a política na vertente de cartaz de campanha

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De novo, as aulinhas de inglês

O nosso Primeiro anunciou um prémio para os professores. Ok, esperar para ver.

Enumerou também todas as mudanças que decorreram no último ano (penso que para mostrar que... há mudanças).

Mas faltou aquela mudança que é a de deixar de mudar a educação todos os anos! Já repararam que desde 1988 (quando a PGA foi inventada) não há estabilidade na área da educação, tal é o ritmo anual da mudança, com medidas e contra medidas? Ano após ano, mais uma estratégia salvadora é apresentada.

Sobre a coqueluche das aulas de inglês, o ano passado escrevi um texto que aqui deixo para reflexão.







Artigo do jornal Público e dissertação sobre os números de um negócio anunciado como medida inovadora

Colaboradora da vereadora da Educação
Assessora camarária fica com um quarto das aulas de Inglês das escolas de Lisboa
23.09.2005 - 09h49 José António Cerejo PÚBLICO

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1233611&idCanal=74

[ Nota: os comentários a verde não fazem parte da notícia original (autoria deste blogger) ]

As aulas de Inglês em quase um quarto das 96 escolas do 1º ciclo do ensino básico de Lisboa vão ser asseguradas, este ano lectivo, por uma empresa de que é proprietária a escritora Maria João Lopo de Carvalho, assessora da vereadora da Educação e Acção Social da Câmara de Lisboa, Helena Lopes da Costa.

A escolha dos parceiros responsáveis pelo ensino daquela língua coube aos conselhos executivos dos 31 agrupamentos escolares da cidade, que dependem directamente, a nível de instalações e de outros apoios, do gabinete da vereadora onde a escritora é a principal interlocutora das escolas. As propostas da empresa Know How, de que Maria João Lopo de Carvalho é gerente e única sócia, foram aceites por nove agrupamentos (que agregam 25 escolas) e foram já homologadas pelo ministério. [meras coincidências, sem dúvida]

Os restantes 22 agrupamentos escolheram um total de dez outros parceiros, entre institutos privados de línguas (cinco para 17 agrupamentos), associações de pais (três para três agrupamentos) e juntas de freguesia (uma para dois agrupamentos).

A possibilidade de as escolas providenciarem o ensino gratuito do Inglês aos alunos do 3º e 4º ano de escolaridade foi objecto de um despacho governamental de 24 de Junho, que fixa em cem euros por ano e por criança [ver nota] o valor a pagar pelo Ministério da Educação aos parceiros seleccionados. Para avaliação das propostas desses parceiros, o ministério fixou diversos critérios, entre os quais "a experiência demonstrada pelas entidades ao nível da promoção do ensino precoce da língua inglesa".

No caso da empresa Know How, criada em 1988 por Maria João Lopo de Carvalho e por um sócio para ensinar Inglês, alguns responsáveis de outros institutos de línguas concorrentes às escolas de Lisboa garantiram ao PÚBLICO que ela não tem há muitos anos qualquer actividade nesse domínio. A sua escolha por nove dos agrupamentos escolares da cidade provocou também mal-estar entre muitos professores, que não percebem o motivo dessa opção, mas não deixam de a associar ao facto de a dona da empresa ser assessora da vereadora.

"Modéstia à parte, faço isto muito bem"

"Fui escolhida, porque apresentei um programa pedagógico melhor que os outros e só por isso", diz Maria João Lopo de Carvalho. "As pessoas conhecem-me, sabem como sou organizada e como trabalho. Além disso, as minhas propostas foram as primeiras a chegar. O despacho é de 24 e logo a 25 mandei as propostas [dá jeito ter acesso a informação privilegiada!]", acrescentou.

A empresária confirma que a Know How já não dá aulas a crianças desde meados dos anos 90 [isto é como andar de bicicleta, numa mais se esquece], mas tem mantido sempre a sua actividade como representante em Portugal de colégios ingleses que organizam cursos de férias [representar colégios que organizam cursos de férias e dar aulas é a mesma coisa, está claro! ah! mas são ingleses; assim é diferente], em Inglaterra, para aperfeiçoamento da língua.

