a política na vertente de cartaz de campanha

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Gráfico: PIB 2006-2009





Como se pode confirmar no presente gráfico, as previsões do PIB feitas pelo Banco de Portugal (BdP) têm sido marcadas por um rotundo falhanço.

Hoje o BdP reafirmou a sua anterior previsão de uma contracção de 3.5% do PIB em 2009, quando a CE e a OCDE apresentam valores mais negativos e prevê que para 2010 o PIB se contraia em 0.6%. Acertará desta vez o BdP? Olhando para o histórico, a resposta é naturalmente não. Note-se que em Janeiro, o BdP tinha previsto um crescimento positivo para 2010 de 0.3%! E que no 4º trismestre de 2008, já em plena crise, se bem que não assumida pelo governo, o BdP tinha previsto para 2009 um crescimento positivo de 2.3%. Enfim, uma parelha imbatível: puro delírio e incapacidade de prever.

Neste contexto, para que servem então estas "previsões", excepto para coadjuvar a acção política do governo e do PS?

Mas há mais. Conforme salienta o Público, «a recuperação da economia portuguesa após a recessão tem de "implicar o reinício do processo de consolidação orçamental através de uma estratégia clara que promova a criação de um quadro macroeconómico orientado para a estabilidade e crescimento"». Ora isto são más notícias, já que a última consolidação orçamental com que fomos brindados e que tanto tem sido propagandeada por Sócrates foi feita à conta do aumento de impostos. Vão, portanto, preparando os bolsos.


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Fotos: uma escolha

Semana das fotos - parte 3 /5 (ver todas)

Hoje apresento algumas fotos que tenho feito e de que gosto. Ao selecciona-las deparei-me com aquilo que já suspeitava: ter muitas fotos é como não ter nenhuma. Lembro-me de algumas que ficaram boas em termos técnicos e com interesse fotográfico mas onde estão? Perdidas entre pastas, misturadas no meio de bits e pixeis, essas fotografias ganham pó de electrões até que se tornam invisíveis. Ficam aqui 10. Podiam ser outras e essa é a melhor razão para serem estas. Os títulos são:
  1. Depois do fogo, o pinhal queimado no lugar de Louriçal
  2. Única entre iguais
  3. Vida no campo
  4. Marcha da indignação
  5. Geada
  6. Ler o jornal
  7. Pardal no Buchstein (Baviera) a 1698m
  8. Marcha da indignação
  9. Pastagem no Buchstein (Baviera) a 1698m
  10. Manif 15 Nov. 2008
Uma palavra às pessoas nas fotos 4 e 10: se por aqui passarem e não concordarem com a publicação destas fotos, por favor contacte-me.


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Tremores estatísticos

Valter de Lemos apanhou a gripe suína. Anda com tremores.


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Más notícias para os ninjas da ASAE

Tinha imensas esperanças depositadas na acção da ASAE. Agora o tribunal da relação diz que os ninjas da ASAE têm atribuições ilegais, fico preocupado. Esperamos que o Tribunal Constitucional esteja à altura e deixe passar o decreto-lei. Se não, como vamos alguma vez reciclar políticos fora da validade?


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Fotos: sites de informação

Semana das fotos - parte 2 /5 (ver todas)

O post de hoje é uma compilação de links relacionados com fotografia. Alguns conheço-os há anos e têm-me prestado valiosos serviços informativos, entre outros. Aqui ficam.


http://dpreview.com

O site dpreview (digital photography review) é simplesmente o melhor site com testes comparativos e análises de máquinas fotográficas que conheço. São testes realmente isentos, rigorosos e extensos. Uso-o há cerca de 7 anos para decidir as minhas compras fotográficas. Também têm testes a lentes mas neste aspecto prefiro o seguinte.



http://www.kenrockwell.com

Ken Rockwell mantem uma página pessoal com excelentes reviews de lentes da Nikon e da Canon. Já que estamos neste site, os tuturials e a galeria de fotos também merecem umas boas olhadelas.



http://digital-photography-school.com/tips

Digital Photography School é um site mantido por Darren Rowse com dicas simples, como o próprio diz, para ajudar os proprietários de câmaras digitais a tirarem delas o máximo proveito. A selecção de 20 fantásticas manipulações feitas com Photoshop já só por si valem a visita. Mas não é tudo. As secções das dicas de composição, como fotografar determinadas temáticas e câmaras e equipamentos são deveras interessantes.




http://olhares.aeiou.pt

Bom, já passei pelos equipamentos e pela técnica, vamos agora ao alojamento de fotos. Na minha opinião, o Flickr é o melhor técnica e funcionalmente. Peca por, na versão free, apenas permitir 200 fotos. É certo que o Picasa não tem esta limitação mas a funcionalidade é bem inferior. Ao nível nacional, o Olhares merece uma menção por razões várias e ser um site português não é seguramente a mais marcante. É um local de fotógrafos de elevado nível; as fotografias estão catalogadas por temas; e bom, então, ok cá vai, tem uma boa secção de nús :-)


Muitos mais sites aqui caberiam. Contrariamente aos jornais, aqui não dá para puxar do argumento do espaço limitado mas outro serve: a paciência deste escriba é limitada :-) Assim, ficamos por aqui.

Já agora, conhece um site relacionado com fotografia que merece destaque? Deixe um comentário com o link. Aqui a gerência agradece.


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Remodelação na TSF muda editora de política

Ler no 31 da Armada e ficar de boca aberta: Quem se mete com o Zezito leva.

O Público também aborda a questão:
Teresa Dias Mendes, que deixará de fazer política na TSF, foi protagonista de um episódio durante a última campanha para as eleições europeias, em que o conteúdo de uma peça assinada pela jornalista não agradou ao primeiro-ministro. A peça aludia a referências, embora indirectas, de José Sócrates ao sindicalista Mário Nogueira, com o primeiro-ministro a sugerir que o dirigente da Fenprof estaria a ser manipulado politicamente.

