Atendendo à prática de mandar o dinheiro para o estrangeiro, para offshores, "sabe-se" lá para quê, mas na certeza de que lá estaria melhor do que cá, pois de outra forma não se dariam ao trabalho, resulta obviamente que a solução para a nossa justiça é manda-la também para o estrangeiro. De preferência para os EUA onde a maior fraude financeira da história foi julgada em alguns meses. Imaginem só a brevidade que processos, cá intermináveis, não passariam a ter. Um Freeport? Semanas. Uma Casa Pia? Qualquer quinzena bastaria. Apitos dourados? Um intervalo para café e sentença feita. Operações Furacões? Resolvido no intervado da Casa Pia. Quais reformas do mapa judiciário qual carapuça. Portugal precisa é de um offshore para a justiça.
A governação vai numa nova fase. Agora inauguram-se coisas que não servem para absolutamente nada, como é o caso da rede de abastecimento de carros eléctricos. Acontece que estes não existem e nem virão a existir nos próximos 2 anos (segundo a versão oficial) nem nos próximos 4 anos (tempo de desenvolvimento de um novo veículo automóvel).
«Na sexta-feira, um dia após o Conselho de Ministros ter aprovado o calendário escolar, o Ministério da Educação reagiu à contestação dos sindicatos de professores, afirmando ter pedido um parecer sobre esse calendário às estruturas sindicais e que a Fenprof não tinha dado resposta.
Os sindicatos de professores defendem que o calendário escolar é obrigatoriamente matéria de negociação entre os sindicatos e o Ministério da Educação, mas o ministério não considera ter essa obrigatoriedade.» in Público
Embora assumindo que tal pedido não tinha sido feito, e que a informação tinha sido dada em resultado de um equívoco, Rui Nunes [assessor de imprensa do ME] recusa a acusação da Fenprof afirmando: "O gabinete de comunicação não mente".
Gostava de acreditar que ele tem razão. Mas logo agora quando ontem à noite publiquei a evolução do PIB português entre 1976 e 2009, num gráfico que me leva a dar pouca credibilidade a este faz de conta. E se não fosse suficiente para duvidar desta nova abordagem da teoria do oásis, publiquei também as sucessivas previsões do (de)crescimento da economia para 2009, destacando-se a previsão da OCDE que aponta para um recuo de 4.5% em 2009 para a nossa economia.
Assim, Teixeira dos Santos está apenas tomar os portugueses por tolos. Excepto, claro, se ele estivesse a referir-se à crise de governação que tem sido o seu governo. E esta sim, aproxima-se do fim.
Quem é que nos tem governado nas últimas décadas? E que performances económicas estiveram associadas? Que eventos aconteceram?
Baseando-me no gráfico publicado pelo expresso no passado sábado (evolução do PIB 1976-1999), acrescentei-lhe a dimensão política. O resultado é o gráfico supra.
Acrescenta ao anterior a previsão da OCDE. Segundo a RTP, «o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos mostrou-se preocupado, embora sublinhe que o crescimento negativo em Portugal é menor do que nos restantes países da Zona Euro, tal como a taxa de desemprego.» Olhando para as sucessivas previsões falhadas do BdP e do próprio governo, esta declaração vale palha.
No passado sábado 20 de Junho, o Expresso publicou um texto de opinião de Nicolau Santos do qual fazia parte este gráfico:
Fig.1: linhas TGV - mapa errado
Este gráfico tem erros óbvios, dos quais Barcelona aparecer duas vezes no mapa é o menor. Com efeito, apresenta como linhas de TGV algo que o não é, criando uma falsa imagem de estarmos fora de algo. Ontem, Nicolau Santos veio compor o erro, apresentando um gráfico que é «semelhante» ao anterior, apesar de nesse se confundir TGV com «ligações que serão feitas a velocidades muito diferentes»:
Fig.2: linhas TGV - mapa corrigido mas incompleto
Há uma semana, Nicolau Santos escrevia «olhe-se para o mapa acima [fig. 1]. Somos muito periféricos. Queremos ficar ainda mais? E quantos fundos comunitários vamos perder?» Ontem, a frase de fecho do artigo já era «Como é óbvio, a pergunta que fica é: não podemos integrar a rede sem construirmos imensas linhas de TGV, sobretudo se passarmos a ter todas as nossas linhas em bitola europeia?» Ao que parece o risco de ficarmos periféricos já pode ser ultrapassado «sem construirmos imensas linhas de TGV».