Maria João Lopo de Carvalho salienta que a Know How "foi a primeira escola em Lisboa a ensinar Inglês extra-curricular a crianças entre os quatro e os 12 anos." Essa actividade foi exercida durante alguns anos a partir de 1988, numa escola própria, mas o estabelecimento foi encerrado há quase uma década.

Confrontada com as críticas que lhe são feitas, a escritora garante que não foi ela quem fez os contactos com os conselhos executivos, mas sim uma sua colaboradora. No entanto, acrescentou: "Cheguei ao pé dos agrupamentos e disse: eu estou na câmara mas sei que, modéstia à parte, faço isto muito bem. Vou ter os melhores livros e os melhores professores. [então, contactou ou não os conselhos executivos? e como os outros concorrentes não terão dito nada disto...]"

"Para mim, concorrer com a Know How é um dever cívico [já lhe vi chamar oportunismo], porque sei que faço isso muito bem [larga experiência adquirida a representar colégios ingleses]. Sei fazer isso bem e sei que os 30 a 40 professores treinados por mim [esta senhora é um poço de surpresas! então não é que ela agora é também um magistério primário] vão ser uma mais-valia para os meninos de Lisboa."

Quanto à sua ligação à câmara, Maria João Lopo de Carvalho - que este Verão chegou a ser apresentada como candidata do PSD à Câmara de Vila Franca de Xira, mas depois desistiu [se calhar o negócio das aulinhas era melhor...]- diz que nunca a escondeu a ninguém e que se comprometeu a deixar a autarquia no dia das eleições. "Não há incompatibilidade legal nenhuma nesta situação, mas acho que não é bonito", conclui a escritora, justificando assim a sua prometida saída da câmara. [mas usar a sua influência decorrente dum cargo político já é; estamos sempre a aprender.]


Comentário
De que verbas estamos a falar neste negócio das aulas de inglês para o 1º ciclo?

Segundo o referido despacho do Ministério da Educação, o Inglês será ensinado "em regime de complemento educativo e de frequência gratuita, com uma duração semanal correspondente a 135 minutos" de aulas.

Questão nº 1: Qual é a receita bruta gerada por cada professor que leccione unicamente estas aulas?

Partindo destes dados:

  • se uma turma tiver em média 20 alunos (têm mais);
  • 100 euros por ano e por criança (definido pelo despacho do M.E.);
  • 135 minutos (2.25 horas) de aulas por semana (definido pelo despacho do M.E.);
  • o calendário escolar para 2005/06 (ver http://www.educare.pt/exames/calendario/calendario_novo.asp) representa 37 semanas de aulas.
  • carga lectiva média dum professor no ensino oficial = 22 horas semanais;
  • como as crianças estão agrupadas em turmas, cada turma terá 2.25 horas de aulas por semana;
  • Portanto as 22 horas semanais dum professor são suficientes para 22/2.25=9.78 turmas; ou seja, arredondando o valor anterior, cada professor terá em média 10 turmas.
  • Por outro lado, 10 turmas correspondem em média a 10*20=200 alunos;
  • 200 alunos correspondem a uma verba anual de 200*100 = 20,000 Euros.

Conclusão n.º 1: Cada professor é responsável por gerar uma receita bruta anual de 20, 000.00 Euro.

A sr.ª Maria João Lopo de Carvalho fala ter treinado 30 a 40 professores, portanto

Conclusão n.º 2: 30 a 40 professores gerarão uma receita anual média de 600,000 a 800,000 Euros. Valores por baixo, pois partiu-se de turmas com 20 alunos, quando na realidade têm mais.




Questão n.º 2: Qual é o lucro que um negócio destes poderá gerar?

