a política na vertente de cartaz de campanha

Buzz this

Guterres e o pântano

Depois dumas eleições autárquicas que não reduziam a legitimidade do seu governo, surpreendentemente Guterres demitiu-se afirmando que o fazia para que o país não entrasse num pântano democrático.

Qual foi a verdadeira razão para se ter demitido? Será que o pântano não estava localizado no Freeport?


Buzz this

Votações socialistas

O Fórum Novas Fronteiras [Socialistas] tem aberta uma votação com a questão "Que balanço faz dos três anos de Governo socialista?" Está lá desde 2007-03-09.




vermelho=bom
azul=razoável
verde=mau
(bizarra escolha de cores)

Pode votar aqui.


Buzz this

Poker educacional

Um assunto que já abordei algumas vezes no Fliscorno: de onde vêm os dados para os relatórios que são mesmo da OCDE? Basicamente, vêm das mesmas fontes que foram usadas para a elaboração desta farsa. A OCDE elabora os seus relatórios com base nos dados fornecidos pelos diversos países! O relatório em causa podia perfeitamente ser da OCDE. O que nos leva a questionar sobre a validade das conclusões que esses relatórios apresentam.

Ora acontece que mais cedo ou mais tarde, a OCDE publicará um relatório onde estas conclusões estarão presentes, já que, para esse futuro estudo, os dados portugueses serão fornecidos pelo ME e serão os mesmos que estão neste arranjinho agora apresentado. O que me leva à questão: Porque não esperou então o governo que esse relatório saísse? Por uma questão de timming, diria eu. Acontece que é agora, antes das eleições, quando os professores estão numa situação em que capitulam ou ganham novo fôlego, que este trunfo tem o seu poder máximo. Num governo Simplex, não há tempo para esperar, seja por resultados, seja por relatórios referentes a esses resultados.

Sócrates resolveu jogar poker. Arriscou, fez bluff mas correu-lhe mal. Há quem esteja atento a estas coisas e a imprensa não lhe perdoa a afronta trazida pelo novo Estatuto do Jornalista. Apanhado em falso, reagiu como as crianças: mentiu. Será muito pedir políticos responsáveis?


Ver também:
Susan Copland, responde a uma questão sobre a participação da OCDE no tal relatório.


Buzz this

8 páginas

Acabo de ler as 8 páginas da carta rogatória que os ingleses enviaram.

Considerações:
  1. À luz do tratamento igual que tenho ouvido falar pelas diversas autoridades, aguardo agora dois comunicados do PGR e duas entrevistas de Cândida de Almeida a esclarecer a situação destas pessoas:
    - José Marques
    - João Cabral
    - Manuel Pedro

  2. As fugas de informação, cirurgicamente concretizadas, foram significativamente inexactas. Cirúrgicas porque pareceram obedecer a um calendário; inexactas porque apenas apresentaram parte da informação.

  3. O DVD e um tal email foram os motivos evocados para a existência de tal carta. No entanto, a carta refere que a «Polícia Judiciária portuguesa
    declarou à Serious Fraud Office e à Polícia da Cidade de Londres que o facto de a aprovação ter sido alguma vez concedida, dada a existência da zona de protecção ambiental, levanta uma forte suspeita de corrupção no procedimento de aprovação.»

    Acrescenta ainda «Alega-se que foi chegado a um acordo no sentido de que a Freeport efectuaria, por intermédio da Smith & Pedro, pagamentos a terceiros, relacionados com José Sócrates. Estas alegações resultam colectivamente da Carta Rogatória da Procuradoria Geral da República do Montijo, de 12 de Agosto de 2005, apoiada por uma lista de emails extraídos de computadores apreendidos aos escritórios da Smith & Pedro pela Polícia Judiciária portuguesa. Esta lista foi posteriormente fornecida pela Polícia Judiciária à Polícia da Cidade de Londres.»

    E há mais. «Posteriormente, a Freeport efectuou 3 ou 4 pagamentos em parcelas de GBP 50.000 à Smith & Pedro. Charles Smith, no vídeo de 3 de Março de 2006, alega que se trata de pagamentos de subornos, com o intuito de satisfazer o acordo de 17 de Janeiro de 2002, a partir dos quais efectuou uma série de pagamentos em numerário a um primo de José
    Sócrates. A Serious Fraud Office e a Polícia da Cidade de Londres foram informadas pela Polícia Judiciária numa reunião realizada no dia 9 de Julho de 2008 de que tinham sido obtidas provas de uma série de saques em numerário que se julga estarem relacionados com esta alegação. Além disso, foram efectuadas alegações menos específicas de que foram pagos montantes mais importantes (até GBP 5 milhões) a uma empresa de advogados em Portugal ligada a José Sócrates, como pagamentos de subornos a partir de fontes do Reino Unido.»

  4. Além do sempre focado DVD, os ingleses forneceram muito mais material, entre o qual material bancário.

  5. Os ingleses informam ainda da sua política de relação com a comunicação social: «A política da Polícia da Cidade de Londres e da Serious Fraud Office relativamente aos meios da comunicação social é actualmente a de não efectuar comentários, ou de declarar que "não nos é possível comentar" no tocante a quaisquer pedidos de informação recebidos. Agradecia que esclarecesse quais as medidas, se as houver, que estão a ser tomadas relativamente à divulgação não autorizada de informação. Agradecia que esclarecesse qual a política actual dos departamentos do Ministério Público e da Polícia em Portugal em matéria dos meios de comunicação social relativamente a este caso.»

    Ora este aspecto mostra uma gritante diferença de actuação comparativamente às nossas autoridades:

    a) os ingleses têm investigado; cá o processo tem estado parado;

    b) os ingleses optaram por uma política de sigilo, possivelmente antevendo a confusão que as pessoas envolvidas trariam; cá tem-se disfarçado a realidade de não se ter investigado com persistentes fugas de informação, realizadas obviamente por quem tem acesso oficial a esta carta (as autoridades portuguesas, encarregues de investigar/acusar/arquivar).

