a política na vertente de cartaz de campanha

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CV hard core

CV armando varaCV armando varaAo passar pelo Jumento, deparo-me com uma oportuna reflexão sobre certos CV hard core. É por causa destes e dos que os suportam que vejo os políticos como um bando de oportunistas. Que me desculpem os que não o são mas estas situações e quem nada faz para as impedir compelem-me para a generalização.


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Ministério da Agricultura/DRAPALG: concursos manipulados

No Papa Açordas, o Compadre Alentejano apresenta os resultados dum concurso público cujos vencedores são os que ele tinha previsto anteriormente:
Grande parte dos concursos abertos pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPALG) e, de um modo geral, em toda a função pública, são concursos que, à partida, já os dirigentes sabem quem vão colocar em primeiro lugar...
-
De modo que, o Papa Açordas, a bem do Serviço Público, resolveu denunciar estas manobras, tendo assim publicado em 7/Dez/2007, o resultado final de um concurso que só ia terminar daí a 4 meses, portanto, já em 2008. [...]


E o Jumento complementa:

Os nossos políticos, cansados de dar a cara pela nomeações de boy, inventaram os concursos para a nomeação de alguns dirigentes da Administração Pública. Só que estes concursos não passam de uma farsa paga com dinheiros públicos, se dantes as nomeações eram feitas por critérios desconhecidos, agora inventam-se falsos concursos para nomear precisamente as mesmas pessoas.

São raros os concursos honestos, a regra é toda a gente saber quem vai ser o futuro chefe de divisão ou director de serviços. Em regra, muito antes de ser aberto o concurso os escolhidos são nomeados temporariamente para enriquecerem o currículo com o desempenho do cargo e alguns cursos no INA pagos pelo Estado. Por fim abre-se um concurso onde não se correm riscos, o perfil exigido é tão preciso que quase inclui o nome do futuro chefe.[...]

É por estas e por outras que soa a mentira quando ouvimos Sócrates falar da modernização do Estado.


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Coelho na Mota-Engil

Olhando para o perfil de Jorge Coelho tenho que concluir que é o homem certo para a Mota-Engil. Larga experiência política e profunda influência no partido que actualmente suporta o governo. Assim se fazem negócios em Portugal.

Um texto interessante:

Diário Económico: Metade das grandes empresas tem gestores que já foram políticos
[...]Ao todo, metade das vinte maiores empresas nacionais têm administradores que ocuparam cargos no Executivo. Olhando para os vinte CEO, só cinco assumiram funções em governos liderados pelo PS e PSD.

Contactados pelo Diário Económico, Pina Moura (antigo ministro das Finanças e actual presidente da Média Capital e da Iberdrola) e Manuela Ferreira Leite (administradora do Santander e também ex-ministra das Finanças) recusam-se a falar sobre o tema. Falou Mira Amaral: “O Paulo Teixeira Pinto quando chegou ao Governo nem sabia o que era um banco e o Pina Moura o que era energia”
[...]
A Cimpor é um caso paradigmático. “A maioria do conselho de administração da Cimpor passou pelo Governo, mas não me recordo de todos”, conta fonte oficial da empresa, que sublinha o facto de esta ter pertencido ao Estado[...]

Boa sorte no seu novo emprego. Junta-se ao seu ex-secretário de Estado Luís Parreirão (aquele que o co-adjuvou na pasta das obras públicas que viria a atribuir duas Scut à Mota-Engil), ao ex-ministro Valente de Oliveira (PSD) e a Lobo Xavier (CDS).


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Jorge Coelho CEO da Mota-Engil

Procurava algumas palavras para escrever sobre Jorge Coelho ir para a Mota-Engil mas encontrei-as no Jumento:

http://jumento.blogspot.com/2008/04/umas-no-cravo-e-outras-tantas-na_06.html
JORGE COELHO: UMA VERGONHA

«Jorge Coelho atribuiu mais de mil milhões de euros em concessões rodoviárias a consórcios liderados pela Mota-Engil enquanto ministro. E agora prepara-se para liderar aquela que é a maior construtora portuguesa. Ilegal? Não. Mas levanta questões de ética e de potenciais conflitos de interesses.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Dizer que Jorge Coelho está afastado do governo há sete anos para justificar a sua entrada na Mota-Engil só merece uma gargalhada, o ex-dirigente tem mais força nas decisões do executivo do que a maioria dos seus ministros.