  • se um professor gera uma receita anual de 20,000 Euros;
  • se há 37 semanas de aulas, estas serão leccionadas no normal período lectivo dum ano, ou seja, de meados de Setembro a meados de Junho. Isto são 10 meses;
Portanto é necessário estabelecer um contrato com um professor durante 10 meses, o que não levanta problema desde que seja a "recibo verde". Não sendo difícil encontrar no mercado professores a pedirem 500 Euros mensais "líquidos" em troca de prestação de serviços a "recibo verde", então:
  • Para se ter 500 Euros líquidos, é necessário incluir 11.5% para a Segurança Social e 30% para IRS. Ou seja, é necessário pagar ao professor 500 * (1 + 0.115 + 0.3) = 707.5. Sejamos genererosos e arredondemos para 1,000 Euros!
  • cada professor representa um custo de 1,000 * 10 meses = 10,000 euros anuais.
  • adicionemos mais 1,000 euros anuais por professor para despesas seja lá do que for (materiais didácticos por exemplo; mas isto são suposições, pois o decreto lei não obriga a isto).
Conclusão n.º 3: cada professor gera um lucro bruto de 9,000 euros anuais (20,000 - 10,000 - 1,000).

Conclusão n.º 4: 30 a 40 professores gerarão um lucro bruto de 270,000 a 360,000 euros anuais.



Uma vez que o salário da sr.ª Maria João Lopo de Carvalho ainda não foi contabilizado, este lucro bruto pode converter-se no seu salário, por forma que a despesa e o lucro bruto se anulam. Não havendo IRC a pagar.




Questão n.º 3: Que salário líquido sobra para a
sr.ª Maria João Lopo de Carvalho?


Ora bem, mesmo não havendo IRC a pagar, a sua empresa terá que pagar a Segurança Social correspondente ao seu salário. Esta é:


a) Caso de 30 professores:
270,000 = (salário líquido) + (percentagem de desconto da empresa para a segurança social) <=>

270,000 = X + 22 % <=> X = 270,000 - 22% = 270,000 * (1 - 0.22 ) = 210,600 euros por ano


b) Caso de 40 professores:
X = 360,000 * (1 - 0.22) = 280,800 euros por ano


Portanto, isto dá um valor anual entre os 210,600 e os 280,800 euros líquidos. Ou em 14 meses (incluíndo subsídios de férias e de Natal): entre 15, 042.86 e 20,057.14 euros líquidos mensais.

Conclusão n.º 5: para 30 a 40 professores à sua responsabilidade, a sr.ª Maria João Lopo de Carvalho consegue um salário mensal LÍQUIDO (de 15,042.86 a 20,057.14 euros (mais os subsídios de férias e de Natal neste mesmo valor).




Já frisei o sufíciente que isto são valores por baixo? E que estes últimos valores são valores líquidos? É agora mais claro porque é que este negócio é mais apetitoso do que os cargos políticos a que a senhora Maria João Lopo de Carvalho poderia aspirar?

Compreendem agora, caros contribuintes fiscais, porque é que a "escritora" Maria João Lopo de Carvalho, assessora da vereadora da Educação e Acção Social da Câmara de Lisboa, principal interlocutora das escolas de 31 agrupamentos escolares de Lisboa, apresentou as suas propostas imediatamente no dia seguinte à publicação do despacho do M.E.? Escolas estas que dependem directamente, a nível de instalações e de outros apoios, do gabinete em que esta assessora trabalha.
Já vos é claro porque é a sócia gerente de uma empresa fechada há cerca de uma década recusou ser candidata do PSD à Câmara de Vila Franca de Xira?

Percebem agora como é fácil a demagogia, falando de rigor e contenção para depois optar por uma solução mais dispendiosa do que contratar professores do ensino básico?

Este sim, é um verdadeiro privilégio, o de se ter acesso a informação que o resto do mercado não tem, conseguindo ter uma proposta feita no dia seguinte ao da publicação de um diploma. O privilégio de se estar numa posição que permita exercer pressão para que uma proposta seja aceite em detrimento de outras. Mas não é este género de privilégios que o Primeiro-Ministro tão obsessivamente quer extinguir. Este é feudo da classe política!

