a política na vertente de cartaz de campanha

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Uma casinha caiada

casinha

Era uma vez uma casinha, trabalhadora mas com a pintura desbotada pela intempérie. Levantava-se quase às nove, já em plena hora de ponta da rotunda de Massamá, apesar do despertador diariamente fazer tiriri-tiriri-tiriri com uma antecedência suficiente para evitar correrias. Mas o Malato, depois o Espírito indomável e por fim o CSI empurram a leitura da Margarida Rebelo Pinto para tão tarde que as manhãs se colam às costas da noite.

A sua juventude foi fulgurosa, irrequieta, imediata. Sobretudo imediata. Hábitos de trabalho e esforço pouco importavam quando o branco da sua fachada tanto olhar ofuscava. E quando a telha marselhesa do seu beiral, desgrenhada ao vento em trejeito rebelde, fez notável sensação. Quem se preocupa nessa idade com anexos e garagens, fontes de atenção para toda a vida?  Ou com arrecadações para os 12 anos de enciclopédias trazidas diariamente à porta, isto se descontarmos as férias do Natal, da Páscoa e do Verão. O tempo era o instante e este incompatibilizara-se com o planeamento do futuro.

Com os pilares cansados e o branco sujo, os dias passavam rotineiros e sem expectativas. O vigor era menos e já havia dado como certo o seu rumo quando o Engenheiro a encontrou. Mirou-a e sabedor que ali teria uma eleitora, deu-lhe a conhecer a Revelação. Um andaime, uns dossiers e três meses de auto-ajuda na escrita da sua Experiência de Vida trazer-lhe-iam uma pintura nova e de primeira qualidade. Igualzinha à daqueles que estudaram 12 anos de fascículos da Luso-Brasileira. E que, se usasse uma encadernação térmica com capas plásticas, ainda se poderia candidatar-se ao Superior Patamar que lhe seria colocado por cima do terraço.

Novas Oportunidades não aparecem todos os dias e a casinha empenhou-se. Hoje está pintada com 20 valores e quase não se vêm as rachas no reboco nem a derrocada parece tão eminente. Continua a ficar presa no engarrafamento matinal mas agora, Doutora feita, não se coíbe de barafustar com maior veemência quando não lhe facultam uma passagem prioritária na bicha. E até lhe faz bem, já que assim entretida vai ficando no esquecimento o prometido amanhã dourado que uma fachada caiada para inglês ver não trouxe.



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Ter olho compensa

 ter olho compensa

«Melhor» aluno entrou na universidade sem acabar o liceu

Média de 20 valores foi conseguida com apenas um exame. Jovem conseguiu equivalência ao 12.º através das Novas Oportunidades e admite que beneficiou de uma injustiça [tvi24]

 

Checklist

  • Trabalho diário, ano após ano, para terminar o secundário com a melhor nota possível - Inscrever-se nas Novas Oportunidades
  • Fazer vários exames - Fazer apenas o(s) exame(s) exigido(s) como prova(s) de ingresso no curso que se queira
  • Trabalho extra nas disciplinas para as quais se tenha maior dificuldade - Desistir e ir para as Novas Oportunidades

Em suma

Quem queria ver, já há muito sabia que as assolapadas paixões educativas que assaltaram vários governos mais não eram do que fogo de artifício para brilhar enquanto a fasquia da exigência ia sendo descida. Mas agora não conseguirei evitar rir com escárnio de cada vez que os do costume vierem falar em qualificação, exigência e aposta na educação. Mau feitio meu, só pode.