a política na vertente de cartaz de campanha

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A abertura do ano lectivo

Sete Ministros, PM incluído, vão celebrar a reabertura do ano lectivo. Sete?! Ora aqui está um bom exemplo de trabalho de equipa, para uma propaganda eficaz neste caso. E que motivos há para tanta festa?

  • A divisão administrativa da carreira docente com o cargo de professor titular? Mera gestão salarial (link).

  • Os portáteis de 150 euros*? Apenas show off, acondimentado com o excelente negócio para as empresas de telecomunicações envolvidas que aumentam a sua base de clientes à conta de dinheiros comunitários e do Orçamento de Estado - o nosso dinheiro. E se os equipamentos informáticos são assim tão indispensáveis à actividade de docência, porque hão-de ser pagos pelos respectivos profissionais? Bom, não surpreende. Se estes já têm que pagar do seu bolso a caneta vermelha para corrigir os testes, porque há-de ser diferente para os instrumentos informáticos?

  • As aulinhas de inglês? Já anteriormente aqui escamoteei este chorudo negócio (link). Ao expandir este negócio, ups, serviço, fez o governo a avaliação do que se passou até ao momento? Se sim, foi tornada pública?

  • Os quadros electrónicos? Francamente, alguém acredita que o sucesso educativo virá por este meio?

  • As Novas Oportunidades? Enfim, o governo descobriu a forma de dar canudos a torto e a direito, haja ou não aproveitamento escolar. Algo que sistematicamente têm procurado atingir sem sucesso por causa desses chatos dos professores que teimam em chumbar os alunos que não estudam. Finalmente os números do sucesso educativo vão disparar. Isto é que vão ser estatísticas das boas em 2009...

*nota: 150 euros não é o valor correcto, pois acresce a mensalidade 17.50 euros durante 36 meses a pagar pelo tarifário internet (contrato de fidelização). Acontece que esta ligação é uma miséria, com uma velocidade até 0.375 Mbps quando a velocidade máxima tecnicamente possível chega aos 3.6 Mbps. Mesmo não se tendo a percepção de quanto é 1 Mbps (mega bit por segundo), é fácil notar que a velocidade máxima oferecida no programa eEscola é 10 vezes inferior àquela que se poderia ter. Acresce que a internet móvel, apesar de todo o marketing que a ela tem sido feito, está longe de ser uma solução interessante e alternativa à opção "cabo/telefone". É muito mais lenta e depende imenso da cobertura do operador móvel. Se bem que em Lisboa e Porto quase toda a cidade tem cobertura suficiente, imaginem agora o que se passará no "deserto" que é o resto do país...

Ainda um outro aspecto de considerável importância: é do conhecimento comum que a tendência dos preços de telecomunicações é de descida para a oferta do mesmo serviço ou, pelo menos, de manutenção do preço mas com aumento da qualidade de serviço. Basta notar que é o que tem acontecido com a oferta de internet de banda larga (serviço fixo), com os preços a baixar e a velocidade de ligação a subir. No entanto, isso não é o que se antevê quando se tem um contrato de fidelização de 36 meses. Durante três anos, haja ou não melhoria do serviço de internet móvel prestado, que é mau no presente, o operador sabe que a receita dos 17.50 euros não desaparecerá, graças ao contrato de fidelização. Nada mau negócio, não é?

E já que chegámos até aqui, o que dizer dos portáteis oferecidos? Serão o the state of the art? Da Vodafone e da Optimus ainda nada se sabe, mas a TMN, empresa que curiosamente já tinha uma oferta no momento em que o governo anunciou este "programa", já anunciou que portátil vai vender. Podemos dizer que foi o topo de gama há.... uns três ou quatro anos! O portátil em causa (Fujitsu Siemens Amilo Pro V3515), custa actualmente na Fnac 499.00 euros ( link), com sensivelmente a mesma configuração (diferenças no software e na quantidade de memória, mas com baixo impacto no preço final). Bem menos do que os 780.00 euros (150 + 36*17.50) que custa a "oferta" da TMN. Certo, no caso da TMN ainda tem uma espécie de ligação internet incluída. Atendendo a este detalhe, poderá ter algum interesse. Agora o que não vale mesmo a pena é comprar o portátil só pelo portátil, pensando que se está a aproveitar alguma pechincha.

Já agora, para terminar, esta tarifa de 17.50 euros foi anunciada pelo governo com tendo um desconto de 5 euros em relação aos planos base que os operadores tivessem. Como as empresas não são instituições de caridade, adivinhem de onde é que virão estes 5 euritos....


Quando não há grande coisa para mostrar, o melhor mesmo é empolar o que se tem. É disso que se trata nesta performance dos magníficos sete.



[EDIT]
O presente texto de opinião deve ser entendido apenas um contributo para uma tomada de decisão fundamentada. Aderir ou não ao programa eescola deverá ser o resultado duma análise pessoal de custo/benefício, ciente de que haverá pessoas a quem este programa trará vantagens e a outras não.

