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Funcionários públicos - a opinião de um juiz

Recebi o texto seguinte por mail. Corresponde à minha opinião, portanto aqui vai. Acrescento, novamente, que considero a existência de duas funções públicas: a que nos presta serviços e a função pública do tacho. Incluo nesta última a função pública dos gabinetes, do governo, dos consultores, dos adidos de imprensa, dos secretários, das nomeações, dos assessores, das empresas municipais, dos deputados e dos seus gabinetes, dos governos civis e regionais, das delegações regionais, dos institutos, das fundações, etc, etc. Ou seja, aquela função pública que não nos presta serviço algum directamente, encarregue de gerir o bem comum e que, com muita frequência, leva o rótulo de tacho. Porque é de tacho que muitas vezes se trata.

Funcionários públicos - A opinião de um juiz
Bom, não sou funcionário público mas tenho muitos à minha volta, e desde puto que cresci no meio deles. Por isso, vou também meter o bedelho.

É público e notório que existem MUITOS funcionários públicos que não fazem nenhum e outros que, mesmo fazendo alguma coisa, são manifestamente incompetentes. E, é também certo, raramente ou nunca lhes acontece alguma coisa.

Porém, isso é culpa deles, funcionários? Ou não será de um Estado que, desde sempre, assim o permite?

Mais, quem tem um MÍNIMO de conhecimento do funcionalismo público também sabe que existem alguns funcionários que fazem por si e pelos outros - exactamente graças a estes é que o Estado ainda existe.

Pergunto: é justo que estes, os bons, comam pela mesma medida dos maus?

É ÓBVIO que é imprescindível começar a diferenciar os bons dos maus. Mas pergunto, de novo: NÃO SERÁ QUE É POR AÍ QUE SE DEVE COMEÇAR? Ou é justo que se comece por pôr todos no mesmo saco, retirando-lhes direitos que adquiriram quando ingressaram na função?

Depois, há tudo aquilo que o povo desconhece: por exemplo, sabiam que os funcionários judiciais podem passar ANOS - repito, ANOS - a mais de 300 Km de casa? Tenho vários destes no meu tribunal. E não me esqueço da funcionária que tive em Benavente, que saía de casa (em LEIRIA) às 6h00 da manhã para vir de TRANSPORTES para o tribunal, onde chegava DUAS HORAS DEPOIS. Trabalhava que nem uma moura e, às 20h00, voltava para casa. Onde chegava pelas 22h00. Em regra, por essa altura já os filhos dela (com 1 e 3 anos) estavam deitados. Ela aproveitava então para, no PC dela, fazer actas...

E agora? Agora come com menos reforma, menos direitos, congelamentos...

E, pelos vistos, parece não ter direito a protestar. Porquê? Porque parece que há outros que não fazem nenhum...

Justo? Não creio.

Por fim: é justo que os problemas financeiros do Pais sejam pagos à custa dos funcionários públicos? Só por má fé se pode dizer que sim. E, no entanto, é o que está actualmente a acontecer...

Poupa-se nos aeroportos? Nos TGV's? Nos estádios de futebol para a Palestina? Nas reformas dos políticos? Não. Poupa-se nos salários dos FP's, nas suas reformas.

E resulta? CLARO QUE SIM! AFINAL, OS FP'S SÃO A MINORIA ODIADA DE TODOS OS DEMAIS PORTUGUESES. Tudo o que seja bater neles, é sucesso político garantido.

Nos entretantos, fazem-se aeroportos, TGV's, estádios na Palestina, gastam-se milhões em Timor, etc., etc., etc. e o povo... cantando e rindo.

Agora, aparecem os FP's a querer fazer greve.

Então digo isto: no meio de toda esta merda, parece que só mesmo os FP's é que ainda estão vivos.

De resto, o povo português morreu há muito.