a política na vertente de cartaz de campanha

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Em serviço mínimo...

... que por aqui se entrou no ano de molho. Mas está tudo controlado, muito graças aos conselhos da Linha Saúde 24: avinha-te, abifa-te e abafa-te.

Republico a seguir um texto em jeito de balanço, em sintonia com a moda da semana passada.

 

Consumidor universal
Publicado em segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Se numa dessas pastosas entrevistas de rua, como aquelas sem valor informativo mas que consubstanciam escolhas editoriais, um repórter lhe perguntasse «Qual acha que foi a grande mudança individual que o século XX trouxe?» , qual seria a sua resposta?

A democracia, que já vinha da Grécia Antiga? A liberdade de expressão, tão cara a Gutenberg? O conhecimento, a arte, a saúde, a ciência? Sim, todos estes domínios, e outros, tiveram expansão considerável no passado século.

Mas é o estatuto de consumidor a mais abrangente das características que nos passaram a definir. Dificilmente alguém consegue deixar de o ser, passou a ter enquadramento com direitos e deveres e estabelece, em elevado grau, a interdependência entre todos.

Enquanto que séculos a trás ninguém se surpreenderia perante uma existência de auto-subsistência, hoje até este termo tem conotação negativa, equivalendo a insucesso na vida. É impensável viver-se sem dinheiro, sem o meio de trocar a capacidade produtiva de cada um de nós por parte da produção de outrem. Ser-se universalmente consumidor foi a maior mudança que o século XX nos trouxe.


3 comments :

  1. Isabel Magalhães disse...
     

    J;


    Põe-te bem! ;)


    ("Avinha-te", mas só podes consumir o que produziste. Já agora, que tal correu a vindima?) :D

  2. Nádia Jururu disse...
     

    As melhoras.
    A diferença de estatuto da mulher e outras como esta, também caracterizam o Sec. XX.

  3. Fliscorno disse...
     

    Ponho pois, Isabel. A vindima não foi má de todo: 70 hectolitros. E este ano espera-se boa qualidade :)




    Obrigado Nádia. Tens razão, essa também é uma mudança notável. E outras haverão. É no que dá postular certezas em cima do joelho.

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