  6. Os homens do PM e ele próprio têm falado em «cabala» e em «forças ocultas». No entanto, sem querer tecer considerações de inocência ou culpa, os factos falam por si:

    a) foram as autoridades portuguesas que deram razões aos ingleses para que enviassem esta carta rogatória;

    b) foram as autoridades portuguesas que fizeram saltar a notícia para a comunicação social, sem que a investigação estivesse feita;

    c) são as autoridades portuguesas que agora se prontificam a defender aquele que entretanto lançaram na lama;

    d) o processo de licenciamento do Freeport foi invulgarmente rápido, como se houve pressa para o concretizar;

  7. Foi este o governo que optou por nada de eficaz fazer no campo da justiça, atitude que tem tido tornado a justiça algo inexistente neste país;

  8. Há registos bancários fornecidos pela investigação inglesa. Foram investigados? Ou o que as fugas de informação revelaram são a única coisa que a polícia portuguesa tem para mostrar?

  9. Porque ainda não cumpriram os ingleses a carta rogatória que lhes foi enviada em 2005?

  10. Porque foi demitido em Março de 2006 o então Director da Polícia Judiciária?

Nas palavras de Sócrates sobre este caso pode-se ouvir o seu grito de vitimização. No entanto, o que esperava um ministro do ambiente ao aprovar um projecto destes a 3 dias de eleições e a ritmo TGV? Se o projecto estava assim tão legal, tão certinho, tão "tudo normal", porque não pôde o Freeport ter sido aprovado uns dias depois?

Sócrates fez a cama onde se deitou. Se é de espinhos, a ele se deve.


Buzz this

O antídoto nacional para a crise é...

... o freeport! Tal como se deixou de falar da onda de insegurança e dos fogos de Verão, se a crise deixou de ser a notícia do momento, é porque não existe. Afinal de contas, o freeport não exisitiu durante 4 anos.


Buzz this

Versão portuguesa do lema de Obama

"YES, WEEKEND" 
 
(recebido por mail) 
 
 
 
 
 



Buzz this

Quem manterá a corda mais direita?

Passado escuro, futuro branqueado

zoom    |  a campanha

gracinhas anteriores


Buzz this

O primeiro-ministro é uma sopeira LOL

http://blasfemias.net/2009/01/29/o-traficante-de-droga-a-empregada-domestica-e-o-primeiro-ministro/


Buzz this

Em defesa de Sócrates (kind of)

Quem por aqui passa sabe que costumo ser crítico quanto à propaganda de Sócrates e do seu governo. Que se tem demonstrado que é um primeiro-ministro que mente sem pudor (veja-se o caso mais recente do relatório "OCDE"). Que se tem mostrado que o défice das contas do estado apenas baixou graças ao forte aumento da carga fiscal, pelo fecho de serviços, pelos congelamentos e por o estado não pagar aos fornecedores.

Quem costuma passar pelo Fliscorno sabe que aqui não tem sido um lugar para passar a mão pelo pêlo da família Socrática. Nem de outras famílias políticas, já agora. É por isso que estou perfeitamente à vontade para afirmar: esta história dos ingleses meterem o nariz nos nossos assuntos é uma nojeira.

Passo a explicar. Por alguma razão, muitos acham que os ingleses são os nossos velhos aliados. No entanto, levámos porrada deles em vários momentos da nossa história, como por exemplo no caso do Mapa Rosa. Ou com a Maddie, recentemente. E agora com o caso Freeport.

Calendários eleitorais à parte, o certo é que um país estrangeiro está a interferir na justiça portuguesa. Se a mais ninguém isso incomodar, a mim incomoda de sobremaneira. Se temos um problema, devemos ser capaz de o resolver entre nós. Se os ingleses têm indícios válidos, que deles façam uso. Agora pretenderem meter o nariz porque a coisa cheira mal não é suficiente nem é admissível.

Entre nós, temos os meios para resolver o problema: com a justiça para as questões legais; com as eleições para as questões éticas. Poderemos ter uma justiça para inglês-ver mas não nunca para inglês-interferir!


Buzz this

No Arrastão: As notícias não caem do céu

Parece que a central de contra-informação do governo ainda tentou fazer de conta que Sócrates não disse relatório da OCDE quando se referia ao texto encomendado pelo ME.
 
No Arrastão, Pedro Sales demonstra que contra fatos não há gabardinas (trocadalho possível no novo dicionário luso-acordográfico).


Buzz this

Possível tradução para "cache": apanhado a mentir

No Blasfésmias, escreve Gabriel Silva:
Afinal o PS também reconhece que exagerou na propaganda e que relatório não é da «OCDE»
Sugere ainda a visitia à versão cache  (no Google) do site do PS, para se comparar o texto antigo com o actual. Como a cache desaparece ao fim de algum tempo, aqui fica uma cópia.

Adenda 29-01-2009: A notícia chegou à comunicação social
«De acordo com o JN, no texto original, “ainda disponível no 'site' dos socialistas às 11h24”, o título da notícia era ‘Relatório da OCDE elogia política de Educação do Governo PS’. Às 16h00, já durante o debate quinzenal no Parlamento com a presença do primeiro-ministro, a página do PS mostrava um novo título, "José Sócrates elogia resistência da ministra da Educação".»


Buzz this

A cada quatro anos

Volta e meia passo por cima dum buraco na estrada e saem-me boca fora algumas interjeições azedas mas suavizadas pela certeza do remendo que me trarão as próximas eleições. Não importa quais. 

É sabido que a cada quatro anos há más notícias para os bate-chapas os quais, temporariamente, perdem negócio por menos jantes partidas e pneus furados. Pelos mesmos motivos, cada eleição é motivo de alegria pela berma que passa a existir onde antes estava uma valeta e pelo buraco tapado que permite transferir a atenção do rali urbano para os peões nas passadeiras. A cada quatro anos é certo e sabido as estradas melhoram. Nada mais costuma mudar mas agora há um novo evento cíclico. Tal como as obras de Santa Engrácia, processos judiciais que nunca parecem terminar ganham súbito vigor com o cheiro a eleições. No meio do ruído, fica-se sempre a saber um pouco mais do que se havia sabido durante os quatro anteriores anos de inacção.

Não compreendo por isso a indignação de Sócrates. Para que algo aconteça, é bom que processos adormecidos como o do Freeport reapareçam de cada vez que há eleições. Além disso, leva nas orelhas quem tem capacidade para mudar a justiça mas não o fez.



