Fenprofiar

Ora aí está o que a FENPROF propõe para avaliação de desempenho da actividade docente. Francamente acho a proposta uma desilusão. Não vejo que difira do modelo anterior e, portanto, nada de novo trará. Depois de tanto barulho sobre o actual modelo, esperava algo que me permitisse escrever "o ME apenas está preocupado em redução de custos mas os sindicatos apresentam algo que melhorará o ensino". Estarei a ver mal? E de onde nasceu esta proposta? É dos professores ou da direcção do sindicato? Esta coisa das representatividades por inerência aborrece-me um bocado!
No reino das coincidências

Luísa Tavares Moreira
Armandina Soares
Quem assistiu ao Prós e Contras desta semana terá notado alguns aspectos interessantes:
- A primeira que pessoa da assistência que falou, Luísa Tavares Moreira, teve direito a um tempo de antena notavelmente superior ao que os que se lhe seguiram tiveram;
- Armandina Soares, outra das pessoas da assistência, «afirmou de forma explícita que existe coacção física por parte dos adeptos da suspensão deste modelo de avaliação sobre os crentes do dito modelo»;
- A moderadora pegou na deixa de Armandina Soares e, sem pedir mais detalhes, dela fez eco. Aliás, antes mesmo dela falar, já a moderadora dizia «espere que há ali quem tenha outros dados».
- O Pai do País, Albino Almeida, foi a única pessoa a falar em nome dos pais.
Agora, as coincidências:
- Luísa Tavares Moreira e Armandina Soares discursaram no Fórum Novas Fronteiras, a máquina eleitoral socialista. Os seus discursos fazem parte da página oficial do PS.
- Armandina Soares aparece também na revista oficial do PS, a Acção Socialista, n.º 1311 de 15 de Setembro de 2008, página 13.
- No dia seguinte às declarações de Armandina Soares, a DREN, pela voz da sua inenarrável directora, fez saber que avançará com processos sobre professores que exerçam pressão sobre colegas para boicotarem o processo de avaliação.
- Há quem afirme que afirme que a situação descrita por Armandina Soares não corresponde à da escola dela.
- O Forum Novas Fronteiras é parte integrante da estratégia política do PS. Basta ver os nomes que por lá passaram.
- Albino Almeida tem mantido um alinhamento de posições com o ME. Acresce que é sempre apresentado como a voz dos pais. Mas com que legitimidade? Acaso consulta os seus associados antes da tomada pública de posições? Além disso, poderá representar os seus associados, nunca os "pais" como um todo.
Quem não conheça estas coincidências achará que se alguns implementaram o sistema de avaliação sem problemas, outros só não farão por má fé ou perante coação para o não fazer.
Dúvidas
Labels: educação , parvoíce , Pela net
Big Brother is watching you - IV
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No Público:
«Uma das coisas mais criticadas nos últimos dias foi o aparecimento online, por parte do Ministério da Educação, de uma plataforma para que quem voluntariamente assim o quisesse colocasse os objectivos individuais, o que foi considerado terrível e uma forma de pressão”. A directora da DREN realçou à rádio que foram registados casos de professores que “quiseram entregar os objectivos e tiveram outros colegas a dizer que não os recebiam”.»
Viva o disparate. Se isto tivesse uma ponta de verdade, já o ME estaria a instaurar um processo contra os visados. Dito assim, lançado para o ar sem concretização, é apenas jogo político misturado com insinuação.
Continua sem resposta:
- A base de dados está registada na Comissão Nacional de Protecção de Dados?
- E os objectivos individuais não são para ficar estritamente entre o avaliado e o avaliador?
