a política na vertente de cartaz de campanha

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Sobre a TLEBS

Sobre a TLEBS [Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário] e a necessidade da mudança pela mudança, com alguma frequência se tem falado nos últimos tempos.

Não sendo linguista, pouco sei do assunto, excepto que a nova terminologia soa a artificial. Já sobre a pressa com que ela está a ser englobada nos programas do ensino básico, algo me ocorre dizer. Como nos tem habituado o Ministério da Educação, é notória a falta de reflexão e o fazer sem planeamento - absolutamente em cima do joelho - na adopção da TLEBS.

Vasco Graça Moura escreve sobre este assunto, com sabedoria, no DN (http://dn.sapo.pt/2006/11/29/opiniao/a_culpa_responsabilidade.html ):

[...] em Março de 2005, no mesmo mês em que o Governo Sócrates entrou em funções, mas ainda antes, o ministério enviou às escolas uma circular [...] determinando que a TLEBS constituísse uma referência no tocante às práticas lectivas, à concepção de manuais e aos documentos produzidos em matéria de ensino e divulgação da Língua Portuguesa.
O mais elementar sentido de responsabilidade de qualquer alto funcionário imporia se aguardasse mais uns dias ou umas semanas, até que a nova ministra pudesse decidir conscientemente em matéria de tamanha complexidade.

Vasco Teixeira, presidente da APEL [Associação Portuguesa de Editores e Livreiros], confirma que o ministério, não só então, mas posteriormente, induziu os editores a prepararem manuais em conformidade (DN, 23- -11-2006).

E isto quer dizer que alguém se terá aproveitado da situação de transição entre governos para criar um facto consumado...

Tristemente, faz lembrar os episódios de "Yes, Minister" onde eram os funcionários do Public Service a decidir as políticas e o Ministro a dar a cara. Entre nós, pelo menos explicaria porque há (más) decisões que se mantém mesmo quando o ministro muda.


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Flexigurança

Flexigurança parece um termo saído da Novilíngua Orwelliana LOL

Nesta linha de raciocínio, tal como o Ministério do Amor fomentava o ódio e o Ministério da Paz tratava da guerra, irá o Ministério do Emprego e etc. promover o desemprego?


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Sobre o Estatuto da Carreira Docente

Parece que este ECD é só coisas boas. Não se percebe então porque não é aceite pela classe docente. Será por unicamente se resumir a uma forma de, em termos estatísticos e a longo prazo, reduzir os vencimentos pagos aos professores?

Haja honestidade e admitam-se os factos. Os argumentos usados para justificar o ECD são meras falácias:
  • Já existia avaliação na carreira docente, tal como na restante função pública. A mudança de escalão implicava, por parte do professor, a produção dum relatório que seria avaliado pelo ME. Se o ME o lia e usava ou não, convenhamos que isso já era problema do ME!
  • Lançou-se esse argumento que só na classe docente é que todos chegavam ao topo. A questão aqui é que a carreira docente não está estruturada em termos de hierarquia, como acontece por exemplo na administração pública. Aqui sim, existem funcionários, chefes de secção, chefes de departamento, etc., etc. (desculpem-me a imprecisão mas não conheço as exactas designações) e há de facto a necessidade de nem todos chegarem ao topo. Obviamente que não se podem passar todos os funcionários a chefes de departamento pela simples razão de que o trabalho realizado pelo "funcionário" não é o mesmo do realizado pelo "chefe de departamento" e porque há um número exacto de quantas pessoas são necessárias em cada posto. E nos professores, também é assim? Claro que não, quando se é professor, é-se professor! Não há professores e chefes de professores. Há alguns lugares como o Conselho Executivo que têm funções específicas e diferentes mas dentro da classe de professor não há distinção. Portanto, não faz sentido colocar a questão de todos os professores chegarem ao topo, pois quando um professor entra para a carreira, acabou nesse mesmo momento de chegar ao topo! O que acontece é que à medida que se é professor há mais tempo, o Estado decidiu pagar mais aos professores para eles executarem as mesmas funções. Terá sido uma decisão correcta? Isso é outra questão, a qual não está a ser abordada aqui.

    O que importa reter é que na carreira docente não há verdadeiramente carreira, pois isso significaria fazer coisas diferentes escalões diferentes. Começa-se por se ser professor e termina-se sendo professor. Não se começa como escrivão e se termina como chefe de secção.