São estes os números do dever cívico de todas as senhoras Maria João Lopo de Carvalho que por este país fora hão-de ter feito negócios semelhantes.

Se me enganei em alguma conta, e estes valores são exagerados, agradeço que me corrijam. Fár-me-á bem à saúde mental saber que afinal o descaramento tem um custo mais baixo.


13 comments :

  1. Raposa Velha disse...
     

    Li num comentário do Público que "[...] os professores que vão dar as aulas de inglês, educação física, música etc... nas escolas primárias, que nem contrato possuem, é a recibos verdes, só ganham as horas que trabalham e ganham desde 5 a 10€ consoante a bondade das câmaras.[...]".

    Alguém tem informação sobre isto? A confirmar-se, então terei que refazer os os cálculos. A Sr.ª Maria João Lopo de Carvalho teria então um salário beeeemmmmmm superior!

  2. A. Duarte Lázaro disse...
     

    Pois, era exactamente isto que eu vinha corrigir. E também que ninguém faz 22 horas semanais. O inglês funciona maioritariamente das 15h30 às 17h30 e, como tal, um professor não tem mais de 10 horas semanais. Casos há em que há Inglês de manhã (nas escolas que funcionam por turnos de manhã/tarde) e lá se alcançarão as 20h, mas não são assim tão comuns.

    O Inglês gratuito nas escolas é uma boa medida mas, lá está, funciona por "tachos" para empresas e cunhas para "professores" (se ver o despacho do Ministério não é necessária sequer uma licenciatura para leccionar inglês no primeiro ciclo)...

  3. Raposa Velha disse...
     

    Sim, compreendo. Mas do ponto de vista de quem paga não importa se o professor faz horário inteiro ou parcial. Não altera a receita bruta. Claro, para o professor é mua...

    não é necessária sequer uma licenciatura para leccionar inglês no primeiro ciclo??? this must be a joke!

  4. A. Duarte Lázaro disse...
     

    Infelizmente não é...
    No anúncio a que respondi para a função em questão vinha explicitamente "não é obrigatória licenciatura". Mas vou procurar o referido despacho do M.E.

    P.S.: Para quem recebe o dinheiro não faz diferença, mas para os professores faz muita...

  5. A. Duarte Lázaro disse...
     

    ainda bem que fui à procura pois saiu recentemente um despacho sobre esta questão e ESTE ANO pedem licenciatura em ensino (http://www.dgidc.min-edu.pt/ingles/desp12591.pdf). No entanto, sei que muitas empresas (e associações de pais) estão a funcionar da mesma forma que o ano passado (sem exigir licenciatura). Aliás, tal como disse no comentário atrás a empresa que me contratou não exigia licenciatura como requisito.

  6. Anónimo disse...
     

    Fliscorno _ É com imenso prazer que lhe envio os meus parabéns, pela sua “blog postura”.
    Por tudo aquilo que li seu, fiquei absolutamente rendida à sua coragem (ainda que mascarada com artifícios de sopro) e capacidade de bem escrever, completamente “engagé”, intervindo a nível político, social e económico…. Não se remetendo a um qualquer exercício anódino e displicente, mas antes a uma arquitectura verbal,fundamentada, construtiva por vezes sarcástica quanto baste, com a lógica da frontalidade, honestidade intelectual, intervenção social e porventura de generosidade, devolvendo-nos uma dádiva sofrida de dever cívico….
    Face a tudo isto e acreditando que às suas palavras subjaz um desejo de mudança ao estado das coisas, penso ainda que tenta reinventar desesperadamente, uma onda positiva….Colocando-nos assim a nós seus leitores, num caminho que não é fácil, bem sei, mas poucos seremos muitos, se nos unirmos em torno de uma ética global de comportamentos quer ao nível individual, social e laboral ….
    Oxalá, que possamos juntar sinergias críticas em torno dos seus “study cases” de eleição, ponto de partida d’autor com bom sopro, para leitores vocacionados para o debate de ideias.
    Acredite, que também irei trabalhar para ajudar a desmistificar quem não merece ser mistificado….quem usa e abusa do poder em benefício próprio, quem malbarata a coisa pública transformando-a em interesse puramente individual e de promoção social….quem adultera as regras do jogo para poder ganhar sempre…
    Acredite, que não são as contas de somar, talvez com mais graça de multiplicar, dos outros que me movem….mas a filosofia da persistência do erro aplicada à vida ….