Puxar o tapete
«[...] se, com uma simples alteração legislativa, o Governo alterasse o modelo de financiamento das escolas, retirando-as da dependência directa do Ministério, e fazendo o financiamento de cada escola depender directamente da escolha dos pais em lá matricularem os seus filhos, elas (e os interesses instalados no seu interior) só sobreviverão se tiverem a capacidade de atrair os pais, ou seja, se fizerem as adaptações necessárias para poderem fornecer um bom serviço (por outras palavras, darem uma boa educação aos seus alunos). Esta seria a única avaliação que os professores precisam: aquela que os pais fariam no momento de decidirem se determinada escola merece o seu dinheiro ou não.»
Prós & Contras: da inutilidade do programa
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O Expresso de ontem, 22-11-2008, traz um artigo intitulado «Bombeiros fazem um parto por semana». Depois de revisitada a polémica do fecho das maternidades, face ao fim da contestação pública, caminha a autora pelas posições oficiais que conduzem à conclusão da correcta solução do anterior ministro da saúde, Correia de Campos. Acrescenta aos factos a ausência de notícias publicadas sobre os partos em ambulâncias, como se a notícia publicada fosse um retrato do país.
Portanto, tudo está bem?
Não. Escreve a jornalista: «Já só falta um serviço para o trabalho ficar concluído: Guarda, Castelo Branco e Covilhã serão concentrados em duas maternidades logo que esteja criado o correspondente centro hospitalar. Mas os especialistas que desenharam a rede, entre eles Jorge Branco, querem mais e para breve. "Dada a escassez de recursos humanos são precisas mais concentrações, incluindo na Grande Lisboa, e antes das férias de Verão e 2009", alerta o responsável. Cascais, Vila Franca de Xira e Torres Vedras são os blocos que se seguem e que, desta vez, caberá a Ana Jorge fechar.»
Curiosamente, este mesmo artigo também cita Luís Graça, da Ordem dos Médicos, segundo o qual é "mais complicado transportar uma grávida ao início da manhã de Odivelas para o Hospital de Santa Maria do que da Guarda para a Covilhã". Este argumento, parece-me, devia fazer reflectir sobre a estratégia de centralizar, criado unidades gigantescas, mais difíceis de gerir e às quais o acesso é mais complicado. Também os movimentos demográficos de concentração nos grandes centros urbanos deveriam ser tido em conta no momento da reorganização. Ou fecha-se apenas sem aumentar a capacidade onde a procura aumenta?
O artigo termina com este parágrafo: «A ministra da saúde está, por agora, atenta ao sector privado e prepara-se para aprovar um documento com requisitos técnicos para as maternidades. Sabe-se já que as novas regras vão levar ao encerramento das unidades mais pequenas, sobretudo, no norte do país.» Num artigo sobre o número de partos que os bombeiros fazem por semana, em lado algum se aborda a questão da sua preparação para a tarefa em causa. Têm estes profissionais a necessária formação? Ou a questão está reservada para eventuais partos que corram mal? Por outro lado o artigo ajuda na validação da política de redução do serviço público e abre caminho a mudanças que incluam o serviço privado. Olho para esta opção jornalística como se fosse um trailer: serve para apresentar o que aí vem.
O artigo em questão:
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E depois da maré vazar
E depois da maré vazar
São José Almeida, Público, 2008-11-22
A grande dúvida é perceber qual a real dimensão dos danos que provocará a batalha campal que se vive na sector da educação. O problema político de fundo já nem é o de saber quais os danos que esta guerra terá sobre o Governo - esses são públicos, notórios e difíceis de digerir até pelo PS -, é sim o de saber as consequências que ela irá ter sobre a sociedade portuguesa, ou melhor, sobre o ensino público em Portugal.
Desde que entrou no Ministério da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues procurou protagonizar o que foi assumido pelo primeiro-ministro, José Sócrates, como a reforma do ensino público, com o objectivo de não só melhorar, como assegurar o futuro desse mesmo ensino público. Sem tencionar questionar aqui a validade e a verdade dos propósitos dessa promessa, o que é facto é que a atitude intolerante, impositiva e autoritária que a ministra adoptou desde a primeira hora deitou a perder qualquer bondade e mérito que existissem nas intenções do Governo socialista em prol do ensino público.
