a política na vertente de cartaz de campanha

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A obra ao seu dono?

Helena Matos escreveu no Blasfémias:
O dono da obra
«[...] Receando ser chamado ignorante e percebendo a boa imprensa que vem sempre associada ao convite a um grande nome da arquitectura, o poder encomenda com pompa e circunstância muitos destes projectos subestimando que a sua intocabilidade leva a situações bizarras como aquela que ocorre na insuportável gare do Oriente que Calatrava concebeu certamente a pensar no Dubai e não em Lisboa. [...]»

Essa Gare do Oriente é uma valente aberração, funcionalmente falado. O próprio arquitecto admitiu a existência de erros (interrogo-me porque terá usado o plural, quando aqui é, na totalidade, um colossal erro) mas nem isso foi impeditivo à sua contratação para novo trabalho em Lisboa.

Mas que se desengane quem se prepare para bradar as labirínticas burocracias portuguesas. Numa recente conversa com um amigo que estudara na Universidade Técnica de Munique fiquei a saber dum caso parecido a estes. A universidade pretendia expandir as suas instalações mas para isso seria necessário mudar de local uma peça que o arquitecto havia classificado como arte. Por isso, essa mudança carecia de consentimento do arquitecto, o qual, obviamente, foi recusado! A solução encontrada pela pela universidade consistiu em demolir a ala onde essa peça se encontrava, construindo uma nova ala, já alargada para satisfazer a necessidade de espaço.

No meu ponto de vista, é ridículo ser negada a posse total a quem tenha encomendado e pago uma obra. Não deveria o pagamento servir de compensação ao cessar dos direitos do autor sobre a sua obra, depois de concluída como projectado?


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O Ovo de Colombo



Esta torre, que está a crescer como os míscaros que brotam da areia depois das primeiras chuvas do Outono, é uma intumescência que actualmente se ergue a partir do Centro Comercial Colombo.

Todos podemos constatar que estará perfeitamente enquadrada no meio envolvente e que jorra estética para cima da segunda circular.

O certo é que há-de ter tido licença camarária. Tanta sorte não teria eu se quisesse alterar uma janela na minha casa. Obviamente, as regras urbanística têm que se aplicar a alguém.


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Torre de São Vicente de Belém

torre de belém
Torre de São Vicente de Belém [link na Wikipédia]

Ontem, nessa pirosice que foi o negócio chamado «As Novas Sete Maravilhas» (marca registada!), coube à Torre de São Vicente de Belém ser escolhida por alguns portugueses como uma das «Sete Maravilhas de Portugal».

Não pretendo discutir agora a legitimidade da iniciativa. Aceitemos, antes, a Torre de Belém como uma dessas maravilhas e passemos a verificar, sumariamente, se o espaço envolvente é com ela compatível.

Olhando em redor, junto a esta torre, encontramos alguns um pequeno jardim e alguns monumentos. Pela sua posição estratégica na linha do horizonte, rapidamente damos conta do Padrão dos Descobrimentos. Chega-se até ele passando por um parque de estacionamento, contornando uma doca e passando pelo meio dumas bombas de gasolina.

Doca do Bom Sucesso, obras do Porto de Lisboa

Mas o aspecto mais notável e que motivou a escrita deste texto reside nas incontornáveis obras que estão a ser executadas ao lado da Doca do Bom Sucesso.

Doca do Bom Sucesso, obras do Porto de Lisboa

A fazer parelha com o anterior Centro Comercial de Belém, agora Tasca do Berardo, um prédio com alguns andares (a avaliar pela altura das gruas) está a ser edificado ali num dos espaços nobres da cidade.

Doca do Bom Sucesso, obras do Porto de Lisboa

Passando então pelo posto de combustível, que deve ser peça fundamental no enquadramento urbano envolvente, já que mais à frente existe outro, contornando os carros estacionados em cima do passeio e deixando até o próprio passeio, que fazia falta à obra, chegamos finalmente ao local onde é explicada a natureza da construção.

Doca do Bom Sucesso, obras do Porto de Lisboa

Descobrimos que está a ser construido um hotel, que o responsável pela obra é o Porto de Lisboa e que neste Verão, no do ano que vem e ainda mais alguns meses assistiremos ao nascer daquele mostrengo à beira rio plantado.

Um hotel?! Realmente, mas o Porto de Lisboa precisa dum hotel? E tinha que ser em cima do rio? Lisboa tem uma linha de rio de enorme potencial, seja ao nível do turismo, seja simplesmente para proporcionar o bem estar a quem habite ou visite Lisboa - a razão de fundo de existência duma Câmara Municipal, não é?! No entanto, apesar dos vários quilómetros que compõem a margem do Tejo poucos são os metros em que se possa caminhar ao longo da linha d'água.

Por uma vez, ainda não foi desta, é certo, ainda seremos surpreendidos com um bom exemplo de planeamento urbanístico. Mas o melhor será esperar sentado. Olhando de longe para as outras maravilhas, já agora.