto um conteúdo informativo, porque optou a Lusa por uma terminologia subjectiva ("ligeira vantagem") em vez de o fazer objectivamente? Poderia dizer que o PSD ganhou com uma vantagem de 5.1%. Não o fez, pelo tenho que fazer uma leitura igualmente subjectiva: a Lusa está a fazer um jeito ao PS. É uma conclusão tendendiosa? Pois. Uma agencia noticiosa ignorar a objectividade também o é. Já agora: o DN também podia ter optado por não publicar este conteúdo. Deu-lhe crédito publicando-o. Logo, "herda" o presente reparo.


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Europeias 2009: os resultados



Tabela adaptada a partir da que está publicada no Margens de erro

De uma forma geral, nestas eleições, perdeu o PS e a maioria das empresas de sondagens. Uma diferença de 10 pontos percentuais (Eurosondagem) é obra.


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Europeias 2009: as previsões das televisões







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Choque tecnológico



Site da CNE em baixo num dos dias mais necessários para que funcionasse.


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Quem quer ser Eurodeputado milionário

Passa um minuto das 20 horas. Aqui fica o valor dos jackpots para aqueles que acabou de eleger.




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Miss Wormwood

Miss Wormwood

Do livro "The Calvin & Hobes Tenth Anniversary Book", por Bill Watterson. Para quem goste banda desenhada e de Calvin&Hobes em particular, este livro é um must. Apresenta as personagens, explica a dinâmica das histórias e entra por assuntos mais pragmáticos como as questões de licenciamento.


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Ufa, dia de descanso


Corrigido o erro do título. Obrigado pelo reparo ACS.


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Sondagens europeias 2009 e capas dos jornais de 5 de Junho








sondagens anteriores: publicadas aqui.


Capas (e sondagens, quando existentes) de alguns jornais de sexta-feira, 5 de Junho de 2009, véspera do dia de reflexão (!!!), antevéspera do dia de eleições europeias 2009.

Possivelmente, ganhará a abstenção. Ah e tal, os portugueses não têm sentido cívico e coisa e tal e preferem ir de férias e o melhor é o voto obrigatório.

Primeiro: durante quatro anos não se fala do que se faz no parlamento europeu e nem a campanha eleitoral alterou este cenário.

Segundo: voto obrigatório para quê? Para os políticos não serem incomodados com chavões tipo "vocês estão numa redoma de cristal" e "os eleitores não vos têm consideração"?

Domingo todos vão cantar vitória. Até os eleitores para quem um terço do assédio está passado. Vai ser giro voltar a este post e comparar as capas dos jornais de hoje com os resultados das eleições.



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Dr. Strangelove Almeida

dr strangelove almeida

Confap quer lançar TV online para pais no próximo ano lectivo

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Vital perde em casa



No SOL, uma notícia irrelevante*:
Segundo a acta da Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.

A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.

Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.

Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.

*mas que me deu para uma risota. Afinal, o moralista que bate nos profs é como os outros.


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Eleições europeias 2009: o meu cartaz

Cartaz eleições europeias 2009

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O que penso dos diversos partidos com assento parlamentar (PS, PSD, BE, PCP, PEV, CDS) já o escrevi em 2007. Dos novos conheço pouco. Quando Outubro chegar devo ter alguma opinião. E agora, como votar? Estes 6 grandes não me inspiram confiança, já que todos têm a suas histórias. Dos pequenos, mesmo pouco sabendo, sei o suficiente para fugir a sete pés de uns quantos. Adivinho um sábado de muitas leituras para me decidir.


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Sondagens eleições europeias 2009





Resultados de 10 sondagens e gráfico evolutivo com as flutuações nas intenções de voto ao longo dessas 10 sondagens. Sondagens publicadas entre 19 de Abril e 03 de Junho.

Fonte: dossier eleições 2009 do Público

Adenda: sondagens de 5 de Junho publicadas aqui.


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Boletim de voto europeias 2009

São 12 partidos e uma coligação que se apresentam às eleições europeias:
  • Bloco de Esquerda (B.E.)
  • CDU - Coligação Democrática Unitária PCP-PEV
  • Partido Social Democrata (PPD/PSD)
  • Partido da Terra (MPT)
  • Partido Popular Monárquico (PPM)
  • Movimento Esperança Portugal (MEP)
  • Partido Socialista (PS)
  • Partido Popular (CDS/PP)
  • Partido Nacional Renovador (P.N.R.)
  • Movimento Mérito e Sociedade (MMS)
  • Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCPT/MRPP)
  • Partido Operário de Unidade Socialista (POUS)
  • Partido Humanista (P.H.)


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Então não era o banco do PSD?

«Queria que integrassem os órgãos sociais do Efisa
Mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa revela critério de recrutamento de figuras socialistas
04.06.2009 - 07h28
Por Cristina Ferreira
Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.»