Como vemos na figura seguinte, o panorama europeu não é uma hegemonia de TGV:
Fig.3: panorama ferroviário na Europa
Bem pelo contrário, existe uma multiplicidade sistemas. Apesar da excitação que um brinquedo novo trás, parece-me que a atitude mais racional é aproveitar ao máximo todos os investimentos que já se fizeram. E não foram poucos.
Mas nestas movimentações todas, a parte mais preocupante é o ponto a que chegámos de não se poder confiar na informação que vem a público. Até onde vai a manipulação? Precisamos assim tanto do TGV? Se sim, como é que outros países bem melhor do que nós e igualmente "periféricos" (que raio de argumento!) se tem safado?
Vejam só as voltas que as coisas dão. No último debate quinzenal da AR, Paulo Rangel questionou o PM sobre o negócio PT/TVI. Sócrates barafustou, acusou de insinuações e disse que o governo não se mete em negócios privados. Enfim, umas afirmações algo tristes e falsas se tivermos em conta o que o governo está a fazer/tem feito na Qimonda, Pescoanova, BPN, Minas de Aljustrel, JP Sá Couto, etc. etc.
Mas eis que depois de das recentes afirmações do PM, do Ministro das Obras Públicas e do próprio presidente executivo da PT sobre o Estado nada saber sobre este negócio e que não tinha nada que entervir, eis que o anterio inexerável rumo dos acontecimentos dá um pinote.
«O Governo vai opor-se ao negócio de compra de uma participação da TVI pela PT para que "não haja a mínima suspeita" de que a operação "se destina e qualquer alteração da linha editorial" do canal, anunciou hoje o primeiro-ministro no Parlamento, em declarações aos jornalistas.», escreve o Público.
«"De qualquer forma, o Estado tem uma posição na PT. Comuniquei ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que os representantes do Estado não votarão a favor desse negócio. Como afirmou [quinta-feira] o presidente executivo da PT [Zeinal Bava] o negócio [entre a PT e a Media Capital] não está concluído. Esperamos que a PT possa satisfazer o seu interesse empresarial sem fazer esta compra, porque o Governo não quer que fique a mínima suspeita que há uma qualquer tentativa de alterar uma linha editorial de qualquer órgãos de comunicação social", reiterou o primeiro-ministro.», escreve o i
Como os políticos são exímios a dizer o contrário do que pensam, convido o leitor a reler estas duas citações à luz desta ideia.
No meio disto tudo, o mais fantástico é ainda a justificação apresentada para fazer uso da golden share. O governo não o faz para defeder o interesse do Estado mas sim para defender a imagem do governo. Se há imagem do governo a defender, esta pergunta tem que ser feita: tinham razão as vozes da oposição ao dizer que o governo procurava silenciar a TVI? É que, como algumas vozes socialistas têm dito noutras situações (sobre os chips das matrículas, por exemplo), quem não deve não teme. Isto, se quisermos aplicar a linha de argumentação a que noutras ocasiões recorreram.
Escreveu-se por aí sobre o relatório TALIS e eventuais ilações sobre o facilistmo dos exames.