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Susana Dutra e a persistência da memória - II

The Persistence of Memory
Salvador Dalí , The Persistence of Memory. 1931.

Não é que nutra especial interesse pelo percurso profissional de Susana Dutra mas já o mesmo não poderei dizer do destino que é dado aos nossos impostos.

Vem isto a propósito dum comentário recente em que alguém afirmava que Susana Isabel Costa Dutra seria filha de Alberto Costa, logo saltando para o domínio dos tachos familiares. Como não há relação parental entre estas duas pessoas, lá fui buscar um post que escrevera há uns tempos sobre o assunto e onde desmonto esta argumentação (Ainda a Susana Dutra).

A volatilidade dos URL
Agora, um pequeno desvido, antes de continuarmos. Em informatiquês, URL significa Uniform Ressource Location (localização uniformizada de recursos) e para as páginas web não é mais do que o seu endereço.

Num site pessoal ou num blog pode o webmaster dar-se ao luxo de, quando quiser, mudar os URL das páginas já anteriormente publicadas. Um eventual visitante que queira voltar a uma página cujo URL tenha guardado receberá o habitual «página não encontrada». Algo de semelhante se passará com um site que inclua uma ligação para essa página que mudou de sítio. Nada de grave se passará, são páginas pessoais, afinal de contas!

E numa instituição, também será assim? Façamos a analogia entre o arquivo dum site institucional e uma biblioteca. Em minha casa posso ter os livros como quiser mas fosse a minha organização aplicada a uma biblioteca municipal e ninguém encontraria o que procurasse!

Profissionalismo
É por isto que um site institucional precisa de planeamento, duma estrutura que evite referências inválidas. Ora, voltando à vaca fria, Susana Dutra foi contratada para webmaster do novo portal da Justiça, recebendo para isso a módica quantia mensal de €3,254+regalias. Com um vencimento destes, mais adequado a um especialista sénior do que a um webmaster, esperava uma excelente organização no Portal da Justiça. Por isso é com surpresa que uma nota de imprensa sobre a sua rica contratação já mudou de URL por três vezes, que eu tenha contado. Os sucessivos URL foram:
Não é ilegal mas esta regular mudança de URL é um óptimo incentivo para, no futuro, não se encontrarem documentos. O que pode ser interpretado de duas formas:

a) incompetência no planeamento da estrutura de arquivo ou

b) ocultação de documentos, mantendo uma porta aberta para, perante flagrante delito, afirmar «não removemos os documentos; isso é calunioso; apenas estão noutra localização».

Entre estas duas hipóteses, qual delas corresponde à realidade? Não sei. Mas nenhuma delas me parece justificar o generoso salário de (pelo menos) três vezes o que se ganha no privado para a função em causa.


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Susana Dutra e a persistência da memória

The Persistence of Memory
Salvador Dalí , The Persistence of Memory. 1931.

Em Setembro do ano passado publiquei umas coisas sobre o tacho Dutra, essa «diz que é uma espécie de jornalista» vinda do Record e que fora contratada para uns trabalhos de webmaster no Ministério da Justiça pela módica quantia mensal de €3,254+regalias.

Este assunto acabou por vir hoje à baila, pelo que voltei ao post desta altura (link). E descobri uma coisa gira.

O link que então publicara, a 4 SET 2006, já não existe. A nota do gabinete vinda do gabinete do Ministro desapareceu do local onde estava, sendo esta a mensagem de erro:
«Resource not found
The resource you asked was not found. If the document has moved you may find it using the search form below.»
Compreendo, é realmente uma chatice dia após dia saber que há na página do Ministério em que trabalhamos uma nota proveniente do chefe onde é explicada a razão de se estar a receber uma pipa de massa por um trabalho que um estudante de licenciatura faz para obter o 9.5 da praxe.

Já agora, nós que não somos ingénuos sabemos perfeitamente que o texto não foi apagado. Apenas foi movido para outro endereço, que será realçado caso alguém venha sugerir que foi apagado. Fica indisponível mas está disponível. Mais vale jogar pelo seguro e ter o plan B pronto ;-)

Mas no post de então consta esse comunicado, cabendo a Vossas Excelências, caros leitores* decidirem pela respectiva validade.