    Maria João Lopo de Carvalho

    E a propósito da famosa Escritora light & Empresária do Know how ao fetiche das aulinhas de inglês para os pequeninos - Maria João Lopo de Carvalho

    A Queda de um Mito….(para não plagiar Camilo Castelo Branco e a sua Queda de um Anjo)….

    Atente-se nos erros ortográficos, de sintaxe, de pontuação e de construção frásica do primeiro post “à séria” !! no seu mais recente blog ”Frasesdalua”. Seguidamente, irei utilizar os próprios posts da escritora para fundamentar os meus comentários e eventuais achegas ao seu Artigo, sobre o fetiche das aulinhas de inglês e não só....
    Na minha opinião, é mesmo muito grave que uma das escritoras mais populares deste país escreva assim…
    Pergunto-me:
    Não houve verba para revisores?
    Ora vejamos:
    Terça-feira, Janeiro 17, 2006
    . Hospitais - Uns Esperam, outros Deseperam
    Pode não ser um tema apropriado para as primerias "frase da lua" mas fica a reflexão do estado caótico da saúde em Portugal. O meu dia de hoje dividido em três fases - frases - Hospitalares

    1. Morre um jovem de 17 anos no Hospital Pulido Valente vitima de uma doença rara. A família a braços com o luto, a perda e a dor debata-se com o problema logístico de não ter possibilidadade de cremar o corpo do filho, uma vez que na CML o crematório não tinha vaga se não lá para o fim da semana. Valeram as "cunhas" e as pessoas colocadas nos sítios chave. O problema dos portugueses é uns terem a quem recorrer, outros recorrerem à ineficácia e à burocracia estatal. Os primeiros esperam os segundos desesperam. A isto chamamos igualdade de oportunidades.(lindo!!!…)

    2. Já alguém visitou - com olhos de ver - o Hospital Reynaldo Dos Santos em Vila Franca de Xira? Pois se gostaram do Lisboa - Dakar - este não lhe fica atrás.Um labirinto de ruelas mal alcatroadas para se lá chegar. O parque de estacionamento, em terra batida, lama, folhas e pedregulhos desfia a paciencia do condutor do mais poderoso jeep, que anseia já por um final feliz. A sala de espera que aguardamos ansiosmente depois da aventura da "aterragem" da nave em terreno inóspido, não terá mais de 30, 40 metros quadrados, sendo que no mínimo está ocupada em permananencia por quase cem pessoas, crianças inclusive...
    Às três da tarde não avistei úma unica enfermeira. Pedi uma informação às empregadas da limpeza, que me rugiram algo entre dentes e... foi tudo... Fica aqui um alerta à Senhora Presidente da Câmara de Vila Franca e ao Governo, em especial ao Ministério da Saúde. Ota , TGV que mais ? Para quando este novo Hospital que serve quase todo o Ribatejo. Há pelo menos dez anos que não passa do plano? Uns esperam... outros desesperam...

