Rangel United Studios, companhia de encenações
Quando o Magalhães era pretexto para aparições semanais de ofertas de computador, o Ministério da Educação, com o o Primeiro Ministro, partici-param numa acção de propaganda no Centro Cultural de Belém onde Sócrates, embevecido, circulava entre umas crianças com o Magalhães à frente. Seguiu-se o previsível discurso sobre o futuro radiante que nos esperava, espelho da felicidade destes alunos magalhanizados. A nuance estava no facto de as crianças não serem alunos mas sim actores contratados para uma encenação destinada a dar um fundo à intervenção de Sócrates.
Agora que no horizonte se antevê um novo primeiro ministro, Rangel na sua posição de candidato a candidato ao cargo arranjou uma claque para o apoiar. Animou o último congresso e ajuda-o na angariação de votos. Em comum com o primeiro relato está o facto de também em causa estarem actores contratados, aqui para a claque. Novamente, a encenação na política, com traços de coreografia à moda de Riefenstahl. Fica claro que com Rangel sairá um para entrar a fotocópia. Depois queixam-se do rótulo "são todos iguais".
imagem: Expresso
«Quem não protesta, tem o que merece»
Luís Campos e Cunha hoje no Público sobre o PEC:
Mas há alguns pecados neste PEC. Antes de mais e que fique claro, há subida de impostos. Não vale a pena escamotear a questão, entrar em linguagem cifrada ou em jogos de semântica: o IRS aumenta, como todos (ou praticamente todos) iremos ver e pagar. Para o mesmo rendimento bruto, uma família que ganhe pouco mais do que o salário mínimo, com as novas regras, vai pagar mais impostos. E a isso chama-se aumentar impostos. Por aumento de taxa ou por menores deduções fiscais de saúde ou educação, é irrelevante, paga-se mais. Dizer o contrário é perder credibilidade.
Segundo pecado: o adiamento de alguns dos grandes investimentos públicos não contempla adiar o TGV para Madrid e a nova ponte sobre o Tejo. Ou seja, o exemplo mais acabado de desperdício não foi cortado. Se há coragem a menos ou casmurrice a mais, não sei, mas é um péssimo exemplo. É natural que os outros ministros das Finanças europeus não se queixem, porque o negócio é bom para alemães ou franceses. Se Portugal, através do seu governo legalmente constituído, deseja fazer asneiras, para quê mais aborrecimentos, tanto mais que os beneficia. Para garantir os pagamentos dos investimentos no TGV-Madrid e os prejuízos de exploração anuais teremos menos despesa social em educação, na saúde e reformas mais baixas. As estradas secundárias ficam numa miséria, mas teremos um comboio de luxo. Quem não protesta, tem o que merece.
Notícias «frouxas»
Ana Matos Pires disserta hoje no Público sobre o recente suicídio de um professor na Ponte 25 de Abril:
«Que se pretende com estas "notícias"? Qual é, aqui, o material noticioso? O suicídio não me parece - a sê-lo, viria com um mês de atraso. A eventual não resposta às participações feitas pelo professor deve ser averiguada e esclarecida, é sobretudo importante para apaziguar a família, mas irão concordar que, como notícia, é frouxa.»
No incluir em acta assuntos pertinentes relatados numa reunião parece-me grave. Além disso, não agir perante participações denota, no mínimo desleixo. São notícias (sem aspas) desagradáveis, para os envolvidos e para os responsáveis políticos. Mas estão longe de serem notícias «frouxas».
Mais vale rir - 44
Esta tira saiu quando a ASAE, pasme-se, era assunto quase diário nas notícias por meter o nariz em todo o lado. Desde as cozinhas de restaurante que poderiam fechar por não terem as facas de cores erradas até ao grande número de cafés e restaurantes que deveriam fechar porque cá havia um "número exagerado" destes estabelecimentos.