Durante mais de três anos Maria de Lurdes Rodrigues, com absoluto apoio de José Sócrates, foi esticando a corda, forçando a pressão sobre os professores. Sempre com uma táctica de afronta directa. Sempre insistindo na demagogia de que o mau funcionamento da escola era responsabilidade dos professores. Sempre assumindo um tom de insulto de quem considera que os professores são pessoas mal formadas, que estão de má-fé nas escolas, que escolheram ou aceitaram leccionar apenas para fazerem uma carreira fácil (?), relativamente bem remunerada (?) e que permite estar de papo para o ar (?), gozando a vida.
Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma mastodôntica estrutura de poder que envia directivas em cascata para as escolas. Quando é sabido que nada se passa numa escola sem que haja autorização, ordens, licença da 5 de Outubro ou da 24 de Julho. Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma espécie de Titanic à beira de se afundar, ingovernável e cheio de pequenos poderes autoritários e de tiranetes patéticos, como já afirmei aqui (PÚBLICO 17/06/2006). Maria de Lurdes Rodrigues achou que podia atirar-se aos professores, como se eles fossem a origem de tudo o que corre mal no mundo da educação, como se fossem bandidos, que é preciso admoestar.
Ou seja, Maria de Lurdes Rodrigues elegeu os professores como bodes expiatórios de um sistema de ensino, apontando-os como uma cambada de preguiçosos e calões, aproveitadores dos dinheiros públicos e que se estão nas tintas para os alunos. E assumiu-se a si como a salvadora do sistema, que ia moralizar a classe docente, impor regras, acabar com a balda da escola pública. Ora, ao fim de três anos, a esquizóide cruzada de Maria de Lurdes Rodrigues resultou naquilo que era previsível. Os professores fartaram-se de ser insultados, fartaram-se de ser tratados como párias. E Maria de Lurdes Rodrigues bateu contra a parede.
Todas as boas intenções de Sócrates para o ensino público, se alguma vez existiram, esboroaram-se no embate da atitude suicidária de Maria de Lurdes Rodrigues contra o muro de mais de cem mil professores em luta. Nenhuma reforma se fará ou será lançada esta legislatura. E a verdade nua e crua é que, mesmo que José Sócrates insista em manter Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação, ela já não é de facto ministra. E não é de facto ministra porque as escolas ignoram-na, os professores não aceitam a sua autoridade e não a respeitam, o país assiste incrédulo ao dilapidar da credibilidade da política por quem a devia dignificar.
É pena que Maria de Lurdes Rodrigues avance na táctica de pescar à linha escolas e interlocutores neste ou naquele sindicato, nesta ou naquela associação de pais, procurando até comprar o silêncio dos alunos com uma alteração menor no Estatuto do Aluno. É pena que Maria de Lurdes Rodrigues dê o dito por não dito e vá abastardando o seu modelo de avaliação, que garantia perfeito, com pequenas alterações tácticas, que não resolvem nada do problema de fundo, só mostram a sua incapacidade para o lugar que ocupa. É pena que o Governo não perceba que não se governa satisfazendo as reivindicações da rua, mas também não se pode governar ignorando o pulsar da rua. É pena que o PS tenha esquecido que é Governo. Como dizia António José Seguro, quando está "em causa a qualidade da escola pública", é certo que "não há lugar para posições inflexíveis".
Quanto à reforma de José Socrátes e do PS para a educação: qual era mesmo o objectivo? Melhorar a escola pública? Era?
O campo de batalha em que se transformou o ensino público trouxe à ribalta um outro protagonista: Mário Nogueira, que lidera a Fenprof e a plataforma de sindicatos de professores e que tem tentado puxar por toda a sua capacidade para se manter a surfar na crista da onda que foi formada pela revolta e indignação de professores na rua.
