a política na vertente de cartaz de campanha

Buzz this

Ter olho compensa

 ter olho compensa

«Melhor» aluno entrou na universidade sem acabar o liceu

Média de 20 valores foi conseguida com apenas um exame. Jovem conseguiu equivalência ao 12.º através das Novas Oportunidades e admite que beneficiou de uma injustiça [tvi24]

 

Checklist

  • Trabalho diário, ano após ano, para terminar o secundário com a melhor nota possível - Inscrever-se nas Novas Oportunidades
  • Fazer vários exames - Fazer apenas o(s) exame(s) exigido(s) como prova(s) de ingresso no curso que se queira
  • Trabalho extra nas disciplinas para as quais se tenha maior dificuldade - Desistir e ir para as Novas Oportunidades

Em suma

Quem queria ver, já há muito sabia que as assolapadas paixões educativas que assaltaram vários governos mais não eram do que fogo de artifício para brilhar enquanto a fasquia da exigência ia sendo descida. Mas agora não conseguirei evitar rir com escárnio de cada vez que os do costume vierem falar em qualificação, exigência e aposta na educação. Mau feitio meu, só pode.



8 comments :

  1. Milu disse...
     

    Já tinha lido esta notícia em vários sítios e logo a considerei manhosa. Primeiro porque o título sugere que o rapaz em causa nem sequer terminou o Liceu, mas, no corpo da notícia, já é referido que não terminou o Secundário! Ora, estamos a falar de coisas diferentes. Parece que lhe faltavam concluir uma ou duas disciplinas, a matemática, calcanhar de Aquiles de muito menino e menina, é uma delas. Mas um pormenor me chamou a atenção sobremaneira, que foi o facto do rapaz ter tido 20 valores no exame de Inglês, um exame de nível nacional. Não foi um exame qualquer. Se existe aqui alguma incorrecção no que acabei de referir, a culpa não é minha, porque foi isto que li em diversos órgãos de informação. Assim sendo, uma verdade se impõe: O rapaz não é parvo, afinal até teve mérito, o que ele tem é vocação para outras áreas que não tenham a ver com a matemática, e foi isso mesmo que ele teve em conta, quando decidiu optar por um curso de tradução. Não percebo muito bem para quê tanto barulho acerca desta questão: Não foi verdade que ainda há bem pouco tempo, surgiu na comunicação, a notícia de que alunos universitários não souberam resolver uma questão, que se resumia a calcular quanto é 1/2 mais outro 1/2? E ainda outra notícia de que uma grande parte são mestres no copianço? Não me constou que se tratasse de alunos oriundos das Novas Oportunidades. Por fim resumo esta questão ao seguinte: Quem quer que seja, que ingresse no ensino superior, sem qualificação para tal, vai ver-se em palpos de aranha para fazer algo que se aproveite nas Universidades, por conseguinte há que não ter medo desta concorrência. E outra coisa ainda: Não haverá nos restantes países da Comunidade Europeia o mesmo sistema, isto é, As Novas Oportunidades? É que se há, ainda bem que os acompanhamos, que ao menos a este respeito não fiquemos mais uma vez para trás, como em tantas outras coisas temos ficado, para nosso grande mal.

  2. Fliscorno disse...
     

    Olá Milu, estamos de acordo: o "rapaz não é parvo". Teve olho para a questão.

    Mas nem é isto que está em causa, já que o que importa é que uns quantos encontraram um furo na legislação que lhes permite que as notas do secundário (uns 70% da nota de candidatura) não contem para a candidatura. E que, em vez de estudarem para uma catrafada de exames, apenas tenham que estudar para um ou dois ou três exames.

    Sei lá, parece-me assim um pouco injusto para todos os outros. Mas isto sou eu...

    Teve mérito, sem dúvida. A inglês. Já a biologia, o outro exame que ao que parece fez, é que não lhe correu bem. O que fechou outras portas que não o curso de tradução.

    Qual é a mensagem que este esquema está a fazer passar aos actuais alunos do secundário? «Não estudem, há aí um esquema para contornar as coisas.» Importa-me lá se noutros países exista ou não algo como as N.O. É um conceito errado e isso basta-me.

  3. Milu disse...
     

    A hipótese de entrada no ensino superior por outra via que não fosse a normal, ou aquela que temos como instituição, sempre houve, ou já havia há muitos anos. Chamavam-se os exames ad hoc. Estes exames destinavam-se a possibilitar a entrada nas Universidades a pessoas maiores de 25 anos e bastava que tivessem como habilitações mínimas o antigo Ciclo Preparatório.
    Meu amigo, cada vez mais filtro as notícias dos jornais, pois todos eles se tornaram demasiadamente tendenciosos para serem credíveis. Quando surgem determinadas notícias atento no pormenor de quem pertence esse jornal e logo entendo o móbil da notícia. O jornalista dos tempos actuais já deixou de o ser, agora é um fazedor de opinião e lacaio do patrão.
    Quanto ao facto de eu ter referido a importância se outros países da Comunidade Europeia também existe o sistema das Novas Oportunidades tem a sua pertinência. É que não gostaria nada, mesmo nada, de nos próximos anos, ver escarrapachado nos jornais em grandes parangonas, a comparação dos índices das qualificações dos cidadãos europeus, com Portugal a ocupar na lista o último lugar, e tudo porque nos outros países tinha havido as Novas Oportunidades, enquanto cá, havíamos regido esta questão por um rigor bacoco. Mas estou como você: Isto sou eu a pensar!