* uma nota aos politicamente correctos que formam governos com base em quotas de género em vez de o fazerem com base no mérito: em português, o plural engloba ambos os géneros.

Adenda (08-07-2007): Para que conste, o referido comunicado encontra-se em
http://www.mj.gov.pt/sections/informacao-e-eventos/imprensa/jan-jun-2006/nota-contratacao-de


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Tacholandia

«PS considera normais nomeações em sub-região de saúde tendo em conta os resultados eleitorais.» in Publico

E dado o regabofe que têm sido as nomeações políticas, também o PSD assina por baixo, aposto. Acabe-se de vez que essa vergonha que são as nomeações políticas, eufemismo para os tachos do partido. O serviço e os contribuintes agradecem.


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RICARDO JORGE FREITAS GOMES ARMADA, aka foto-boy

Directora demitida por causa de cartaz 'jocoso'
«[...]a afixação ocorreu durante um fim-de-semana de Outubro ou Novembro em que a directora não estava no centro". Nesse domingo, "um membro do PS local apareceu e fotografou o cartaz". Depois, acrescentou, "pediu o Livro Amarelo para fazer queixa", e "enviou as fotos para a ARS/Norte.» in DN



Textos interessantes sobre este tema:


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Maria Celeste Cardoso exonerada

kit nomeações




Despacho n.o 13 288/2007
Pelo despacho n.o 1/2007 do Ministro da Saúde, de 5 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo, manifestando a Dr.a Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde. (Não carece de fiscalização prévia. Não são devidos emolumentos.)
1 de Junho de 2007.—O Coordenador, José Agostinho Dias de Castro e Freitas.


Via Papel Principal, onde também se encontra uma estória curiosa.


Finalmente percebo para que servem os cargos de nomeação política: para evitar que se contem piadas nos edifícios públicos e para que cartazes chatos sejam prontamente removidos.

Ou será que isto não é confiança política mas sim vassalagem política?


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A origem da motivação para a politíca

a origem da motivação para a política

Temos sentido na pele as consequências dum Estado que estoira recursos sem os ter para alimentar uma certa função pública, aquela a que chamo de a função pública do tacho. Existe para se servir a si mesma, numa dança de cadeiras entre os amigos do partido que estiver no governo. É o caso das inenarráveis indemnizações presenteadas a gestores nomeados por um governo e substituídos por outros gestores, nomeados pelo governo seguinte, que já se sabe virão a ser substituídos quando outro governo vier, etc, etc.

Mas não se limita às indemnizações. Não nos podemos esquecer dos prémios de desempenho, das nomeações à la carte, da acumulação de cargos com as Empresas Municipais, da "inserção" dos amiguinhos em empresas com participação pública, só para nomear alguns expedientes que descarados como Teixeira dos Santos dizem que está tudo dentro da lei. (Obviamente que está, foi feita pelos próprios beneficiários!)

Mas quando dizia que todos temos sentido na pele as consequências deste regabofe, será que todos as têm mesmo sentido? Alguns viram aumentar a idade a que se podem reformar, outros perderam salário real, todos apanhámos com o aumento do IVA em 4%, do ISP, do IMT e do IMI e por aí fora. (É bom não esquecer que o IVA era de 17% e que nos foi prometido baixa-lo de 19% novamente para os 17% ao fim de 6 meses!) No entanto, há uma classe profissional que se mantém agora e sempre inabalável, imune a este apertar do cinto. Curiosamente, é a mesma que nos obrigada a passar por estes problemas. Refiro-me à classe política! Vejamos: continuam a ter a reforma por inteiro ao fim de 12 anos de parlamento (doze!!!); têm direito a subsídio de integração na vida profissional depois de saírem da política (como se alguma vez tivessem interrompido a actividade profissional); podem acumular a actividade política com o trabalho da sua profissão; têm...

Bem, há algum ponto em que estes pobres coitados tenham decidido eles mesmo apertarem o cinto? Ah! sim, há aquela lei de só puderem receber 1/3 dum rendimento que se acumule com o cargo político que desempenham... Uauuuu

O défice diminuiu porque pagámos mais impostos, porque recebemos menos serviços prestados pelo Estado e porque uma parte dos que trabalham no Estado passaram a ganhar menos. Não foi por a política já não ser encarada como o trampolim para um bom tacho.


