Podemos não fazer o TGV, Sr. Nicolau Santos?
Fig. 1: Linhas TGV e alta velocidade em 2008
Imagem adaptada daqui: para maior clareza, foram removidas as linhas com velocidades inferiores a 250 Km/h
Nicolau Santos (NS) escreveu na última edição do Expresso [24-12-2009] uma crónica onde arrasa a opção TGV na actual situação económica.
Não sei se o(a) caro(a) leitor(a) terá assimilado na totalidade o anterior parágrafo, pelo que o repito: Nicolau Santos escreveu na última edição do Expresso uma crónica onde arrasa a opção TGV na actual situação económica.
Mas, dirá, o que tem isso de especial? Exceptuando o facto de ser uma reviravolta de 180º, nada. Vejamos o que é que ele escreveu:
Fig. 2: Nicolau Santos - TGV, défice, dívida: as opções: Expresso 24-12-2009
NS segue por uma linha de argumentação que, por acaso, até já neste blog tem sido apresentada, inclusivamente essa evidência de o TVG contribuir para Madrid ser o centro da Península Ibérica, levando Portugal mais para a periferia, ao contrário da argumentação oficial socialista. A questão é que esta linha de argumentação de NS é-lhe nova, indo inclusivamente contra o que NS tão convictamente defendera apenas há alguns meses atrás (20-06-2009), em plena pré-campanha eleitoral. Apresentou-nos então as suas razões:
- «A primeira delas é: mas os Governos têm andado a brincar aos comboios de alta velocidade com os dinheiros dos contribuintes? (…)
- Bom, mas admitindo que os Governos sabiam o que estavam a fazer, podemos nós colocar-nos agora fora da Rede Europeia de Alta Velocidade? (…) Podemos saltar fora destes compromissos? Ou apenas adiá-los?(…)
- É que, para os que estão distraídos, os transportes ferroviários são a grande aposta da União Europeia para o século XXI.(…)
- Última nota: a linha Madrid-Sevilha dá dinheiro. Madrid-Barcelona regista um tráfego colossal.(…)
- Finalmente: olhe-se para o mapa acima. Somos muito periféricos. Queremos ficar ainda mais? [mapa que estava errado, como o próprio autor depois admitiu; o mapa errado, mostrando linhas que não eram de alta velocidade como sendo linhas de TGV, criava a ilusão de que Portugal era a excepção fora do TGV] (…)»
Em 6 meses NS consegue passar de uma argumentação para a outra, como se os leitores não tivessem memória. É obra. Diria que é algo ao alcance apenas de quem não se ri quando o seu entrevistado fala da segunda derivada para "explicar" que o desemprego estava a diminuir (ver entrevista de Sócrates à SIC).
Quanto ao TGV, olhe-se para a figura 1 e para as contas do país e conclua-se se a tese do inevitável TGV interessa a mais alguém para além das empresas de obras públicas.
Seguem-se os dois textos de NS de Junho 2009 referidos neste post.

















Não há pachorra para as agendas mediáticas!

E vão quatro, depois de 