Ora lá fui ver que relatório é esse. O TALIS é uma espécie de sondagem que mistura perguntas factuais com outras de opinião a um conjunto de professores. É composto por dois questionários (Teacher Questionnaire e Principal Questionnaire) e a própria OCDE define-o como sendo
«TALIS is the new OECD Teaching and Learning International Survey. It is the first international survey to focus on the learning environment and the working conditions of teachers in schools and it aims to fill important information gaps in the international comparisons of education systems. TALIS offers an opportunity for teachers and school principals to give their input into education analysis and policy development in some key policy areas. Cross-country analysis from TALIS will allow countries to identify other countries facing similar challenges and to learn from other policy approaches. The survey is currently being conducted in 24 countries across four continents, and other countries may join the survey at a later stage.»
Escapa-me assim a relevância deste estudo para a existência ou inexistência de facilitismo nos exames. Como facilmente se verifica pela leitura do sumário alargado para Portugal.
Já a leitura desse sumário alargado para Portugal é bastante mais interessante para se concluir sobre o que pensam os professores portugueses do seu sistema educativo:
Professional development of teachers
(...)
- Nearly 25% of teachers in Portugal paid all of the cost of the development they received, this is the highest percentage among TALIS countries (TALIS average= 8%) and only 25% (the lowest percentage among TALIS countries) received scheduled time allocation for undertaking the development (TALIS average= 63%) [Table 3.5].
- Unsatisfied demand for more development is above the average for Portugal: 76% teachers wanted more development than they received (TALIS average= 55%) [Table 3.3].
(...)
Não reparei que o trio educativo comentasse estes dados...
(...) Porque se candidata? Para se promover ou faz parte do acordo com a marca que o patrocina?
A Nestea só apoia o espectáculo dos Homens da Luta, não tem nada a ver com a candidaturaEste tipo de candidaturas - a minha, a do Mário Viegas e do Manuel João Vieira no passado - é que demonstra a vitalidade da democracia.
Porquê?
Vou-te dar um exemplo: convidaram-nos, há um mês, como Homens da Luta, para fazer um espectáculo na inauguração do Hotel Vila Galé, em Lagos. Estava lá o Sócrates e o Manuel Pinho. A meio do espectáculo, o primeiro-ministro fugiu e disse aos seguranças que não voltava a entrar enquanto nós não saíssemos. Isso dá-me gozo. A política dá-me gozo. E se eu sou popular porque não posso ir a votos?
Já não é a primeira vez que tem problemas com Sócrates...
É verdade. Numa manifestação da CGTP, estávamos a passar na Rua Bramcamp, onde mora o primeiro-ministro, e eu disse uns impropérios ao megafone. Um dia depois do programa, o gabinete do Sócrates ligou à SIC Radical para impedir a transmissão das repetições. Foi um incidente e o episódio acabou por ser retirado do ar.
Sente-se que tem um certo orgulho a falar disso, como se intimidar um político fosse uma espécie de vitória....
Completamente. É sinal que o meu trabalho de provocação está a surtir efeito.
Não acha que exagera?
Sim, reconheço que sim. E esse caso do Sócrates foi um deles. (...)
APDSI Fórum de Executivos na Sociedade da Informação Prof Dias de Figueiredo 24 de Setembro de 2008 Ordem dos Engenheiros
O professor Dias de Figueiredo, orador deste vídeo, é um comunicador nato. É uma lufada de ar fresco ouvir alguém competente dizer o que tem que ser dito. Os apressados podem saltar para o minuto 12. Mas vale bem a pena ouvir a palestra na totalidade. Mesmo que seja apenas para se ter uma perspectiva diferente da "verdade oficial".
«O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, esclareceu, em declarações ao PÚBLICO, que quando acusou os professores de “desumanidade” se baseou na informação que lhe tinha sido dada, e que verificou ser “falsa, de que num exame de Português do 9º ano tinha sido negada a uma criança com dislexia a meia hora suplementar a que, por lei, têm direito todos os alunos”.