Com esta me baralharam. Depois de ouvir o senhor Moreira falar na roubalheira e pedir ao PSD que se demarcasse, não é que destacados socialistas também por lá andaram? Bom, como o homem transpira coerência, logo à noite já vai pedir ao PS que se demarque desta roubalheira.

Agora, uma pergunta de algibeira. Porque decidiu o governo nacionalizar o BPN do dia para a noite, sem saber em que é que se estava a meter?


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O natural passo seguinte

Número dos que podem votar não bate certo com os recenseados
04.06.2009 - 08h22 Sofia Branco
Quase um milhão de pessoas separa o número de cidadãos maiores de 18 anos e, portanto, com capacidade para votar, e o número de recenseados. O primeiro, fixado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), é de 8.642.681, enquanto o segundo sobe para 9.562.141. Os especialistas ouvidos pelo PÚBLICO dividem-se nas explicações para este hiato.

Depois da corrupção, confusões eleitorais é o natural passo seguinte.


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Bing



Bing, o novo (outro!) motor de busca da M$ e pela precisão demonstrada em encontrar a página do seu concorrente sou levando a pensar que ainda não será o último.


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«É preciso ser pobre»

Miguel Gaspar no Público, edição impressa, 04-06-2009
«É preciso ser pobre
Esqueçam Bruxelas. Esqueçam as legislativas. Esqueçam tudo.Esqueçam Bruxelas. Esqueçam as legislativas. Esqueçam tudo. Esta campanha eleitoral não é sobre nada do que se tem vindo a dizer. Nem sobre a Europa nem sobre o país. Esta campanha é sobre ser-se pobre. Provavelmente é o que conta para se ser gente quando o país entra em estado de crise. As minhas suspeitas, ainda frescas, começaram ontem à tarde, quando lia a reportagem do PÚBLICO sobre os meios de campanha dos cinco partidos parlamentares. A coisa dá cinco a zero, cabazada mesmo e a favor do partido no poder. Ele é o autocarro catita, com as caras dos eurodeputados, o palco especial exclusivo para o chefe, a redacção ambulante para os jornalistas. O resto? Uns carritos, nada de autocarros para militantes, e até na carne assada se poupa. Ricos e pobres, estão a ver? A coisa funciona assim. Aparece o candidato socialista, todo fresquinho e bem-disposto e ao lado passam os candidatos da oposição, suados por não terem ar condicionado, com a barriga a dar horas e nem um aventalzito que se veja para oferecer aos eleitores e eleitoras. Moral da história? O cidadão em crise compra o partido pobrezinho e foge do partido remediado. E desde o primeiro debate com os cinco cabeças de lista dos principais partidos no Prós e Contras que essa ideia era clara. Vital Moreira, o candidato socialista, aparecia satisfeito perante eleitores descontentes, puxando a glória à obra certeira do Governo sem entender que os receios na cabeça dos eleitores dispensam o auto-elogio de quem desiludiu - ou não tem no mínimo resposta para oferecer a uma crise planetária e não o reconhece. Candidato pobrezito, portanto, é candidato garantido, campanha poupadinha, a tostão, é campanha para ganhar. E como ainda por cima o que está a dar é a caça aos ricaços do BPN - e Vital, fustigando o PSD com a "roubalheira" do PSD, tentava no fundo afastar de si esse anátema, mais contagioso que a gripe mexicana, que passou a ser A (H1N1) para não ser uma gripe dos pobrezinhos, que é o anátema de não ser pobre.

No entanto, foi só quando o Presidente da República emergiu nos telejornais da noite para relatar como as suas poupanças andam desaparecidas e levaram sumiço num qualquer buraco negro, que percebi tudo. Podemos abraçá-lo, consolar o senhor Presidente da República? Dizer-lhe "obrigado" por ser pobre, tão pobre como nós, que queremos ser pobres e votar em pobres? Por revelar que não tinha o dinheiro nem no colchão, nem no estrangeiro.
Desculpem-me, mas eu cá há coisas em que sou um bocadinho conservador. Não estou sozinho. Revelou o Expresso, no sábado, que Cavaco Silva tinha dinheiros, uns 140 mil euros, na Sociedade Lusa de Negócios. Não consta que o Presidente tenha acumulado fortuna dentro ou fora da política ou que seja crime ter dinheiro nessa sociedade. Nenhum partido político entendeu dar valor à coisa. A questão do BPN não é a de ser o banco do PSD, como deselegantemente sugeriu o PS. A questão é o BPN ser o símbolo do tipo de sociedade que saiu do cavaquismo, do equívoco que foi o modelo de desenvolvimento cavaquista e ter despertado a memória desse período histórico que o tempo tinha tornado incompleta. É uma questão política. E não se pode dizer que o PS seja alheio a esse modelo em que a sociedade portuguesa cristalizou, em que a promiscuidade entre o poder político e o poder económico passou a ser mais do que tolerada e o combate à corrupção relegado para o terreiro das coisas incómodas.
Posto isto, o Presidente não precisava de falar. Não está sob suspeita. E hoje, como quando toda esta história começou há meses, criou uma ligação involuntária a esta história, quando tentava desligar-se dela.»