    Por isso, argumentar que só na classe docente é que se chega sempre ao topo da carreira, sem dúvida que foi uma tirada de génio do ponto de vista da argumentação mas não deixa de ser uma falaciosa mentira.

    A artimanha do professor titular e do professor auxiliar consiste numa artificialidade pelo facto de ambos fazerem o mesmo: dar aulas. O ME lançou a ideia de que o professor titular, sendo mais experiente, teria a seu cargo algumas responsabilidades acrescidas, tais como escolha de manuais, decisões pedagógicas, etc. Vejamos, um leigo depreenderia que este tipo de responsabilidades seriam tomadas individualmente e, em consequência, também por professores sem experiência. A ser assim, estaríamos de facto perante uma situação grave. Mas acontece que essa não é a realidade, pelo simples facto de estes assuntos serem tratados ao nível do Conselho Pedagógico, no qual obviamente estão incluídos esses professores mais experientes. E creio que assim vai continuar a ser, mesmo com o novo ECD.

    Depreendemos então que a divisão da classe docente em duas, não servindo para distinguir funções efectivamente diferentes, serve unicamente para pagar mais a uns e menos a outros e, em termos médios, pagar menos pelo trabalho docente.
Mas ser político em Portugal é muitas vezes sinónimo de invertebrado gelatinoso. Por isso, em vez de se dizer "queremos pagar menos aos professores", afirma-se que eles trabalham pouco, faltam muito e ganham demais. Vira-se a população em geral contra eles, mesmo que isso traga o descrédito da Escola. Incentivam-se os ódios e depois aparece-se como justiceiro que acaba com privilégios sem fim.

Aproveito novamente para esclarecer que não sou professor (ainda bem!). Apenas tenho memória e vejo que esta mesma técnica vai sendo aplicada sectariamente, dum grupo profissional a outro. Com a excepção óbvia daquela função pública do tacho.


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Festa da Música 2007 - II

Festa da Música 2006 - fonte: http://www.flickr.com/photos/velouriadark/133121195

Em 23.03.06, sobre o orçamento da Festa da Música de 2007, Mega Ferreira disse em conferência de imprensa que "teve de haver reajustamentos de acordo com a nossa disponibilidade financeira, que é de 850 mil euros."

É só a mim que algo me escapa?! Mas vejamos, diz ele que não há orçamento. Será devido aos 500,000.00 euros que o MC vai passar a gastar obrigatoriamente cada ano com a exposição do sr. Berardo? Será também pelas obras que terão que ser feitas no CCB para albergar o tal museu? Será ainda também pelo facto desse museu passar a ter 5 administradores (cinco!!!), um dos quais esse senhor que foi acessor do Sr. Jack Lang?

Valerá a pena trocar a Festa da Música, um evento ímpar e de referência no nosso panorama musical, pela massagem ao ego do sr. Berardo?

Recomenda-se vivamente a leitura do texto do acordo entre o Estado e o sr. Berardo para que se perceba porque não há dinheiro para a Festa da Música.


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Festa da música 2007



Em Março de 2006 disse-se:

http://dn.sapo.pt/2006/03/23/artes/festa_musica_encontra_parceria_para_.html
Mega Ferreira, 2006/03/23:
O orçamento para a sua sétima edição (2006) foi de "850 mil euros".

http://dn.sapo.pt/2006/03/23/artes/festa_musica_encontra_parceria_para_.html
O Centro Cultural de Belém (CCB) conquistou uma parceria institucional para a sustentabilidade da Festa da Música: a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que concordou em apoiar com cem mil euros cada uma das próximas três edições do evento cultural (até 2008), prometendo ainda uma relação mais estreita com aquela instituição.


Em Novembro de 2006 disse-se:
Público, edição impressa, 11 de Novembro de 2006
Mega Ferreira: "a Festa da Música é um bom amigo da cidade de Lisboa e de Portugal"

http://jn.sapo.pt/2006/11/15/primeiro_plano/ministra_que_camaras_devem_financiar.html
Ministra da Cultura, 15 Novembro 2006:
"a Cultura também gera riqueza material", apoiando-se num estudo da Comissão Europeia o qual revelou que a chamada Economia Criativa (ligada às artes), em 2003, representou 2,6% do Produto Interno Bruto dos Países da União Europeia. "Mais do que o sector imobiliário, alimentar ou têxtil. Em 2004, a indústria criativa empregava 5,8 milhões de pessoas, ou seja, 3,1% do total de emprego na Europa".