O episódio levou a uma intervenção do gabinete de José Sócrates junto da direcção da TSF e a uma troca de palavras entre a jornalista e o próprio Sócrates num jantar de campanha em Viseu, uma semana antes das eleições. Segundo Paulo Baldaia, que frisa que as alterações partiram todas de “decisões da direcção”, nenhuma das mudanças terá efeito imediato: “Serão alterações para a nova grelha, só para Outubro.”


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Fotos: Tejo

Semana das fotos - parte 1 /5 (ver todas)


O tema desta semana é a fotografia. Colocarei algumas minhas, outras que gosto e abordarei alguns truques que fui aprendendo. Também escreverei um pouco sobre o Photoshop.

O primeiro post da série é sobre uma sessão de foto que fiz recentemente à beira Tejo. Nada de especial, apenas experiências para testar o uso de um monopé que recentemente comprei.

Mas há um detalhe que justifica a publicação: os novos bancos que António Costa está a instalar ao longo da margem do Tejo (ver fotos mais a baixo). E o que têm de especial? Bom, em primeiro lugar são muitos, depois não havia lá nenhuns e, por fim, são modernos. Boas notícias, então? Nim. Se os bancos durarem até às eleições é uma sorte. Então não que são feitos de alumínio e têm uns pés ridiculamente finos e agarrados à base do banco por uns meros parafusos? Basta abanar um destes bancos para logo se ver que aquilo não é robusto. Mas lá está, não se pode ter tudo. Ou são modernos ou são resistentes. Será que teria mesmo de ser assim? Há cada forma de estoirar dinheiro dos impostos.

Mas passemos à sessão de fotos



Aqui eram 7 da tarde, muito sol e um rio inteiro para desfrutar. Bom, quase todo. Lá ao fundo vê-se a muralha de contentores.





Aqui é onde o rio mais fervilha de peixe, tainhas no caso. Há quem as pesque, o que acho incrível pois elas estão ali à lambugem de um dos esgotos que vazam directamente para o rio!





Por esta hora já o sol descia, tornando a luz mais suave. Chegámos ao momento da luz dourada. Acontece duas vezes por dia, ao amanhecer e ao anoitecer. É óptimo para fazer uma dessas famosas fotos de postal, com as cores a ganharem um mágico tom dourado.





Continuando a caminhada, cheguei ao Museu da Electricidade. Aqui usei um filtro polarizador para carregar mais uma parte do céu, ajudando ao ar sinistro que esta perspectiva já dava à foto.





Em frente a este edifício está um destes fantásticos bancos.





Repare-se no aspecto frágil.





Entretanto a noite foi caindo. Aqui o filtro polarizador carregou bem os azuis, dando um aspecto invulgar à paisagem.





Esta foto foi feita com 1 segundo de exposição, usando o monopé para que não tremesse. Não substitui um tripé mas já permite fotografar a velocidades que normalmente deixariam mais tremido do que varas verdes.





E por fim, noite escura e lua cheia.


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Ah saudade



De acordo com o a descrição que acompanha o vídeo, esta é a balada do 5º Ano Jurídico de 88/89 na sua primeira execução na Serenata Monumental de 1989, na Sé Velha de Coimbra.


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Os Novos Oportunizados não fazem manifs de 120 mil

João Miranda escreveu no Blasfémias um bom resumo do Programa Novas Oportunidades. Algo que eu poderia perfeitamente assinar por baixo.

Alguém lá num comentário trouxe à memória a formação profissional nos tempos de Cavaco. Além de sempre me espantar, acho fantástico que erros passados sejam evocados para desculpar erros presentes.Mas atenção, a memória não é curta pois há quem se recorde bem do caso da formação profissional com a socialista UGT.O facto é que aqueles tempos encheram bolsos de todos, da esquerda à direita, dos estudantes aos trabalhadores.

Quanto às Novas Oportunidades posso afirmar com conhecimento de causa que são um embuste, uma jogada para as estatísticas. Então faz-se um portfólio, recebem-se uns dossiers para estudar, fazem-se uns testes e, voilá, recebe-se um diploma e um brinde Magalhães?

Curiosamente, é nas Novas Oportunidades que os socialistas colocam uma aposta para o próximo programa eleitoral. É uma opção bem mais segura do que voltar a bater nos professores. Novos Oportunizados não fazem manifs de 120 mil e nunca se queixarão por causa de um canudo recebido sem suor. Queixar-se-ão, eventualmente, os prejudicados com isto, os que pagamos com impostos a bela estatística do Portugal Novo. Mas para esses existem as eleições.


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Manuel Pinho foi mesmo a Aljustrel dar um cheque da EDP



Estou curioso agora para ouvir os craques da propaganda PS justificarem esta. Também gostaria de saber o que tem Carlos Magno a dizer sobre o assunto, sobretudo depois de tanto elogiar o ministro trabalhador que andou de norte a sul a distribuir subsídios trabalhar.


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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (5/5)

Parte 5 de 5 (ver tudo): conclusões

Gráficos relacionados:



Este gráfico mostra o preço do brent e dos combustíveis, com e sem taxas. Permite uma comparação directa. Ver também o 1º gráfico desta série com os preços do brent e dos combustíveis convertidos para base 100.

Como se constata, não é fácil tirar conclusões pela análise do gráfico. Nos posts anteriores apresentei uma possível metodologia para obter conclusões numéricas (ver 2º post da série) mas ao meter as mãos à obra no excel concluí que era pouco prática. Delineei então a seguinte abordagem:

PsT GasóleoBrent% aumento brent
Preço teórico
(Preço real) - (preço teórico)
G1B1------
G2B2%B = B2/B1GT = %B * G1Saldo = G2 - GT
...............

Nesta tabela temos o preço do gasóleo antes de impostos (1ª coluna ) e o preço do brent (2ª coluna). Na 3ª coluna calcula-se a percentagem de variação da linha 1 para a linha 2. Na coluna 4 calcula-se em quanto ficaria o gasóleo se este aumentasse na mesma proporção do brent. E na coluna 5 calcula-se o saldo entre o preço real do gasóleo e o preço calculado teoricamente. Fiz um estudo semelhante para a gasolina.