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O candidato roubalheira

La se arranjou uma sondagem a dar vitória ao PSD. Tenho a certeza que também se arranjará outra a dar vitória ao PS. Terá a onda "candidato roubalheira" contribuído para isso? Duvido. Os portugueses gostam de sangue na campanha. Mas a bem da memória, há que recordar que Vital Moreira começou por anunciar que viria elevar o o nível da campanha e que abordaria apenas temas europeus. Ainda a campanha eleitoral dura e já ele não cumpre a promessa. Agora a tese é que o PSD tem que se demarcar da roubalheira do BPN. A justiça ainda não deu veredicto algum quanto a este caso mas há um outro em que já houve condenados: o PS já se demarcou de Fátima Felgueiras? O PS de Sócrates chegou a isto. Ganhar mesmo que demolindo tudo pelo caminho.

Nota: há quem diga "votar neste PS nunca". Como se houvesse outro PS. As pessoas que agora estão no PS têm a hipótese de se demarcar mas ao não o fazerem aceitam a situação. Este PS ou outro que venha não tem diferença. Aqueles que agora são cúmplices serão os mesmos que no futuro o dirigirão.


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O estado

O estado, só por si, não existe. Sem as pessoas que num determinado momento o controlam, o estado não tem existência. Num mundo ideal, essas pessoas servi-lo-iam mas a realidade (recente e de longa data) mostra que as pessoas dele se servem para os seus projectos de poder e de riqueza. Por esta razão, todas as implementações do socialismo teórico acabaram por falhar.

É como a Lei de Murphy, se existe a possibilidade de alguém fazer porcaria, alguém a fará. Logo, pragmaticamente, quanto menos estado menos porcarias serão feitas. Vejamos o caso do BPN. Se o estado não tivesse o controlo que tem no sector bancário, nunca teria nacionalizado este buraco. Vejamos o caso Qimonda. Se o estado se abstivesse do papel intervencionista na economia não tínhamos estoirado tanto dinheiro em subsídios.

Na minha actividade profissional sinto o estado diariamente e raramente é no sentido positivo. É mais porque concorremos a um projecto mas o caderno de encargos estava feito para outro ganhar. É porque em vez de um concurso houve um ajuste directo. É porque nos esforçamos para ser competitivos mas o estado decide dar a outro certo negócio chorudo.

Sob o pretexto de distribuir a riqueza por todos, o estado encarrega-se de primeiro a recolher. Mas é chegado o momento dessa distribuição que as coisas entram no campo do interesse pessoal. Os políticos têm interesse em ganhar eleições. As empresas têm interesse em ganhar negócios do estado. As empresas estão dispostas a dar dinheiro a quem lhes dê negócios. Os políticos estão dispostos a aceitar dinheiro para ganhar eleições. Portanto a distribuição da riqueza acaba por ser uma falácia onde o dinheiro segue trilhos diferentes do pressuposto inicial.

Na defesa do suposto bem comum, o grupo de pessoas que toma conta do estado têm um poder desmesurado. Poderão ser sensatas e usá-lo bem mas também o poderão usar em seu próprio benefício. A marca mais forte do governo Sócrates foi aumentar o poder do estado. Mais subsídios (controle da economia), mais nomeações (todos os novos cargos de director das escolas, o que politiza a educação), mais entidades reguladoras (com cargos de nomeação), mais entrega directa de negócios (projectos PIN, ajustes directos) e recusa em que se vote um tratado que nos afectará (Tratado de Lisboa). Ao aumentar o poder do estado, Sócrates é agora um homem mais poderoso. Somos nós mais livres?

A melhor forma de as pessoas individualmente se protegerem do livre arbítrio do estado é pela escolha de soluções que signifiquem menos estado. Menos estado acabará por tornar as pessoas mais independentes (têm que resolver os seus problemas, em vez de esperar que um estado-papá o faça), mais responsáveis (os seus erros não poderão ser descartados para "eles"), e mais livres (não estarão dependentes de um estado que controla todas as suas actividades).

Pense nisto quando for votar.


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Delegados comerciais

Emirados Árabes Unidos «muito interessados no Magalhães»
03.06.2009
Fonte: Lusa
O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse, à partida para uma visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, que o Governo de Abu Dhabi está «muito interessado» no computador Magalhães e no quadro electrónico.