“Mantenho o que disse à TSF: se isso se tivesse verificado, tratar-se-ia de um acto desumano e eu faria queixa à Inspecção-Geral de Educação. Mas, entretanto, já me garantiram que os pais da aluna reclamavam mais meia hora para além da meia hora suplementar, o que, de facto, de acordo com a lei, não lhe poderia ser concedido”, admitiu Albino Almeida.» in Público
Albino Almeida falou sem conhecimento dos factos e foi rápido a apontar o dedo. Da próxima vez que ele falar terei este facto em atenção. Quando percebeu que meteu o pé na poça, que fez ele? Pediu desculpa? Não! Procurou justificar o injustificável. Enfim, devee ser do cansaço de estar em todos os fóruns, entrevistas e por aí fora que meta educação. Continuo curioso sobre de que é que vive este homem, gastando tanto tempo como gasta em prol do ME.
Analisando os "Instrumentos de Gestão do GAVE", disponíveis no respectivo site e, em particular, o "Quadro de Avaliação e Responsabilização" concluímos que a existência de erros nos exames não consta dos critérios de avaliação. Encontramos metas como o número de provas produzidas, a elaboração de «um estudo sobre o PISA 2000/2003/2006», «organização de reuniões internacionais», e até existe uma meta de atingir os 3 milhões de visitas à «página do GAVE na Internet».
Uma meta que estabeleça um objectivo mensurável quanto ao número de erros em exames é que não existe.
É certo que existe um grupo titulado «Qualidade» onde se contabiliza, entre outros aspectos, a percentagem de «provas sujeitas a auditoria científica». Este grupo vale no entanto apenas 15% da avaliação e não mede a quantidade de erros encontrados nos exames (mede o número de provas submetidas à tal auditoria).
Já agora, uma nota curiosa. Faz o GAVE na sua página um orgulhoso destaque para as 400 mil visitas obtidas só no mês de Maio (imagem supra). Sabendo que este é um item em avaliação, compreende-se o entusiasmo. Acontece que os professores que corrijam exigem passaram a ter que obrigatoriamente aceder à página do GAVE para obter os critérios de correcção da prova e para descarregar a respectiva grelha de correcção. Assim é fácil atingir objectivos.
Fazia algum tempo que tinha o filme "Vicky Cristina Barcelona" na minha lista de desejos. Escapou-me a ida ao cinema mas hoje em dia isso já não tem grande importância. As edições em DVD saem pouco depois dos filmes, os conjuntos de cinema em casa são muito satisfatórios e além disso não tenho que aturar alguém a comer pipocas ao meu lado durante todo o filme. Assim, quando este filme saiu em DVD deixei passar algum tempo até que o preço baixasse um pouco e, na semana passada comprei-o. Custou 20 euros.
O que é que costumamos encontrar num DVD? O filme (obviamente), legendas em diversas línguas, opção de escolha por apresentação ou não das legendas, por vezes diferentes formatos de áudio e alguns extras tais como cenas cortadas, comentários do realizador, entrevistas, etc. As edições particularmente baratas (5 a 10 euros) costumam ser pobres na inclusão de conteúdos para além do filme, sendo frequente apenas a opção de mostrar ou não as legendas. Nas edições mais caras (18 a 23 euros) é frequente encontrar todo o adicional leque de conteúdos além do filme, sendo um bom incentivo à compra do filme e, com este valor acrescentado, contribuindo para menor opção pelo download ilegal.
Sendo um filme de Woody Allen não esperava que o DVD "Vicky Cristina Barcelona" incluísse extras. No entanto, este DVD apenas tem legendas em português, as quais nem sequer é possível esconder. Nem sequer as legendas em inglês estão presentes, apesar de habitualmente fazerem parte das edições internacionais. Acresce que, novamente, este DVD contém o maldito vídeo anti-pirataria, que é mostrado sem opção de escolha logo que se insere o DVD. Esta é para mim uma atitude de desrespeito pelo consumidor. Além de me tratarem como um criminoso impingindo-me um braiwash anti-pirataria num produto que comprei, a editora deste DVD, tal como a maioria delas têm feito (só para não dizer todas), lançou um produto de sofrível qualidade.
