a política na vertente de cartaz de campanha

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Notícias desse país

Campos junto ao Rio Pranto

Sem televisão e com pouca rádio - mas sobretudo sem net - têm os dias passado sem sobressaltos. O temporal que fez furor nas notícias, facto que pude (desnecessariamente) comprovar, trouxe-me anos idos à memória. Tempos em que as manhãs começavam com quinze minutos de caminhada até à camioneta que me levaria à cidade, a dezoito quilómetros de distância, onde depois de outros vinte minutos chegaria ao liceu. Nesses idos anos oitenta, antes das obras de hidráulica do Baixo Mondego, eram frequentes as cheias nos campos de arroz. Não havia televisões a fazer a cobertura - até porque só havia "a" televisão - nem prevenção civil a emitir alertas. Mas as pessoas sabiam que a chuva viria e preparavam-se. Limpavam valetas, removiam a vegetação das valas e, também, o solo não estava tão impermeabilizado com cimento como agora.

Tal como por estes dias, o dinheiro era igualmente escasso. Banalidades de hoje, como uma bola de berlim, eram uma alegria. Que por vezes se trocava por uma outra maior, que era a ida à Luna para dois jogos de Space Invaders - duas moedas de dois escudos e cinquenta centavos (vinte e cinco tostões como lhes chamávamos). Os dias de então eram como estes que agora experimento na ausência do frenesim noticioso. E sem o desemprego, coisa que se ouvia dizer ser alta em Espanha, deixando-nos patrioticamente confortados. E com as mesmas cheias, que eram boas por fecharem a estrada do Campo, o que significava dia sem aulas por causa do autocarro não passar.

Alcatrão e betão à parte, trinta anos não mudaram assim tanto os dias de hoje. Excepto que o desemprego chegou em força e a histeria político-noticiosa é mais omnipresente, muito graças aos novos canais televisivos.

 

Foto: bordadocampo.com. Sobre as cheias do Baixo Mondego, ver: A Ponte-Açude de Coimbra (e também a DGADR).



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Convento de Seiça





O Convento de Seiça fica no concelho da Figueira da Foz, a sul do Mondego,junto aos campos de arroz do rio Pranto (mapa).Foi edificado por monges cisterciences no século XII e, aquando das nacionalizações dos bens das ordens religiosas, foi transformado numa fábrica de descasque de arroz. Posteriormente foi transformado em vacaria e desde a década de 80 (?) que está ao abandono. Quando da construção da linha de comboio do Oeste, uma parte do convento foi demolida para que a linha passasse por cima do convento. No mandato de Pedro Santana Lopes na Câmara Municipal da Figueira da Foz, a autarquia adquiriu as ruínas que sobraram do convento por cerca de cem mil euros com o objectivo restauro, o que nunca veio a acontecer. Presentemente,o convento continua a cair e o o seu ex-libris, as oliveiras que nasceram no campanário duma das torres, tem agora novos inquilinos: casais de cegonhas que lá vão fazer ninhos.


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Vou requalificar o meu quintal

Confesso que fiquei fascinado, possivelmente por não compreender o significado. Por isso fui em busca, num dicionário da língua portuguesa, da definição de "requalificação", no contexto de "requalificação urbana". Não a ter encontrado no primeiro que me veio à mão despoletou uma aborrecida e inconsequente pesquisa pelos diferentes dicionários, que por aqui tranquilamente repousavam na estante. A demanda terminou quando as versões online dos dicionários da Porto Editora, da Texto Editora e da Michaelis também não foram esclarecedoras.

Fiquei assim sem saber o que tinham feito ao Jardim Municipal da Figueira da Foz. Segundo a Câmara Municipal, em 30-07-2005 ocorreu a "Inauguração das Obras de Requalificação do Jardim Municipal", o que em nada me esclareceu. Precisei então de comparar o antes e o depois para sair deste impasse.

Jardim da Figueira da Foz, anos 801. Jardim da Figueira da Foz, anos 80

2. Jardim da Figueira da Foz, Agosto 2005

Há uma etapa entre estas duas fotos mas já lá irei. Tendo encontrado a fotografia 1, feita nos anos 80, procurei reproduzi-la na actualidade, sendo o resultado a fotografia 2. E qual é a imediata e óbvia constatação? O número de árvores é manifestamente inferior.