Ver todos os posts sobre o tema eescola: link


14 comments :

  1. avelaneiraflorida disse...
     

    Mas o que passa para a opinião pública é que com todos esses meios (QUE NÂO CHEGAM ÀS ESCOLAS!!!!!) o insucesso escolar mais uma vez se deve aos professores que são uns "tipos" que não querem fazer nada...

    Esquecem-se de que em todas as profissões há bons e maus trabalhadores...Mas o exemplo ^vem de cima!!!!!!

    Os professores, que não sabem fazer nada, gostariam muito que esses cérebros fossem para uma sala nas condições do dia a dia, numa qualquer escola, numa qualquer turma, e nos mostrassem como resolviam as situações ali diante dos nossos olhos!!!!!
    Assim ficaríamos sábios e bons profissionais e o insucesso desapareceria das estatísticas da UE!!!!

  2. João Rato disse...
     

    Bom esclarecimento. Parabéns. Conto citá-lo!
    Abraço

  3. João Rato disse...
     

    Só uma dúvida: estão esclarecidas as questões relacionadas com o volume de tráfego? Há limites? Se há, em caso de excesso quais são os preços?

  4. Laurentina disse...
     

    Deixem lá ...que quanto mais subrir, maior será a queda!!!

    Andei a distribuir AMIZADE sincera , vai à minha palhota buscar a parte que te toca .

    Beijão grande

  5. Espectadora Atenta disse...
     

    Excelente Post Raposa velha!
    Muito bem analisado sim senhor...

  6. Raposa Velha disse...
     

    avelaneiraflorida,
    "em todas as profissões há bons e maus trabalhadores": até poderei concordar se excluirmos os nossos políticos. Ah, mas espera, esses não trabalham :)



    João,
    Apesar de tante propaganda à volta destes portáteis, esses detalhes práticos não estão claros, pelo menos para mim. Suponho que as condições serão as mesmas dos tarifários base que servem aos operadores para lançar a oferta.





    Oh Laurentina, estragas-me com mimos :)



    Espectadora Atenta, obrigado, creio que será defeito profissional.

  7. Gotinha disse...
     

    Vou AFIXAR ESTE TEU POST na sala de profs da minha escola... anda meio mundo indeciso acerca do portátil e tu esclareces muito bem o "embróglio"!

  8. Raposa Velha disse...
     

    Gotinha, estás à vontade :)

  9. Ugh disse...
     

    Isto dos portáteis não passa de uma aplicação simples das teorias de manipulação de massas, uma experiência desenvolvida num país em que a mentalidade do povo está "em construção". Possivelmente os resultados desta investigação neo-liberal, sociológica e tecnológica, serão exportados para países que estão "em construção", quer sejam novos países ou países destruídos pela globalização.
    Não se percebe como o nosso País, que está construído há quase um milénio, seja objecto de tais experiências.
    Se este teatro dos portáteis se passasse em certos países da antiga europa, os povos antigos, como nós, mas que tiveram o seu 25 de abril 30 ou 50 anos antes dos Portugueses, aceitariam o tal PC por 150 euritos e, depois, não pagariam mais nada. E este teatro não passava na TV, ninguém ligava ao assunto.

    Amanhã é segunda-feira e trabalhar é uma coisa terrível num país que alguns entendem estar "em construção".

  10. Raposa Velha disse...
     

    Mentalidade em construção, ugh? Isso faz-me recordar muitas páginas web, daquelas com um ícone animado a dizer "UNDER CONSTRUCTION" mas que nunca saem desse estado :)

  11. Anónimo disse...
     

    «O portátil em causa (Fujitsu Siemens Amilo Pro V3515), custa actualmente na Fnac 499.00 euros com sensivelmente a mesma configuração (diferenças no software e na quantidade de memória, mas com baixo impacto no preço final). »...

    pois, verifiquem melhor os preços porque esse baixo impacto não é tão baixo assim:
    este (na Fnac) tem metade da RAM (512 Kb), não tem um processador Core Duo, não tem o MS Office (versão de ensino), (e só isto já vale os 780 - 499 = 281 € de diferença), não tem placa de rede móvel e a oportunidade de ter uma "fraca" mas útil ligação à Internet em qualquer local onde haja rede móvel durante três anos, quando qualquer computador (topo de gama ou básico) estará de certeza obsoleto!

    Ah! e sabem! isto não é nada original! O nosso governo não foi pioneiro nesta iniciativa, ela já existe há vários anos nos países com quem gostamos de nos comparar(ou não!).

    Mas esta questão da 'iliteracia' informática não se resolve pondo portáteis nas mãos de professores e alunos!
    E menos ainda se resolve o insucesso escolar!
    Houvesse ousadia dos governantes para investir numa formação eficaz e em materiais didácticos para reinventar práticas educativas, teriam certamente professores receptivos à inovação!