Tem havido muito desleixo no que respeita as edições portuguesas de DVD. Em particular nas séries da TV editadas em DVD, é a completa rebaldaria. Muitas delas distribuídas pela Prisvideo, são edições unicamente legendas em português nas quais nem sequer é possível não exibir as legendas e o som é verdadeiramente decepcionante. O preço, apesar disto, é consideravelmente superior ao que se encontra no restante mercado europeu. Quanto a filmes, as edições vendidas em Portugal vão do mau ao aceitável, onde os extras incluídos são, por regra, escassos.
Face a esta situação decidi não comprar mais DVD no mercado português. Não valorizo as legendas em português e considerando-as até um incómodo quando as não posso desligar. Contudo, quem as achar importantes saiba que boa parte das edições comercializadas nos grandes mercados europeus (Alemanha e UK, por exemplo) têm à disposição uma panóplia de escolhas de legendas. No caso concreto deste DVD, comprando-o na Amazon UK pagaria 15.43 euros em vez de 20 euros (IVA e entrega incluídos). Esta poupança é um bom incentivo para mim. Além disso ganho, por regra, melhores edições.
Excepto para a TAP, o lucro ou prejuízo que as transportadoras aéreas tiverem é delas. No TGV será dos contribuintes.
As infraestruturas darão retorno do seu investimento se vierem a ser largamente usadas. Por exemplo, o Eurotunnel é extremamente conveniente para quem o usar. Acontece que o seu uso é reduzido, acabando por ser um sorvedouro de impostos.
Pode pensar-se que provas elementares têm a vantagem de ajudar a perceber que as questões matemáticas não são intransponíveis. Mas estabelecer patamares demasiado baixos, em vez de incentivar a mais estudo e mais conhecimento, acaba por prejudicar todos — tanto os melhores, que se sentem desincentivados, como os menos treinados, que sentem menos necessidade de trabalhar para aumentar o seu domínio das matérias. Em suma, uma prova demasiado elementar como esta não serve o progresso do ensino. Pelo contrário, cria precedentes difíceis de contrariar.
Compare-se o mapa do TGV apresentando no artigo de Nicolau Santos no Expresso do passado sábado com o da Wikipédia. Um deles está substancialmente errado. Será o do jornalista que não se riu quando o seu entrevistado* falou da segunda derivada para "explicar" que o desemprego estava a diminuir ou será o da Wikipédia?
De acordo com a TSF, "uma fonte do Ministério da Justiça disse à TSF que vai continuar a ser necessária uma autorização judicial antes de serem feitas buscas a dados informáticos."
Bom, leis não é de todo a minha área profissional, apesar desta legislação entrar no que me diz respeito, a informática. Talvez por isso, a leitura da referida proposta de lei (ver a seguir) não foi complicada. Em todo o caso, posso afirma sem errar que a fonte do Ministério da Justiça não contou a história toda, como demonstrarei mais à frente.
Importa assim superar o actual regime, de modo a fornecer ao sistema processual penal normas que permitam a obtenção de dados de tráfego e a realização de intercepções de comunicações em investigações de crimes praticados no ambiente virtual. É o que se pretende fazer por via da lei que agora se propõe.
É alterado o conceito de «sistema informático», que passa a ser mais abrangente, incluindo-se nele, por exemplo, dispositivos como os telemóveis
A propósito da competência jurisdicional, a Convenção prevê uma inovação face ao que já resulta dos artigos 4.º e 5.º do Código Penal, traduzida na obrigação de os Estados signatários se declararem competentes para prosseguirem criminalmente, independentemente do local da prática dos factos, os seus cidadãos nacionais, se a infracção for punível no local onde foi cometida ou não for da competência de nenhum Estado. Apesar de esta solução não estar anteriormente consagrada na lei portuguesa, já se prevê, para certos crimes a competência universal da lei portuguesa.
No âmbito das disposições processuais (...) foi introduzido o mecanismo da injunção (...)
Foram ouvidos a Procuradoria-Geral da República, o Conselho Superior de Magistratura e a Comissão Nacional de Protecção de Dados. Foi promovida a audição da Ordem dos Advogados. Deve ser desencadeada a audição do Conselho Superior do Ministério Público.