Na 5ª coluna obtêm-se valores positivos e negativos, consoante o combustível aumente mais ou menos do que o preço teórico. Somando todos os valores da coluna 5 para um período de tempo fica-se a saber se, durante esse período, se se pagou demais ou de menos pelos combustíveis.

Os dados e o resultado dos cálculos estão disponíveis no Google Docs e as duas figuras seguintes mostram-nos graficamente (a escala vertical não se aplica ao brent, a linha amarela).






E, para terminar, as conclusões numéricas. Somando a variação do preço dos combustíveis entre 2005 e Junho 2009, obtêm-se os seguintes valores:
  1. Gasóleo: diferença entre o preço real e o teórico = -0.0731
  2. Gasolina: diferença entre o preço real e o teórico = -0.00354
Conclui-se que neste período de 3 anos e meio, a variação no preços dos combustíveis antes impostos seguiu, em termos médios, a variação do preço do brent. Isto é, os períodos em que se pagou demais e os períodos em que se pagou menos praticamente se anularam (daí os valores 1 e 2 praticamente nulos).

Esta conclusão contraria muito senso comum, inclusivamente o meu, pois há um sentimento de que o preço dos combustíveis não acompanha o preço do brent. No entanto, é preciso ter em conta que olhando apenas para períodos curtos não se têm a visão global. Vejam-se por exemplo os posts 3 e 4 desta série.

Antes de começar esta série pensei que o resultado fosse outro mas mantive a mente aberta para os resultados que viessem. Aliás, nos vários posts onde tenho abordado esta temática salvaguardei a possibilidade de apenas se poder estabelecer conclusões definitivas com um estudo em que se analisasse o histórico das variações.

Então, mas porque é que temos os combustíveis tão caros? Para responder a esta questão há que atender à elevada carga fiscal sobre os combustíveis, em que inclusivamente há impostos sobre impostos (o IVA incide sobre o ISP) - ver ISP e IVA entre 01.01.2004 e 29.02.2008. Aliás, basta olha para o 1º gráfico deste post para ver a diferença entre o preço dos combustíveis antes e depois de impostos.

Posto isto, faz sentido fazer campanha contra as gasolineiras? Do meu ponto de vista, consumidor, claro que sim. Basta ver que as marcas brancas vendem os combustíveis cerca de 10 cêntimos mais barato. Além disso, a pressão dos consumidores é a melhor forma de se evitar que as empresas dêem largas à sua avidez pelo lucro.


Adenda
Depois de ontem publicar as primeiras conclusões, resolvi debruçar-me mais um pouco sobre os números obtidos.



Esta tabela evidencia que em 2008 os combustíveis aumentaram muito a cima das correspondentes variações do brent, tendo a gasolina e o gasóleo em média ficado 16 e 32 cêntimos mais caros respectivamente. Se optarmos por uma lógica de saldo nulo, os combustíveis não deviam ter subido tanto para compensar as perdas anteriores. Em 2009 estamos a ver corrigidos os ganhos adicionais de 2008. Se então não tivéssemos feito a pressão que fizemos sobre as gasolineiras teria isto acontecido?

Por outro lado, é de notar que, no período 2005-2009, a gasolina acompanhou de perto as variações do preço do brent mas o gasóleo esteve, em média, 7 cêntimos mais barato do que estaria se tivesse acompanhado as variações do crude.

Finalmente, apesar de não me ter debruçado sobre esse aspecto, é importante não esquecer entre 60% a 70% do preço dos combustíveis são impostos. Isto explica porque temos combustíveis mais caros do que Espanha e mostra também qual o caminho a seguir para termos combustíveis mais baratos: combater o estado. Aliás, é bem possível que a estratégia do estado tenha sido exactamente desviar as atenções para as gasolineiras, evitando assim que os eleitores exigissem menos impostos nos combustíveis. Isso explica a idiota ideia da Taxa Robin dos Bosques e todo o aparato à volta da Autoridade da Concorrência (AdC) e os seus inconclusivos estudos. Como aqui se viu, a AdC não tinha margem para outras conclusões, o que novamente mostra que o alvo nesta questão do preço dos combustíveis tem que ser o estado e a sua avidez na cobrança de impostos.


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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 4/5

Parte 4 de 5 (ver tudo): variações do preço da gasolina em função do brent

Gráficos relacionados:



Tal como no anterior gráfico com as variações do preço do gasóleo em função do brent, este gráfico mostra a variação do preço do brent (linha amarela) e as diferenças semanais entre o preço do brent e o preço do gasóleo antes de impostos (linha azul claro).

Como no caso do gasóleo, se o preço da gasolina acompanhasse perfeitamente o preço do brent, a linha azul seria uma recta. Na realidade, a distancia entre as duas linhas varia, umas vezes aumentado, outras vezes diminuindo, como se pode ver no gráfico do primeiro texto desta série [ver Preços da gasolina, gasóleo e brent 2007-2009 (1/5) ].

Também nesta comparação, as variações oscilam entre dois patamares mas no período C, no início do último pico do preço do brent, vemos que a distância entre estas duas linhas diminuiu consideravelmente. Como o brent estava em subida, isto significa que o preço da gasolina aumentou a uma taxa superior ao aumento do preço do brent. Assim, no período C pagámos, garantidamente, mais do que devíamos pela gasolina.

O post seguinte apresenta estes dados sob a forma numérica para permitir conclusões mais objectivas.


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Pergunta do dia

Será que a Norton AntiVirus já tem a actualização para o vírus da gripe A?


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O desmoronamento da justiça - 3

Vai hoje a votação a lei sobre o cibercrime. O Público destaca a pena máxima para quem venha a ser condenado por produção e difusão de vírus informáticos (10 anos). Mas esse é o aspecto inócuo da lei. A parte preocupante consiste na novidade da polícia poder fazer buscas «sem prévia autorização da autoridade judiciária».

Sobre este assunto, republico o texto seguinte onde abordo esta questão.

O desmoronamento da justiça - 2
De acordo com a TSF, "uma fonte do Ministério da Justiça disse à TSF que vai continuar a ser necessária uma autorização judicial antes de serem feitas buscas a dados informáticos."