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O tacho do Rui Cartaxo


Teixeira dos Santos bem que pode ter a lata de dizer que está tudo dentro da lei e que quando Rui Cartaxo saiu da Galp, o Estado apenas detinha 1/3 do capital desta empresa, sugerindo que se tratou duma decisão da esfera privada da empresa. Mas qual é o valor moral dessas leis feitas à medida dos interesses particulares dos amigos do partido? E que dizer das espantosas coincidências entre a mudança de governos e as danças de cadeiras nas empresa onde o Estado detém participação? É pertinente interrrogarmo-nos sobre a necessidade do Estado ter participação em empresas. Dizem-nos que são sectores estratégicos e eu até concordo. É estratégico para a classe política ter um leque de cargos administrativos para onde saltar depois de acabada a mama no governo.


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Manuel Lopes Marques recebeu indemnização de 210 mil euros

Notícia na imprensa de hoje [link]:
  • Rave contratou o ex-director da Refer, Manuel Lopes Marques, que recebeu indemnização de 210 mil euros

  • A situação foi confirmada ao jornal [O Público] por Rui Reis, porta-voz da Refer.

  • Seis meses depois, Manuel Lopes Marques foi contratado para assessor do conselho de administração da Rave (Rede Ferroviária de Alta Velocidade), que é presidida também por Luís Pardal [Luis Pardal preside à REFER e à RAVE] , com um vencimento mensal de 5050 euros.
Agora pasme-se com o comunicado da REFER [link]
[...]
1.O Jornal “Correio da Manhã” publica com grande destaque na sua edição de hoje uma notícia intitulada “Director da CP despedido indemnizado e de novo contratado”, a qual, além de grosseiras confusões e erradas referências à estrutura empresarial do sector ferroviário, aborda igualmente, sem elementar respeito pelo rigor e correcção devidos, o processo de revogação do contrato de trabalho por mútuo acordo com um quadro superior da REFER e, cerca de seis meses mais tarde, o início da colaboração técnica contratada entre a RAVE e aquele especialista.

2. O Conselho de Administração da REFER, nesta como em todas as matérias, pauta a sua actuação pelo que entende ser as boas regras de gestão e pelo cumprimento rigoroso da lei, e age com total transparência de procedimentos.

3. Nessa medida, o Conselho de Administração tomou a iniciativa de solicitar à sua Tutela a instauração de um inquérito, tendo em vista proceder a uma apreciação rigorosa de todos os procedimentos adoptados na situação em apreço.
[...]
Repare-se:
  • o cumunicado realça as "grosseiras confusões e erradas referências à estrutura empresarial do sector ferroviário". Okkkkkkkaaaayyyyyyy e eu a pensar que a parte escandalosa era mesmo a questão da indemnização dada a alguém que pouco depois voltou a trabalhar no mesmo grupo empresarial.

  • o CA da REFER "pauta a sua actuação pelo que entende ser as boas regras de gestão". Pois o busílis da questão está mesmo no entendimento da REFER. Mas permite-nos perceber a razão da Rave, em 2005, ter registado um resultado negativo de 22 mil euros e a Refer ter fechado o ano passado com prejuízos acima de 160 milhões de euros. Questões de entendimento, está visto.
  • Mas ficamos descansados, pois tudo se vai resolver. A RAVE encomendou um inquérito!
Pergunta ao no querido governo: onde é que posso assinar o cartão do partido?


PS: uma pérola disponível na página da REFER:


Higher Technical Institute?! Este homem é um mister LOL
Oh bazarouco, muda lá isso e escreve Instituto Superior Técnico. Mas pensando melhor... mais vale isso ficar em inglês. Pode ser que assim algum estrangeiro descuidado o contrate. Sempre era menos um boy.


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Sobre as remunerações da ANA, CGD, CTT e AdP em 2004

6,100,000.00 € (perante um número tão alto, tenho que pensar em contos: um milhão e 220 mil contos) é o montante que quatro empresas públicas ( ANA, CGD, CTT e AdP) gastaram em remunerações com os seus gestores em 2004.