  4. Fliscorno disse...
     

    Pois, já me havia lembrado dos ad hoc. Há uns aspectos que ainda não percebi.

    Usar o NO para obter melhor rankings europeus ajuda-nos em quê? Faz-me lembrar a velha expressão "para inglês ver". Que é de facto o que tem vindo a acontecer, seja com as NO, seja com os incentivos às passagens de ano. O que mais importa, os números do sucesso educativo ou o que de facto se aprende? A resposta depende, claro, se se considere o aspecto eleitoral ou não.

  5. Fliscorno disse...
     

    Transcrição do comentário deixado por Daniel no post http://fliscorno.blogspot.com/2010/09/socrates-crabtree.html


    Daniel disse...
    Boas Jorge, recorro a esta caixa de comentários para responder às questões que deixas-te na educação do meu umbigo.

    "A quem me possa explicar:

    Que diferença há entre um exame ad hoc para o acesso à universidade e o caso do Tomás? Se bem me recordo, não seria preciso o secundário completo para fazer o ad hoc. Logo, o Tomás nem precisava de ter feito o Novas Oportunidades, certo?"

    RESPOSTA: Quem entrava via exame ad hoc(que já não existe, agora é o regime maiores de 23), de facto, não teria de ter o 12.º ano. O Tomás optou por fazer a disciplina em falta do Secundário (Matemática) num EFA, substituindo-a por uns módulos quaisquer. Realizou o exame de Inglês igual ao dos restantes alunos do Secundário. Este: http://www.gave.min-edu.pt/np3content/?newsId=294&fileName=Ingles550_PF1_10.pdf

    A motivo da polémica é ter entrado pelo contingente geral.

    Outro aspecto: Quem termina o secundário com as Novas Oportunidades pode concorrer em igual circunstância com os restantes alunos (isto é, sem ser pelos ad hoc)?"

    RESPOSTA: Pode, o resultado no exame nacional funciona como nota da prova de ingresso e como média do ensino secundário.

    Acrescento que é uma inevitabilidade o recurso às Novas Oportunidades, visto em muitas escolas a oferta de ensino nocturno se resumir a estas cursos. Já não há ensino recorrente.

    Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010 02h15min00s WES

  6. Milu disse...
     

    As Novas Oportunidades são úteis para nos manter num plano de igualdade em relação aos restantes países da Comunidade, tendo em conta a mobilidade. Não tem graça nenhuma um português ver-se impedido de aceitar um emprego por não ter o Secundário, e desgraçadamente, logo ver esse lugar ser ocupado por um cidadão de um outro país, só porque tem o que ele não tem, isto é, o Secundário, que, ainda para mais, saberá Deus, como e em que condições, adquiriu essas habilitações. Temos que nos adaptar aos novos tempos. É certo que já não se aprende como antigamente, mas muitas coisas que eu tive de aprender no meu tempo, à bruta, estão agora acessíveis à distância de um clic. E outras coisas que me deviam ter ensinado, como por exemplo, saber defender os meus direitos, e também, claro, ensinar-me a ter consciência dos meus deveres, isso tive de aprender por mim, sozinha, e à custa das cabeçadas. Acerca dos exames ad hoc, tenho eu duas histórias engraçadas, já que fiz dois desses exames, um na Faculdade de Direito na Cidade Universitária, em Lisboa, outro na Universidade Internacional. Ainda hoje me divirto sempre que conto aquelas minhas peripécias! :D

  7. Fliscorno disse...
     

    Bom, devem ser mesmo divertidas essas histórias dos exames ad hoc :) Percebo o seu ponto de vista Milu. Por acaso não conheço o panorama europeu quanto às NO. Mas não deixo de achar isto tudo uma perversão.

  8. Milu disse...
     

    Quando disse que tinha duas histórias engraçadas acerca dos meus exames ad hoc, não queria dizer rigorosamente que aqueles exames haviam sido uma brincadeira, ou outra coisa que o valha, porque brincadeira é que não foram. Nunca me esquecerei da minha prova oral, daquela angustiante meia-hora, em que tive de enfrentar três professores, todos eles de idade muito perto dos 60 anos, talvez até mais, pelo menos é assim que os recordo, parecia que sabiam tudo! Quase me voltaram do avesso, com tantas perguntas e rasteiras, pelo meio da minha aflição, desculpavam-se dos abusos que sabiam estar a cometer, com o argumento de que pretendiam avaliar das minhas capacidades e tipo de raciocínio, para melhor averiguarem se tinha perfil para jurista. No final da prova e ao sair da sala senti-me como um touro se deve sentir ao sair de uma arena - acossado por todos os lados. Por conseguinte não foi brincadeira nenhuma, mas o certo é que eu tenho um espírito que me permite ver o cómico das situações, e, como tal, estas duas experiências foram pródigas em momentos que hoje, porque à distância, me fazem rir, mas que não achei qualquer graça no momento em que aconteceram!

Enviar um comentário