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
"Tomámos a decisão de suspender a edição de 2007 da Festa da Música, embora seja substituída por outro evento musical, entre 20 e 22 de Abril, que será proposto pelo CCB e com um orçamento muitíssimo inferior".

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
Sobre o evento que substituirá em 2007 a Festa da Música, Mega Ferreira disse que se chamará "Dias da Música" e será dedicado ao piano, não devendo o seu orçamento ultrapassar um terço do da anterior iniciativa.

http://www.rtp.pt/index.php?article=260539&visual=16
20/11/2006: Ministra da Cultura:
"A programação que nós temos para o próximo ano é muitíssimo melhor do que aquela que tivemos para 2006", afirmou a ministra da Cultura.

http://www.rtp.pt/index.php?article=260531&visual=16
20/11/2006: Mega Ferreira:
Mega Ferreira explicou que a decisão da administração do CCB foi motivada pela falta de dinheiro para uma iniciativa daquela envergadura, acrescentando que o cenário para a continuação da mesma nos próximos anos "não é dos mais favoráveis".


Comentário
Um recital de piano e um concerto sinfónico não são comparáveis: ambos podem ser excelentes. Portanto, substituir a festa da música por "dias da música", preenchidos com obras para piano não torna a "programação muitíssimo melhor". Apenas diferente. No entanto, há alguns aspectos a ter em conta:

- a festa da música, entre concertos sinfónicos, recitais diversos, obras corais, conferências, etc., etc. também englobava concertos de piano; portanto os "dias da música" são necessariamente mais pobres;

- sendo esses "dias da música" muito mais pobres em termos musicais mas ainda assim apresentando um orçamento que não deve "ultrapassar um terço do da anterior iniciativa", é caso para dizer que gastar um terço do orçamento da festa da música em alguns concerto de piano soa (e muito) a esbanjar de dinheiro, sem que se atinja um terço da mesma produção musical.

Outra questão a colocar é para onde vão os outros dois terços que não se gastam com a festa da música. Estará esta decisão relacionada com a criação dum museu para acolher a exposição Berardo?

Segundo o acordo assinado por Socrates e Berardo, o 2º empresta por 10 anos os seus gatafunhos ao CCB. Em contrapartida, o Estado português deve:
- constituir um museu até 31 de Dezembro de 2006 para albergar essas coisas que o Berardo comprou;

- fazer as obras obras no CCB "que venham a mostrar-se necessárias para instalar o Museu".

Além disso:
- "Berardo exercerá vitaliciamente o cargo de Presidente Honorário da Fundação";

- "O Estado tem opção de compra da Colecção Berardo (a que seja constituída pelas obras que façam parte do Anexo)";

- O Conselho de Administração será constituído no regime de paridade, entre o Estado e o Comendador José Manuel Rodrigues Berardo (o quinto administrador será escolhido por acordo).

- "O Estado e o Comendador Berardo, constituirão um Fundo de aquisições para compra de novas obras de arte";

- "O Fundo será dotado anualmente com 500,000.00 euros por cada uma das partes."

Então vejamos, se a última festa da música custou 850,000.00 euros, teve à volta de 60,000 visitantes e cada bilhete custou pelo menos 6 euros, então, o "prejuízo" foi 850,000-360,000= 490,000.00 euros. A CML já tinha oferecido 100,000.00 euros, portanto o Estado só teria que entrar com 390,000.00 euros. Bem menos do que os 500,000.00 a pagar pelos rabiscos do comendador. E ainda se poupavam nas obras do CCB, na equipa de 5 administradores do museu(cinco!!!!!!!!! um dos quais o franciú que foi assessor de Jack Lang!), nos necessários funcionários do museu, etc., etc.

Portanto se o Mega-Estoirador Ferreira diz que não há orçamento, fica claro que isso se deve às fantasias do Sócrates e do seu amiguinho comendador.

Neste contexto, temos que colocar esta questão: vale a pena trocar a Festa da Música, um evento ímpar e de referência no nosso panorama musical pela massagem ao ego ao sr. Berardo?

Só tendo em conta o meio milhão de euros que o Estado tem que desembolsar para o tal fundo
de aquisições para compra de novas obras de arte já a brincadeira fica 110,000.00 euros mais cara do que a Festa da Música. A esta despesa há a somar o disparate da constituição e funcionamento do museu e dos seus 5 administradores e despesas associadas.

