a política na vertente de cartaz de campanha

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El placer está en tus manos

«Mãos à obra
Miguel Esteves Cardoso - 2009-11-17

Aqui ao lado, na Extremadura com X, a Junta ensina os jovens a masturbar-se. Vinha, por assim dizer, no PÚBLICO de anteontem. Valem os trocadilhos rascas porque a campanha chama-se El placer está en tus manos - manos no sentido não-incestuoso, claro. Destina-se aos jovens entre os 14 e os 17 anos. Se calhar, porque os de 13 ainda são novos de mais para aprender e os de 18, mesmo sem campanha, já conseguiram dalgum modo descobrir.

Apesar do placer de fazer pouco da iniciativa estar nas minhas mãos, sou obrigado a louvá-la. Há uns anos descobri na Internet muitos vídeos médicos que ensinavam a respirar. Num minuto, aprendi a respirar melhor. Mas a coisa mais importante que aprendi é que quase ninguém sabe respirar (Como não expelimos totalmente o ar velho dos pulmões, nunca conseguimos enchê-los de ar novo).

Aprende-se sempre alguma coisa pela simples razão que cada um de nós sabe pouco acerca de tudo. Há com certeza mil maneiras de bater punhetas que desconhecemos - e uma ou duas delas até podem ser boas. Nos filmes americanos, por exemplo, a masturbação masculina está sempre associada a uma loção. E alguns ingleses sentam-se em cima da mão até ela adormecer, para imaginarem que é a mão de outra pessoa.

A puberdade leva à loucura hormonal e, mesmo que não ensinasse nada de novo aos loucos e às loucas adolescentes, pelo menos o carácter oficial da campanha contribuirá para remover qualquer culpabilidade - e mesmo um pouco daquela constante tesão.», in Público


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MEC no Público 3.Fev.09: Falar por todos

Eu cá não sei, mas as pessoas desconfiam dos políticos.

Falar por todos, por Miguel Esteves Cardoso
Cada vez que eu digo "dois euros e um quarto", em vez de "dois euros e 25", as pessoas riem-se de mim. Sendo "as pessoas" a minha mulher e uma das minhas filhas e "cada vez" ontem à noite.
Quanto mais bicho do mato se é, mais se generaliza. Se digo que "Toda a gente gosta mais de manteiga açoriana", esse "toda a gente" pode ser eu e mais três amigos. Se for só eu e outra pessoa, é "quase toda a gente". E se for só eu, então não percebo por que é que "ninguém" a prefere.
Trabalhamos todos com amostras tão ínfimas que nada do que dizemos sobre os outros tem qualquer valor. "Lá na redacção fartaram-se de rir com a entrevista" dá a ideia de uma redacção cheia de jornalistas mas pode referir-se a dois estagiários e um estafeta.
Temos a mania de dizer que "as sondagens valem o que valem" mas não conseguimos chegar ao fim de um parágrafo sem dizer que os portugueses estão fartos de X ou que nunca precisaram tanto de Y como agora.
Os ingleses prefaciam as opiniões com "Não faço ideia do que pensam as outras pessoas, mas eu...". Os portugueses - lá vou eu - fazem o contrário. Exprimem uma opinião pessoal como se fosse um pensamento colectivo. A nossa fórmula é mais: "Eu cá não tenho opinião sobre o assunto, mas as pessoas..." "I" do eu inglês não podia ser maior nem o "e" do nosso eu ser mais "iquenino". Nós escondemos o nosso eu nos outros e os outros deixam para poderem fazer a mesma coisa. Bonito serviço - e não há nenhum português a quem não se aplique.