a política na vertente de cartaz de campanha

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A carta do CEO da Nokia

Uma notável carta do CEO da Nokia aos seus co-nokianos. Sobre a Apple, o Android e demais concorrência. Sobre a própria Nokia e a forma de encarar o presente. A ler no 31 da Armada.

Eu, que fui entusiasta dos produtos dessa empresa, acabei por mudar para uma marca branca, um tal "Boston", pela simples razão de estar anos luz à frente do que a marca tinha para oferecer. Por um preço aceitável, ganhei um bom dispositivo de acesso à net e um mau telefone. Um inconveniente menor, uma vez sinto menos falta do telefone do que da net.

Vi a empresa definhar a cada resposta inadequada à concorrência. Como é que eles mesmo não o viram? Às vezes não queremos ver, fale-se de pessoas, de empresas, de governos ou de países. A prova é o Portugal que aí está, à beira do colapso financeiro e, segundo o líder, no rumo certo. Em direcção às chamas, seguramente.



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Uma mala de cartão e um posto dos correios

Cansado da dura labuta, como a de todos os que passam o dia a usar o CU*, perdão, o CC** para mandar currículos por mail digitalmente assinado, coisa que impressiona de sobremaneira todo e qualquer empregador disposto a pagar até 800 euros (ilíquidos) por um licenciado, dizia, cansado dessa vida, decidiu-se Antomílio Pinto de Sousa (o nome é apenas uma coincidência) por uma vida melhor.

Ainda a mala não estava toda desmanchada e já tinha um emprego de prestígio, dizia-lhe o patrão, onde “todos os que eram alguém em Bruxelas acabavam por passar”, facto que ele atestava de cada vez que levantava os olhos da louça para olhar através da janela da copa.



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No coração da UE

Quem chega ao aeroporto de Bruxelas terá pela sua frente labirínticos corredores em jeito de emaranhado de escadas e passadeiras, como que funcionando de aviso àqueles que se dirigem à Comissão. São instalações funcionais, mesmo assim, e sem exuberância novo-riquista em moda nalguns jardins à beira mar plantados.

É um aeroporto localizado a pouca distância do centro da cidade, o que desde logo fez soar alarmes nesta cabecinha habituada à lusa argumentação sobre o perigo de um aeroporto com localizações destas. Serão os belgas doidos? Será possível que não lhes passe pela cabeça mudar o aeroporto para seja necessário construir pontes e linhas férreas?

É irónico mas não é no coração da UE que se fazem as grandes obras públicas quem empenham uma geração inteira. Há anos que gastamos o que não temos, sempre com a promessa que é condição necessária para sairmos do buraco e, no entanto, onde está esse progresso? Dizem que não chega por causa dos malvados dos mercados e do FMI. Esses sacanas que se coíbem de emprestar dinheiro.

Temos uma rede viária de luxo para os que aí vêm pagarem. É o progresso a 120Km/h, para mais rapidamente irmos das compras no hipermercado à bicha do centro de emprego.



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Sábado

Hoje é sábado. Poderia ser outro dia se a luz viajasse com velocidade diferente. Que até viaja, já que nos tempos do Big Bang  a constante c era, afinal, uma variável.  E numa redoma de vidro, por não ser o vácuo, também a luz demora mais tempo a ir de um ponto a outro.

Portugal, dizem, está 25 anos atrasado relativamente à Europa. Parece que o tempo corre aqui a outro ritmo. Poderá assim ser por a luz no nosso rectângulo viajar a uma velocidade menor. O que faz sentido se atendermos a essa campânula vítrea que parece isolar os nossos governos do país que os rodeia.

 

Sobre a teoria da velocidade variável da luz e sobre João Magueijo, um dos seus autores, é de ouvir o programa Pessoal e Transmissível de 25 de Setembro de 2007. Deveras interessante.