O sumo da lei proposta está no Capítulo III. Em particular, o artigo 17, número 3, alínea a) diz:
3 - O órgão de polícia criminal pode proceder à pesquisa, sem prévia autorização da autoridade judiciária, quando: a) A mesma for voluntariamente consentida por quem tiver a disponibilidade ou controlo desses dados, desde que o consentimento prestado fique, por qualquer forma, documentado;
O que significa isto? Imaginemos esta situação:
a polícia pede à PT que esta lhe ceda os dados de tráfego, ao abrigo da lei xxx, artigo 17, número 3, alínea a)
os dados a fornecer pela PT permitirão à polícia a identificação de alguém bem como detalhes de tráfego (conteúdo de mensagens, datas, horas, origem, destino, etc.)
a PT concorda colaborar voluntariamente e dá os dados
Neste contexto, sendo a PT quem tem a disponibilidade e controlo destes dados, pode consentir a sua consulta. Está tudo legal. A parte aborrecida nisto é que o cidadão zzz verá a sua privacidade violada sem que um juiz autorize a acção policial.
O artigo 21º aborda, entre outros aspectos, a protecção dos direitos de autor:
Artigo 21.º Acções encobertas 1 - É admissível o recurso às acções encobertas previstas na Lei n.º 101/2001, de 25 de Agosto, nos termos aí previstos, no decurso de inquérito relativo aos seguintes crimes: a) Os previstos na presente lei; b) Os cometidos por meio de um sistema informático, quando lhes corresponda, em abstracto, pena de prisão de máximo superior a cinco anos ou, ainda que a pena seja inferior, e sendo dolosos, os crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual nos casos em que os ofendidos sejam menores ou incapazes, os crimes previstos nos artigos 218.º, 221.º e 240.º do Código Penal, bem como os crimes consagrados no Título IV do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos. 2 - Sendo necessário o recurso a meios e dispositivos informáticos observam-se, naquilo que for aplicável, as regras previstas para a intercepção de comunicações.
Ligando este artigo com o anterior cenário da PT colaborar voluntariamente com a polícia para fornecer dados de tráfego, está criado o mecanismo que permitirá uma forma expedita de controlar os downloads de música e vídeo, sem necessidade de intervenção dos tribunais.
Nos últimos meses tem havido uma intensa actividade de lobby por parte da industria do audiovisual. Basta ver a quantidade de artigos que tem saído no DN e no Público e nas movimentações no Parlamento Europeu que quase levaram à aprovação do polémico pacote de telecomunicações. Faz-me pensar sobre as verdadeiras motivações desta lei aparecer neste momento concreto. Servirá ela para defender os interesses dos cidadãos ou da industria do audiovisual?
Polícia vai espiar internet dos criminosos sem mandado Para combater o crime informático, o Governo vai brevemente aprovar um proposta de lei que prevê a possibilidade das polícias interceptarem, sem prévia autorização de juiz, os dados de tráfego e os conteúdos de comunicação inseridos em sistemas informáticos sob suspeita criminal. Os operadores vão ficar obrigados a colaborar com as autoridades
"Sem prévia autorização de juiz"? O Governo de Portugal prepara-se para iniciar um violento ataque à liberdade individual.
O projecto já está terminado e abre portas para que todas as polícias possam colocar sob "escuta" qualquer sistema informático, desde que sobre eles caiam suspeitas da prática de crimes. Os investigadores vão poder interceptar e registar os dados de tráfego, incluindo o conteúdo das comunicações. E poderão fazê-lo sem prévia autorização de um juiz, dando conhecimento só a posteriori.
Portanto, basta uma suspeita para iniciar uma busca. As suspeitas podem ser fundadas ou não. Se são fundadas, porque não passam pelo crivo de um juiz? Se são infundadas, qual o fundamento para a devassa da privacidade?