Dito de outra forma, em 2004 quatro EP pagaram em cada mês 101.67 mil contos em remunerações. Se fosse correcto dividir em partes iguais este valor, isso significaria que cada uma delas gastou 25,417 contos por mês.

Claro que não nos devemos esquecer que aos valores pagos com remunerações existem sempre os habituais pacotes de "regalias", tais como cartão de crédito, isenção de horário, ajudas de custo, despesas de representação, telemóvel, carro, combustível, seguro de saúde, seguro de vida, casa, etc. Uma forma de aumentar consideravelmente a remuneração mantendo o salário "oficial". Além disso, estes montantes não são sujeitos a impostos por parte do trabalhador e aumenta, ainda, as despesas da empresa, a qual pagará menos IRC.

De notar ainda que muitos salários são complementados com acumulação de reformas devidas a cargos anteriores (nomeadamente, no caso dos políticos, dos gestores substituídos por outros de nomeação política, etc.).

A crise existe. Mas não para todos. A função pública do tacho continua em grande.


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De novo, as aulinhas de inglês

O nosso Primeiro anunciou um prémio para os professores. Ok, esperar para ver.

Enumerou também todas as mudanças que decorreram no último ano (penso que para mostrar que... há mudanças).

Mas faltou aquela mudança que é a de deixar de mudar a educação todos os anos! Já repararam que desde 1988 (quando a PGA foi inventada) não há estabilidade na área da educação, tal é o ritmo anual da mudança, com medidas e contra medidas? Ano após ano, mais uma estratégia salvadora é apresentada.

Sobre a coqueluche das aulas de inglês, o ano passado escrevi um texto que aqui deixo para reflexão.







Artigo do jornal Público e dissertação sobre os números de um negócio anunciado como medida inovadora

Colaboradora da vereadora da Educação
Assessora camarária fica com um quarto das aulas de Inglês das escolas de Lisboa
23.09.2005 - 09h49 José António Cerejo PÚBLICO

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1233611&idCanal=74

[ Nota: os comentários a verde não fazem parte da notícia original (autoria deste blogger) ]

As aulas de Inglês em quase um quarto das 96 escolas do 1º ciclo do ensino básico de Lisboa vão ser asseguradas, este ano lectivo, por uma empresa de que é proprietária a escritora Maria João Lopo de Carvalho, assessora da vereadora da Educação e Acção Social da Câmara de Lisboa, Helena Lopes da Costa.

A escolha dos parceiros responsáveis pelo ensino daquela língua coube aos conselhos executivos dos 31 agrupamentos escolares da cidade, que dependem directamente, a nível de instalações e de outros apoios, do gabinete da vereadora onde a escritora é a principal interlocutora das escolas. As propostas da empresa Know How, de que Maria João Lopo de Carvalho é gerente e única sócia, foram aceites por nove agrupamentos (que agregam 25 escolas) e foram já homologadas pelo ministério. [meras coincidências, sem dúvida]

Os restantes 22 agrupamentos escolheram um total de dez outros parceiros, entre institutos privados de línguas (cinco para 17 agrupamentos), associações de pais (três para três agrupamentos) e juntas de freguesia (uma para dois agrupamentos).

A possibilidade de as escolas providenciarem o ensino gratuito do Inglês aos alunos do 3º e 4º ano de escolaridade foi objecto de um despacho governamental de 24 de Junho, que fixa em cem euros por ano e por criança [ver nota] o valor a pagar pelo Ministério da Educação aos parceiros seleccionados. Para avaliação das propostas desses parceiros, o ministério fixou diversos critérios, entre os quais "a experiência demonstrada pelas entidades ao nível da promoção do ensino precoce da língua inglesa".

No caso da empresa Know How, criada em 1988 por Maria João Lopo de Carvalho e por um sócio para ensinar Inglês, alguns responsáveis de outros institutos de línguas concorrentes às escolas de Lisboa garantiram ao PÚBLICO que ela não tem há muitos anos qualquer actividade nesse domínio. A sua escolha por nove dos agrupamentos escolares da cidade provocou também mal-estar entre muitos professores, que não percebem o motivo dessa opção, mas não deixam de a associar ao facto de a dona da empresa ser assessora da vereadora.