Buzz this

PIN-up

Se os projectos PIN já existissem na altura da decisão do Freeport (são invenção do governo Sócrates), esta polémica nem existiria. Tudo se teria decidido no conforto dum gabinete e, viva a diferença, sem sequer ensombrar a lei.


Buzz this

Rabbit, Run

Updike, ran.



Buzz this

FON: internet wireless roaming

O que é?
Tem uma ligação (fixa) à net mas vai viajar e ficará sem net? No problem! Use o serviço da FON!
 
Partilhe uma parte da largura de banda da sua ligação e, em contrapartida, ao viajar poderá usar gratuitamente o ponto de acesso de outra pessoa. Adicionalmente, se não partilhou a sua ligação, também poderá usar a ligação de outras pessas gratuitamente durante 15 minutos e pagando, depois disso (neste caso, o dono da ligação recebe metade do valor).
 
Como usar?
Compra um router La Fonera na loja oficial da Fon, o qual se ligará a outro router (ou ao modem) que já se tenha (fornecido pelo seu ISP). Este router criará dois pontos de acesso; um privado e outro público. Este último poderá ser acedido por outros Foneros.
 
Onde?
A rede La Fonera já é enorme: http://maps.fon.com
Requisitos
Uma ligação ADSL ("net fixa", portanto) com pelo menos 512KB e um router WiFi "La Fonera".
 
Nota: na versão portguesa da FON, aparentemente associada à ZON, a informação disponibilizada é inexacta, segerindo que é necessária uma lição à net pela ZON:
Rasteira que imediatamente se desfaz ao consultar a versão inglesa desta página.
 
 
Saber mais


Buzz this

Acaba-la ou a cabala?

Será a tese da cabala suficientemente forte para que Sócrates consiga acabar a legislatura?


Buzz this

Auto-elogio, ou gabarolice como se diz na gíria

A expressão ímpeto reformista tem sido usada com frequência para se referirem ao governo de Sócrates, se bem que agora com menor frequência. No entanto, hoje volto a republicar um texto anterior, o que me leva a observar que a mudança poderá não passar da aparência.
 
Vem isto a propósito de mais um relatório da OCDE sobre a educação, oportunamente usado para propagandear a bondade do caminho de pedras que tem sido o rumo da educação socrática. E no entanto, como registou Paulo Guinote, vamos ver a autoria do documento e lá está o Ministério da Educação, no caso pela mão de Alexandre Ventura, presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores.
 
Pois é, quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha? É aqui que entra um texto de Outubro de 2007:
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Education at a Glance 2007

Talvez já tenha o leitor pensado, como eu, de forma obtém a OCDE estes dados. Vem ao terreno fazer as suas próprias investigações? Tem sucursais? São-lhe fornecidos por outrem? É, no meu entender, uma questão pertinente, pois da confiança nestes dados resulta a validade das conclusões obtidas.
 
Ora este "Education at a Glance 2007" contém uma secção "Sources", onde que lê que as fontes para este relatório foram, no caso português:
 
    * The Bureau for Information and Evaluation of the Education System,
    * National Statistical Institute,
    * The Financial Management Bureau,
    * Science and Higher Education Observatory.
 

Ou seja, a respectiva proveniência é o Estado português. O que não deixa de ser curioso: a ministra da educação justificou todas as suas polémicas decisões com base nos dados publicados pela OCDE. Mas a OCDE apenas trata, compara e publica informação baseada nos dados fornecidos, no caso português, pela própria ministra. Um verdadeiro caso de pescadinha com rabo na boca e de nos interrogarmos seriamente sobre a ética de fazer política assim.
 
Quanto ao documento que agora tanto entusiasmou Sócrates, de onde vieram os dados? Basta consultar o respectivo anexo 2:
ANEXO 2: FONTES DOCUMENTAIS E INFORMAÇÃO DE ENQUADRAMENTO
A equipa beneficiou do acesso a um conjunto de documentos, incluindo:
  • Galvão, M.E. (Ed.) (2004). Desenvolvimento da Educação em Portugal. Ministério da Educação
    e Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus e Relações Internacionais.
  • Ministério da Educação (2007). Educação e Formação em Portugal. Ministério da Educação,
    Portugal.
  • Ministério da Educação (2008). Medidas Políticas Implementadas no Primeiro Ciclo do Ensino
    Obrigatório em Portugal: Relatório Nacional. Ministério da Educação, Portugal.
  • Serrazina, M.L. (2008). Programa de Formação Contínua de Professores de Matemática: recompensas e desafios. Escola Superior de Educação de Lisboa.
  • Foram elaborados relatórios sobre a reorganização da rede escolar do primeiro ciclo em cada
    uma das cinco regiões, lavrados com objectivo da avaliação, e foram produzidos registos por
    alguns grupos de testemunhas entrevistados.
  • As informações e dados produzidos por todos os Serviços Centrais do ME, em particular, pelo
    GEPE e pela IGE, também se revelaram bastante valiosos.
E o leitor não acha este texto que acabo de escrever notavelmente excelente? Olhe que já foi gabado e aplaudido incondicionalmente (por mim).


Buzz this

70 mil

Acabo de ouvir na Antena 1 que só hoje foram anunciados 70 mil despedimentos, a nível mundial. É a crise? Não percebo o que poderá ter mudado no dia-a-dia para tamanhas convulsões. Não estarão apenas estes empregos, ou parte deles, simplesmente a mudar para países com mão-de-obra ao preço da uva mijona?


Buzz this

Proteger a família

Proteger a família
zoom

a notícia

gracinhas anteriores


Relacionado:


Buzz this

Menino d'oiro num Inverno rigoroso

Menino d'Oiro
zoom

Freeport Sócrates

gracinhas anteriores


O Inverno está rigoroso. Até os meninos d'oiro precisam de se proteger.




Relacionado:


Leituras:


Buzz this

Proteger as Empresas - lema no site do PS

Face à realidade, republico um texto anterior.

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

50 mil euros líquidos por trabalhador

O estado vai garantir um empréstimo de 100 milhões de euros à Qimonda. Isto são muito boas vontades. Mas nem seria a primeira vez que uma empresa recebe tanta benesse e depois zarpa para um paraíso de mão-de-obra de custo quase zero.