  12. Raposa Velha disse...
     

    Caro Anónimo,
    obrigado pela chamada de atenção. Mas vejamos, quanto custaria actualizar o Fujitsu Siemens da FNAC para ficar exactamente com a mesma configuração do da promoção TMN?

    (Note-se que a TMN incluiu na sua oferta um Toshiba Satellite Pro L40-12R, que se pode comprar por por €514.00 com a *mesma* configuração.)



    Upgrade de processador

    http://www.pc2buy.com/Intel_Core_2_Duo_E6300_1.86GHz/HH80557PH0362M/partinfo-id-20382.html
    Intel Core 2 Duo E6300 1.86GHz
    $192.05


    http://www.pc2buy.com/INTEL_CPU_CELERON_MOBILE_450_2.00GHZ/BX80538450/partinfo-id-25357.html
    Intel CPU CELERON MOBILE 450 2.00GHZ
    Our Price: $152.95


    Diferença: 192.05-152.95= $39.1 = € 28.19

    ==================

    Upgrade de memória

    Kingston 512 MB 333 MHZ DDR-PC2700 DIMM CL2.5 PC Memory $30.99 = 22 euros


    ==================

    Placa banda larga Express 3,6/7,2 Mb - € 49.90 (preço da TMN)

    ==================


    DIFERENÇA TOTAL:
    28.19+22+48.90=99.09 euros


    Isto é, mesmo que comprasse peça a peça para ter os dois portáteis ao mesmo preço, gastaria 100 euros para ter o portátil da FNAC com a mesma configuração do da TMN. MAS, e este não é um pequeno mas, uma marca não compra peça a peça! E uma pesquisa mais atenta mostra que se podem encontrar portáteis com esta configuração "mais potente" aos mesmos 500 euros. Mantenho que a diferença de preço não é significativa.











    Sobre o MS Office. De facto, comprado na FNAC custa 189.99 euros:
    MICROSOFT OFFICE 2007 ESTUDANTE/PROFESSOR PORTUGUÊS PC
    Preço Fnac: 189,99€

    Novamente, este é o PVP, pelo que a versão OEM, que vem incluída com o portátil custa menos (e vale menos, pois não é válida para upgrade). Pode-se comprar por $115 (€ 82.01) por exemplo em
    http://www.ewiz.com/detail.php?p=MS79G00647&c=fr&pid=be9a1c4c33447cd28b746ca3431c7b462ba7edb002ed47e5f20e97640e80b6d4

    No entanto, atendendo a que existe o OpenOffice, que é *gratuito* e funcionalmente equivalente ao MS Office, devemos considerar que é um factor de escolha do portátil?








    Sobre a Internet móvel... Quem a tem a 3.6Gb (valor teórico!) queixa-se. Imagino que quem a tiver a 380Kbps ou 640 Kbps também se queixe e, eventualmente, mais. E note-se que a cobertura poderá ser aceitável nos grandes centros urbanos mas o resto do país não é paisagem! Honestamente, actualmente, e nos próximos 3 anos, quem quiser um acesso decente à Internet bem pode esquecer a Internet móvel.







    Cada qual que tire as suas conclusões. Ás minhas leituras são (repito):
    - aderir à campanha só pelo portáteis é uma opção questionável;
    - considerando a inclusão da Internet móvel, poderá ter algum interesse, desde que se tenha cobertura de UMTS e desde que ainda não se tenha acesso à net;


    Num post mais recente do que este explano este assunto em maior detalhe.







    Agora concordo em absoluto: não é dando computadores que se resolve o insucesso escolar. E nem com constantes reformas!

  13. Joao disse...
     

    de anónimo (por acaso)

    não percebo! então para fazer o upgrade do processador e memória a www.pc2buy.com aceita o celeron e o pente de memória de 512 como moeda de troca?
    e depois estamos a comparar mercados bem diferentes! para não falar das taxas de alfândega!

    isso não me parece tão simples assim!

    e já agora quanto custa um portátil desses na www.pc2buy.com?
    certamente mais barato!

    mas eu pensava duas vezes antes de comprar um portátil no estrangeiro!
    é chato fazer o upgrade para um teclado português
    !)

    quanto à Internet móvel, não me chateia tê-la, mesmo fraca, enquanto passeio pela paisagem, para pequenas coisas como ler o correio, sabendo que em casa me espera outra ligação mais rápida!

    mas pronto, opiniões!

    JJ

  14. Raposa Velha disse...
     

    É isso João, são opiniões. E factos.

    O meu comentário anterior pretende estabelecer qual é o valor real da "oferta" da TMN. Daí o recurso à opção upgrade. Não tinha isso ficado claro? Obviamente que os da pc2buy.com não aceitam trocas nem esse seria o objectivo. Pretendi estabelecer um termo de comparação mais preciso do que o portátil da FNAC, já que esta última comparação levantara questões.

    Abraço,
    RV

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