(republicações, diariamente às 12h30, de bonecada antiga)
Coisas que os noticiários de horário nobre não dizem
No Rádio Clube há um programa deveras interessante, que é o Quarteto de Cordas, emitido aos sábados, das 12h às 13h e que conta com Vítor Moura, Inês Serra Lopes, Ricardo Jorge Pinto e um convidado diferente todas as semanas.
No programa de 06-03-10 (*) houve alguns momentos a reter:
- Estradas de Portugal: passivo de 15 mil milhões de euros, ou seja 10% do PIB (publicado no site do sector empresarial do Estado, na direcção geral do orçamento). Quando 10% do PIB não é contabilizado nas contas do Estado, podem-se com segurança afirmar que os números do défice, tão cientificamente apurados por Vítor Constâncio em 2005, não passam de propaganda.
- O governo quer vender as Estradas de Portugal. Os gregos também venderam a empresa de estradas e auto-estradas, numa operação financeira para esconder parte do défice. Veja-se onde chegaram os gregos e o que cá quer fazer aquele que diz já ter baixado o défice uma vez e que sabe como o voltar a fazer para que se antecipe o que aí vem.
Estas notícias parecem não fazer as honras dos noticiários de horário nobre. Enfim, cenas com rolhas e arrufos de candidatos deve ser notícia que vende melhor.
(*) abre com o Windows Media Player, por exemplo. Alternativamente, o programa pode ser ouvido no browser aqui.
Rolhotrelhadora
Alguns no PSD votaram uma ideia parva para promover uma aparente unidade em vésperas de eleições. Algo parecido ao que, por acaso, o PS tem nos seus estatutos.
Ontem, cinicamente, os socialistas resolveram levar ao Parlamento a lei da rolha do PSD, depois de já antes terem acusado o PSD de não ter no seu congresso apresentado soluções para Portugal.
Esqueceram-se rapidamente essas vozes do PS quando, ainda em Fevereiro de 2008, se queixavam de «intromissão inaceitável na vida do partido» por causa de umas manifestações marcadas para o Largo do Rato quando a Comissão Política do PS se ia reunir por causa do incêndio na educação.
Entre parvos tiranetes e cínicos de memória curta, venha o diabo e escolha.
The enemy book
Ora aqui está algo muito útil a qualquer um dos nossos partidos: o Enemybook, o facebook para inimigos.
Desde partidos com candidatos à liderança a partidos com o líder em vias de facto para ser corrido, cá está a ferramenta indispensável. Manter os amigos por perto mas ter os inimigos ainda mais perto.
Qual é o som do fliscorno?
Qual é o som do instrumento que empresta o nome a este blog?
Neste vídeo, Arturo Sandoval toca "When I fall in love" (de Nat King Cole) no Festival de Jazz de Madrid (Fev. 2008 (?) ). A gravação não é por aí além mas o timbre do fliscorno é nítido. Note-se o som suave, quando comparado com o trompete (aqui, por exemplo).
Já agora, uma nota. Em Portugal este instrumento é também conhecido por fliscorne, sendo possivelmente a variação mais comum. Optei no entanto pela grafia "fliscorno" que permite brincar com a associação de palavras óbvia mas enganadora. Tal como a "política na vertente de cartaz de campanha", o lema do blog.
Bem, por aí, mais coisa menos coisa :-)
PS: a música original, cantada ao vivo pelo autor: Nat King Cole - When I Fall In Love - Live (rare)
Mais vale rir - 41
A certa altura da bonecada, decidi-me pela aventura das tiras. Esta aqui, I-See-19 Tales, que se lê em inglês técnico IC19 Tales, ou seja, Histórias do IC19, é sobre um casal que vai mandando umas bocas nas filas do IC 19.
As próximas postagens diárias das 12h30 serão as republicações das tiras já feitas. A de hoje saiu na altura em que se falava de plano tecnológico e do governo vir a patrocinar a colocação de bandas gástricas. Quanto ao primeiro, não sei se é vivo (ou se chegou a ir além do e-escola e dos magalhães). Quanto às bandas gástricas, alguém sabe se isso chegou a bom porto?