    3. Num Hospital Particular em Lisboa, uma pessoa de famíia teve de se sujeitar a uma pequena intervenção cirurgica. Tendo essa pessoa uma vida profissional muito activa, lá fez das tripas coração quando o médico a avisou que teria de permanecer no dito hospital pelo menos uma noite, visto tratar-se de uma anestesia geral. Foi-lhe também dito que no dia da intervenção teria de se dirigir ao "local do crime" às sete e meia da manhã, em ponto! A custo lá se convenceu, adiando todas as reuniões do dia e, às sete e meia da manhã, pontualmente apresentou-se ao " serviço". Pois não é que esperou em jejum, sem ter visto vivalma a não ser um enfermeiro que lhe veio medir a tenção, das ditas sete e meia da manhã até às quatro e meia da tarde - nove arrastadas horas - altura em que chegou uma maca apressada que apressada o levou para o bloco! No dia seguinte a história repetiu se. " Pode sair às oito e meia da manhã"... a esperança é a última a morrer e, lá esperou o dito convalescente até às 13H30 para finalmente o médico, que prometeu vir de madrugada, lhe dar alta. Uma questão de timmings. O timming dos médicos particulares dos hospitais particulares é diametralmente diferente dos não- médicos pessaas comuns, comuns mortais como nós. Contra a ansiedade não há ainda remédio que se prescreva. Uns esperam... outros desesperam...
    posted by Maria João at 7:39 PM 2 comments   

    Já ouviram porventura falar dos falsos amigos? (FALSE FRIENDS)
    Quarta-feira, Março 22, 2006
    Funcionários públicos, para que vos quero?
    Mas porque raio toda a gente considera um supremo acto de felicidade não fazer a ponta de um corno? Funcionários públicos a suspirarem, cozendo (será possível) as horas de labuta ao forro do casaco, distraindo-se em resorts turísticos na net deliciados com palmeiras verdejantes e baías de golfinhos insultando os minutos porque tardam a passar. Não valeria mais ficarem em casa? Que poupança representaria para os cofres do estado? Não gastavam horas de Internet, chats e mails piadéticos, poupava-se em telefonemas para o telemóvel da avozinha, da empregada, da colega e do médico; não teriam oportunidade de fazer tantas asneiras, não gastavam água e luz e o país progredia na mesma, provavelmente mais. De resto convenço-me que é nas repartições públicas e municipais que mais se consomem revistas cor-de-rosa, sites exóticos, baixas fraudulentas, psicológicas e afins, iogurtes magros, garrafas de água e maças verdes. É nas repartições públicas, viciantes e asfixiantes, destas que demoram 3 meses a vomitar uma simples licença de habitação daquelas clarinhas sem problemas de nenhuma ordem, que mais elevado é o gozo do tédio, mais agudas as reivindicações, mas se apregoam os direitos individuais e colectivos, mais intensa a calhandrice, mais curtas as horas. É nas repartições publicas que os chefes são mais violentamente odiados, o trabalho mais adiado, os fins-de-semana mais ampliados, suspirando por eles desde segunda de manhã; é nas repartições públicas que mais café se consome, piores são as línguas e mais demorados os almoços.

    Pergunto o que de resto nunca ninguém me soube ainda responder: para que servem
    700 000 macacos num país de 10 milhões de habitantes? Só a título de comparação – na Suécia o Ministério de Educação conta apenas com 60 (onde se encontram inseridos nessa estatística os professores, querida Maria João Lopo de Carvalho? Responda lá …Antes que elabore mais erros sobre realidades mal comparadas!!)empregados incluindo o ministro, mas no nosso querido país da bem aventurança… do clima ameno e dos empregos garantidos … quantos mais, melhor! Deveres? Nem de pequenino!
    posted by Maria João at 5:41 PM 0 comments   