Bom, leis não é de todo a minha área profissional, apesar desta legislação entrar no que me diz respeito, a informática. Talvez por isso, a leitura da referida proposta de lei (ver a seguir) não foi complicada. Em todo o caso, posso afirma sem errar que a fonte do Ministério da Justiça não contou a história toda, como demonstrarei mais à frente.

Um leitor do DN, aparentando conhecimento substancial da AR e da respectiva lei, teve a amabilidade de indicar o link para a proposta de lei que o Governo pretende aprovar e que supostamente prevê a possibilidade das polícias fazerem "escutas" informáticas sem prévia autorização de juiz:

Proposta de Lei 289/X
Aprova a Lei do Cibercrime, transpondo para a ordem jurídica interna a Decisão-Quadro nº 2005/222/JAI do Conselho, de 24 de Fevereiro de 2005, relativa a ataques contra sistemas de informação, e adapta o Direito interno à Convenção sobre Cibercrime do Conselho da Europa



Alguns aspectos do preâmbulo previsto para a lei:
Importa assim superar o actual regime, de modo a fornecer ao sistema processual penal normas que permitam a obtenção de dados de tráfego e a realização de intercepções de comunicações em investigações de crimes praticados no ambiente virtual. É o que se pretende fazer por via da lei que agora se propõe.
É alterado o conceito de «sistema informático», que passa a ser mais abrangente, incluindo-se nele, por exemplo, dispositivos como os telemóveis
A propósito da competência jurisdicional, a Convenção prevê uma inovação face ao que já resulta dos artigos 4.º e 5.º do Código Penal, traduzida na obrigação de os Estados signatários se declararem competentes para prosseguirem criminalmente, independentemente do local da prática dos factos, os seus cidadãos nacionais, se a infracção for punível no local onde foi cometida ou não for da competência de nenhum Estado. Apesar de esta solução não estar anteriormente consagrada na lei portuguesa, já se prevê, para certos crimes a competência universal da lei portuguesa.
No âmbito das disposições processuais (...) foi introduzido o mecanismo da injunção (...)
Foram ouvidos a Procuradoria-Geral da República, o Conselho Superior de Magistratura e a Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Foi promovida a audição da Ordem dos Advogados.
Deve ser desencadeada a audição do Conselho Superior do Ministério Público.

O sumo da lei proposta está no Capítulo III. Em particular, o artigo 17, número 3, alínea a) diz:
3 - O órgão de polícia criminal pode proceder à pesquisa, sem prévia autorização da autoridade judiciária, quando:
a) A mesma for voluntariamente consentida por quem tiver a disponibilidade ou controlo desses dados, desde que o consentimento prestado fique, por qualquer forma, documentado;

O que significa isto? Imaginemos esta situação:
  • a polícia pede à PT que esta lhe ceda os dados de tráfego, ao abrigo da lei xxx, artigo 17, número 3, alínea a)
  • os dados a fornecer pela PT permitirão à polícia a identificação de alguém bem como detalhes de tráfego (conteúdo de mensagens, datas, horas, origem, destino, etc.)
  • a PT concorda colaborar voluntariamente e dá os dados
Neste contexto, sendo a PT quem tem a disponibilidade e controlo destes dados, pode consentir a sua consulta. Está tudo legal. A parte aborrecida nisto é que o cidadão zzz verá a sua privacidade violada sem que um juiz autorize a acção policial.


O artigo 21º aborda, entre outros aspectos, a protecção dos direitos de autor:
Artigo 21.º
Acções encobertas
1 - É admissível o recurso às acções encobertas previstas na Lei n.º 101/2001, de 25 de Agosto, nos termos aí previstos, no decurso de inquérito relativo aos seguintes crimes:
a) Os previstos na presente lei;
b) Os cometidos por meio de um sistema informático, quando lhes corresponda, em abstracto, pena de prisão de máximo superior a cinco anos ou, ainda que a pena seja inferior, e sendo dolosos, os crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual nos casos em que os ofendidos sejam menores ou incapazes, os crimes previstos nos artigos 218.º, 221.º e 240.º do Código Penal, bem como os crimes consagrados no Título IV do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.
2 - Sendo necessário o recurso a meios e dispositivos informáticos observam-se, naquilo que for aplicável, as regras previstas para a intercepção de comunicações.

Ligando este artigo com o anterior cenário da PT colaborar voluntariamente com a polícia para fornecer dados de tráfego, está criado o mecanismo que permitirá uma forma expedita de controlar os downloads de música e vídeo, sem necessidade de intervenção dos tribunais.

Nos últimos meses tem havido uma intensa actividade de lobby por parte da industria do audiovisual. Basta ver a quantidade de artigos que tem saído no DN e no Público e nas movimentações no Parlamento Europeu que quase levaram à aprovação do polémico pacote de telecomunicações. Faz-me pensar sobre as verdadeiras motivações desta lei aparecer neste momento concreto. Servirá ela para defender os interesses dos cidadãos ou da industria do audiovisual?


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projectosdiferidos

Humor muito bom:

Nacionalização do Hi5
http://www.youtube.com/watch?v=UX3TG6weF1U

Don Corleone
http://www.youtube.com/watch?v=e0LZ_Xeg6dc


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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (3/5)

Parte 3 de 5 (ver tudo): variações do preço do gasóleo em função do brent

Gráficos relacionados:



Este gráfico apresenta duas linhas:
1. a amarela mostra o preço do brent;
2. a verde mostra, para cada semana, a diferença entre o preço do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos).

Num mundo ideal a linha verde seria uma recta. O que vemos é que há semanas em que a distância entre a linha do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos) aumenta e noutras diminui.

De uma forma geral, estas variações oscilam entre dois patamares mas nos períodos A e B, em torno do último pico do preço do brent, vemos que a distância entre estas duas linhas aumentou consideravelmente. Ora no período A, o brent estava em subida. Se a distância entre as linhas aumentou é porque o gasóleo aumento a uma taxa inferior ao preço do brent. Por outro lado, no período B, estando o brent em queda e tendo aumentado a distância entre as duas linhas, então o gasóleo não baixou de preço com a mesma taxa do brent. Assim, no período B pagámos mais pelo gasóleo do que devíamos. Ficámos a ganhar ou a perder? Só depois da análise numérica poderemos saber.