(republicações, diariamente às 12h30, de bonecada antiga)
E depois dos anéis?
Governo vai pôr à venda 17 empresas
A Galp Energia, EDP, TAP e CTT são algumas das 17 empresas onde o Estado português pretende desfazer-se das suas participações e encaixar receitas para abater a dívida pública que se aproxima a passos largos dos 90% do PIB nacional.
A vender (segundo o Jornal de Negócios):
- Galp Energia
- EDP
- TAP
- CTT
- REN
- Hidroeléctrica de Cahora Bassa
- Estaleiros Navais de Viana de Castelo
- Edisoft
- EID
- Empordef IT
- ANA
- TAP
- CP Carga
- Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário
- BPN
- Caixa Seguros
- INAPA
- Sociedade Portuguesa de Empreendimentos
- Estradas de Portugal (depois de rever modelo de financiamento)
Então, e a Golden Share do Estado na PT, não é para vender? Para que é que o Estado precisa desta Golden Share? Para mandar nos negócios da comunicação social? Ou será pagar justificar salários milionários aos boys do partido?
E a Lusa? Porque é que o Estado precisa de uma agência noticiosa?
E a RTP/RDP? Para que é que o Estado precisa de uma televisão e rádio?
E vender as Estradas de Portugal? Se uma empresa privada tem que dar lucro, como passa a ser a fonte de financiamento da empresa? Vamos ver mais um imposto para as estradas?
E a CP e a REFER? Se já se pensa em vender a TAP e a CP Carga, porque há-de o Estado continuar a financiar estes dois buracos negros?
Mas sobretudo, para quê vender se a despesa não baixa? Para pagar o TGV e o novo aeroporto? Estamos a trocar uma série de empresas por duas novas?
Idos os anéis e não baixando a despensa, não será com os dedos que no futuro se taparão os buracos.
Novo blog: Viático de Vagamundo
Do seu primeiro post, Solidão povoada:
«O que nos mata é a solidão povoada.»
Jorge de Sena in Peregrinatio ad loca infecta
Viático de Vagamundo, o farnel cultural do errante cibernético, digo eu, falando do que não sei :-)
Buzzluso
O Ramiro continua imparável. Acabou de lançar mais um blog, o Buzzluso, desta feita orientado para a temática da rede social da Google, o Buzz.
Por este caminho, é bem possível que o Ramiro seja o produtor de conteúdos bloguísticos mais produtivo entre nós, como se pode ver na lista de sites/blogs que mantem:
- www.profblog.org
- www.ramiromarques.com
- www.basedadosramiro.com
- Buzzluso
- www.ramiromarques.pt.vu
- RamiroDotCom
Buzz = fórum conversação
Um buzz de António Teixeira:
Os "américas" andam com dúvidas sobre a utilização de portáteis nas salas da faculdade. Nós não hesitamos em dar um a putos de 6 anos, que mal sabem ler....
Wide Web of diversions gets laptops evicted from lecture halls - washingtonpost.com
Esta conversa tem a particularidade de já ter passado os 60 comentários, o que realça a diferença entre o Buzz e o Twitter, Facebook e outras redes sociais: o Buzz torna-se mais amigável para conversações offline, tipo fórum.
A Google encontrou assim o seu nicho, funcionando num modelo alternativo aos existes: Twitter = partilha de parangonas e links; Facebook = social online gaming (é isto que mais tenho visto no Facebook); Buzz = fórum de conversação.
Mais vale rir - 40
Por serem inconvenientes ao poder e seus satélites, estes foram os primeiros blogs a serem alvos de ameaças. Vários se tem seguido, curiosamente até entre os apoiantes do governo. A chatice com os blogs é que não dá para nomear um boy para ser administrador que controle o que se diz.
(republicações, diariamente às 12h30, de bonecada antiga)