Ah, mas a programação do CCB vai ser muito melhor em 2007! Isso e eu vou doar todos os meus rendimentos ao fisco e os políticos vão passar a cumprir as promessas eleitorais.


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O ano Mozart e o CCB



2006 é o ano em que decorrem 250 anos sobre o nascimento de Mozart. Um pouco por todo o lado, com especial incidência na Áustria e na Alemanha, o número redondo foi aproveitado como pretexto para programas musicais especiais com obras do génio. Como de resto se vai fazendo com outras datas redondas de outras efemérides.

Mas será mesmo um pouco por todo o lado? Numa certa jangada de pedra, existe um jardim à beira mar plantado que resiste agora e sempre ao invasor cultural, recorrendo à velha arte de não planear atempadamente. Tal é a sua eficácia que poucos são os locais cujas barreiras são transpostas, sendo uma dessas excepções um tal CCB, conhecido por Centro Comercial de Belém.

E é precisamente no próximo dia 5 de Dezembro de 2006, quando faz 215 anos sobre a morte de Mozart, que o CCB encerra a sua temporada comemorativa do nascimento de um dos expoentes máximos da música clássica. A qual, já agora, começou a 4 de Novembro.

Terei notado nos caros leitores um ligeiro franzir do sobreolho, revelador de algumas dúvidas sobre a exactidão das datas e números apresentados? Ou terá sido apenas o meu próprio reflexo no monitor deste computador?

Vejamos o que diz o editorial do CCB:
"A série dedicada a Mozart, nas semanas finais das comemorações dos 250 anos do seu nascimento, inclui a integral das sonatas para piano, executadas por Jorge Moyano e António Rosado, o concerto de encerramento (no dia da morte do compositor) em que Harry Christophers e The Sixteen apresentarão a Grande Missa em Dó menor KV 427 e um inovador ciclo de sessões de ópera em vídeo, animadas por João Maria de Freitas Branco, em que serão discutidas e apresentadas cinco produções históricas de outras tantas óperas mozartianas."

Como?! Então de um compositor que criou mais de 600 obras, indo de pequenas peças a sinfonias, passando por concertos, música de câmara, obras de piano, óperas e música coral, opta-se por um "inovador ciclo de sessões de ópera em vídeo"?! Ah, ok, são "animadas por João Maria de Freitas Branco"...

Bom, mas o programa é mais do que isto, por isso analizemo-lo em maior detalhe.

ccb mozart festa da música
Portanto, para além da exibição de 5 vídeos com óperas de Mozart, há ainda a projecção dum filme intitulado "A Flauta Mágica", obra cinéfila notável mas uma escolha questionável para uma programação musical... Sobre este filme, está escrito no site do CCB:
"Por outro lado, o público português poderá admirar, pela primeira vez, o pano de cena (23,5×13,5) pintado sobre cartão de Marc Chagall para a terceira cena do segundo acto da produção de 1965 da Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. A obra faz parte do acervo da Colecção Berardo."


Oookkkkkkaaayyyyyyyyyyyy, assim está bem. Poderemos admirar, pela primeira vez, o pano de cena (23,5×13,5) pintado sobre cartão de Marc Chagall para a terceira cena do segundo acto da produção de 1965 da Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. Esta colecção Berardo é mesmo o máximo, até tem cenários e tudo.

Sobram-nos ainda três eventos: os quatro concertos para piano onde desfilarão as 18 sonatas de Mozart, uma coisa entitulada o "Chiaroscuro das Paixões" e uma outra designada por "The Sixteen/The Symphony of Harmony and Invention". Vamos então ver do que se tratam.



O Chiaroscuro
ccb mozart festa da músicaO Chiaroscuro, junção das palavras italianas claro e escuro, dá o nome a este concerto sem que se perceba bem porquê, excepto se for pelo cinzento resultante desta mistura musical com temas de Bach, Brahms, Liszt, Stravinsky, Gershwin, Bernstein, Takemitsu, Lutoslawsky! Ah, é verdade, e de Mozart. Uma verdadeira rapsódia que se serve para um concerto de Mozart, também serviria para qualquer um dos outros oito compositores. Nota a reter: ora aqui está um belo exemplo de como se pode planear um concerto que poderá ser re-utilizado em oito outros ciclos.