Então mas não foi dito e redito que não existe relação entre o governo e a JP Sá Couto? Porque diabos continua o governo a agir como delegados comerciais?


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Campanha negra, powered by BBC



BBC afirma que Governo Sócrates cortou pensões e aumentou idade de reforma
Segundo a BBC, o governo de Sócrates - empossado em 2005 depois de conseguir a primeira maioria absoluta para os socialistas - “traçou a sua pioridade em reanimar a economia – que se encontrava há anos quase na cauda das tabelas europeias – e travar o crescimento do desemprego”.
“Desde então, o seu Governo conseguiu reduzir profundamente as despesas públicas, através da redução de pensões, o aumento da idade de reforma e do corte de benefícios dos funcionários públicos, numa tentativa para diminuir um dos mais elevados défices orçamentais da Europa”.
Faltou ainda a BBC falar do aumento de impostos, da diminuição de serviços prestados pelo estado (pelo respectivo fecho) e do congelamento das carreiras.


ADENDA



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Arrumado de Lisboa

Quando foi do Porreiro Pá lisboeta que ia ser tratado, muito se falou na altura. A memória é curta, pelo que mais vale recordar. Foi afirmado que era um tratado complexo mas que havia de ser explicado. Aliás, até se falou em campanhas de esclarecimento.

Ora, dizem que estamos em campanha para as europeias. Já algum dos candidatos falou do Tratado de Lisboa?

Então mas o senhor Vital não começou por dizer que ia elevar o nível da discussão e abordar apenas temas europeus? Ó senhor Moreira, já que até tem um blog, não quer dizer como é que olha para o Pacote Telco? É que isso das peixeiradas do BPN e das mordaças e tal talvez lhe fique bem mas eu cá preferia mesmo era saber o que tem a dizer sobre o trabalho que vai realizar nos próximos quatro anos. E que história é essa do imposto europeu? Já não lhe basta eu trabalhar até Maio para pagar impostos?

Quanto aos outros candidatos, outros comentários me ocorrem. Mas este em particular veio logo de início com a conversa de temas europeias para agora acabar num registo subterrâneo que nada tem a ver com aquilo a que havia proposto. Quando já não cumpre e ainda está em campanha eleitoral, depois de eleito então esqueçam lá isso. Mas nem tudo é mau. Assinale-se-lhe ao menos a coêrencia socialista de não cumprir.


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Solar para todos os primeiros 61 mil

Esta imagem é um anúncio de página inteira na edição do Expresso do dia 30 de Maio de 2009. Não é novidade, pois esta campanha, que não é negra, apesar de obscura como veremos, tem estado em força pelas ruas em muppies e suponho que andará por outros meios de comunicação social também.

Duas coisas me ocorreram. Em primeiro lugar que é novamente dinheiro dos meus impostos gasto para propaganda eleitoral do PS acções de comunicação do governo. A segunda foi que quem ousasse pronunciar o meu primeiro argumento logo ouviria coisas como "é preciso divulgar as boas iniciativas para que estas atinjam o maior público possível".

Foi por isso com espanto que descubro mais uma acção governativa com letras miudinhas. No site criado para o efeito está lá textualmente:

2. Até quando poderei comprar um sistema solar térmico com as condições anunciadas pelo Ministério da Economia e da Inovação?
Poderá comprar um sistema solar térmico com as condições referidas até 31 de Dezembro de 2009, ou até se esgotar o plafond da comparticipação prevista pelo Estado, num total de 100 Milhões de Euros.

No mesmo site também nos é dito que o estado tem uma «comparticipação imediata do Estado no valor fixo de € 1.641,70».

(100 Milhões de Euros) / € 1.641,70 = 61 mil instalações subsidiadas (cerca de)

Tanta merda de propaganda para afinal comparticipar uns míseros 61 mil lares. E mais, quanto custou toda esta campanha obscura espalhada pela comunicação social e espaços publicitários?

Lembre-se disto quando for votar.

Outras mentiras (comparando a propaganda com a letra da lei):
  • Falam de «benefícios fiscais de 30% do custo do investimento em sede de IRS com máximo de €796». Acontece que «são dedutíveis à colecta (...) Este benefício é cumulativo com outros benefícios que o cliente tenha (ex. crédito habitação)». Logo, que estiver a pagar a casa a crédito não terá uma unha de benefício fiscal, pois a prestação da casa esgotará o plafond deste item.

  • É anunciada a «possibilidade de pronto pagamento» mas as únicas linhas escritas quanto à forma de pagamento são sobre a forma de obter crédito bancário. Como estes contratos são feitos com os bancos, estou curioso para ver até que ponto posso efectivamente pagar a pronto (na próxima semana falaremos).


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Google Search: será que quis dizer...

Google Search: será que quis dizer...

As 6 imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6

Pesquisáveis com os termos a negrito no Google imagens


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