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Uma casinha caiada

casinha

Era uma vez uma casinha, trabalhadora mas com a pintura desbotada pela intempérie. Levantava-se quase às nove, já em plena hora de ponta da rotunda de Massamá, apesar do despertador diariamente fazer tiriri-tiriri-tiriri com uma antecedência suficiente para evitar correrias. Mas o Malato, depois o Espírito indomável e por fim o CSI empurram a leitura da Margarida Rebelo Pinto para tão tarde que as manhãs se colam às costas da noite.

A sua juventude foi fulgurosa, irrequieta, imediata. Sobretudo imediata. Hábitos de trabalho e esforço pouco importavam quando o branco da sua fachada tanto olhar ofuscava. E quando a telha marselhesa do seu beiral, desgrenhada ao vento em trejeito rebelde, fez notável sensação. Quem se preocupa nessa idade com anexos e garagens, fontes de atenção para toda a vida?  Ou com arrecadações para os 12 anos de enciclopédias trazidas diariamente à porta, isto se descontarmos as férias do Natal, da Páscoa e do Verão. O tempo era o instante e este incompatibilizara-se com o planeamento do futuro.

Com os pilares cansados e o branco sujo, os dias passavam rotineiros e sem expectativas. O vigor era menos e já havia dado como certo o seu rumo quando o Engenheiro a encontrou. Mirou-a e sabedor que ali teria uma eleitora, deu-lhe a conhecer a Revelação. Um andaime, uns dossiers e três meses de auto-ajuda na escrita da sua Experiência de Vida trazer-lhe-iam uma pintura nova e de primeira qualidade. Igualzinha à daqueles que estudaram 12 anos de fascículos da Luso-Brasileira. E que, se usasse uma encadernação térmica com capas plásticas, ainda se poderia candidatar-se ao Superior Patamar que lhe seria colocado por cima do terraço.

Novas Oportunidades não aparecem todos os dias e a casinha empenhou-se. Hoje está pintada com 20 valores e quase não se vêm as rachas no reboco nem a derrocada parece tão eminente. Continua a ficar presa no engarrafamento matinal mas agora, Doutora feita, não se coíbe de barafustar com maior veemência quando não lhe facultam uma passagem prioritária na bicha. E até lhe faz bem, já que assim entretida vai ficando no esquecimento o prometido amanhã dourado que uma fachada caiada para inglês ver não trouxe.



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Como numa novela de há uns anos

RTP: primeira mira técnica Há uns anos, quando televisão e RTP1 eram sinónimos, mesmo se atendermos ao fugaz lampejo que eram as quatro ou cinco  horas de emissão nocturna da RTP2, a telenovela que estivesse no ar tinha sempre alguns pontos em comum. Lembro-me das actuações com ar forçado e, apesar delas, da continuada presença dos mesmos rostos. Como se uma má representação não fosse motivo suficiente para mudar de actores. Mas tudo se passava em circuito fechado, numa viagem por vias paralelas à realidade.

De cada vez que olho esse Prós&Contras parece que estou a ver uma dessas novelas. As mesmas caras e a mesma artificialidade, também funcionando em re-alimentação.

Como é que se mudam estes actores que nos governam quando o público acaba sempre por bater palmas no final da peça?



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Notícias desse país

Campos junto ao Rio Pranto

Sem televisão e com pouca rádio - mas sobretudo sem net - têm os dias passado sem sobressaltos. O temporal que fez furor nas notícias, facto que pude (desnecessariamente) comprovar, trouxe-me anos idos à memória. Tempos em que as manhãs começavam com quinze minutos de caminhada até à camioneta que me levaria à cidade, a dezoito quilómetros de distância, onde depois de outros vinte minutos chegaria ao liceu. Nesses idos anos oitenta, antes das obras de hidráulica do Baixo Mondego, eram frequentes as cheias nos campos de arroz. Não havia televisões a fazer a cobertura - até porque só havia "a" televisão - nem prevenção civil a emitir alertas. Mas as pessoas sabiam que a chuva viria e preparavam-se. Limpavam valetas, removiam a vegetação das valas e, também, o solo não estava tão impermeabilizado com cimento como agora.

