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Geimer e Polanski











Textos originais, publicados na revista People, a 15 de Dezembro de 1997.

Estive a ler a história do Polanski e da miúda de 13 anos que ele violou há 32 anos, numa reportagem sobre ela, nos seus 33 anos à altura da reportagem (1997). Traduzo uma passagem (ultima imagem, com os meus destaques), onde ela diz
«Não guardo raiva a Polanski. Tenho até alguma empatia por ele, com a mãe dele ter morrido num campo de concentração e depois a sua esposa Sharon Tate ter sido assassinada pelo gang de Charles Mason e a passar os últimos 20 anos como fugitivo. A vida foi dura para ele, tal como foi para mim. Ele fez-me algo verdadeiramente bruto mas foram os media que me arruinaram a vida.

Até agora, os assim chamados peritos usam a minha situação em programas de TV para fazer valer os seus próprios pontos de vista, os quais não têm nada a ver com o que sinto. Há vinte anos tudo o que foi sobre mim foi horrível. Mas hoje em dia, não é moda falar mal da vitima. Agora estou completamente pronta para me erguer e para me defender e todos andam a dizer "oh pobrezinha". Mas eu não sou uma pobrezinha. E não posso agradar a todas as pessoas tornando-me apavorada e perturbada só para fazer as coisas parecerem mais interessantes. Se Polanski voltar, tudo bem. Pelo menos terminaria isto. Nunca terminará até que isso aconteça.»

Parece-me que a comunicação social não sai bem desta história e, se calhar, de outras parecidas. Não se trata de matar o mensageiro mas ambos, Geimer e Polansky, querem deixar aquele capítulo para trás e a comunicação social continua colocá-lo na actualidade. À conta do direito de informar - ou será de abusar? - parece que o direito de privacidade da vítima é coisa secundária. Um lado e outro que agora andam por aí em polvorosa poderiam pensar nisto por momentos.


3 comments :

  1. Alien David Sousa disse...
     

    FLIS, não é apenas a comunicação social mas também a policia que estava pronta para o apanhar mal ele colocasse um pé em terra.
    Bjs

  2. Hugo disse...
     

    Se ele quisesse já tinha acabado de vez com isto. Entregava-se às autoridades norte-americanas. A culpa foi do Estado francês que ainda não o extraditou.
    O interesse não está só em proteger a vítima mas também em fazer cumprir a lei que é igual para todos. Senão, eu ia aos Estados Unidos e quando fosse a caminho do aeroporto violava uma jovem de 13 anos e voltava para o nosso Portugal descansado da vida e passados 20 anos fazia a mesma coisa.
    Se ele não tivesse realizado Repulsa, Rosemary's Baby, Chinatown, Tess ou o Pianista ninguém quereria saber dele.

  3. j. manuel cordeiro disse...
     

    Hugo, não ponho em causa que a lei seja igual para todos. Mas a palavra da vítima deve contar para alguma coisa. Especialmente se ela quiser ver o assunto encerrado. Não é para isso que a justiça serve? Para proteger a vítima?

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