a política na vertente de cartaz de campanha

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A lei insossa

Mais alguns detalhes sobre a lei insonssa:
 
Texto do projecto de lei: no site do parlamento. Neste texto de oito páginas, cinco delas são preenchidas com um extenso preâmbulo. Novamente, nota-se a vocação lírica frustrada que parecem ter os nossos legisladores.  Se este texto do sal passar a lei, é possível que seja batido um record. Outras pérolas:
«O consumo excessivo de sal é provavelmente um dos factores com maior responsabilidade no aumento da incidência destas doenças, sendo fonte de preocupação na comunidade médica e científica.»
Agora legisla-se por probabilidades?
«O pão e os alimentos embalados, ao contrário dos alimentos confeccionados e consumidos na hora, são fabricados em regime de produção industrial, motivo pelo qual nos parece adequado intervir legislativamente, fazendo incidir alguma regulação sobre os seus teores salinos.»
Ou muito me engano ou todos os alimentos nos supermercados são de produção industrial.
«Os mais recentes dados revelam que o pão constitui uma das principais fontes de ingestão salina»
Bom, quanto pão se consome por cá?!
 
 
Mas se faz sentido legislar sobre quanto sal deve o pão conter, então vejamos mais alguns potenciais da fúria legislativa:
  • O exercício físico contribui para uma vida saudável. Venha lá a lei socialista a obrigar todos a fazer uma corrida matinal de 30 minutos.
  • Sexo com camisinha é mais seguro. Venha lá a lei socialista a regular o coito.
  • O CO2 nas bebidas aumenta a respectiva acidez, o que pode provocar úlceras. Além disso as bebidas com gás podem causar problemas nas válvulas gástricas. Venha lá a lei socialista a proibir bebidas com gás.
  • As gorduras vegetais hidrogenadas são consideradas cancerígenas. Venha lá a lei socialista a proibir a sua inclusão no pão.
  • O açúcar em excesso pode causar diabetes. Venha lá a lei socialista a proibir a sua inclusão no pão.
  • Ao que dizem, fumar mata. Venha lá a lei socialista a proibir o fumo.
 
Finalmente, sobre o pão. O sal é o menor dos males. Quem defenda a regulação da quantidade de sal já se deu ao trabalho de olhar para a respectiva lista de ingredientes? Em Abril de 2007 fi-lo (cf. O pão nosso de cada dia), de onde saliento esta lista de ingredientes do pão vendido num supermercado perto de si:
 
Ingredientes: Farinha de trigo T65 (gluten), água, levedura, melhorante (farinha de trigo, emulsionantes - E472(e), E471, agente de tratamento de farinha: ácido L-ascórbico, enzimas), sal, complemento gordo (óleos vegetais hidrogenados, óleo vegetal, açucar, emulsionantes: E471, aroma natural, conservante: E202, antioxidante: E321)
 
E a lista de ingredientes daquilo que conhecemos por pão: Farinha de trigo, água, levedura, sal.
 
Mas em vez de apelar ao papá-estado para tomar conta de mim, concluo de outra forma: «Costuma ler a composição dos produtos que compra? Se não o faz, reconsidere. E não fique à espera que o Estado proíba ou permita este género de produtos, assuma que o tempo do Estado-papázinho já era. Perante produtos fracos como este, pura e simplesmente não os compre. E, porque não, incentive os seus amigos a fazerem o mesmo.»
 
De resto, nada tenho contra a regulação. Acontece que há casos em que se entra pela parvoíce. Lembram-se dos piercings? Ou, ainda, outra regulação parva: o calibre obrigatório das frutas e legumes. Podem não saber a nada mas porque têm formato errado, não prestam. Mas se os nossos queridos deputados acham assim tão importante que se consuma menos sal, porque não lhes chega procurarem convencer as pessoas a optar por produtos com menos sal? Não, tem que ser à força bruta, que os portugueses são uns infato-imbecis.
 
E depois há ainda esta coisa fantástica: com tanto problema para resolver no país e ocupam-se os nossos queridos deputados com fait-divers?! Há formas fantásticas de deviar a atenção, não há?


2 comments :

  1. brit com disse...
     

    Cá por mim acho que vou fazer como um amigo meu: compro a máquina de amassar e faço o pão em casa...
    Detesto coisas insossas...

  2. Pata Negra disse...
     

    Também eles nos fazem mal à saúde, não seria bom uma lei que os eliminasse?!
    Um abraço e um pão nosso de cada dia

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