a política na vertente de cartaz de campanha

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Geada


Um destes dias, a madrugada nasceu assim. Chovera há pouco, ainda durante a noite e agora a neblina a que tanto me habituara pelas manhãs frias do vale pairava no ar, misturada com o cheiro intenso da terra molhada. Senti-me transportado para outro tempo, incerto, dado os já longos anos de vida adulta na cidade do ganha pão.

Num cantinho onde o sol ainda não chegara lá estava esta planta à espera de ser mirada, exibindo os seus colares feitos de cristais de água, gritando de evidência em como a natureza é ordenada. E frágil. Mais alguns minutos e estes adornos seriam despidos pelo sol que já por entre as folhagens ia insistindo em chegar.

Espero poder repetir esta foto daqui a mais alguns anos. Será o sinal de que os GW Bush deste mundo foram derrotados na sua teimosia de que o clima não está a mudar.


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It's a beautiful day

Hoje, tudo leva a crer, será um dia especial. Começou por haver acidente na ponte às 7 da manhã, sendo que às 8 ainda havia pessoas encarceradas nos veículos. Ponte cortada e filas intermináveis, mesmo no sentido contrário ao acidente - louvores aos incansáveis mirones.

Uma vez que me levantara cedo e, como de costume, ouvira o trânsito na Antena 1 - que por acaso também é ouvida na Covilhã, na Guarda e em Alguidares de Baixo, localidades onde é fundamental o conhecimento quadri-horário do caos IC19, A5 e Ponte - estou agora em casa a ponderar se já valerá a pena sair.

O que vale é que está sol. It's a beautiful day.


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Sobre as remunerações da ANA, CGD, CTT e AdP em 2004

6,100,000.00 € (perante um número tão alto, tenho que pensar em contos: um milhão e 220 mil contos) é o montante que quatro empresas públicas ( ANA, CGD, CTT e AdP) gastaram em remunerações com os seus gestores em 2004.

Dito de outra forma, em 2004 quatro EP pagaram em cada mês 101.67 mil contos em remunerações. Se fosse correcto dividir em partes iguais este valor, isso significaria que cada uma delas gastou 25,417 contos por mês.

Claro que não nos devemos esquecer que aos valores pagos com remunerações existem sempre os habituais pacotes de "regalias", tais como cartão de crédito, isenção de horário, ajudas de custo, despesas de representação, telemóvel, carro, combustível, seguro de saúde, seguro de vida, casa, etc. Uma forma de aumentar consideravelmente a remuneração mantendo o salário "oficial". Além disso, estes montantes não são sujeitos a impostos por parte do trabalhador e aumenta, ainda, as despesas da empresa, a qual pagará menos IRC.

De notar ainda que muitos salários são complementados com acumulação de reformas devidas a cargos anteriores (nomeadamente, no caso dos políticos, dos gestores substituídos por outros de nomeação política, etc.).

A crise existe. Mas não para todos. A função pública do tacho continua em grande.


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As portagens nas cidades


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O Professor Único


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O Interregno

"Everything that could be invented has been invented."


Alguns afirmam que por volta de 1899 Charles H. Duell, comissário do Gabinete de Patentes Americano, terá dito que "tudo o que poderia ser inventado já tinha sido inventado", tendo mesmo apresentado a demissão ao Presidente McKinley e recomendado o fecho do Gabinete de Patentes.

Esta suposta citação tem sido dita, re-dita e até o Presidente Reagan a usou num discurso.

Mas apesar poder ser usada para causar umas boas gargalhadas, como fez Reagan, a verdade é que esta "citação" não passa dum mito, nunca se tendo encontrado documentos oficiais que o consubstanciassem. Possivelmente, este teve origem num relatório que Henry Ellsworth enviou em 1843 ao Congresso americano onde afirmava que "o avanço das artes, de ano para ano, testa a nossa credibilidade e parece indicar a chegada dum periodo em que que o desenvolvimento humano terá que terminar". Mas Ellsworth apenas estava a usar alguma retórica para enfatizar o crescimento do número de patentes apresentadas no restante relatório, tendo até apontado áreas em que previa que esse número crescesse ainda mais.

De citação em citação, por transcrições cegas, ou pela não verificação dos factos, uma citação inexacta de Ellsworth poderá ter dado origem, anos mais tarde, à afirmação erradamente atribuída a Duell. Note-se que este último até propôs medidas para melhoria do sistema de patentes, algo que não faria sentido se ele acreditasse que o gabinete deveria fechar.

Vem esta divagação a propósito da inactividade deste blog. Acontece que o autor tem andado com um sentimento de que todos os escândalos/corrupções/más políticas/compadrios/falta de estratégia/etc. que poderiam tomar lugar já aconteceram, sendo os novos episódios apenas mais do mesmo. Tal como num típico filme mainstream americano em que a história é, no fundo, sempre a mesma, apenas variando os protagonistas e a forma como é contada. Mas sempre com igual fim: final feliz no filme, com absoluta falta de vergonha e impunidade na nossa política.

Assim sendo, para quê continuar a escrever?

Há séculos que este país anda torto e com falta de rumo. Não serão meia dúzia de textos, e muito menos os deste blog, que alguma coisa mudarão. Veremos o que vem a seguir. Possivelmente outros assuntos e materiais por aqui aparecerão.




Referências:
Jeffery, Dr. Eber. Journal of the Patent Office Society. July 1940

Sass, Samuel. "A Patently False Patent Myth." Skeptical Inquirer 13 (1989): 310-312

http://inventors.about.com/library/lessons/bl_appendix5.htm

http://ask.yahoo.com/20050407.html

Citação original de Henry Ellsworth:
"The advancement of the arts, from year to year, taxes our credulity and seems to presage the arrival of that period when human improvement must end."


"Citação" atribuída a Charles H. Duell:
"Everything that could be invented has been invented."