Missa Incompleta de Mozart KV 427
ccb mozart festa da músicaA Missa Incompleta de Mozart KV 427, escrita em 1782-3, terá sido um presente de casamento à sua esposa Constância. Estreou a 26 de Outubro de 1783 e a própria Constância foi soprano solista. Nesta data foram apresentadas as partes Kyrie, Gloria, Sanctus, Osanna e Benedictus e no regresso a Viena Mozart esboçou parte do Credo e do Agnus Dei, sem no entanto os terminar. Por esta razão tem esta missa sido adjectivada de incompleta. Há, no entanto, quem não partilhe desta ideia. Philip Wilby e Peter Allan, por exemplo, na sua recente edição Novello, escrevem no prefácio que "[esta partitura incompleta] pode ser explicada pela prática litúrgica nos tempos de Mozart. Não era costume cantar o Agnus Dei numa missa coral com orquestra, nem o credo, excepto aos domingos e dias festivos... Podemos então assumir que Mozart disponibilizou todo o material para a primeira audição desta missa."

Portanto, estamos perante uma boa escolha para um programa musical desta natureza. Já a opção por Caldara e Gluck, se bem que explicáveis, soa a algo forçado, especialmente pelo facto de tantas outras opções musicais existirem na obra deste autor e que não foram nem levemente abordadas neste ciclo do CCB. Parece, antes, que este pequeno coro de 16 elementos e a necessariamente pequena orquestra que os acompanhará (pequena em número, pois de contrário as vozes serão abafadas) vai interpretar o repertório que tem ensaiado.

Os preços para os bilhetes da plateia situam-se entre os 40 e os 50 euros e, francamente, este era o toque que faltava que não ficar com problemas de consciência ao afirmar que além de caro, este festival não vale um corno e que só existiu para cumprir calendário. Mais valia terem guardado o dinheiro para a entretanto cancelada Festa da Música 2007. Sobre os bilhetes deste concerto serem caros, é de notar que por 30 € poderia em Salzburg assistir a um concerto a sério como este:

ccb mozart festa da música
Mozart, porque não nasceste um ano mais tarde?! É que parece que a crise por cá acabou, por decreto, e para o ano já haveria dinheiro para um ciclo a sério.


PS: a título de curiosidade, aqui ficam alguns extractos da Missa Incompleta de Mozart KV 427.



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Cansei...

Algumas gordas durante apenas 10 dias no Público.


OPA à PT: Autoridade da Concorrência vai emitir novo projecto de decisão "nos próximos dias"
Passados 9 meses, assim se vê o que é o " mercado" . Recorde-se que a decisão sobre a compra da Autoestradas do Atlântico por parte da Brisa demorou apenas 2 semanas.

Banco de Portugal: taxa de inflação revista em alta para 3,0 por cento
A velha técnica: estimar a inflação por baixo para se conseguir menores aumentos salariais .

Metade das universidades sem dinheiro para pagar salários em 2007
Ora aqui está como se obtém um orçamento de rigor: sub-orçamentação

Ministro da Saúde justifica novas taxas moderadoras como forma de viabilizar o modelo público
Umas vezes as taxas servem para pagar o serviços, outras não. Decidam-se. Mas se tudo se paga, para que queremos afinal o Estado?! Especialmente um Estado da dimensão do nosso (15% da população activa).

Ministério Público abriu mais de oito mil inquéritos relativos a crimes económicos
Segundo notícia recente até nos posicionamos bem no panorama global. Mas segundo outras notícias, com um ano, o fim da corrupção colocaria Portugal ao nível da Finlândia.

 "Buraco" na lei permite às instituições financeiras adquirir imóveis sem pagar IMT
Viva a criatividade financeira e quem tem os meios para a praticar

Regras de cálculo dos arredondamentos na banca publicada em Diário da República
Eis como de 4.520 se passa a 4.750... Um pequeno detalhe que, em que o arredondamento das taxas de juro aplicadas aos empréstimos concedidos pelos bancos em Portugal geram, pelo menos, um ganho total anual de 73 milhões de euros.


Cansei-me dos políticos, sejam estes ou outros. Mais episódio, menos episódio, o padrão de comportamento é sempre o mesmo. Novo governo = novos boys + mudar o que os anteriores fizeram porque foi errado. Umas vezes o mercado é para funcionar (se houver aumentos de preços), outras nem por isso (se os interesses de alguns estiver em causa). Depois de todos os habituais discursos de rigor vemos que este, aplicado a um orçamento, resume-se a aumentar os impostos (petrolíferos, taxas, contribuições, etc) e a sub-orçamentar (na educação, na saúde, adiando obras públicas,...).