Tal como por estes dias, o dinheiro era igualmente escasso. Banalidades de hoje, como uma bola de berlim, eram uma alegria. Que por vezes se trocava por uma outra maior, que era a ida à Luna para dois jogos de Space Invaders - duas moedas de dois escudos e cinquenta centavos (vinte e cinco tostões como lhes chamávamos). Os dias de então eram como estes que agora experimento na ausência do frenesim noticioso. E sem o desemprego, coisa que se ouvia dizer ser alta em Espanha, deixando-nos patrioticamente confortados. E com as mesmas cheias, que eram boas por fecharem a estrada do Campo, o que significava dia sem aulas por causa do autocarro não passar.

Alcatrão e betão à parte, trinta anos não mudaram assim tanto os dias de hoje. Excepto que o desemprego chegou em força e a histeria político-noticiosa é mais omnipresente, muito graças aos novos canais televisivos.

 

Foto: bordadocampo.com. Sobre as cheias do Baixo Mondego, ver: A Ponte-Açude de Coimbra (e também a DGADR).



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Teoria dos vasos comunicantes do lucro fácil

vasos comunicantes do lucro fácil



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O meu baptismo de Freeport

Freeport

Estreei-me ontem no Freeport. Desaguei no outlet da Reserva Natural do Tejo numa passagem de carro por aqueles lados. Um espaço aberto e embelezado com fontes que proporcionam um agradável sincopado de água chilreante. Atendendo ao pesado ambiente que tem pairado sobre este empreendimento, o ar era surpreendentemente respirável.

Caminhando por aquela pequena aldeia erguida sobre um estacionamento subterrâneo pude com rigor constatar que cerca de 90% das lojas destinam-se à venda de roupa. Espantoso. Seis anos de investigação por causa de umas camisas Lacoste. E a feira de Carcavelos tão mais próxima da Rua da Escola Politécnica.

O sol ia ganhando tons torrados e a perspectiva de uma bela imperial ganhou forma até se tornar incontornável. Finalmente sentado, de copo à minha frente, tive uma epifania. Quem ali planeara construir um cemitério, anos antes do Freeport existir, estava absolutamente certo. A cerveja veio completamente morta. Um detalhe menor num grande dia passado no Deserto da Margem Sul.

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Tempo de férias

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Lisboa, tarde quente. Hoje.
Devo parecer um turista pois já por duas vezes me perguntaram com sotaque ligeiramente anglo-saxónico “ache? coke?”, enquanto me deixava levar pelo destino sem ponto de chegada.
Querendo, seria fácil a polícia acabar com esta pequena (será este o qualificativo correcto?) criminalidade. Umas sandálias e um calção pirata chegariam.

A Rua do Ouro tem o encanto do anacronismo, com as suas fachadas da Viena imperial ao lado das esplanadas germinadas a partir do mobiliário de plástico.
E tem a luz. A luz de Lisboa, diz o cliché, dizemos nós que é cliché, porque luz temos em abundância.
Quem parece uma sardanisca à procura de uma réstia de sol, como os bávaros, que fazem uma grelhada nas margens do Isar, mal umas horas de sol se antecipam no horizonte, não percebe que não nos deslumbremos perante esta dádiva.
Nós também temos dificuldade em perceber como é que eles têm dinheiro para cá virem apreciar estes ares.

Uma imperial, se faz favor, que é como por cá se chama a um fino.
Deixo aquelas gotas geladas empurrarem o calor que me rodeia como um abraço.
Um fino, a luz e tempo para apreciar ambos, marcam o momento, que é de férias.
Pequenas coisas que fazem grandes dias.

 

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Lá fora é que é bom

A habitual escrita contundente de Ferreira Fernandes num texto sobre os testes de stress à banca: «O teste do 'stress' e os portugueses». Quanto ao tema em causa, aqui fica também a minha tradução: «Nós (isto é, os outros) não valemos nada».