Será este o significado de "requalificação"? Cortar uma considerável quantidade de árvores? Uma vez que ainda não encontrei este termo aplicado ao desbaste da Amazónia, deve haver algo mais. Vejamos pois esta metamorfose mais em pormenor.




3. Jardim da Figueira da Foz, Agosto 2005

Aparentemente "requalificar" inclui edificar painéis de propaganda - 5 no caso, mesmo antes do período eleitoral.

Este ímpeto de lenhador começou, na verdade, no mandato de Pedro Santana Lopes. A Av. Foz do Mondego, contígua ao jardim, perdeu a quase totalidade das árvores existentes. Mas ganharam-se uns dois lugares de estacionamento, pagos e ao sol. O próprio jardim sofreu então o primeiro abate, se bem que ainda tímido, ficando com o aspecto da fotografia seguinte.

4. Jardim Municipal durante o mandato de Pedro Santana Lopes

Nesta fase, a transformação mais visível foi o abate das árvores entre o passeio e a estrada, dando lugar ao relvado em forma de ondas.

Sobrepondo esta fotografia com o plano da Câmara para o novo jardim, ficamos com uma ideia grosseira da extensão do abate de árvores.

5.Transformação do Jardim Municipal

As cruzes não denotam árvores mas sim a mancha verde correspondente a árvores. As cruzes vermelhas indicam as áreas onde foram cortadas árvores no mandato de Pedro Santana Lopes e as azuis no 1º mandato de Duarte Silva. As bolas azuis correspondem à substituição do relvado em forma de ondas pelo actual sistema de repuxos. Realço que não disponho de informação exacta sobre o número de árvores cortadas, sendo portanto aqui apresentada uma quantificação subjectiva. Mas basta ter olhos e memória para perceber que entre o antes e o agora muitas árvores foram cortadas.

Outros aspectos da "requalificação" foram:
  • O parque infantil foi equipado com os materiais que agora parece se terem tornado normal em todos os parques infantis, como se dum franchising nacional se tratasse.
  • O lago desapareceu e, realmente, não deixa saudades.
  • O coreto foi substituído por uma "moderna" pala. Já alguém verificou se a respectiva sombra realmente abriga os músicos do sol?
Estas alterações, por si, não justificam tamanha obra, a qual custou aos contribuintes a módica quantia de € 979,922.95 (adjudicação da obra) mais 122.124,78 €, correspondendo estes aos clássicos "trabalhos a mais não previstos" das obras públicas (12% do valor adjudicado!!!). Ou seja, € 1,102,047.73 - cerca dum milhão e cem mil euros. Com toda a certeza que o município não precisava dum investimento de 220 mil contos em mais nenhum outro lado.

Neste momento já estou mais esclarecido. "Requalificar" implica cortar árvores, fixar propaganda e gastar muito dinheiro.

E o Presidente da Câmara Municipal, terá algo a dizer sobre este assunto? Eis uma transcrição:

Acta da Assembleia Municipal de 26-02-2004
«Relativamente à questão ambiental que preocupa muita gente, preocupa imenso a Câmara [...]. Portanto há aqui uma preocupação: - a reflorestação da Cidade, a melhoria dos parques, o projecto para remodelação do Jardim Municipal.»
Reflorestação da cidade?! Mas que estive aqui a escrever! Afinal não cortaram as árvores do jardim, devem ter sido transplantadas. Assim sendo dou por terminada a escrita, ainda para mais porque tenho ali um trabalhinho para fazer. Um raio duma figueira já há muito que me estorva à vista. Não que ela seja desagradável, antes pelo contrário. A questão é que está no meio dum pomar tão mal cuidado que acaba por destoar. Pelo que não tendo vontade de melhorar todo o pomar, corto-a. E no lugar dela ponho uma tabuleta a dizer "Cuidado, veneno nas maçãs". Não é verdade mas sempre fica a dúvida.