A seguir virá um estudo semelhante para a gasolina. E depois deste virão as conclusões numéricas.


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Google Chrome OS

Pelo Ramiro Marques fiquei a par desta iniciativa da Google: Google vai lançar o Sistema Operativo chamado Google Chrome OS. Já há algum tempo que a Microsoft perdeu a liderança tecnológica a favor de empresas como a Google (lider no mercado de motores de busca e que lançou o inovador Chrome), a Nokia (que recentemente lançou o Qt 4.5 em licença LGPL), da Mozilla Foundation (editora do imparável Fireox, recentemente muito renovado na versão 3.5).

Sobre este assunto escrevi há tempos:

http://fliscorno.blogspot.com/2008/09/web-pc.html
«O Google Chrome não é apenas mais um browser. Constitui a entrada dum novo actor num momento de mudança de paradigma. Opções tecnológicas, descritas num anterior texto, como um site web corresponder a um processo, a existência duma framework para alargar as funcionalidades do browser e o suporte à comunidade de programadores indicam que o Chrome poderá vir a constituir uma nova plataforma aplicacional. Em vez de se desenvolverem aplicações para Windows, Mac ou Linux, desenvolvem-se para o Chrome . Não importa que máquina e que sistema operativo está o utilizador a usar. Basta que corra o Chrome e tenha ligação à net.

Com a computação distribuída que a web actualmente permite, as empresas de software deixam de ter que competir no terreno Microsoft. Por outro lado, os utilizadores deixam de estar agarrados ao sistema operativo e às suas aplicações específicas. Talvez fiquem agarrados ao browser ou à nova plataforma que o substitua. Mas, garantidamente, deixam de estar dependentes dum sistema e das suas aplicações.

Esta mudança é substancial, comparável à mudança do MS-DOS para Windows. O Wordperfect perdeu para o Microsoft Office. Veremos a repetição do dono da nova plataforma conseguir impor o seu pacote aplicacional como o standard de mercado? É um caso a seguir, até porque a concorrência não dorme.»


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Matar o mensageiro



Foi a comunicação social que meteu os miúdos a dizer isto? Ou foram os exames em causa realmente fáceis?

«A média dos alunos internos (os que frequentam as aulas todo o ano lectivo, que são a maioria) desceu de 14 para 11,7 e a percentagem de retenções mais do que duplicou (de sete para 15 por cento), o que, segundo a ministra, se deve à difusão, pela comunicação social, “da ideia de que os exames eram fáceis”.

Em conferência de imprensa, o secretário de Estado Valter Lemos alargou o leque de responsáveis, juntando a Sociedade Portuguesa de Matemática e “partidos e pessoas com responsabilidades políticas”. “É um desincentivo ao estudo e ao trabalho”, sublinhou.» no Público
Para mim há apenas dois aspectos a esclarecer:
1. acham mesmo estas pessoas do ME que alguém vai comer esta treta?
2. vai alguém de facto acreditar nisto?

Mas não há problema. Uma passagem pelas Novas Oportunidades e fica feito o que não se fez durante o ano. Depois são os "outros" que dão a ideia de facilitismo.

Já agora, uma vez que aposto que o assunto voltará à baila, é bom não esquecer quem é que faz os exames e os respectivos critérios de correcção.


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Campanha dos panéis solares para 1.83% da população: quanto custa?

Enviei o mail seguinte (originais: ver as imagens) para o Ministério da Economia e para o Ministério das Finanças:
from: fliscorno <fliscorno@gmail.com>
to: gmei@mei.gov.pt, gab.mf@mf.gov.pt
date: Thu, Jun 18, 2009 at 2:41 PM
subject: Pedido de informação

Exmos. Senhores,
tenho procurado sem sucesso, venho pelo presente solicitar que me seja disponibilizado o valor do investimento na campanha de promoção "Painéis Solares" (http://www.paineissolares.gov.pt) a decorrer na rádio, televisão, jornais e outdoors, especificamente no que se refere a custos de produção, compra de espaço publicitário e todas as restantes despesas associadas.

Certo do vosso empenho no que respeita a transparência na administração pública, enfatizado pelo Governo de Portugal e seguro da rapidez incutida pela simplificação dos actos administrativos, fico a aguardar o vosso esclarecimento.
Cumprimentos,
Jorge do Fliscorno
Estes dois ministérios são os promotores da campanha de marketing que tem aparecido em todos os meios de comunicação social e também em elevado número de outdoors (na altura da campanha para as europeias até faziam concorrência aos outdoors do PS).

Independentemente de se concordar ou não com a iniciativa, o facto é que esta apenas abrangerá no máximo 61 mil lares, o que corresponde a 1.83% da população portuguesa (considerando uma média de 3 pessoas por lar). O que me leva a duas considerações:
1. justifica isto que se tenha classificado o trabalho do ex-ministro da economia no âmbito da energia solar como excelente?
2. atendendo à população potencialmente abrangida pela iniciativa, justifica-se tamanho investimento em marketing?

A resposta ao ponto 1 para mim é clara e é não, pois algo com impacto apenas em 1.83% da população não pode ter grande impacto no país. Já quanto ao ponto dois não consigo responder pois não sei quanto dinheiro foi gasto/está a ser gasto, daí ter perguntado a quem de direito. Posso imaginar que tenha sido imenso, já que os meios publicitários envolvidos não são baratos. Mas sendo português e tendo direito a ser informado sobre que destino dá o Estado aos nossos impostos, achei por bem perguntar.

É certo que este é apenas um caso onde o Estado gasta dinheiro em marketing. Desde as autarquias às diversas empresas públicas/municipais, passando por ministérios, delegações regionais, etc., etc., todo o Estado parece funcionar como um enorme consumidor de serviços de marketing. E o facto é que ninguém (leia-se comunicação social) parece perguntar esta coisa simples sobre quanto gasta o Estado nisto. Por isso pergunto eu, português, cidadão maior, vacinado e pagador de impostos.