É importante que ninguém esqueça que não há sindicalismo em parte nenhuma do mundo que consiga o que a atitude sistemática de afronta à dignidade dos professores seguida pela ministra da Educação conseguiu em Portugal: colocar a classe docente na rua com manifestações sucessivas e um calendário de acções reivindicativas que passa pela greve nacional e pelo boicote às notas do primeiro período.
De facto, os sindicatos assinaram um acordo com a ministra e aceitaram um tipo de avaliação que foi lançada e posta a funcionar. Só que os sindicatos não são as escolas. Os sindicatos representam professores, não são os professores. E é evidente em toda esta guerra que os sindicatos foram ultrapassados pela rua. E só resta aos dirigentes sindicais engolir em seco, rasgar o acordo que assinaram e tentar navegar na crista da onda da contestação da rua, sob pena de serem afogados pela voragem da rebentação e acabarem a não representar ninguém. E, por mais que a posição de Mário Nogueira e dos outros dirigentes sindicalistas seja de pura sobrevivência política, é bom que sobrevivam e que o poder negocial não caia de todo na rua. A bem do ensino público e do que restar da escola, quando a maré vazar.
Big Brother is watching you - II
1. Já agora, a base de dados está registada na Comissão Nacional de Protecção de Dados?
2. E os objectivos individuais não são para ficar estritamente entre o avaliado e o avaliador?
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ministra na RTP - 16
Porcaria de serviço público! Não se consegue ver toda a emissão online!
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tv=1&tipo=log
«Por questões de direitos, a emissão online da RTP1 não pode ser emitida na íntegra. Por esse motivo poderá encontrar em certos momentos do dia o videoclip do "Hino RTP".»
Acabo de ter a emissão interrompida numa estação paga com os meus impostos!
Um ano a falar para surdos
Frases fantásticas
18h - Conselho de Ministros20h - Directos nos telejornais com as "conclusões" do Conselho de Ministros21h - Entrevista da ministra na RTP1, repetindo as "conclusões" do Conselho de Ministros
Vital Moreira escreveu no Público de 18-11-2008 uma crónica sob o título "Uma reforma que não pode ser perdida", ocupando a quase totalidade do texto sobre considerandos quanto à bondadade das medidas educativas emanantes do ME. Discorre ainda sobre o direito que cada qual tem à manifestação e a discordar. A já habitual cassete do PS quanto aos professores não serem avaliados não sei há quanto tempo, sobre a enorme justiça que traz a cisão da carreira docente e sobre imperadora necessidade de cumprir esta lei da availiação - já sobre outras não sabemos - têm lugar de destaque.Balelas, portanto.
Big Brother is watching you
Já agora, a base de dados está registada na Comissão Nacional de Protecção de Dados? E os objectivos individuais não são para ficar estritamente entre o avaliado e o avaliador?
«Não há acesso aos conteúdos da informação que é lá colocada»
Só quem perceber zero de informática, em particular de bases de dados, é que come isto. Obviamente que querendo, o ME tem todo o acesso que queira.
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Carne para canhão - III
O objectivo de mudar esta forma de avaliação é claro. Já sair de uma reunião, anunciando previamente que o fará, não contribui para esse objectivo.
O PS reagirá apenas em função da bitola eleitoral. Sair da reunião sem negociar não ajuda a colocar a opinião pública do lado dos professores. Isto é, não contribui para retirar votos ao PS e, consequentemente, não contribuirá para fortalecer as posições dos professores.
Carne para canhão - II
De resto, o saldo eleitoral desta contenda pode ser neutro ou mesmo positivo, se cada voto perdido entre os professores que não querem ser avaliados for compensado por outros tantos, ou mais, entre os eleitores que pagam a escola pública e querem ver aumentar a sua qualidade e eficiência, não aceitando que as reformas sejam sacrificadas por causa da defesa sectária de interesses profissionais.»