A Qimonda tem em Portugal 2000 trabalhadores. O empréstimo representa 50 mil euros líquidos por cada um deles. Se cada trabalhador ganhasse em média mil euros líquidos, isto significaria 50 meses de salários. Ou seja, 3 anos e meio de salários pagos com um empréstimo garantido pelo estado. Empréstimo que o estado, como qualquer outro fiador, deverá pagar caso a empresa resolva fechar.

Ninguém vê nada de errado nisto? Será que a Qimonda ainda existirá daqui a 3 anos e meio? Será que a crise tudo justifica?



Buzz this

O Tio

O Tio

Notícia

gracinhas anteriores


Buzz this

Défice da balança comercial agravado

O meu amigo blogosférico Pata Negra, com o seu comentário no post anterior, fez-me ver esta realidade:

Neste país até a justiça é importada.



Já agora e porque começa bem e há-de estar ao nível da anterior: não perder as novas histórias do Pata Negra, as fábricas.


Buzz this

A cabala inglesa

E no entanto, foram os ingleses que pediram acção:
«As buscas hoje feitas pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal e pela Polícia Judiciária, no âmbito do caso Freeport, na casa e empresas de Júlio Carvalho Monteiro, empresário e tio materno de José Sócrates, e no escritório de advogados de Vasco Vieira de Almeida, estão a ser realizadas na sequência de uma carta rogatória enviada pelas autoridades inglesas às portuguesas, segundo apurou o PÚBLICO.»


Buzz this

O Pântano

Guterres dimitiu-se por causa do Pântano. Informações recentes dizem-nos que este sita na Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.


Buzz this

Curtas

Obama engasgou-se ao prestar o juramento constitucional. Compreende-se, o texto não foi escrito pelo habitual argumentista.

O «rating» da república baixou, tornando o crédito mais caro. Foi por causa da crise, disse Teixeira dos Santos numa referência indirecta ao falhanço das reformas do seu governo.

Dizem que o crédito fica mais caro porque o risco de incumprimento aumentou. Parece-me que os senhores da Standard & Poor's ignoram como convivemos em excelência com o risco, pelo que aqui fica o convite para uma manhã de condução na A5 em dia de chuva.



Buzz this

Uma boa iniciativa

No A edução do meu umbigo:
«Por isso, na sequência de conversas particulares em off entre um grupo de professores espalhados pelo país, foi feito o contacto com um conhecido advogado de Lisboa [Garcia Pereira] no sentido de proceder a uma análise e respectivo parecer sobre a legislação emanada do Ministério da Educação desde a publicação do Estatuto da Carreira Docente


Entre nós, é hábito resmungar e ficar à espera que alguém - o estado por regra, nos resolva os problemas. No entanto, parece-me que as iniciativas devem partir de baixo para cima, das pessoas individualmente. É por isso que saúdo a inteligente iniciativa, a qual adicionalmente constitui uma lufada de ar fresco às habituais "formas de luta".



Ler também:
Expresso Online: Professores querem travar Ministério nos tribunais
No Sol Online: Professores pedem parecer para contestar medidas da ministra


Buzz this

Ministro das Finanças contra descida generalizada de impostos

«O ministro das Finanças acusou hoje o PSD de já estar em campanha eleitoral ao propor a descida generalizada de impostos, a qual dificilmente seria reversível, podendo até comprometer a redução do défice público.»
 
E se por hipótese os políticos desaparecessem, ficando as pessoas entregues a si mesmas? (Tenho para mim que já é isso que acontece, excepto que os políticos existem.)
 
 
via Insurgente


Buzz this

A Presidência da República no Twitter

 
Já agora, também podem acompanhar o Fliscorno no Twitter: http://twitter.com/fliscorno


Buzz this

F

Depois dos três F, eis o quarto EFE: Empresas, Família e Estado.



Buzz this

Fado, futebol e Fátima em versão moderna

Reparem na animação que passa na pérola seguinte:

edit: o ficheiro já não está disponível

Dei por ela ao passar pelo 5dias, que escreve sobre o Partido nacional Socialista. «Proteger as empresas. Proteger o País. Proteger as Famílias.» Sim, adorado líder.


Buzz this

A burocracia chegou ao ensino

afogar-se em burocracia

gracinhas anteriores


Buzz this

Sobre a associação de pais do ME

O Albino Almeida roça a irresponsabilidade. Diz ele que em dia de greve as escolas não podem fechar. Acontece que não há funcionários para tomar conta da miudagem que normalmente estaria nas aulas. Quando das aulas de substituição muito se falou que também era preciso tirar os miúdos da rua, por causa da sua segurança. Obviamente que isso agora não interessa. Mas do que tenho ouvido, as escolas que fecham, fazem-no por não poderem garantir a segurança da miudagem.


Buzz this

Sofre de miopia?

"O Governo já fez uma substancial e significativa redução da carga fiscal", sustentou o líder do executivo socialista, antes de apontar como exemplos a descida do IVA em um por cento, a redução do IRC, o pagamento especial por conta e o Imposto Municipal Imobiliário.

"Na próxima semana vamos descer em três pontos percentuais a taxa social única para os trabalhadores até aos 45 anos, abrangendo as empresas até 50 trabalhadores", disse Sócrates.

Em síntese, segundo Sócrates, o conjunto destas medidas "representam uma redução de impostos em mil milhões de euros".


Buzz this

Cavaleiros do Apocalipse: Super Professor



Acompanhe o impressionante dia de avaliação de um dos melhores professores portugueses. Para não dizer o melhor!
 http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt


Buzz this

Preocupações de ministro

A problemática entre as terminologias "rectificativo" e "suplementar" para adjectivar o mau orçamento de há dois meses atrás demonstra a obsessão pela aparência em detrimento da forma.



Buzz this

PS suspende avaliação dos professores...

... por enquanto só nos Açores.


Buzz this

Para que serve uma maioria absoluta?

Para aumentar impostos, para aumentar a despesa pública, para aumentar o défice da balança comercial, para fechar centros de saúde, para trazer o caos à educação, para financiar computadores, para ...

Quase quatro anos depois, não fosse esta crise que tanto justifica, em que aspecto estaria o país melhor?

Adenda
A ler n'O Insurgente, um texto de Rodrigo Adão da Fonseca: Sócrates, o homem convicto que aponta estratégias rumo a lado nenhum.