    Esta visão tão catrastrófica e doseada de um sarcasmo infinito, coloca-me a dúvida se esta Senhora saberá bem do que fala …
    Uma das razões prende-se concerteza com o facto de nunca ter feito carreira na malfadada função pública /autárquica e como tal sendo possuidora de um espírito privado tão livre e tão crítico, saberá concerteza melhor que ninguém avaliar todos os funcionários
    (700.000 macacos…) os quais na sua arrogante opinião, nada produzem …
    Só a Excia da Maria João Lopo de Carvalho é que chegou ao poder autárquico pela mão de um grande Amigo,
    e mal apareceu, convidada por certo para um projecto cultural à sua medida (dado o seu exemplar curriculum e provas dadas.???..), chefiou essa matéria humana desprezível, viu e venceu….
    De resto, a cultura ficou marcada indelevelmente com o seu rosto (espalhado pela cidade inteira), chamar-se-á doravante pelo seu nome e identificar-se-á com as suas acções… Muito em especial, todas aquelas de carácter promocional à sua “imagem de venda”, assídua em festas mundanas e mais festas temáticas,de época,do social a fazer solidariedade, a palestras culturais, bem como a lançamentos de perfumes e de livros, de trapinhos chics, jóias, relógios, restaurantes e discotecas, uma entre as dez fabulosas mulheres mais activas do País..., antestreias e novelas light de todo um pulsar de coração e sempre em lugar cativo na Revista Caras (será avença?), no 24 Horas, e em parte do mercado cor de rosa, tudo à exaustão….Atenção ao flash: sempre mas sempre sorriso rasgado...O flash é que conta neste mundinho tão pequenino...e tão grande... Enfim, “múltiplas vertentes em permanente movida” de marketing e publicidade, ao serviço da sua carreira batalhada,haverá que dizê-lo, de escritora da moda….
    Bom, entretanto como mudaram certos enquadramentos políticos, seria imperioso clarificar qual a sua situação actual no que concerne o poder autárquico? Existirão ainda vínculos, após ter dito incessantemente que ao assumir a sua empresa morta-viva (Know how) não lhe ficaria bem continuar na autarquia !!!
    A minha dúvida paira no ar, porque tenho lido efectivamente no Portal Jovem da CML algumas críticas literárias e de aconselhamento literário de “elevado nível” da “nossa cronista” (pergunto-me será uma borla generosa que dará à CML em troca desse estatuto como se fosse da casa?) será possível? Não esquecendo também referir algumas participações em colóquios como representante da CML, será possível ou estarei a sonhar?
    Há quem me explique?
    Quem é a/o Vereador/a que toma conta disto tudo?
    Afinal de contas,quem é a/o Chefe?
    È urgente ,temos mesmo que saber....
    Quinta-feira, Setembro 07, 2006
    oferta de emprego
    Mas porque raio os portugueses não querem trabalhar? Tenho andado numa azáfama a angariar professores de inglês e nada … depois de se mostrarem totalmente disponíveis nas pomposas cartas de apresentação que nos enviam, começam logo ao primeiro telefonema a fazer marcha atrás - os horários são pequenos, o preço hora curto, a escola longe… é preferível manterem-se no subsidio de desemprego, só se houver uma maneira de receber o ordenado sem passar recibo - pois bem vê que a vida está difícil, é melhor continuar a receber pelo desemprego… mais proveitoso compreende - as excepções escasseiam. A essas que se dispõe de sorriso na cara a dar aulas de inglês ao 1º ciclo não se importando com os 90 km ou mais diários que têm por vezes de percorrer para chegar à escola, sem pedirem à cabeça qualquer extra para a gasolina e agradecidas por terem arranjado emprego, os meus parabéns! são uma espécie de professoras em vias de extinção! Estas sim merecem ordenado a dobrar só pelo facto de sorrirem quando lhes chega uma simples oferta de emprego! Haja mais portugueses assim!