"Modéstia à parte, faço isto muito bem"

"Fui escolhida, porque apresentei um programa pedagógico melhor que os outros e só por isso", diz Maria João Lopo de Carvalho. "As pessoas conhecem-me, sabem como sou organizada e como trabalho. Além disso, as minhas propostas foram as primeiras a chegar. O despacho é de 24 e logo a 25 mandei as propostas [dá jeito ter acesso a informação privilegiada!]", acrescentou.

A empresária confirma que a Know How já não dá aulas a crianças desde meados dos anos 90 [isto é como andar de bicicleta, numa mais se esquece], mas tem mantido sempre a sua actividade como representante em Portugal de colégios ingleses que organizam cursos de férias [representar colégios que organizam cursos de férias e dar aulas é a mesma coisa, está claro! ah! mas são ingleses; assim é diferente], em Inglaterra, para aperfeiçoamento da língua.

Maria João Lopo de Carvalho salienta que a Know How "foi a primeira escola em Lisboa a ensinar Inglês extra-curricular a crianças entre os quatro e os 12 anos." Essa actividade foi exercida durante alguns anos a partir de 1988, numa escola própria, mas o estabelecimento foi encerrado há quase uma década.

Confrontada com as críticas que lhe são feitas, a escritora garante que não foi ela quem fez os contactos com os conselhos executivos, mas sim uma sua colaboradora. No entanto, acrescentou: "Cheguei ao pé dos agrupamentos e disse: eu estou na câmara mas sei que, modéstia à parte, faço isto muito bem. Vou ter os melhores livros e os melhores professores. [então, contactou ou não os conselhos executivos? e como os outros concorrentes não terão dito nada disto...]"

"Para mim, concorrer com a Know How é um dever cívico [já lhe vi chamar oportunismo], porque sei que faço isso muito bem [larga experiência adquirida a representar colégios ingleses]. Sei fazer isso bem e sei que os 30 a 40 professores treinados por mim [esta senhora é um poço de surpresas! então não é que ela agora é também um magistério primário] vão ser uma mais-valia para os meninos de Lisboa."

Quanto à sua ligação à câmara, Maria João Lopo de Carvalho - que este Verão chegou a ser apresentada como candidata do PSD à Câmara de Vila Franca de Xira, mas depois desistiu [se calhar o negócio das aulinhas era melhor...]- diz que nunca a escondeu a ninguém e que se comprometeu a deixar a autarquia no dia das eleições. "Não há incompatibilidade legal nenhuma nesta situação, mas acho que não é bonito", conclui a escritora, justificando assim a sua prometida saída da câmara. [mas usar a sua influência decorrente dum cargo político já é; estamos sempre a aprender.]


Comentário
De que verbas estamos a falar neste negócio das aulas de inglês para o 1º ciclo?

Segundo o referido despacho do Ministério da Educação, o Inglês será ensinado "em regime de complemento educativo e de frequência gratuita, com uma duração semanal correspondente a 135 minutos" de aulas.

Questão nº 1: Qual é a receita bruta gerada por cada professor que leccione unicamente estas aulas?

Partindo destes dados:

  • se uma turma tiver em média 20 alunos (têm mais);
  • 100 euros por ano e por criança (definido pelo despacho do M.E.);
  • 135 minutos (2.25 horas) de aulas por semana (definido pelo despacho do M.E.);
  • o calendário escolar para 2005/06 (ver http://www.educare.pt/exames/calendario/calendario_novo.asp) representa 37 semanas de aulas.
  • carga lectiva média dum professor no ensino oficial = 22 horas semanais;
  • como as crianças estão agrupadas em turmas, cada turma terá 2.25 horas de aulas por semana;
  • Portanto as 22 horas semanais dum professor são suficientes para 22/2.25=9.78 turmas; ou seja, arredondando o valor anterior, cada professor terá em média 10 turmas.
  • Por outro lado, 10 turmas correspondem em média a 10*20=200 alunos;
  • 200 alunos correspondem a uma verba anual de 200*100 = 20,000 Euros.

Conclusão n.º 1: Cada professor é responsável por gerar uma receita bruta anual de 20, 000.00 Euro.