Enfim, cansei, né?


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Prós e Contras e o Ministro das Finanças

No Prós e Contras de hoje, na RTP1, houve um momento que compensou a habitual má qualidade do programa e da performance da entrevistadora em geral. Um senhor da plateia colocou esta questão ao Ministro das Finanças (cito de memória):
"Tenho 5 filhos. Se fosse divorciado, seja por problemas familiares, seja por planeamento fiscal criativo, o Estado deduziria à minha colecta 6,500.00 € por cada filho. Como sou casado, não tenho direito a este benefício fiscal."
O Ministro, como seria de esperar, começou a enrolar e a dizer que se preocupava muito com as famílias e, em particular, com as numerosas. Uma graxa nítida, portanto. Mas essa pessoa da assistência esteve 5 estrelas e informou que não queria nenhum tratamento especial, apenas o mesmo tratamento que teria se fosse divorciado. O Ministro enrolou mais um pouco mas não conseguiu dar resposta. Ainda para mais com a entrevistadora a ser parcial - o costume, portanto - e a tomar o partido da assistência.

Valeu a pena ver alguém colocar uma pergunta simples e que exigia uma resposta simples, não dando hipótese de fuga ao Ministro.

Claro que o Ministro adiou uma tomada de decisão sobre o assunto para quando "houvesse um défice bem abaixo dos 3%". Ou seja, "importo-me lá que seja injusto, quero é o vosso dinheiro", bem podia ele ter dito.


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Ainda as aulas de substituição

Numa página do ME, existe um despacho com estes objectivos:



Ainda neste despacho, nas páginas 21 e 22 pode-se ler:




Observa-se que:
  1. a substituição deverá ser feita prioritariamente por quem não tiver o horário lectivo completo em vez de o ser pelo professor com habilitação a isso adequada;
  2. as actividades lúdicas são parte da "lista autorizada" pelo ME.
Ora, sobre as aulas de subsituição, afirmou a Ministra da Educação:

"Mas essas aulas [de substituição] têm de ser de qualidade, permitindo aos alunos tirar todo o partido delas e assim melhorarem os seus resultados escolares" [...]

Admitiu ainda que, em alguns casos, as aulas de substituição são encaradas como

"meros espaços para jogos ou entretenimento".

Algo me escapa ou a Ministra está a condenar a execução das suas próprias ordens?!



Mais sobre as aulas de substituição: http://fliscorno.blogspot.com/2006/10/tanta-demagogia.html


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MJLC

Hesitei antes de escrever estas palavras, questionando-me se não estaria a roçar a perseguição. Também me interroguei se o blog de que vou falar seria mesmo de quem diz ser: afinal de contas qualquer um pode fazer um blog em nome doutrem. Mas até informação contrária, vou aceitar que o blog é de quem diz ser.

Um leitor comentou o post sobre as aulinhas de ingês da sr.a Maria João Lopo de Carvalho e acabei por ler alguns dos posts de MJLC no blog http://frasesdalua.blogspot.com. Face a textos a textos tão toscos, vacilei em aceitar a respectiva autoria. Mas depois quem declara ao Público
"Cheguei ao pé dos agrupamentos e disse: eu estou na câmara mas sei que, modéstia à parte, faço isto muito bem. Vou ter os melhores livros e os melhores professores." como justificação para o facto duma assessora camarária ficar com um quarto das aulas de Inglês das escolas de Lisboa, bem pode igualmente ter produzido estas pérolas.

Há um texto em particular que tem graça por versar um tema sobre o qual escrevi: as aulinhas de inglês no ensino básico. Escreve ela
"Tenho andado numa azáfama a angariar professores de inglês e nada [...]".
E porquê? Os candidatos queixam-se que
"[...] os horários são pequenos, o preço hora curto, a escola longe… [...]"
Consta por aí que que estes "professores" não têm contrato e recebem à hora trabalhada, auferindo 5 a 10 euros de remuneração, pagos contra recibo verde. Pelas minhas continhas, e sendo um patrão bem mais generoso, o negócio é chorudo. Portanto se está difícil contratar "professores", talvez uma atitude menos à Tio Patinhas desse resultado...