    Então depois de feitas as continhas de somar, que esta distinta empresária do “Know how” de seu nome Maria João Lopo de Carvalho, aufere, perante esta justiça social de independência empresarial ao alcance de todos, claro, a dita tem a supina lata de se molestar com o comportamento dos seus pseudo-candidatos que colocados a 90 km de distância para darem meia dúzia das famosas aulinhas de inglês em regra à tarde e tão descaradamente explorados… não terem na verdade, vontade de sorrir a essa vida… Para tudo há uma explicação, e neste caso parece-me bem óbvia, ao não se aceitar esta oferta de emprego….
    A senhora Empresária em nome individual da reputada know how (saber como -ter lucros incomensuráveis, está-se vendo €€€€€€) professora, copy writer, desistente a proto- candidata à autarquia de Vila Franca de Xira, polítologa de um compromisso para Portugal, escritora das horas vagas, articulista de moda, gastronómica e de costumes, cronista literária, blogger sem revisores, entertainer cómico-político-social-emocional, funcionária autárquica imaculada ou simplesmente ex – “macaca” (seguindo fielmente a terminologia adoptada no seu blog), modelo de cabelos, gestora de bens corpóreos e incorpóreos, ginasta pela linha ou sublime cantora de sopro com CDs produzidos, não é solidária com quem não tem orçamento para as custas da deslocalização, da gasolina e comida….inviabilizando assim, por vezes a sua fantástica e generosa proposta de emprego … sob o seu ponto de vista por certo, irrecusável, mas sob o nosso impraticável e surreal….
    Minha Senhora, tenha por favor mais decoro nas suas atitudes e no seu vocabulário seleccionado para tratar estas questões ...
    Vai o conselho ou o concelho? Temos que nos rir com isto tudo,não é ?

  7. Anónimo disse...
     

    Lastimo imenso ,mas tinha feito o trabalho de casa e assinalado os erros encontrados nas peças literárias em apreciação....assim é que tinha mais graça e acutilância o meu discurso....

  8. Raposa Velha disse...
     

    Fui ver o blog a que se refere:
    http://frasesdalua.blogspot.com

    Será mesmo dela?! Afinal de contas qualquer um pode fazer um blog e lá colocar o nome e fotografia doutra pessoa...

    De resto, obrigado pelo cumprimento e volte sempre.

  9. Anónimo disse...
     

    Quanto aos professores da know how, garanto-vos: ganham POUCO. A maioria dos professores faz 9h/semana. Ninguém é pago ao mês, somos todos pagos à hora e a recibos verdes. Ninguém paga os feriados, nem as greves dos professores-base, nem nada. Recebemos apenas as aulas que damos, quer tenhamos tido ou não culpa pelo ausência de aulas em determinado dia. O mínimo aceitável apra se dar aulas pela know how é o proficiency, mas somos uma maioria de licenciados. Nem bem olhei para as contas feitas, mas nenhum professor da know how que faça as habituais 9h ganha 500€... Nunca, nem nos meses em que há mais aulas... Por isso, obrigadinha pelo bota abaixo, mas os professores da know how não lucram grandemente com o negócio da directora, embora elas nos trate muito bem.

  10. Raposa Velha disse...
     

    Cara Anónima,
    talvez eu não me tenha exprimido bem mas o que pretendia demonstrar é que o negócio é frutuoso para a empresa Know-How, apesar de não o ser necessariamente - certamente - para os respectivos colaboradores.

    Estou interessado em mais detalhes para poder eu mesmo elaborar um juízo de valor. Se puder, contacte-me pelo meu email.
    Cumps,
    RV

  11. Anónimo disse...
     

    有什么 有什么网址 有什么新闻 有什么博客 有什么论文
    有什么图片 有什么音乐 有什么搜商 有什么帖客 天气预报

  12. Anónimo disse...
     

    Bem sei que este artigo já é um pouco antigo. No entanto não deixa de ser actual, pelo menos para mim...

    Este ano, sem outra hipótese de trabalho, lá aceitei (com o dito sorriso na cara) trabalhar, ao fim da tarde, a recibos verdes e com uma cláusula no contrato de prestação de serviços que me lembra que a qualquer momento me podem dispensar, sem qualquer justificação...

    Apesar de tudo acho que o pior mesmo é a falta de profissionalismo (de quem chega a inventar mentiras para não admitir os próprios erros, preferindo denegrir o sorriso de quem aceita trabalhar a recibos verdes) e a quantidade de pedras que nos atiram e a forma rude com que nos falam quando tentamos mostrar que algo não está bem...

  13. Anónimo disse...
     

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