Buzz this
Português Técnico, por António Gonçalves - Dias Contados, DN 18.Jan.2008:
«PORTUGUÊS TÉCNICO

Anda por aí algum alarme em volta do texto de José Sócrates que os candidatos a um emprego no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) são forçados a estudar. Não sendo suspeito de admiração pelo primeiro-ministro, julgo-me habilitado a detectar a má-fé "oposicionista" que contamina a polémica.

Segundo me pareceu, quase todas os reparos à utilização da peça dispensaram a respectiva leitura. Eu não dispensei, e fiquei, para citar o jargão dos tempos, agradavelmente surpreendido. Estilisticamente, "Ambição" (o nome do texto) é uma obra inspirada, onde a vertigem kafkiana ("A importância desta ambição está bem expressa na centralidade da estratégia de qualificação no âmbito (...)") convive com arroubos líricos dignos de um, ou de dois, Mussolini ("Esta escolha não admite hesitações"). Onde clichés bélicos ("vencermos a batalha da qualificação") são enriquecidos por outros clichés bélicos ("É aqui que temos que combater."). Onde originais incursões pela melancolia ("O atraso que nos separa dos países mais desenvolvidos (…)") são arrasadas por optimismo em tríades: uma "acção firme, persistente e determinada" que, através de "um caminho muito longo, duro e difícil", permitirá aos "activos" por "qualificar", jovens e adultos, "recuperar, completar e progredir" graças ao "empenhamento profundo" de "cidadãos, empresas e instituições".

Modesto, a páginas tantas o eng. Sócrates sugere que é preciso "fazer mais", "fazer melhor" e "fazer mais rápido". Por mim, acho que não vale a pena: a prosa já está óptima, sobretudo se tivermos em conta que versa as Novas Oportunidades e que as Novas Oportunidades constituem a trapaça que todos conhecem. Apesar das invejas que um governante dado às letras desperta, "Ambição" é claramente um monumento da sátira em português, não sei se consciente. Sei que os candidatos ao IEFP devem rir com gosto, incluindo os que não foram contratados.»

Quem quiser deliciar-se com a obra lírica completa segundo Sócrates, o sofista, pode ler o texto em causa em «A Ambição».


Buzz this

É uma questão de tempo

Já há uns dias que este é o tema quente nos blogs de cá e agora saltou para a imprensa. O site Transparência na AP vai dar que falar. Agora é que vamos ver que explicações são dadas para os milhares de euros que, até demonstração contrária, foram estoirados de mãos largas. Vamos lá ver se as teorias das gralhas e das falhas informáticas têm fundamento.

E a intenção de avançar com os ajustes directos vai cair por terra ou não? O que acha o leitor? Participe na sondagem.




Nota: se isto nada lhe diz, experimente visitar este link: http://fliscorno.blogspot.com/search?q=ajuste


Neste momento (sexta-feira, 23h20), estão contabilizados 18 votos e com mais uns poucos será ultrapassado o nº de votos que algumas sessões do Parlamento teriam caso fosse um voto por deputado :-) Os votos estão distribuídos desta forma:
Sim: 4
Nim: 2
Não: 12

18-01-2008, 11h30: Com 31 votos, dignos duma sexta-feira parlamentar, dou por encerrada a votação. Resultados:

Resposta
Votos%
NÃO: a pressão da imprensa e, eventualmente, da oposição fará o governo recuar.2064.52%
SIM: sim e na forma anunciada pelo Conselho de Ministros de 30-12-2008 (5 áreas)619.35%
NIM: sim mas com alterações significativas, como Sócrates começou por anunciar no Parlamento (2 áreas e consulta de 3 preços)516.13%

31


Buzz this

Recortes - sábado 2008-01-17



O grande mistério da actualidade. Que ex-ministro de Guterres será? Enfim, estamos para ver se isto é uma campanha de bota-a-baixo ou se haverá algo aqui. Entretanto acrescenta o Sol: «A Procuradoria-Geral da República afirma em comunicado que não suspeita de nenhum ministro no caso do Freeport, mas não comenta as suspeitas por parte das autoridades inglesas. Esta declaração surge na sequência da manchete do SOL, revelando que uma investigação inglesa ao licenciamento do outlet de Alcochete recolheu indícios de corrupção de um ministro do Governo de António Guterres».Quando procurei saber o que diziam os ingleses sobre isto, curiosamente apenas encontrei traduções para inglês do artigo do Sol, como esta. Encontrei também o blog de Joana Morais que, além de incluir a mesma tradução que já encontrara, apresenta também mais uns links.
Mais: no Sol; no Público





Depois de comprar os pais com Magalhães, os professores titulares com suplementos remuneratórios, os banqueiros com garantias bancárias e dinheiro qb e as grandes empresas com rios de subsídios, prepara-se agora Sócrates para compra as vozes que a ele se opõem.
Mais: no Sol





Alguém acredita mesmo nisto? Alguma vez uma obra pública em Portugal não teve impacto no défice nem na dívida? Que me indiquem uma. De facto, e até que me mostrem o contrário, todos sabemos que é prática a mentira na política. Dizer a verdade é até considerado como não se ter sofisticação. Mas estas mentiras a que ninguém ligam deixam no entanto esta questão: quando um político afirma que é o interesse nacional ou que certa política é o único caminho, como é que se pode saber que não é apenas mais uma mentira?
Mais: no Público





Estes três recortes evidenciam a forma como se faz política cá. O PSD agora acha que o TGV não faz sentido. Por mim, ainda bem: é menos um elefante branco a pagar. O facto deste partido já ter defendido este projecto não me incomoda. Os tempos mudaram e as prioridades têm que se adaptar. Agora interessante é a reacção do PS. A Lusa, numa voluntariosa iniciativa, decidiu ir ouvir o que tinham os espanhóis a dizer sobre a intenção do PSD recuar no TGV. Espantoso! A nossa agência nacional noticiosa vai ao estrangeiro procurar reacções às propostas da oposição. Ferreira Leite acha que a peça da Lusa foi encomendada. A Lusa diz-se indignada e, grande coincidência, o general do PS vem em sua defesa.
Mais: no Expresso (1), no Expresso (2), na RTP, no Público





Esta notícia diz também que 12% do PIB não paga impostos. Até o próprio estado dá o exemplo. Eu, trabalhador por conta de outrém, vejo os meus impostos sairem-me do bolso. Alguém tem que pagar o TGV, o défice e os subsídios.
Mais: no Expresso





Uma legislatura a pagar mais impostos para agora tudo ser estoirado. Dizem que é a crise. Tenho para mim que as explicações simples e universais são, na política, de desconfiar. Especialmente porque estamos em crise desde 2000, quando a Europa crescia até a 6% e nós por cá a uns míseros 2%.