Nova ideologia: maneliparvismo
Das reformas
Concluindo
Publicado por JoaoMiranda em 18 Novembro, 2008
Lei das rendas - irreformável
Ministério da Educação - irreformável
Ministério da Saúde - irreformável
Sistema político - irreformável
Ensino superior - irreformável
Sector das Farmácias - irreformável
Administraçãopública - irreformávelSites a visitar:
Há também outros aspectos.
1. Perante uma reforma, alguém a olha sob o ponto de visto da sua qualidade?
2. Ter o poder e uma ideia não significa que se esteja a fazer a fazer uma reforma adequada.
Em concreto, na justiça mudam-se os tribunais onde as pessoas vão para determinados processos mas o essencial, os recursos humanos e materiais e os códigos, fica na mesma. Talvez não fosse má ideia olhar para os computadores que nos tribunais correm o Habilus para se perceber que não bastam medidas "simplex" para que tudo passe a funcionar. Ou o n.º de processos por funcionário judiciário (não me refiro juízes).
Na educação, decide-se reduzir os gastos com pessoal introduzindo a conceito de professor titular. Para convencer a população perante os esperados protestos da classe, afirmar-se que é uma reforma para melhorar a qualidade do ensino. Para decidir quem progride na carreira torna-se necessário montar uma máquina burocrática de avaliação. Novamente, a mensagem passa pela afirmação que tudo é em prole da qualidade.
Entre falta de coragem em assumir os verdadeiros objectivos e medidas avulso, o que não tem faltado são reformas. Todos os governos as têm tido em abundância. Por isso, tem graça esta posta mas não tem fundamento.
Não entregar Magalhães foi opção pedagógica
Passou por aqui uma manif de 100 mil
O Fliscorno passou os 100 mil visitantes, 95 mil dos quais vindos no último ano e meio, em coincidência com o início da postagem mais regular.
Obrigado aos visitantes que por aqui têm passado e aos que têm ajudado à divulgação pela publicação de links do Fliscorno.
Já agora, que estamos em bloguísses, o aniversário do blog aproxima-se e virão algumas mudanças. Uma nova template mais funcional; mais web 2.0; e uma mais clara separação dos conteúdos que por aqui vão caindo.
Entretanto, como chamariz do número redondo que se aproximava, tinha prometido uma prenda gráfica, vá lá saber-se o que isso é :-) Aqui ficam. Não é um Picasso, é o que se arranja ;-)
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| Imagem vencedora do Wolpress Press Cartoon 2007 categoria Gags (antes de a "estragar") | ~~ | Imagem adaptada do Thomas' Spinning Tops Collection Ver também: Rua da Tradição |
Sócrates entregou Magalhães só para a fotografia
Valter de Lemos Back to the Future
![]() mais: ver Sol e Público |
O Valter de Lemos de sexta não era o mesmo de domingo à noite. O primeiro era ele no futuro, como no Back to the Future. Só que se esqueceu de tomar a medicação e baralhou-se, aparecendo ao vivo na TV. Isto causou uma desordem quântica que alterou o equilíbrio espaço-tempo, com resultados imprevisíveis. Coisas estranhas já aconteceram, como por exemplo um grupo de professores da anterior manif ter reaparecido em Lisboa no sábado passado. Outras poderão vir a acontecer, se bem que improváveis, tais como ouvirmos os habituais defensores do ME dizer que este fez asneira e que agora está a descartar responsabilidades para as escolas.
Valer de Lemos e a sua entrevista à RTP sobre o Estatuto do Aluno
Valter de Lemos, em entrevista à RTP na passada sexta-feira, no Jornal da Tarde, ao minuto 3:48:
Só há aplicação de medidas disciplinares ou correctivas no caso das faltas serem injustificadas. No caso das faltas serem justificadas não há nenhuma aplicação de medida correctiva ou disciplinar. Por exemplo aquela aluna que ali falou que deu quatro faltas justificadas não tem nenhum problema com essas quatro faltas justificadas porque esteve doente. [...]