Se esta lei for aprovada, um DVD onde é afirmado que o primeiro ministro é corrupto não pode ser usado em tribunal por ter sido obtido de forma ilícita. Mas indícios recolhidos pelos mesmos métodos, só que num sistema informático, passam a poder ser usados.
Porque é que o Estado opta por passar a não recorrer ao sistema judicial na investigação criminal? É o sintoma assumido do desmoronamento da justiça? Ficamos todos menos livres e mais pobres.
Impressionante. Quando pensamos que já vimos tudo, acabamos logo de seguida atropelados pela realidade. Por outro lado, quanto mais nos afastamos do ano de 1984, mais 1984 se aproxima.
Os professores têm reagido violentamente quanto ao ECD e quanto a esta forma de avaliação.
Por outro lado, na criação do cargo de Director, mudança que conduziu à completa politização do sistema educativo pela nomeação política no elo que até agora estava livre, houve resistência mas de dimensão substancialmente mais reduzida.
Entendo esta dicotomia como consequência da diferente motivação para a defesa do interesse pessoal versus defesa do interesse público. As pessoas terão maior vocação para lutar pelo que ou contra o que as afecte directamente mas deixar-se-ão levar pela inércia quando algo mais abstracto está em causa. Mesmo quando o impacto possa vir a ser substancial, como é plausível acontecer quando o braço político parte do ministério, passa por direcções regionais e afins até chegar agora às escolas. (Sim, eu sei que se chega a Director por concurso mas o lugar só é preenchido depois de aprovação superior; além disso há outras nuances no que respeita a influência política no cargo de Director, como por exemplo a exoneração do mesmo.)
Nesta causa, como em outras, o interesse público sendo de todos, é de ninguém. Daí a sua baixa defesa e os inúmeros atendados a que está sujeito. Até que, frequentemente, o interesse público é um empecilho ao interesse privado. Face a esta constatação, pode-se concluir que menos Estado, isto é, menos interesse público, significa menos área defendida por ninguém.
Chegados aqui, para onde iremos agora que a Escola é uma entidade politizada em todos os seus patamares? É o objectivo da Educação a formação dos cidadãos ou o controlo político da aprendizagem?
A Ministra da Educação, Valter de Lemos e Jorge Pedreira afirmaram recentemente em momentos e palcos diferentes que não é o Ministério que produz nem corrige os exames, que esta tarefa é feita por professores e que afirmar que o Ministério estaria a produzir exames mais fáceis em ano eleitoral seria um insulto aos professores.
Já anteriormente frisei que a realidade é um pouco mais complexa. Resumindo, é uma estrutura do Ministério, o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) que tem a responsabilidade de produzir as provas e os critérios de correcção (estes últimos determinam que respostas podem ser consideradas certas e erradas). Portanto, os exames têm um responsável político: o GAVE e, por inerência, o ME e a própria ministra.
É certo que há professores a produzir as provas e os critérios de correcção mas não são "os professores", a classe como um todo, a que se referia a ministra. São "alguns" professores, nomeados pelo ME para o fazer.
Excepto se alguém do GAVE tiver a bondade de relatar em que ambiente produzem o material para os exames, só se poderá olhar para a estrutura orgânica do GAVE e tentar perceber até que ponto esta é uma estrutura autónoma como frisou Maria de Lurdes Rodrgues. As imagens seguites, extractos do site do ME e de páginas do Diário da República, procuram esclarecer este ponto.
Fig. 1: A missão do GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional)
Fig. 2: Provas e critérios de correcção - competências do GAVE
Fig. 3: director do GAVE: cargo de nomeação política
Fig. 4: A ligação política - antes de ser director do GAVE, Carlos Ferreira já era assessor no ME
Fig. 5: Estrutura e competências do GAVE
Fig. 6: Flash back - o GAVE já vem de trás e produzir os exames e os respectivos critérios de correcção não é novidade
Fig. 7: O Júri Nacional de Exames: competências e cargos de nomeação
Do exposto resulta que o GAVE, bem como o Júri Nacional de Exames, é uma estrutura funcionalmente dependente do ME, repleta de cargos de nomeação política. E em que consiste exactamente a nomeação política se não na escolha de pessoas que concordem com as decisões dos seus superiores?