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Mais vale rir – 158

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Prepara esta sequência de imagens para um texto (que acabou por não sair) sobre a evolução da política portuguesa nos últimos anos.

Na minha perspectiva, a nossa governação tem funcionado por camadas que se sobrepõem, onde novas características se foram sobrepondo às anteriores. Pelos anos 80 assistimos à governação pela produção legislativa. Esta manteve-se no reinado de Cavaco mas a transformação da política em números económicos foi notória. Com a chegada de Sócrates vimos a estas dimensões serem introduzidos os "estudos" (da OCDE, por exemplo) para justificar decisões políticas. Neste contexto, o governo não era responsável pelas suas decisões, que o ultrapassavam pela sua inexorável inevitabilidade. A par com esta abordagem, acentuou-se o cariz mediático da política em que passámos a assistir à apresentação de políticas em directo nas televisões e pela primeira vez, em vez de estas surgirem nos habituais contextos de debate político, como o parlamento. Esta última camada corresponde à governação pela aparência, na qual as agências de comunicação substituem os órgãos de comunicação social.

Mas é preciso não esquecer que estas formas de governar só existem porque é desta forma que os eleitores se deixam convencer, demitindo-se da análise da realidade. Não há coitadinhos nesta história.

(republicações, diariamente às 12h30, de bonecada antiga)



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Ach Portugal!

Lisboa sem hora certaHans Magnus Enzensberger, poeta, ensaísta, tradutor, escritor e editor alemão, disserta no seu livro "Ach Europa!" (*) sobre sete países europeus, Portugal incluído. Escreve na página 182 e seguinte (numa tradução livre):

«Há muitas assincronias no nosso mundo. Porque é que há apenas linhas isotérmicas e isobáricas? Seria muito mais interessante encontrar linhas em que se poderia ver que zona temporal estaríamos a passar quando viajamos. Linhas que mostrariam as brechas da história. Poder-se-iam chamar "linhas isocrónicas". Vamos supor que o leitor e eu viveríamos de facto no ano de 1986 - um pressuposto audaz! - e iríamos visitar uma pequena cidade perto de Berlim. Talvez nos parecesse que estivéssemos no ano de 1958. Uma colónia no Amazonas podia-se datar como sendo de 1935 e uma mosteiro do Nepal como sendo da época napoleónica. Num mapa assim, grande parte de Portugal seriam ilhas temporais. (…) Em Portugal pode acontecer-lhe ainda hoje que um fornecedor lhe escreva uma carta e que assine com as palavras "Com a maior consideração", "De V. Ex.ª", "Atto. Ven.dor" e "Ob.gdo". Repare também nos relógios. Nos muitos relógios nas torres, nos mercados, nas esquinas das lojas. Eles vêm de uma altura em que o relógio era algo raro, precioso. Apenas farmacêuticos, directores e juízes teriam dinheiro suficiente para ter o seu próprio relógio. Vai verificar que todos estes relógios públicos não estão certos. Melhor dizendo, estão parados. Ninguém lhes dá corda.»

Ontem na SIC, no Jornal da tarde, foi notícia o relógio da Rua Augusta que se encontra parado há alguns anos. Veio-me à memória esta ilha temporal em que vivemos, pela qual passam as tempestades da formação profissional, do choque tecnológico e do Simplex sem que enraizados hábitos sofram um abanão.

* Edições: alemão, inglês, espanhol. Primeira edição: 1987 (alemão).



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Hoje deu-me para basculhar no baú das antiguidades

Desencontro

O encontro não teria sido casual se alguma vez tivesse acontecido. Cinco minutos de espera foram mais fortes do que a incerteza, por isso Sara decidiu que ele não viria. Um sentimento de aliviada desilusão percorreu-lhe o corpo, deixando uma surpreendente sensação de bem estar. Caminhou um pouco pela rua repleta de esplanadas enquanto antecipava o gosto da Guiness que iria tomar em breve no Irish Pub. Se Carlos tivesse vindo, conforme ficara combinado depois do longo flirt da noite anterior, estariam agora a caminhar lado a lado, procurando um tema de conversa menos apagado do que este fim de dia.