Se o Estado se acha no direito de vasculhar toda a minha existência financeira para me cobrar impostos, eu acho-me no mesmo direito de o fazer com o Estado. Se eu tenho obrigação de responder, também o Estado deve ter obrigação de responder. Até ao momento, quase três semanas passadas, ainda não obtive resposta alguma. Como escrevi, quero continuar a acreditar no empenho para a transparência na administração pública e na simplificação dos actos administrativos, medidas tão enfatizadas por este governo. Por isso, continuarei a aguardar uma resposta.


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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (2/5)

Parte 2 de 5 (ver tudo): a metodologia


Gráficos relacionados:




Como analisar este gráfico?

Em primeiro lugar, há três aspectos a ter em conta:
  1. os preços mostrados são antes de impostos para que se possa perceber a evolução dos preços por parte das gasolineiras;

  2. os gráficos são feitos para serem de base 100. Isto é, ao valor máximo de cada uma das grandezas é dado o valor de 100 e os outros valores são calculados por uma regra de 3 simples. Assim, as 3 grandezas têm a mesma escala e podemos compara-las mais facilmente;

  3. da minha análise (também corroborada pelo estudo da AdC), concluí que as gasolineiras demoram 1 semana a reflectir os preços do brent. Assim, na mesma linha vertical estão os preços da gasolina e gasóleo para a semana n e o preço do brent para a semana (n-1).
Na situação ideal, as 3 linhas andariam sempre paralelas mas na realidade isso não acontece. Tomemos o exemplo brent-gasóleo (linha amarela e linha roxa). Quando a distância entre estas duas linhas diminui significa que passamos a pagar menos pelos combustíveis do que pagaríamos se o aumento fosse proporcional à variação do preço do brent. Por outro lado, quando essa distância aumenta, passamos a pagar mais. Isto é ilustrado na figura seguinte:




Se dividirmos o gráfico em fatias verticais ficamos com figuras que, se a largura for suficientemente pequena, poderão ser olhadas como rectângulos. Estes têm uma área. Olhando para a variação destas áreas em períodos sucessivos ficamos a saber se acumulativamente temos um saldo positivo, neutro ou nulo. No exemplo da figura estão valores (inexactos) destas áreas, só para efeitos de demonstração. Temos:

94-94=0
94-94=0
129-94=35
115-129=-14
103-115=-12
83-103=-20
83-83=0
83-83=0

O saldo é 0+0+35-14-12-20+0+0 = -11. Se este exemplo fosse exacto, significaria que neste período teríamos passado a pagar menos pelos combustíveis. As contas correctas virão nos posts seguintes.


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Pink Martini - Tempo Perdido

Esta música é dedicada à Comissão de Inquérito ao caso BPN que ilibou Banco de Portugal de responsabilidades.


Diz na página «music video with gilda scenes», ou seja não é o clip da música


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Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (1/5)

Parte 1 de 5 (ver tudo): gráfico 2005-2009 com preços do brent, gasóleo e gasolina


Gráficos relacionados:




Esta semana será dedicada à questão dos preços dos combustíveis. Estamos a pagar de mais? É o que vou procurar perceber e partilhar aqui.

O gráfico supra é a variação do brent, gasolina s/Pb 95 e gasóleo, antes de impostos e com o gráfico ajustado para índice 100 para melhor comparação (isto é, as três grandezas foram convertidas para terem a mesma escala).

Para explicações sobre a interpretação do gráfico, ver os gráficos anteriores, como por exemplo este.


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South Place: génios de agora

South Place 12 - Génios de agora

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O 1º de Maio e os cornos

Houve dois incidentes recentes que condeno por igual: as borrifadelas e encontrões que Vital Moreira levou no 1º de Maio e os cornos que Manuel Pino mostrou a Bernardino Soares no Parlamento. Curiosamente, dois casos que envolveram figuras do PS e do PCP mas em papeis opostos.

A situação do 1º de Maio foi usada pelo PS até não render mais, com exigência de pedidos de desculpas e afirmações de que a democracia tinha sido posta em causa. Já no caso dos cornos no parlamento, o PS e as pessoas a ele ligado têm ensaiado uma perspectiva diferente: o pobre coitado do ministro foi vítima de uma provocação do PCP. Parece, no entanto, que foi por ter sido confrontado com a história de um cheque usado para propaganda do partido que o fez perder as estribeiras. Mas isso é uma outra história. De registar neste segundo caso é a indignação do PS por a oposição o usar exactamente da mesma forma que o PS havia feito quando do 1º de Maio.

Finalmente, a parte mais interessante nestes dois casos é o PS agora acusar o PCP de provocação quando a deslocação de Vital Moreira ao 1º de Maio foi um momento de calculismo político para obter o mesmo efeito que esta alegada provocação causou. Enfim, cada qual faz o seu papel mas estamos cá nós para registar estas dualidades.


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South Place: Reflexão

South Place 11 - Reflexão

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Nota: já o havia referido mas cá vai de novo. Estes bonecos são feitos com o SP-Studio. A montagem e o texto são da minha autoria.


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Recepção por antenas

Modo de antenas

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Chips RFID nas matrículas de veículos automóveis: considerações

Face à entrada em vigor desta polémica lei, para daqui a 15 dias segundo a TVI, republico este texto que sintetiza alguns pontos de vista. Original aqui (7 Fev. 2009).


1. O argumento "roubam-me o carro, o chip serve para localizar" é ingénuo. Basta "queimar" o chip e não circular por estradas com portagens. Dizem que um ladrão de carros consegue abrir uma porta em segundos. Seria um pouco distraído esquecer-se de desligar a "sirene" da "sua" viatura.

2. Os chips RFID não são seguros. É questionável se algo inseguro contribui para um aumento de segurança. Além disso, o argumento desaparece se o chip desaparecer.