Já a segunda parte deste recorte é de facto espantosa. O Diário de Notícias está a dar a vitória do PS nas próximas legislativas como certa. Só assim se pode entender que o DN ache que vamos ter pelo menos um referendo por o PS pretender colocar a regionalização no seu programa eleitoral.
Mais: no DN (crise), no DN (regionalização), no Público (défice), no Público (regionalização)


Nota: os destaques e arranjos gráficos nos recortes são da minha responsabilidade


Buzz this

Ajuste directo: algumas correcções

Afinal, otractor de 640.000€ comprado pela CM Sines à CPC Informática são antes computadores portáteis. Erro de introdução de dados e incapacidade de correcção do BASE. E o aluguer de tenda por 1,2 milhões de euros, novamente pela CM Sines, afinal foi feito por 12 mil euros. Novo erro do BASE, que neste caso em vez de rectificar o registo, criou um novo. São estas as explicações da CM Sines em comunicado de emprensa.
 
Também há a informação de que a C.M. Vale Cambra já esclareceu que a aquisição de uma viatura de 16 lugares para transporte de crianças  pelo valor de 2.922.000,00 € está errado. De acordo com essa informação, os dados terão sido bem introduzidos mas o BASE introduziu o erro.
 
Com efeito, ao procurar no BASE estas entradas conclui-se que no lugar onde elas ontem estavam, hoje nada aparece. Muito curioso! Nem sequer a correcção aparece. O mesmo acontece com várias outras "descobertas" que estiveram sob fogo dos blogs (tal como a compra de vinho tinto e branco pelo valor de 652.300,00 € que a C. M. de Loures terá feito) desapareceram misteriosamente do BASE. Misteriosamente porque fazendo uma pesquisa nos sites das respectivas câmaras municipais não se encontra nenhum comunicado de imprensa sobre o assunto (e como gostam de comunicados de imprensa as C. M.) e no BASE nada é dito. Excepção para a CM Sines que emitiu o comunicado anterior.
 
Mas será possível tamanha incompetência? Uma medida anunciada com pompa e circunstância, uma boa ideia, note-se, com tamanhas falhas? Espero que haja responsabilidades apuradas.
 
Por outro lado, falta esclarecer ainda uma enormidade de despesas tais como:
 
Administração Regional de Saúde do Alentejo, I. P.
1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas

Preço do contrato (Euro): 97.560,00 €
 
Município de Ílhavo
Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores opticos
Preço do contrato (Euro): 380.666,00 €
 
INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, IP
Preço do contrato (Euro): 48.379,02 €
 
INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, IP
 
.... e a lista podia continua. Viagens, publicidade (então as Novas Oportunidades têm sido um maná), bolos-rei, idosos, impressão, Natal, festas, espectáculos, futebol, Gondomar Sport Clube, entre tantos outros, são tudo áreas de grande investimento no que respeita ajustes directos.
 
No meio disto tudo, é possível que seja questionável tanto ajuste directo. Também é possível que existam gralhas (quantas e onde?!). No entanto, a parte que me causa comichão é mesmo a quantidade de dinheiro que é estoirado. Não serve para criar riqueza, apenas para despesa corrente. E isto sai-me do bolso, sem retorno algum.


Buzz this

Ducks of Terror

 


Buzz this
O governo começou por dizer que não mas acabou a bater palmas à candidatura ibérica ao mundial de 2018. O argumento do secretário de estado do desporto, Laurentino Dias, é que temos as infraestruturas construídas por ocasião do 2004, pelo que esta candidatura constitui uma forma de as rentabilizar sem despesa adicional.

Acontece que 2018 - é só fazer as contas - acontecerá 14 anos depois de 2004! Ora alguém acredita que passados 14 anos da sua construção ninguém quererá fazer obras nestes estádios? Sejam de renovação, seja para incorporarem eventuais novidades.

Concordar com esta candidatura é a jogada expectável de qualquer político. Recusa-la implicaria arranjar atritos com a influente malta da bola no momento presente, anos de tantas eleições ainda para mais. Até se conseguem imaginar as manchetes dos jornais mais lidos pelos portugueses, os desportivos. Quanto a 2018, quem cá estiver que se desenrasque, vamos é tratar do nosso presente.

Cá estaremos então para chamar recordar as palavras deste senhor.


Buzz this

Mentir sem pudor

Por um lado, Sócrates disse no Parlamento:
"Em primeiro lugar, esse regime de ajuste directo mais exigente só se aplica a dois tipos de obras. Primeiro tipo de obras: [1] escolas. Segundo tipo de obras: [2] eficiência energética em edifícios públicos. Só nestas duas áreas é que se aplica este regime. Em segundo lugar, este é um regime dito de ajuste directo, mas que vai exigir a consulta a pelo menos três entidades [Três entidades? Isto é absolutamente novo; só apareceu agora. Fazer de conta que não é rebaldaria?], sendo que essas três entidades concorrerão para obter a adjudicação"
Por outro, o comumicado do Comunicado do Conselho de Ministros de 30 de Dezembro de 2008 anuncia:
«2. Decreto-Lei que estabelece medidas excepcionais de contratação pública, a vigorar em 2009 e 2010, destinado à rápida execução dos projectos de investimento público considerados prioritários

Este diploma vem estabelecer medidas excepcionais de contratação pública por forma a tornar mais ágeis e céleres os procedimentos relativos à celebração de contratos de empreitada de obras públicas e de contratos de locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços relativos a projectos de investimento público considerados prioritários para o relançamento da economia portuguesa, em linha com o plano de relançamento da economia europeia adoptado pelo Conselho Europeu de 11 e 12 de Dezembro de 2008.