O ar carregado do pub desceu pelo seu corpo, intenso e quente como as mãos de Carlos que ontem haviam explorado a sua pele macia. Sentiu-as fortes, navegando discretamente na suas costas. Ela tinha querido abraça-lo, sentir o cheiro da sua pele, deixa-lo caminhar entre os seus vales e colinas, sentir-se sem fuga, entregue, sem recuo. Foram os olhos que a venceram. Ou talvez a ausência de hesitação quando Carlos lhe sorriu com um piscar de olhos. O seu interesse fora reconhecido, como uma presa prestes a ser caçada. Percebia agora que nada em contrário poderia ter feito quando ele pegou na sua mão para a levar para a rua. Mesmo sentindo-se entregue, foi com surpresa que assistiu a Carlos continuando a conquistar-la. Falou-lhe ao ouvido, entre mordiscadelas e beijos, todas as coisas que lhe agradava ouvir, como se o seu pensamento mais não fosse do que um livro aberto. E depois, como se fosse necessário demonstrar quem controlava a situação, foi-se embora, marcando apenas este encontro que não cumprira.

Durante este curto caminho para o pub, não pode deixar de sentir esse alívio trazido pela inesperada liberdade que julgara perdida. Como a quem o acaso um problema resolve, assim Sara respirava como se algum colete tivesse deixado de existir. A cerveja soube-lhe novamente a amargo, como a boca de Carlos. Percebeu que a sedução não era um jogo que pudesse ganhar. Nem a traição. Um desencontro a levaria mais cedo para casa, ainda sobrando tempo para preparar um inesperado jantar a dois.



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Qual é o som do fliscorno?

 

Qual é o som do instrumento que empresta o nome a este blog?

Neste vídeo, Arturo Sandoval toca "When I fall in love" (de Nat King Cole) no Festival de Jazz de Madrid (Fev. 2008 (?) ). A gravação não é por aí além mas o timbre do fliscorno é nítido. Note-se o som suave, quando comparado com o trompete (aqui, por exemplo).

Já agora, uma nota. Em Portugal este instrumento é também conhecido por fliscorne, sendo possivelmente a variação mais comum. Optei no entanto pela grafia "fliscorno" que permite brincar com a associação de palavras óbvia mas enganadora. Tal como a "política na vertente de cartaz de campanha", o lema do blog.

Bem, por aí, mais coisa menos coisa :-)

PS: a música original, cantada ao vivo pelo autor: Nat King Cole - When I Fall In Love - Live (rare)



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Meter o pé na poça, com amor

image J. Sócrates certamente que terá visto ou lido, ou então é um génio da manipulação (as duas coisas, parece-me). Já Elza Pais é que, surpreendentemente, não me parece conhecedora do Ministério do Amor, o que lhe valeu meter o pé na poça. Quanto a isto do 1984, dá para umas cenas giras - já me serviu para escrever umas tantas parvoíces - mas o facto é que Orwell errou na ideia de uma sociedade tele-vigiada contra a sua vontade. As pessoas facebookam-se, Buzzam-se, Hi5vam-se, Twittam-se, blogam-se expõem-se de livre vontade, ignorando todos os que - mais velhos por norma - lhes dizem que demasiada exposição queima, como na fotografia. O que também se aplica à política. Elza Pais ao oferecer a sua imagem para uma iniciativa cor-de-rosa revelou-se com cor a mais.



