a política na vertente de cartaz de campanha

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Também eu, renuncio

    • Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
    • Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e àquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
    • Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;

Mais no 4R. Renuncie também!



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O "Minister of Administrative Affairs" à portuguesa

Despesa do Estado, previsão para 2010imageNo gráfico mais à esquerda, saído ontem no Público, podemos ver (clicar para ampliar) que a maior das despesas do Estado consiste em cobrar os impostos (finanças) e administra-los (administração pública). Uma despesa muito superior aos gastos com a saúde ou com a segurança social ou com a educação. E sete vezes maior do que os gastos na justiça.

Isto é, a grande despesa do Estado consiste em fazer com que a administração do Estado exista. Ninguém vê nada de errado nisto? Nem se vislumbra onde cortar na despesa? Que tal começar pelo "monstro" dos 12.828 milhões de euros?

Sir Humphrey Appleby e o seu Minister of Administrative Affairs Jim Hacker tomaram conta deste país.



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Sócrates Crabtree

Sócrates Crabtree

The “bost” of Crabtree



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Um ano, desdizendo o que foi dito



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Onde cortar na despesa?

Portugal precisa de quem puxe pelo país Na passada sexta-feira ouvi o primeiro-ministro dizer em Nova Iorque que preferia uma redistribuição fiscal (leia-se aumento de impostos) a cortes na saúde, na educação e no estado social.

Esta declaração é fantástica. Em primeiro lugar diz-nos que os impostos irão aumentar e em segundo que só na citadas três áreas é que há espaço para cortes na despesa. Ficamos a saber que os governos civis não vão fechar, que a imensidão de institutos, fundações e empresas municipais que duplicam a administração pública continuarão como até aqui e que o patrocínio estatal de actividades comerciais como computadores, construção de estradas e demais obras públicas não será contido.

Recorre-se ao medo e fica tudo na mesma. Excepto para os tais 15% que contribuem para 85% da receita fiscal, que sentirão, uma vez mais, os impostos mais pesados e a carteira mais leve.



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A memória é lixada

2010-02-02
Impostos não vão subir, garante José Sócrates

"Vamos fazer uma consolidação orçamental baseada na redução da despesa e não através de aumento de impostos, porque isso seria negativo para a economia portuguesa", declarou José Sócrates aos jornalistas, depois de confrontado com uma posição pública hoje assumida pelo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

2010-05-10
Como tudo mudou em poucos meses

"Não há aumento de impostos, concentraremos os nossos esforços na contenção e na redução da despesa, seguindo uma política financeira de rigor".
- 27 de Janeiro

23.09.2010
Ministro das Finanças diz que tomará as "medidas necessárias" para cumprir défice
"Tomaremos as medidas indispensáveis para neutralizar estes factores de risco. Não podemos falhar esse objectivo, faremos o necessário para que o défice não ultrapasse os 7,3 por cento", disse hoje Teixeira dos Santos no Parlamento.
O ministro das Finanças defendeu mesmo que não será possível atingir o objectivo orçamental "sem receita adicional". E prometeu cortes significativos na despesa pública em todas as rubricas no próximo Orçamento do Estado.


Ministro diz que sem aumentar a receita "não vamos cumprir o défice"
No debate na Assembleia da República, o ministro das Finanças explicou que "não é possível atingirmos o nosso objectivo sem melhoria na receita. Sem ela não vamos alcançar o nosso objectivo".

A memória é lixada. Com a volatilidade das propostas políticas, faz todo o sentido perguntar para que queremos campanha eleitoral. Se é para fixar cartazes e lançar promessas vãs, mais vale apenas ir à urna de voto.



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Os dias do FIM

fmi

nota: título do post por DS



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hehehehehehehehe

«Cavaco Silva não deixou também de reconhecer “os sucessos em matéria de ensino nas duas últimas décadas”, nomeadamente através da generalização do ensino obrigatório, redução das taxas de insucesso escolar e aumento da frequência do ensino secundário e universidades.» no Público

 

hehehehehehehehehehehe ainda me estou a rir hehehehehehehehehehehehe



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Ter olho compensa

 ter olho compensa

«Melhor» aluno entrou na universidade sem acabar o liceu

Média de 20 valores foi conseguida com apenas um exame. Jovem conseguiu equivalência ao 12.º através das Novas Oportunidades e admite que beneficiou de uma injustiça [tvi24]

 

Checklist

  • Trabalho diário, ano após ano, para terminar o secundário com a melhor nota possível - Inscrever-se nas Novas Oportunidades
  • Fazer vários exames - Fazer apenas o(s) exame(s) exigido(s) como prova(s) de ingresso no curso que se queira
  • Trabalho extra nas disciplinas para as quais se tenha maior dificuldade - Desistir e ir para as Novas Oportunidades

Em suma

Quem queria ver, já há muito sabia que as assolapadas paixões educativas que assaltaram vários governos mais não eram do que fogo de artifício para brilhar enquanto a fasquia da exigência ia sendo descida. Mas agora não conseguirei evitar rir com escárnio de cada vez que os do costume vierem falar em qualificação, exigência e aposta na educação. Mau feitio meu, só pode.