MJLC conclui em grande:
"A essas [professoras] que se dispõe [sic*] de sorriso na cara a dar aulas de inglês ao 1º ciclo não se importando com os 90 km ou mais diários que têm por vezes de percorrer para chegar à escola, sem pedirem à cabeça qualquer extra para a gasolina e agradecidas por terem arranjado emprego, os meus parabéns! são uma espécie de professoras em vias de extinção!"
Com esta declaração fiquem sabendo que me encontro muito mais feliz. Afinal o caos educativo dos últimos 20 anos está a produzir cidadãos mais inteligentes.



*Erros ortográficos, de sintaxe, de pontuação e de construção frásica são fiel companheiros do blog Frases da Lua. Ninguém precisa de ser bom em tudo e a senhora até tem jeito para uma certa forma de fazer dinheiro. Não precisa é de insistir naquilo que não sabe fazer.

PS: Acabei por colocar aqui uma cópia do texto em apreço, não vá a autora ter um ataque de lucidez - por vezes acontecem surpresas, e apagar o blog.

PPS: Será mesmo MJLC a autora deste (e dos outros textos?!). Nem duma escritora light esperava uma destas! LOL


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EMEL e o fraccionamento do pagamento nos parques públicos

Escrevi há uns tempos sobre o facto da EMEL não estar a aplicar a lei no que diz respeito ao fraccionamento do pagamento dos parques públicos, conforme estipula a lei.

Recordo que apresentara reclamação, tendo nela deixado o meu email. Confesso que não esperava resposta, mas tive-a. A minha reclamação, dissera algo como (cito de memória):

Reclamo pelo facto do estacionamento deste parque continuar a ser pago à hora e não em fracções, como determina a recentemente aprovada lei.

A resposta que recebi foi (cópia do email recebi):
Exmo. Senhor
Xxxx xxx xxx xxx

xxx@xxxx.xx
Assunto Reclamação n.º xxxx
Ofício nº xxxxx
Lisboa, xx de Outubro de 2006

Exmo. Senhor,

Em resposta à reclamação que nos dirigiu, que nos mereceu a melhor atenção, vimos informar que a nova legislação referente à cobrança de estacionamento só entrou em vigor nos nossos parques no dia 8 de Outubro, por existir necessidade de alteração dos regulamentos da EMEL.

Com os melhores cumprimentos,
___________________________
Américo Brito Vitorino



Salta à vista uma certa atitude. Então basta ter-se um regulamento interno para que não se tenha que aplicar a lei?! Tenham paciência mas isto não é aceitável. Se uma afirmação destas não vos basta, vejamos se seria aceitável esta outra situação, com base no mesmo pressuposto: o meu condomínio tem um regulamento interno e imaginando que nele era dito que os moradores do meu prédio têm o direito de espancar quem nele entrar, será que eu poderia dar uma sova ao carteiro quando ele me trouxesse uma carta? Claro que não, porque daqui resulta a violação dum princípio básico que é o de nenhum regulamento interno poder sobrepor-se à lei.

Portanto, não importa se o regulamento interno da EMEL estava ou não actualizado. O que manda é a lei, não esse regulamento, e se por alguma razão não foi tecnicamente possível aplicá-la no imediato, terão que ser ter adoptadas medidas para proceder à respectiva aplicação posterior. O que no caso em concreto levaria à devolução do dinheiro injustamente cobrado.

Mas foi essa a atitude da EMEL? Não. Apenas me disse que não aplicou a lei por causa do seu regulamento interno, como se isso me dissesse respeito ou tivesse fundamento legal.

Sinceramente, não sendo cliente habitual da EMEL, pouco me importam os 30 cêntimos que paguei a mais. O mesmo já não digo da arrogância e prepotência desta empresa.


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Estatuto da Carreira Docente

Argumente-se o que se quiser, o Estatuto da Carreira Docente consiste essencialmente numa forma de, a longo prazo e em termos estatísticos, se pagar menos aos professores.

Pode-se ou não concordar com uma decisão destas. Agora creio que é profundamente errado e desonesto pretender-se que existem outros objectivos.

Quem se mantiver atento percebe isto e só pode discordar das estratégias como esta. Há que ter honestidade política e dizer as coisas como são sem fazer da população parvos que nada vêm. Isso apenas aumenta a desconfiança sobre a política.