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Crónica de uma manhã qualquer

Sunrise, today in Lisbon Quase oito, é melhor correr antes que o trânsito entupa. Ao menos não chove, pode ser que não haja bicha. Ligar o rádio e ouvir o Portugalex. Os tipos têm pinta e conseguem fazer de notícias pateticamente tristes um momento de riso. Não está mau, bastarão cinco minutos para chegar ao cruzamento. 100 metros em 5 minutos. Lá está o local do golpe, bem conhecido de todos. Indo por dentro do parque de estacionamento fica-se 50 metros mais perto do cruzamento, passando à frente de metade dos que esperam pela sua vez. Estes, pactuam com o golpe, abrindo alas a quem vende a sua dose matinal de ética por dois minutos e meio. Não surpreende que personagens duvidosas consigam ser eleitas na política quando por tão pouco uns estabelecem o seu preço e outros colaboram docemente apesar disso saberem. É uma questão de oportunidade. Ou antes, de empatia por parte daqueles que acham que fariam o mesmo se lá chegassem. Lá está a escola, razão do caos matinal. Por um lado não existe transporte escolar para levar as crianças e por outro os pais não sentem segurança em deixarem os filhos irem a pé meia hora. Porquê? Sabe-se que há muito beneficiário de subsídio de desemprego e de RSI mas não há ninguém que controle as passadeiras para ajudar as crianças a atravessar a rua em segurança. Nos pontos onde por vezes ocorrem roubos também ninguém zela pela segurança. Quem passe pela corresponde hora de ida para a escola na Alemanha ou na Áustria, por exemplo, verá imensos pais munidos de colete reflector e de sinal de stop contribuírem para a segurança do percurso pedonal casa-escola-casa. Esses pais, os próprios interessados, organizam-se para o efeito. Agora o trânsito começa a fluir. Lá ao fundo, por entre as barras de bambu que são os arranha-céus plantados em fileiras, rompe um sol carregado de amarelo-torrado. O dia não será cinzento.

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Haiti

Quase há duas semanas, mais precisamente a 12 de Janeiro de 2010, um devastador sismo destruiu a capital do Haiti. Creio que neste momento não haverá português algum que disso não esteja a par. Atrevo-me até a acrescentar que não haverá quem ainda não tenha visto corpos espalhados pelo chão de Port-au-Prince, membros desfeitos com carne viva exposta, rostos cobertos de pó, sangue, miséria e lágrimas. Um cenário dantesco diariamente repetido nas televisões durante longos períodos de directos, estúdio e exclusivos. Sem esquecer as atribulações do C130 da Força Aérea Portuguesa e do mestre de cerimónias Rui Pereira.

É isto jornalismo?

Os barómetros de audiências devem estar devidamente calibrados pela ASAE, pelo que é de supor as televisões estarem a dar aos telespectadores o que eles procuram. Também existe a hipótese não descartável de os 3 canais apresentarem o mesmo ordenamento de "infotainment" e a escolha não ser real. Mas será certamente problema meu. Sou eu quem está fora da onda e por isso há uma solução fácil, que consiste em não consumir a trampa. E é o que tenho feito. Mesmo assim, há que não ficar fora do mundo dos outros, antes fique em pé de igualdade com Sócrates e C.ia, pelo que volta e meia, como ontem fiz, espreito o que se passa às 20 horas. Atestei o depósito das desgraças por um tempo considerável.

No Haiti vivem-se momentos difíceis, bastam algumas imagens para isso ser perceber. Mas a comunicação social brilha como com a Boa Nova.

PS: Ajudar está ao alcance de quem puder.



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A hora de alimentar o monstro

Gostei de ler esta aventura na Segurança Social.  Isso dos números é coisa de que não damos (não dou) conta até que saímos do padrão. É o momento em que o monstro da burocracia sai da toca para se vir alimentar.



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Seniores

Agora os velhos, isto é, aqueles que não são novos, têm um novo sinónimo no dicionário do politicamente hipócrita correcto. Chamam-lhes seniores. Tenho-o ouvido na publicidade, sempre atenta às modas, no discurso político e agora também na comunicação social ("público sénior"). Espero que quando eu for mais velho não me chamem sénior. As coisas são o que são e, independentemente da nomenclatura, não deixarei de ser velho. Serei idoso, um adjectivo correcto e que também pode ser substantivo.