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Carro eléctrico, electricidade-fóssil

Em 2007, a capacidade de produção eléctrica foi a seguinte:

Capacidade de produção eléctrica - Portugal 

e na Europa a 27 foi (clicar para aumentar):

Capacidade de produção eléctrica - UE27

Fonte: Statistical pocketbook 2010 (site, PDF, XLS)

Portanto, quando se fazem títulos como este «Carro eléctrico: adeus século do petróleo, olá século da electricidade?», ou quando se decide avançar com projectos megalómanos de redes de abastecimento eléctrico ou quando um primeiro-ministro resolve falar de uma prometida revolução com o carro eléctrico, é preciso não esquecer que

  • mais de 50% da actual produção eléctrica nacional (e europeia também) provem da queima de combustíveis fósseis, com as consequentes emissões de CO2 e dependência energética do exterior;
  • se todos os carros deixassem de queimar combustível para gastar electricidade, simplesmente estaríamos a transferir os actuais problemas dos carros para as centrais termo-eléctricas (para aumentar a capacidade produtiva) e possivelmente ainda haveria questões como a capacidade da rede de distribuição eléctrica e da respectiva eficiência;
  • além de não resolver os problemas energéticos e ambientais, o carro eléctrico vem ainda criar um novo: o da reciclagem das baterias (produto de elevado perigo ambiental);
  • finalmente, a adopção de tecnologias embrionárias tem o elevado risco de se escolher as que não vingam (que o digam, por exemplo, os que apostaram no formato vídeo betacam ou no HD DVD) e de poderem ser caras e com baixo rendimento.

Não tenho grandes dúvidas sobre um futuro com o carro eléctrico mas aposto que não o veremos em massa com as actuais tecnologias. Enquanto uma alternativa prática aos combustíveis fósseis não for encontrada, estes ímpetos modernistas não passam de um frisson para embelezar programas eleitorais.

Leituras adicionais:



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Os números do sucesso educativo

Governo traça metas para sucesso educativo (TSF)

A ministra da Educação está a pedir às escolas que tracem metas para melhorarem os resultados. Os novos objectivos de aprendizagem para o sucesso começaram, na terça-feira, a ser explicados pela ministra em Braga junto de mais de 300 directores de agrupamentos de escolas.

Pela voz da ministra da educação ficamos a saber que o governo quer que a educação em Portugal tenha maior sucesso. Não se reuniu nem se dirigiu aos alunos para que estes estudem mais. Nem aos pais para que melhor acompanhem os seus filhos. Não. Pediu às escolas que estabeleçam metas. É claro como água que os números sucesso educativo melhorarão e que os alunos continuarão a saber tanto quanto hoje sabem.



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Teoria dos vasos comunicantes do lucro fácil

vasos comunicantes do lucro fácil



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Acórdão Casa Pia: cronologia de uma entrega anunciada

Cronologia e comentário a três dias de não acontecimentos.

1.CRONOLOGIA

  • 8 de Setembro, 09:08, RTP:
    «Acórdão do processo Casa Pia deverá ser hoje disponibilizado às partes interessadas.»,
  • 8 de Setembro, 17:40, RTP:

    «O adiamento da divulgação pública deve-se à necessidade, imposta pela Lei, de retirar do texto do acórdão os nomes dos envolvidos, em especial os das vítimas.»