Quando um aluno está ausente [por] um período de tempo muito alargado, independentemente da razão, os professores têm que verificar qual é (sic) as aprendizagens que ele não fez [...] não para os penalizar mas para conseguir que eles tenham apoio, aulas de apoio, fichas de trabalho, etc. para recuperarem as aprendizagens que não fizeram. [...]
Nenhuma medida disciplinar pode ser aplicada a nenhum aluno por causa de faltas justificadas e as provas de recuperação assim chamadas no estatuto têm que ser feitas a alunos com ausências muito longas não têm em vista decidir sobre a reprovação ou não do aluno [mas] exclusivamente para que os professores obtenham informação sobre as aprendizagens não feitas e possam estabelecer os mecanismos de apoios necessários.
Artigo 22º do estatuto do aluno:
2 - Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas[...] deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
3 - Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera
a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da
prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:
a) O cumprimento de um plano de acompanhamento [...]
b) A retenção do aluno [...]
c) A exclusão do aluno [...]
Concluo:
1. Não percebo porque insiste Valter de Lemos em misturar as medidas disciplinares ou correctivas com a questão das faltas. Existe uma ténue ligação (artigo 22.1 com o artigo 26) mas lendo o artigo 26 não se vislumbra o que é que isto tem a ver com faltas. Talvez a alínea c) do nº 2 esteja, com boa vontade, relacionada.
2. Faltas justificadas têm consequências. Valter de Lemos, apesar da insistência para repetir com o intuito de informar, não disse o que está na lei. Ou mentiu ou não sabe o que diz o Estatuto do Aluno.
3. Face ao posto no ponto 2, tenho que duvidar da honestidade das restantes declarações de Valter de Lemos.
Finalmente, ainda sobre o estatuto do aluno, mais umas considerações:
1. Um aluno que falte intermitentemente durante o ano (até “tapar”) e que acabe por exceder o limite de faltas acaba por ter que fazer a dita prova. Possivelmente não existirá razão para isso.
2. Isto com reuniões para a frente e para trás, chamar pais, reuniões para decidir a aplicação de medidas correctivas, respectiva aplicação, reuniões para analisar o seu resultado, provas de recuperação, planos de acompanhamento, … Bom, isto faz-me lembrar aquele sketch dos Gato Fedorento “O Papel”. Enfim, algo kafkiano. Aceito o princípio subjacente mas caramba é mesmo preciso vir com o esplendor da burocracia?
Mais uns míseros votos em fotos

Fotos duma manifestação
que "terminou sem incidentes" (!!!)

Galeria de todas as fotos no Flickr
Também registei algum som e vídeo que comporei num vídeo a publicar amanhã.
Afinal a polícia sabe contar
7 mil diz a polícia, 20 mil disse a organização. Bom não sei quantos são. Estive lá e vi a organização ordenar os manifestantes em filas de 10, ao passarem na rua que dá acesso ao Parlamento, com o intuito de contar os manifestantes. Não vi a polícia fazer contagens.
Registo a conveniente dualidade de critérios sobre a apresentação de números destas manifestações.
Quando a razão não é suficiente...

Imagem do anúncio da Apple sobre a introdução do computador
pessoal Apple Macintosh. Vale bem a visita no youtube e na wikipedia.
... vai a martelo:
- Os gestores das universidades que não façam boa gestão do dinheiro que não recebem serão substituídos (ver declarações de Mariano Gago);
- Os Conselhos Executivos que suspendam o processo de avaliação, tenham ou não razões para isso, serão substituídos (ver declarações de Maria de Lurdes Rodrigues ao RCP).
Bombástico

«A PSP deixou de revelar o número de participantes em manifestações. Assim, não forneceu valores oficiais sobre a última concentração de professores. Depois da ‘invasão’ de Lisboa por 100 mil docentes, em 8 de Março, cuja divulgação irritou o Governo, as ordens foram para não contabilizar números daqui para a frente...» no Sol
Eu já tinha pensado que a polícia só sabe contar até 100 mil. Vejo que afinal não é o caso e que a falha não foi dos professores (no que respeita aprender a contar).