3. Existe uma grande diferença entre os dados estarem impressos num papel colado no vidro e estarem num chip RFID+base de dados: os dados em papel não são passíveis se serem processados massivamente. Por alguma razão, a CNPD foi criada após o uso generalizado da informática e não antes.

4. Não importa que dados estarão no chip pois associado a cada um deles haverá seguramente um identificador único. Conseguindo-se ler (ilegalmente ou não) esse identificador e sabendo a que carro pertence passa-se a ter um gravador automático das passagens desse veículo num dado local. Basta que lá esteja um equipamento de leitura (legal ou não).

5. As escutas telefónicas passaram a ser enquadradas na lei. E as vigilâncias com recurso a esta tecnologia?

6. O estado tem dado provas sucessivas de que é incapaz de manter a confidencialidade das coisas que sabe sobre os cidadãos. Sem ir mais longe, basta ver o caso Freeport. É por isso válido concluir-se que quanto mais o estado souber sobre os cidadãos, maior será a devassa da sua vida privada.

7. O projecto tem um custo elevadíssimo. Apenas a intenção de se usar o sistema em larga escala permite justificar a sua implementação. Não se vai estar a gastar todo este dinheiro para cobrar portagens em uma ou duas SCUT. Preparem-se por isso para novos impostos.

8. Finalmente, quanto ao argumento relacionado com a verificação automática do seguro e inspecção "em dia":
a) se se pretender fazer o controlo ao passar por pontos de leitura, como portagens, ou só alguns veículos serão verificados (os que passarem nas SCUT onde se diz que isto estará em funcionamento) ou passarão a existir pontos de leitura espalhados por todo o país. Neste último caso, ver os anteriores argumentos 4 e 7;

b) por outro lado, precisando estar o agente da autoridade ao lado do veículo, não constitui um ganho significativo poder validar os dados do veículo por meios electrónicos em vez de o fazer por inspecção visual.


Na minha opinião, o chip nas matriculas servirá para introduzir portagens de forma generalizada em locais onde actualmente elas não existem (cobrança automática de estacionamento na via pública; entrada em cidades ou em zonas específicas das cidades; SCUTs, ICs e vias rápidas actualmente sem portagens; etc.). Esta realidade pouco interessante em termos eleitorais está a ser vendida pelo recurso a uma campanha de medo, sugerido que é para segurança das pessoas.

Por não se ter acesso imediato à necessária tecnologia, os problemas de segurança e privacidade não surgirão pelo ladrão de gazua mas poderão vir do próprio estado e de grupos criminosos organizados. Por outro lado, o cidadão não fica mais protegido pois até um teenager será capaz de invalidar o chip. Assim sendo, esta medida não traz benefício algum para o cidadão. Pelo contrário, será mais uma fonte de despesa pública, paga por quem já se sabe e com impacto real na sua vida privada.

Supostamente existindo o estado para servir o interesse dos cidadãos, não deve este legislar contra eles. Mas é isso que está a ser feito com os chips nas matrículas.



Sobre a segurança dos RFID:



Video: Hacker war drives San Francisco cloning RFID passports
Think of it this way: Chris Paget just did you a service by hacking your passport and stealing your identity. Using a $250 Motorola RFID reader and antenna connected to his laptop, Chris recently drove around San Francisco reading RFID tags from passports, driver licenses, and other identity documents. In just 20 minutes, he found and cloned the passports of two very unaware US citizens. Fortunately, Chris wears a white hat; his video demonstration is meant to raise awareness to what he calls the unsuitability of RFID for tagging people. Specifically, he's hoping to help get the Western Hemisphere Travel Initiative -- a homeland security project -- scrapped. Perhaps you'll feel the same after watching his video posted after the break.


Read -- Western Hemisphere Travel Initiative
Read -- RFID passports cloned


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Apple prepara remendo para falha de segurança no iPhone

Uma vulnerabilidade que permite, com um SMS, usar o iPhone para saber a localização física do aparelho, ligar o microfone e que também permite adicionar o iPhone a um botnet (rede de dispositivos "zombies", geralmente computadores, controlados remotamente por um outro dispositivo).

A notícia


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Prémio melhor título

Jornal de Negócios: «Indicadores tramam Pinho».


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Voodoo demite demistros

Voodoo demite demistros

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Nota: tinha planeado para hoje outro South Place mas a realidade foi mais divertida do que a minha tira. Devido a concorrência desleal, fica esta adiado para amanhã.


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Os cornos de Manuel Pinho

A imagem, para arquivo.


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O elogio fúnebre

Estou a ouvir os politólogos (os quê?!) falarem de Manuel Pinho de forma elogiosa e realçando virtudes que não lhe conhecia. Tal como num elogio fúnebre.


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Sócrates e as medidas para salvar a economia

Demitir Manuel Pinho, ex-ministro da economia.


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O homem do BES foi demitido

Depois de uma infindável lista de gafes, o homem do BES foi demitido. Só para recordar, este foi o ministro do ALLGARVE, da papa maizena e agora dos cornos. Sem esquecer o ministro que foi para a China vender Portugal como o país da mão-de-obra barata. E que decretrou (mais um) o fim da crise. Neste aspecto, a pasta da economia está bem entregue, já que Teixeira dos Santos também já decretou o um da crise.

Esta é a segunda vez que Sócrates intervem para "defender a imagem do governo". Primeiro no caso PT/TVI e agora no caso do ministro-desastre.

Só falta saber se o ministro soube que tinha sido demitido, à semelhança do caso Carlos Guerra em que Sócrates o demitiu em directo no Parlamento quando, em simultâneo, o ministro da agricultura dizia numa conferência de imprensa que ainda ia ouvir Carlos Guerra.


Adenda: como desconfiava, o ministro foi efectivamente demitido. Basta ouvir Pinho, à saída da AR, afirmar que tinha "absolutamente" todas as condições para continuar no cargo.


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Concorrência desleal

Bom já não bastava a economia andar mal, ainda vem o Ministro da Economia fazer concorrência desleal aos palhaços, Gato Fedorento, aos Contemporâneos e a todos os outros que se dedicam a divertir o pessoal. Só que Manuel Pinho fá-lo com mau gosto e falta de educação.