A sr.ª Maria João Lopo de Carvalho fala ter treinado 30 a 40 professores, portanto

Conclusão n.º 2: 30 a 40 professores gerarão uma receita anual média de 600,000 a 800,000 Euros. Valores por baixo, pois partiu-se de turmas com 20 alunos, quando na realidade têm mais.




Questão n.º 2: Qual é o lucro que um negócio destes poderá gerar?

  • se um professor gera uma receita anual de 20,000 Euros;
  • se há 37 semanas de aulas, estas serão leccionadas no normal período lectivo dum ano, ou seja, de meados de Setembro a meados de Junho. Isto são 10 meses;
Portanto é necessário estabelecer um contrato com um professor durante 10 meses, o que não levanta problema desde que seja a "recibo verde". Não sendo difícil encontrar no mercado professores a pedirem 500 Euros mensais "líquidos" em troca de prestação de serviços a "recibo verde", então:
  • Para se ter 500 Euros líquidos, é necessário incluir 11.5% para a Segurança Social e 30% para IRS. Ou seja, é necessário pagar ao professor 500 * (1 + 0.115 + 0.3) = 707.5. Sejamos genererosos e arredondemos para 1,000 Euros!
  • cada professor representa um custo de 1,000 * 10 meses = 10,000 euros anuais.
  • adicionemos mais 1,000 euros anuais por professor para despesas seja lá do que for (materiais didácticos por exemplo; mas isto são suposições, pois o decreto lei não obriga a isto).
Conclusão n.º 3: cada professor gera um lucro bruto de 9,000 euros anuais (20,000 - 10,000 - 1,000).

Conclusão n.º 4: 30 a 40 professores gerarão um lucro bruto de 270,000 a 360,000 euros anuais.



Uma vez que o salário da sr.ª Maria João Lopo de Carvalho ainda não foi contabilizado, este lucro bruto pode converter-se no seu salário, por forma que a despesa e o lucro bruto se anulam. Não havendo IRC a pagar.




Questão n.º 3: Que salário líquido sobra para a
sr.ª Maria João Lopo de Carvalho?


Ora bem, mesmo não havendo IRC a pagar, a sua empresa terá que pagar a Segurança Social correspondente ao seu salário. Esta é:


a) Caso de 30 professores:
270,000 = (salário líquido) + (percentagem de desconto da empresa para a segurança social) <=>

270,000 = X + 22 % <=> X = 270,000 - 22% = 270,000 * (1 - 0.22 ) = 210,600 euros por ano


b) Caso de 40 professores:
X = 360,000 * (1 - 0.22) = 280,800 euros por ano


Portanto, isto dá um valor anual entre os 210,600 e os 280,800 euros líquidos. Ou em 14 meses (incluíndo subsídios de férias e de Natal): entre 15, 042.86 e 20,057.14 euros líquidos mensais.

Conclusão n.º 5: para 30 a 40 professores à sua responsabilidade, a sr.ª Maria João Lopo de Carvalho consegue um salário mensal LÍQUIDO (de 15,042.86 a 20,057.14 euros (mais os subsídios de férias e de Natal neste mesmo valor).




Já frisei o sufíciente que isto são valores por baixo? E que estes últimos valores são valores líquidos? É agora mais claro porque é que este negócio é mais apetitoso do que os cargos políticos a que a senhora Maria João Lopo de Carvalho poderia aspirar?

Compreendem agora, caros contribuintes fiscais, porque é que a "escritora" Maria João Lopo de Carvalho, assessora da vereadora da Educação e Acção Social da Câmara de Lisboa, principal interlocutora das escolas de 31 agrupamentos escolares de Lisboa, apresentou as suas propostas imediatamente no dia seguinte à publicação do despacho do M.E.? Escolas estas que dependem directamente, a nível de instalações e de outros apoios, do gabinete em que esta assessora trabalha.
Já vos é claro porque é a sócia gerente de uma empresa fechada há cerca de uma década recusou ser candidata do PSD à Câmara de Vila Franca de Xira?

Percebem agora como é fácil a demagogia, falando de rigor e contenção para depois optar por uma solução mais dispendiosa do que contratar professores do ensino básico?