  • 8 de Setembro, i:
    «Casa Pia: Acórdão será depositado no tribunal na quinta feira - Conselho da Magistratura»

    «Em comunicado, o CSM refere que a juíza presidente do tribunal coletivo, "muito embora tivesse já o acórdão pronto para depósito", entendeu fazê-lo "apenas amanhã (quinta-feira), logo pela manhã, pois que só então o tribunal disporá dos suportes informáticos e em papel para entrega a todos os intervenientes processuais".»
  • 9 de Setembro, 10:09, Público:
    «Acórdão acessível ao início da tarde
    O acórdão do processo da Casa Pia só será entregue aos sujeitos processuais no fim de almoço, pelas 13h30, disse ao PÚBLICO fonte judicial.»
  • 9 de Setembro, 16:10, Público:
    «Tribunal falha entrega do acórdão Casa Pia pela terceira vez
    Uma fonte oficial do CSM confirmou que, "conforme comunicou a juíza presidente, surgiu um problema informático devido à impressão e gravação do acórdão em suporte digital". Por outro lado, uma fonte ligada ao processo disse mais tarde à Lusa que se tratava de "um problema de formatação dos textos
  • 10 de Setembro, 18:00, iol:
    Casa Pia: acordão entregue segunda-feira

    O problema surgiu quando a juíza presidente iniciou a operação de copiar o ficheiro informático global da sentença. As cópias, de acordo com fonte judicial, continham as datas de todas as alterações introduzidas ao longo do tempo pelo colectivo de juízes.

    Em comunicado, o CSM reitera a informação já anteriormente prestada de que a demora na divulgação do acórdão, com cerca de duas mil páginas, se deve a problemas de formatação do texto que ainda não estão solucionados.

    O documento indica que «desde hoje» [sexta-feira] a juíza presidente do colectivo, Ana Peres, tem sido apoiada por técnicos de informática, tendo estes recebido o reforço de «especialistas da Microsoft», disponibilizados pelo Ministério da Justiça.

    Mais grave ainda: permitiam aceder a versões anteriores do texto. Os advogados ficariam a saber quando começaram os juízes a escrever a sentença e todas as alterações que lhe foram introduzindo.

    As versões dadas a cada facto, fundamento ou argumento de direito, entretanto corrigidas pelos juízes, seriam igualmente acessíveis.

    Este problema levou ao adiamento da entrega das cópias às defesas. A juíza Ana Peres está agora a reformatar cada um dos 22 ficheiros de texto originais que compõem a sentença.

    De acordo com a última informação recolhida pela TVI, já conseguiu fazê-lo em 11 ficheiros, mas tem outros tantos pela frente, o que explica a previsão de que as cópias não deverão ser entregues às defesas ainda esta sexta-feira.

    Fonte do Ministério da Justiça garante que problema não tem origem no programa informático, mas em erros no manuseamento. O peso anormal do ficheiro correspondente a mais de duas mil páginas de decisão explicará também, em parte, a desformatação do ficheiro final.

  • 10 de Setembro, 20:30, Público:
    Casa Pia: problema informático que impediu entrega do acórdão está resolvido
    “ao efectuar-se a junção dos referidos ficheiros, verificou-se que, nesses suportes, o texto do acórdão se apresentava desformatado, com blocos de texto contendo indicações de índole informática, anotações essas que não tinham interesse nem devem constar no texto desta – ou de qualquer outra - peça processual”. Salienta-se, como já foi anteriormente referido, que o problema foi verificada pelo advogado de um arguido, no caso Ricardo Sá Fernandes, que defende Carlos Cruz.
  • 11 de Setembro, 09:12, Público:
    «Vírus informático atrasou entrega de acórdão da Casa Pia
    O vírus de um ficheiro informático com uma parte do acórdão da Casa Pia terá contaminado o resto dos ficheiros onde estavam os outros textos e desformatou o documento com cerca de duas mil páginas.»
    [Nota: apesar de fazer manchete, a tese do vírus não é referida no corpo na notícia. Comentário em off ou criatividade jornalística?]

2. COMENTÁRIO

A mais óbvia constatação reside na evidência de, repetidamente, se ter anunciado como pronto algo que não o estava. Depreende-se que por "pronto" se entenderia o conteúdo (texto do acórdão) em detrimento da respectiva forma (a formatação). Apesar da forma ser indissociável do conteúdo e que o digam os felizes proprietários de uma grafite e de um diamante.

Mas se essa incapacidade de apresentar a versão acabada e formatada do acórdão era a causa dos atrasos então conclui-se que se evocaram falsas razões para os anteriores atrasos. Nomeadamente no que respeita as teses dos prazos, o retirar dos nomes envolvidos no acórdão, dos problemas de impressão e de produção do DVD. E sobre a delirante tese do vírus informático, enfim...

Por experiência própria sei que escrever mais do que uma carta usando o Microsoft Word pode ser (é!) um pesadelo. Os problemas de formatação são, com efeito, uma realidade, especialmente quando se usa o controlo de alterações da ferramenta (como parece ter sido o caso). Dou por isso crédito à tese dos problemas de formatação e à necessidade de técnicos da Microsoft irem resolver o problema. (Eu próprio, profissional de "informática", acabo com frequência a pesquisar como contornar certas "vontades próprias" deste software). O me leva a questionar com maior veemência as outras razões apontadas para os atrasos.