Estão abrangidas por este diploma, em particular, pela sua urgência, as medidas constantes dos eixos prioritários da «Iniciativa para o Investimento e o Emprego», adoptada pelo Conselho de Ministros de 13 de Dezembro 2008 ([1] Modernização das escolas; [2] energia sustentável; [3] modernização da infra-estrutura tecnológica – redes banda larga de nova geração; [4] apoio especial à actividade económica, exportações e pequenas e médias empresas; [5] apoio ao emprego).

O regime excepcional agora aprovado vigorará em 2009 e 2010 e, no essencial, prevê:

(i) A possibilidade de ser escolhido o procedimento de ajuste directo, no âmbito de empreitadas de obras públicas, para contratos com valor até 5 150 000 euros e, no âmbito da aquisição ou locação de bens móveis ou da aquisição de serviços, para contratos com valor até 206 000 euros;

(ii) A redução global dos prazos dos procedimentos relativos a concursos limitados por prévia qualificação e a procedimentos de negociação de 103 dias para 41 dias, ou de 96 para 36 dias quando o anúncio seja preparado e enviado por meios electrónicos.»

Conclusão: Sócrates diz agora que só se aplica a dois tipos de situações mas foram anunciadas 5. Além disso, entra agora a figura da consulta a três entidades. Ora, se estiver implicado um projecto de execução, qual é a diferença entre esta consulta e um concurso? Há aqui um recuar camuflado e ainda bem para o nosso bolso. Só peca por não ser total.

 



Buzz this

A realidade paralela da despesa pública

O facto é que se tem batido e forte nos inacreditáveis despesistas que são os profs, a segurança social e a saúde. E depois temos um vislumbre da realidade.


Buzz this

Verniz hidrófilo

No supermercado duas pessoas tocam-se acidentalmente. Um movimento distraído faz encostar a mão de uma ao ombro da outra. Mil desculpas, perdão e talvez mais uma ou outra palavra de delicadeza. Que cordialidade extrema vestem os portugueses. Que educação. Basta no entanto umas gotas de chuva para que a capa de cortesia se dissolva na água que acaba na sarjeta. No bairro onde vivo, um satélite do IC19, há permanentes engarrafamentos que pioram exponencialmente em dias de chuva como o de hoje. A maior parte das pessoas engrossa uma fila para sair dali mas a tentação está mesmo à mão de semear. Se se virar para as traseiras dum prédio, volta-se a entrar uns metros mais à frente, sem violar regra alguma de trânsito mas dando o golpe descaradamente, à vista de todos e, inacreditavelmente, com a voluntariosa colaboração dos que já esperavam, abrindo-lhes espaço. Esgota-se toda a polidez de quem salta perante um encosto com a oportunidade do chico-espertismo. Talvez esta dualidade esquizofrénica explique porque são tolerados aqueles que dão o salto à Vara na política. Há a indignação de terem sido eles mas sobrepõem-se a compreensão de podermos ser nós.


Buzz this

Top10 dos ajustes directos

Usando o transparencia-pt.org com o termo de pesquisa "câmara" e tratando a lista obtida em Excel, obtém-se o Top10 das câmaras municipais em termos de ajustes directos:
 
  ent. adjudicante top
1 câmara municipal de loures 8,817,579.14 €
2 câmara municipal de sines 3,944,477.15 €
3 câmara municipal de albufeira 2,083,566.77 €
4 gestão de obras públicas da câmara municipal do porto, empresa municipal 1,952,988.00 €
5 câmara municipal de castelo branco 1,539,757.49 €
6 câmara municipal de matosinhos 1,294,871.42 €
7 câmara municipal de s. joão da madeira 1,108,783.96 €
8 câmara municipal das caldas da rainha 938,033.60 €
9 câmara municipal de oeiras 816,213.60 €
10 câmara municipal de torres vedras 793,400.03 €
 
Lista completa em


Buzz this

O decreto-regabofe

Há quem ache que aqueles que desconfiam das boas intenções do decreto-regabofe (os ajustes directos para a administração central e local até 5 milhões e tal de euros) sofre de crónica presunção quanto à queda para o compradio por parte de quem mexe com o dinheiro público. Acontece que depois a realidade cai-nos em cima e as presunções afinal são premonições.
 
Consulta obrigatória: Transparência na AP
 
 
 


Buzz this

Ah! Ah! Ah! menos um cadito

O défice está melhor do que nunca e as contas estão em ordem. Excepto que a dívida pública ronda os 70% e as empresas públicas devem 17% do PIB, o que constitui uma forma artificial de baixar o défice. Ah e o décife da balança comercial com o exterior está de rastos. Como as agências internacionais de notação financeira não vão na cantiga do bandido como os nossos eleitores, a Standard & Poor's prepara-se para nos dar um chumbo. Isto vai tornar o crédito bancário mais caro e vai fazer-nos pagar mais pela nossa querida dívida pública. Aguardo a declaração do primeiro-ministro que faz história sobre este momento histórico.



Buzz this

Dúvidas

Iam duas dúvidas num barco, mas o barco virou e elas caíram à água.
As dúvidas nadaram, nadaram, mas acabaram por se afogar.

Não há margem para dúvidas.


Via Cartoonices



Buzz this

A lei insossa (2)

No Blasfémias, depois dum texto e respectivos 345 comentários a bater na questão do sal do pão (às 9h50 de 12 Janeiro 2008), nem uma referência ao único aspecto positivo da proposta de lei: a obrigatoriedade de listar a quantidade de sal na lista de ingredientes. Este pequeno detalhe é o que permite aos consumidores decidirem em consciência. Aliado a uma campanha de sensibilização sobre a eventual necessidade de reduzir o consumo de sal, seria de facto um motor de mudança de hábitos. Mas a visão PS-socializante do mundo não acredita na responsabilidade individual. Ao invés, prefere impor a mudança de acordo com as convicções de alguns. O problema nesta abordagem é que pressupõe um estado-polícia que vigie a imparável enxurrada de lei que tudo determina. Mas tem o estado capacidade de verificar as leis que cria? Talvez se lembre o leitor, só para citar um caso, da bondosa lei que proíbe o uso de garrafas de plástico na restauração. Compare-se então o que diz a lei com o que se passa na realidade para que chegue a próximo postulado: em Portugal, os problemas são hipoteticamente resolvidos pela criação de leis, sendo irrelevante se são ou não aplicadas. Esta questão do sal do pão é apenas mais um desses casos. Se a lei definir uma situação ideal, assumir-se-á que será essa a realidade. Pelo caminho ignora-se a mudança de hábitos e opta-se por transferir a responsabilidade individual para um estado-papá-polícia sem capacidade de controlar o que decreta.