Este sim, é um verdadeiro privilégio, o de se ter acesso a informação que o resto do mercado não tem, conseguindo ter uma proposta feita no dia seguinte ao da publicação de um diploma. O privilégio de se estar numa posição que permita exercer pressão para que uma proposta seja aceite em detrimento de outras. Mas não é este género de privilégios que o Primeiro-Ministro tão obsessivamente quer extinguir. Este é feudo da classe política!

São estes os números do dever cívico de todas as senhoras Maria João Lopo de Carvalho que por este país fora hão-de ter feito negócios semelhantes.

Se me enganei em alguma conta, e estes valores são exagerados, agradeço que me corrijam. Fár-me-á bem à saúde mental saber que afinal o descaramento tem um custo mais baixo.


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Ainda a Susana Dutra



Andava eu a blogar e encontrei uns textos meios manhosos sobre esta Dutra onde afirmavam ser filha do Ministro. Mentira, está claro. Ainda para mais, estampada em vários blogs de conteúdo de extrema direita. Velha técnica deles: usar algo socialmente controverso e ganhar apoiantes pelo revolta provocada. Técnicas baixo-ventre...

Mas encontrei a nota de imprensa sobre o mail que nessa altura circulava:

http://www.mj.gov.pt/sections/informacao-e-eventos/imprensa/nota-contratacao-de

Nota - Contratação de Susana Dutra

Em relação à contratação de Susana Dutra como assessora do gabinete do ministro da Justiça, cumpre esclarecer o seguinte:

1 – Susana Dutra foi contratada tendo em vista, em primeira linha, a substituição do actual website do Ministério da Justiça por um portal de serviços e informações aos cidadãos e às empresas para a área da Justiça.

2 – Este novo portal, que já está on-line, exigiu a contratação de Susana Dutra, de modo a acompanhar desde já o processo de implementação técnica do portal e a sua gestão editorial.

3 – O novo portal será tecnicamente desenvolvido pelos serviços do Ministério, sem que isso envolva qualquer custo adicional.

4- Pelo contrário, até ao momento a concepção técnica e a gestão editorial do actual website estavam a cargo de uma empresa externa, contratada pelo anterior Governo, com os custos financeiros e dificuldades de comunicação inerentes a esta situação.

5 – A contratação de Susana Dutra como assessora do Gabinete foi feita com integral respeito dos procedimentos legais e o seu vencimento decorre da lei, sendo até do ponto de vista financeiro mais vantajosa que a manutenção do contrato com uma entidade externa ao Ministério.

6 – Paralelamente ao seu trabalho na gestão editorial do novo portal da Justiça, a Susana Dutra, jornalista com experiência na imprensa escrita e na gestão editorial de websites, colaborará igualmente no trabalho regular de assessoria de imprensa.

7- O Ministério da Justiça desmente de forma categórica a existência de qualquer relação de parentesco entre o ministro da Justiça, Alberto Costa, e a assessora de imprensa, Susana Isabel Costa Dutra.

09 de Fevereiro de 2006

Digo-vos que fiquei muito mais descansado. Assim, TAMBÉM TENHO HIPÓTESE DE APANHAR ESSE TACHO!

"e o seu vencimento decorre da lei"
Qual é ela?

"sendo até do ponto de vista financeiro mais vantajosa que a manutenção do contrato com uma entidade externa ao Ministério"
Portanto, escolher de entre dois males o menor...

Gostariam que me dissessem onde é que na iniciativa privada um webmaster ganha esta pipa de dinheiro. Sim, porque "trabalho na gestão editorial do novo portal da Justiça" é trabalho de webmaster. Ou é o "trabalho regular de assessoria de imprensa" que justifica esta mordomia? (Era jornalista do Record!!!)

Haja é menos descaramento na gestão do NOSSO dinheiro.

[adenda, 07-07-2007]
o link que aqui publiquei neste post em 4 SET 2006 já não existe. Esta é a mensagem de erro:

«Resource not found
The resource you asked was not found. If the document has moved you may find it using the search form below.»
Compreendo, é realmente uma chatice dia após dia saber que há na página do Ministério em que trabalhamos uma nota proveniente do chefe onde é explicada a razão de se estar a receber uma pipa de massa por um trabalho que um estudante de licenciatura faz para obter o 9.5 da praxe.