Se um mastodonte de 8 anos já era uma declaração de óbito do sistema judicial, as peripécias destes três dias constituem o toque de finados de algo que não funciona.



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Da série «Já baixámos o défice uma vez»

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Notícia no Expresso. No entanto...

«Arrendamentos
O Estado paga cerca de 87,8 milhões anuais em rendas por imóveis ocupados pela administração central. Os dados das Finanças não incluem os números dos Ministérios da Defesa e da Justiça - os principais arrendatários.» no i

E ainda



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O presente do Natal de 2000

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E cá estamos nós, que não andamos de volta dos refugiados, para pagar.



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O chapéu dos impostos

o chapéu dos impostos

O certo é que a solução será sempre a mesma enquanto se puder aumentar a receita e não houver coragem para enfrentar os que tenham a perder com cortes na despesa. Especialmente quando um país inteiro vive à sombra do orçamento de estado.



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Sérgio Sousa Pinto há bocado na RTP1

Citando de memória:

- a nossa classe média está depauperada, logo os benefícios fiscais fazem sentido

- mas é preciso ir buscar dinheiro a algum lado

- portanto cortam-se os benefícios fiscais à classe média.

 

E baixar a despesa ó sôr Sousa Pinto? Não é por nada mas olhe, este burro de carga já está farto de pagar os vossos salários.



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Compras urgentes para o Conselho Superior da Magistratura

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Tribunal falha entrega do acórdão Casa Pia pela terceira vez. Depois de ontem terem alegado problemas de impressão, hoje parece que são outros problemas informáticos. De formatação dos textos, consta.



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Ontem na TV

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Rentrée: à terceira é (possivelmente) de vez

rentrée

A rentrée, depois dos anteriores ensaios-resposta às rentrées dos outros. Com bolinhos e bolinhós para enfatizar o habitual enredo.

Dizem que o PSD deu um tiro nos pés com o voluntarismo da revisão constitucional. Terá facilitado a argumentação mas creio que não tenha sido assim tão decisivo para os discursos proferidos. Quanto a mim, se não tivesse sido esta  tagline, outro assunto acabaria por servir de suporte à tese "nós bons, eles maus". Porque no mundo dos sound bites não importa a relação com o real. Tal como nos romances históricos, basta uma ficção com pontes para algo que tenha ocorrido.

Para este ano temos a história do "João Sem-Medo", que vai apresentar um orçamento salvador do SNS, da educação e do Estado social. Um filme onde as cenas cortadas são as escolas fechadas, os centros de saúde fechados, a redução dos apoios sociais e a guerra sem quartel com os professores para conseguir cortes salariais.



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Política do pão e circo

image Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é não me sair a lotaria mas isso consigo explicar por não jogar. Outra, para a qual boçal é o epíteto que me ocorre, consiste no insistente uso de títulos académicos entre as pessoas ligadas ao desporto. Lembra-me amiúde a comparação com um paliativo que se usa para compor uma lacuna. Mas não é isto que aqui me traz.

Nestas coisas da bola, que no geral pouco me dizem, há um aspecto que me ultrapassa. Acho indecente a forma como a malta que paga as contas da selecção de futebol está a tratar Carlos Queiroz. Apesar de não valorizar o seu trabalho na selecção, que do meu ponto de vista não qualificado foi fraco (como é que é que pode não ter como objectivo o primeiro lugar, contentando-se com metade do caminho?), o facto é que quem pode não tem tomates para o despedir. Em vez disso, arrastam-se num vergonhoso castelo kafkiano para com ele correr.

Parece que despedir Queiroz é caro, pois em causa estará uma elevada indemnização negociada no contrato do treinador. O que me traz a mais uma coisa que me custa entender e que é ninguém apontar o dedo a quem lavrou um tão favorável ao contratado e tão lesivo para o contratador.

Finalmente, há a atitude de Queiroz que me escapa. Depois de uma sinuosa qualificação que quase deixara a selecção fora do mundial e de a sua equipa ter ficado a meio caminho da final, vangloria-se dos resultados em vez de colocar o lugar à disposição.

Estão, portanto, bem uns para os outros e com isso pouco me importaria não fosse um pequeno detalhe: a política do pão e circo é paga com os nossos impostos. E um novo rombo já paira sobre nós.



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Mais uma de David Thorne

missy cat

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