Buzz this

A lei insossa

Mais alguns detalhes sobre a lei insonssa:
 
Texto do projecto de lei: no site do parlamento. Neste texto de oito páginas, cinco delas são preenchidas com um extenso preâmbulo. Novamente, nota-se a vocação lírica frustrada que parecem ter os nossos legisladores.  Se este texto do sal passar a lei, é possível que seja batido um record. Outras pérolas:
«O consumo excessivo de sal é provavelmente um dos factores com maior responsabilidade no aumento da incidência destas doenças, sendo fonte de preocupação na comunidade médica e científica.»
Agora legisla-se por probabilidades?
«O pão e os alimentos embalados, ao contrário dos alimentos confeccionados e consumidos na hora, são fabricados em regime de produção industrial, motivo pelo qual nos parece adequado intervir legislativamente, fazendo incidir alguma regulação sobre os seus teores salinos.»
Ou muito me engano ou todos os alimentos nos supermercados são de produção industrial.
«Os mais recentes dados revelam que o pão constitui uma das principais fontes de ingestão salina»
Bom, quanto pão se consome por cá?!
 
 
Mas se faz sentido legislar sobre quanto sal deve o pão conter, então vejamos mais alguns potenciais da fúria legislativa:
  • O exercício físico contribui para uma vida saudável. Venha lá a lei socialista a obrigar todos a fazer uma corrida matinal de 30 minutos.
  • Sexo com camisinha é mais seguro. Venha lá a lei socialista a regular o coito.
  • O CO2 nas bebidas aumenta a respectiva acidez, o que pode provocar úlceras. Além disso as bebidas com gás podem causar problemas nas válvulas gástricas. Venha lá a lei socialista a proibir bebidas com gás.
  • As gorduras vegetais hidrogenadas são consideradas cancerígenas. Venha lá a lei socialista a proibir a sua inclusão no pão.
  • O açúcar em excesso pode causar diabetes. Venha lá a lei socialista a proibir a sua inclusão no pão.
  • Ao que dizem, fumar mata. Venha lá a lei socialista a proibir o fumo.
 
Finalmente, sobre o pão. O sal é o menor dos males. Quem defenda a regulação da quantidade de sal já se deu ao trabalho de olhar para a respectiva lista de ingredientes? Em Abril de 2007 fi-lo (cf. O pão nosso de cada dia), de onde saliento esta lista de ingredientes do pão vendido num supermercado perto de si:
 
Ingredientes: Farinha de trigo T65 (gluten), água, levedura, melhorante (farinha de trigo, emulsionantes - E472(e), E471, agente de tratamento de farinha: ácido L-ascórbico, enzimas), sal, complemento gordo (óleos vegetais hidrogenados, óleo vegetal, açucar, emulsionantes: E471, aroma natural, conservante: E202, antioxidante: E321)
 
E a lista de ingredientes daquilo que conhecemos por pão: Farinha de trigo, água, levedura, sal.
 
Mas em vez de apelar ao papá-estado para tomar conta de mim, concluo de outra forma: «Costuma ler a composição dos produtos que compra? Se não o faz, reconsidere. E não fique à espera que o Estado proíba ou permita este género de produtos, assuma que o tempo do Estado-papázinho já era. Perante produtos fracos como este, pura e simplesmente não os compre. E, porque não, incentive os seus amigos a fazerem o mesmo.»
 
De resto, nada tenho contra a regulação. Acontece que há casos em que se entra pela parvoíce. Lembram-se dos piercings? Ou, ainda, outra regulação parva: o calibre obrigatório das frutas e legumes. Podem não saber a nada mas porque têm formato errado, não prestam. Mas se os nossos queridos deputados acham assim tão importante que se consuma menos sal, porque não lhes chega procurarem convencer as pessoas a optar por produtos com menos sal? Não, tem que ser à força bruta, que os portugueses são uns infato-imbecis.
 
E depois há ainda esta coisa fantástica: com tanto problema para resolver no país e ocupam-se os nossos queridos deputados com fait-divers?! Há formas fantásticas de deviar a atenção, não há?


Buzz this

Saltar à Vara

Armando Vara promovido na Caixa depois de ter saído para a administração do BCP
Coisas que se passam no país deles. Vai uma maioria absoluta?


Buzz this

Liberdade individual

Há-de haver sempre quem queira regular na totalidade a vida privada de todos. Uma coisa é procurar persuadir para que se mudem hábitos. Outra é usar a força da lei para obrigar à adopção duma convicção porque se acha que se tem mais razão do que outrem. Estas duas situações estabelecem a fronteira entre o respeito pelas escolhas dos outros e a incapacidade de aceitar a diferença. Há ainda, quem ache que se trata duma questão do bem comum, nomeadamente do bem económico. Mas por essa ordem de ideias, também a quantidade de café, de açúcar, de gorduras, de chocolate, de carne, etc. teria que ser regulada pois o seu excesso poderá ser negativo.
 
Ou o sono. Imaginemos que me passa pela cabeça que todos deveriam deitar-se às 22h30 e deveriam dormir 8 horas, pois um ritmo do sono estável e com uma tal duração seria mais saudável. E suponhamos ainda que eu teria o poder de sobre tal legislar. Devia produzir uma lei que a este comportamento obrigasse? Afinal de contas estaria supostamente a procurar o bem de todos, levando a uma vida mais saudável e menos onerosa para o serviço nacional de saúde. Imagino que muitos que concordam com a legislação do sal no pão não aceitariam esta incursão na vida privada. Mesmo quando o princípio é o mesmo.


Buzz this

Congelado

Este blog congelou durante o fim-de-semana. Tem mais sorte, mesmo assim, que os funcionários públicos que estão congelados há 3 anos.


Buzz this

No Público: Educação: os critérios da excelência, por Lídia Jorge

«Educação: os critérios da excelência
Lídia Jorge - 2009-01-09
1.Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.
 
2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.
 
3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?
 
4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.
 
5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula. Escritora »