a política na vertente de cartaz de campanha

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Perigosa proposta? Só se for para os partidos

Vital Moreira hoje no Público:

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De acordo com tal proposta [de Passos Coelho, para alterar a lei eleitoral] (…) os boletins de voto passariam a incluir a lista nominal dos candidatos de cada partido concorrente, passando os eleitores a poder manifestar, querendo, a sua preferência entre os candidatos do partido em que votam.

 

Vital Moreira acha que a proposta é perigosa porque

  • Não seria possível conhecer os todos os candidatos a deputados. Mas não é isso que actualmente acontece?
  • Os candidatos poderiam passar a ter financiamento partidário individual e descontrolado - será que VM não ouviu falar dos sacos azuis do seu partido (Felgueiras, por exemplo)? E os ajustes directos serviram para quê? Para cozer abóboras? E os sistemáticos chumbos das contas das campanhas eleitorais?
  • Poderia acontecer que apenas meia dúzia de activistas acabasse por escolher os deputados. Uns quantos seriam mesmo assim mais do que apenas o chefe ou alguns dos seus próximos, como agora agora acontece.

Realidade perigosa é o que agora existe onde

  • o eleitor não tem uma única palavra a dizer na escolha dos deputados, limitando-se a conceder mandatos aos partidos para os nomear por si;
  • os deputados representam o interesse do partido (ou não serão reconduzidos) em vez de representarem os eleitores;
  • há 230 deputados mas que funcionam em termos de votação como se fossem 6 graças à constante disciplina partidária.

Portanto, é uma proposta perigosa para quem? Só para o actual status quo, do qual o senhor Vital Moreira faz parte.



6 comments :

  1. GMaciel disse...
     

    Reformas fundamentais para o desenvolvimeneto e "modernidade" do país? Claro, desde que sejam lá com os outros, no meu ninguém mexe!

    E ainda dizem que eu é que tenho mau feitio!
    :(

    PS- palavra de verificação; regra.
    Ou muito me engano ou isto adivinha qualquer coisa.

    :)

  2. Jane disse...
     

    Acho uma tonteira as duas posições.
    Primeiro teríamos boletins de voto tipo páginas amarelas. Que desperdicio de papel. Além de que desistiriamos a meio.

    A realidade perigosa é a que existe, existiu e sempre existirá. Não há volta a dar. Digo eu.

    São uns ociosos.Fossem eles para a escola e não teriam tempo nem cabeça para estes desvarios.

    (sou uma plebeia, não percebo nada do assunto...)

  3. Fliscorno disse...
     

    Mudar custa a todos, Graça. Até aos que fazem as mudanças ;-)







    Apesar de não me alargar nesse aspecto Jane, o facto é que também não me parece que a proposta do PPC seja a mais exequível. Eu cá acharia mais interessante a existência de círculos uninominais. Agora os argumentos de VM são de uma pobreza a que só não chamo franciscana porque não o faria a um ex-comunista convertido aos socialistas que, depreendo, não se reveja nessas coisas religiosas :-)

  4. Cristina Ribas disse...
     

    Jorge, concordo com a existência de círculos uninominais e só não concordo com a escolha de mais de um deputado por não ser nada prático. Exigir a cada deputado a responsabilidade pelo trabalho desenvolvido, uma vez que representa uma região, é uma excelente ideia mas claro que o funcionamento partidário se ressente...

    Muitas vezes penso que para haver disciplina de voto como a grande maioria das vezes há, não são precisos tantos deputados.

    No debate parlamentar (ainda se pode chamar debate às figuras que muitos dos nossos deputados fazem no parlamento?) as participações são tão escassas que de facto são demais e podem-se sempre convidar especialistas para falar sobre determinados temas porque os deputados (quem decide) muitas vezes não percebem nada do que estão a falar e a votar... Redução drástica do número de deputados da AR - uma boa rúbrica para incluir no PEC...

    Muito oportuno este post.

  5. Isabel Magalhães disse...
     

    J;


    Clap! Clap! Clap! para o post.

    O nº de deputados há muito que deveria ter sido reduzido. Apoio até a proposta de Pedro Santana Lopes.

    Tb as 'benesses' dos deputados deveriam ser - urgentemente - revistas. Reforma ao fim de oito anos porquê?! É alguma profissão de desgaste rápido? Quantos anos trabalha um mineiro antes de se poder reformar?

  6. Fliscorno disse...
     

    Perfeitamente de acordo, Cristina. Já agora, de cada vez que se fala em debate parlamentar vem-me sempre à memória os habituais bordões "muito bem", "exacto", "sim senhor". Digamos que é um coro extremamente caro. E nem por isso é polifónico, apesar de funcionar a 6 vozes.






    Não estou a par dessa ideia do PSL, Isabel. Isso da reforma ao fim dos 8 anos ainda está em vigor? Pensava que era uma das coisas terminadas num dos anteriores governos.

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