O vídeo: Ministro da Economia "faz cornos" para deputados
O comentário de Manuel Pinho (vídeo)
Santos Silva procura salvar o ministro (vídeo)



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Quem são os 28 fantásticos?

Os 28 signatários do manifesto para repensar as obras públicas.
Diário Económico 23 Junho 2009, via Associação Comercial do Porto (onde também se encontra uma interessante selecção de recortes sobre este assunto).



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O jogo das obras públicas

«Assinado por 31 pessoas, a maioria economistas próximos da área socialista, defende as obras públicas estratégicas: TGV e novo aeroporto», no i

É o delírio. Depois da iniciativa liderada pelo ISCTE, é agora a vez do ISEG avançar o seu estudo*. Em todo o caso, falta-me perceber para quem são estes investimentos públicos tão urgentes, se para os cidadãos se para o financiamento partidário**.



* ainda não vi quem o assinou, sendo isto uma boca de oportunidade baseada na reportagem do i («hoje é publicado um novo manifesto sobre o tema das obras públicas, liderado por Luís Nazaré, António Mendonça e Brandão de Brito, todos professores do ISEG em Lisboa»).

** não esquecer estes dois aspectos: a questão dos ajustes directos e da pretensão de se autorizar 1 milhão de euros em dinheiro vivo para financiamento partidário


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South Place: O frente-a-frente

South Place 10 -O frente-a-frente

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Crash do sitemeter


Fig.1 - O crash do sitemeter

Quem usa o sitemeter terá certamente notado. Hoje este contador de visitas estoirou. Deve ter havido algum problema com a base de dados deles, pois no Fliscorno comeu as visitas de aproximadamente 3 semanas (cerca de 5000 visitantes únicos). Paciência, num serviço gratuito aceita-se o que nos dão.

Bom, já que estou no tema, aproveito para dar a conhecer algumas estatísticas aqui do canto (usando o Google Analytics).


Fig. 2 - Páginas visitadas (por mês)



Fig. 3 - Visitantes únicos (por mês)



Fig. 4 - Origem das visitas



Leitores de feed (RSS)

O número de visitantes únicos mensais anda actualmente na casa dos 7 a 10 mil, aos quais acresce certa de outros 1500 leitores mensais que usam o RSS, não passando por isso pelo blog. O pico de visitas que se vê nos gráficos 2 e 3 correspondem às manifs dos professores. As galerias de fotos despertaram algum interesse.

Quanto a quem visita este site, há uma boa parte que vem encaminhada por outros blogs, o que denota pouco investimento na divulgação do blog. Mesmo assim, 25% do tráfego vem de pesquisas do google e, surpresa, dois dos termos de pesquisa mais visitantes cá trazem são gambas à guilho e secretos de porco.

Quanto aos blogs que mais tráfego encaminham são A Educação do Meu Umbigo, ProfAvaliação, Forreta e Blasfémias. O jornal Público também é responsável por uma boa fatia de tráfego. Aqui fica o meu agradecimento na divulgação do que se vai publicando por este lado.

Posto isto, dou por terminado este momento umbiguita.


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Os 51 magníficos

Quem são as 51 pessoas (que afinal são 52) que assinaram o manifesto a favor das obras públicas? 37 são professores, dos quais 15 são catedráticos e 12 são professores auxiliares. 11 deles leccionam no ISCTE, 7 na Universidade de Coimbra e 6 no ISEG. No total desses 52, 37 têm formação em economia.

Mas o que nos diz isto? Apenas que este manifesto é maioritariamente liderado por pessoas ligadas à docência. E que inclusivamente um dirigente da Administração Pública o assinou (já estou a ver a sua avaliação melhorada). Ficamos também a saber que o responsável pelo programa eleitoral do PS às europeias o assinou (Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE). Será que o escreveu também? Sem surpresa, pessoas com forte ligação ao PS também o assinaram (Boaventura de Sousa Santos, por exemplo) e outras em rota de aproximação também o fizeram (Francisco Louça). Pelo caminho aparecem dois gestores, a ligação mais afastada ao meio académico entre os signatários.

Confesso que não dediquei grande tempo ao anterior manifesto contra as obras públicas. Fi-lo para este sobretudo pela curiosidade de ver quem é estava a dar a cara por uma resposta taco-a-taco e para perceber a necessidade de contar espingardas, apresentando quase o dobro dos signatários do primeiro manifesto. E fiquei com a curiosidade saciada. São a favor das obras públicas, essencialmente, um conjunto de docentes universitários cuja maior ligação à economia assenta nas teorias que estudaram e, eventualmente, desenvolveram. Corrijam-me se estiver errado.

PS: lista dos signatários e tratamento de dados disponível aqui


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Quem é que vai pagar a factura?

João Miranda no Blasfémias sobre os 51 economistas a favor das obras públicas:
Eles [os 51 economistas pró obras públicas] não defendem a redução das desigualdades, nem o combate à especulação financeira, nem a regulação dos mercados nem o aumento da capacidade política. Defendem um vigoroso estímulo contraciclico, do qual os primeiros e principais beneficiários seriam, inevitavelmente, as grandes empresas de obras públicas, os especuladores financeiros e os tais políticos a quem se atribui falta de capacidade política. E quem pagaria essas obras públicas?


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Disparar em todas as direcções

«Embora sem questionar a legitimidade dos vetos, membros da direcção criticam o "conservadorismo" de Cavaco na Lei do Divórcio, por exemplo. E de "algum populismo" nas objecções à alteração da lei de financiamento dos partidos quanto à falta de mecanismos de fiscalização.» in Público

Populismo? Ó caríssimos, tenham vergonha na cara. Então procuraram os senhores, PS e restantes partidos, aumentar disparatadamente o financiamento partidário em dinheiro vivo para 1 milhão de euros e vêm agora falar de populismo? Estão é mal habituados. Durante quatro anos governaram sem oposição e entretanto esqueceram-se que não são donos do poder.


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South Place: A oposição

South Place 09 -A oposição

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