A decência flutua?
Usando o mesmo registo com que Rangel escreveu este texto, poder-se-ia dizer que Emídio Rangel é um jornalista à procura das boas graças do PS, querendo envolver as pessoas menos informadas na luta do governo contra a educação séria a que um país tem direito; que foge da realidade a sete pés; que os factos entregues a estes jornalistas não têm relevância face à mensagem que se queira difundir. Insinuar por insinuar, onde está a diferença? Está, obviamente, no nível que se queira chegar. Como não conheço as razões de Rangel, digo apenas que está errado.
Para compor o cesto, só falta Sócrates falar
- Jorge Pedreira, ME
- Maria de Lurdes Rodrigues, ME
- Albino Almeida, CONFAP
- Vatalino Canas, PS
- Margarida Moreira, DREN
- Valter de Lemos, ME
- António Amaral, CONFAP
A teoria da insinuação desenvolve-se
Aí está a linha argumentativa em desenvolvimento: a insinuação
Ovos de Chelas
notas:
1. «cerca de 200 alunos aglomeraram-se junto ao auditório e arremessaram ovos e tomates contra as paredes, depois de não terem conseguido atingir os carros dos governantes. Isto durante dez minutos e sem qualquer intervenção da polícia.»
Torna-se claro que interessa mais conseguir a vitimização do que manter a ordem pública. Acho espantoso que a polícia, até estando no local, não tenha investigado.
2. «"Fomos dispensadas das aulas", contam Claudia e Sofia, entusiasmadas por a professora ter sido sensível aos seus apelos. "Então, também queríamos ir gritar contra a ministra, era injusto ficarmos de fora da manifestação".»
Importa determinar a questão da dispensa. É condenável se foram realmente dispensados. Pergunta ao jornalista: procurou confirmar isto junto da professora em causa?
3. «"Há seguramente uma tentativa de envolvimento dos alunos, com o pretexto do Estatuto, num conflito laboral entre o Ministério da Educação e os professores", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues em conferência de imprensa.»
Insinuações. Registo que a ministra não falou em apurar responsabilidades. Ver ponto 1.
Educação: António Costa admite que descontentamento pode levar PS a perder a maioria
Entretanto, o PS mostra medo. Obviamente. Perder o poder é coisa que não lhes interessa nada (quanto aos desígnios do país, ver o cartoon patinhas).
Lamentável. Que se apurem os factos com urgência.
Governar para o circo das sondagens
Labels: educação , política , PS , sócrates
Coisas que poderiam ser sublinhadas
1. Reparem nesta incongruência. No actual modelo, os professores são avaliados com notas como regular, bom, muito bom e outras. Mas o número de classificações atribuídas para as melhores notas é limitado. Não importa se a pessoa é muito boa ou não, apenas se há quota para isso. O erro neste processo está em misturar progressão na carreira com desempenho. A progressão na carreira pode estar sujeita a quotas. Já reconhecer o desempenho, com um bom ou um muito bom, sendo devido não deve ter quotas.
2. A grande ênfase do actual modelo está na quantidade de alunos passados e não no que eles aprendem. É uma pequena grande nuance. Porque ligou o ME o complicómetro ao avançar com este modelo? A minha opinião é que com ele a pressão para passar alunos aumenta. Note-se que Valter de Lemos e a própria ministra têm opinado sobre o sucesso 100% no horizonte próximo.
3. Mais do que avaliar os professores, o actual modelo pretende definir quem terá acesso à categoria de professor titular. A divisão da carreira docente é um processo de gastar menos dinheiro com salários. Nada tem nada a ver com a qualidade de ensino.
Notas pessoais
Parlamento reúne hoje no Telejornal
Aconteceu em Lisboa e há fotos disso
120 mil"míseros votos"
em fotos
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