Desta breve incursão nos meandros do Ministério da Educação não é possível concluir que o ministério tenha ordenado que se fizessem provas mais fáceis mas face à estrutura orgânica do GAVE também não podemos concluir que isso está fora de questão.
Os miúdos garantem que as provas foram fáceis. Coincidência ou acto deliberado? Cabe-lhe a si a conclusão.
Adenda 21.06.2009 - Gralhas corrigidas por amável sugestão de ACS, que também enviou este comentário:
Talvez fosse de frisar que os professores não têm autonomia ao corrigir os exames, seguem critérios de correcção estritos quer a nível do conteúdo quer a nível formal. Portanto, é duma profunda desonestidade dizer que os professores são responsáveis pela elaboração ou pela correcção.
- Um comentário pertinente sobre este assunto, por MJP.
Algumas notas adicionais - Pretendi foi desmontar a tese “os exames são feitos e corrigidos pelos professores”. Demonstro que os exames são feitos pelo Ministério da Educação e são corrigidos de acordo com os critérios definidos pelo Ministério da Educação. Isto é, os exames têm um responsável político, para o bem e para o mal.
- Convencem-se os alunos a estudar não lhes dando segundas oportunidades gratuitas. A percepção “se falhar desta posso fazer depois”, implícita no conceito das aulas de recuperação e no programa Novas Oportunidades, leva ao laxismo.
- Convencem-se os alunos a estudar aumentando a exigência. Basta uma reportagem à saída de um exame com miúdos a dizerem “o exame fui bués da fácil” para passar a mensagem “não estudes”.
- Obviamente que não defendo que os exames não sejam feitos pelo GAVE nem defendo a inexistência de critérios de correcção. Pretendo, isso sim, que haja responsabilidade e responsabilização de quem é titular da responsabilidade: o GAVE. Dizer que os exames são feitos e corrigidos pelos professores é fugir com o rabo à seringa. O louros e as críticas que houver a distribuir devem ter um destinatário claro (o GAVE) e não uma entidade difusa (”os professores”).
O sistema de avaliação dos professores que começou por ser errado e se transformou em manta de retalhos e errado na mesma, apesar dos remendos e dos alinhavos parece que está para ficar mais um ano. Afinal os professorzecos também votam e perder os professores mas ganhar o país é uma chatice em ano eleitoral. Bem podem os iluminados do PS dizer que não vão mudar o rumo só porque perderam as eleições. Os actos falam por si. Sócrates, tal como os que o antecederam, também treme perante um resultado negativo.
Obama demonstrou o seu mortal instinto. Não, não me refiro ao facto de ele ter morto uma mosca durante uma entrevista mas ao facto de ele o fazer, dizer "I've got the sucker" e logo a seguir desdramatizar dizendo "Do you wanna film that? There it is". O que seria certamente noticiado metaforicamente como instinto fatal acabou por ser reduzido a um fait divers.
Ainda sobre moscas mortas e entrevistas coisinhas, JCD lançou o mote:
Diferença entre Obama e o Novo Sócrates Obama dá uma entrevista e deixa uma mosca morta. Sócrates dá uma entrevista a uma mosca morta.
Adenda 19-06-2009 Entretanto, pelo i fiquei a saber que há temas que atraem as moscas:
«Quem não gostou da atitude foi a PETA, uma das mais conhecidas associações de defesa dos direitos dos animais, que não perdeu tempo e anunciou que iria oferecer ao presidente maricano...um mata-moscas. "Matar uma mosca na televisão mostra que não é perfeito. Oxalá não o tivesse feito", disse o porta-voz da associação, Bruce Friedrich.»
Imagem construída com os PDF disponibilizados pelo Público
O Ministério da Educação resolveu corrigir um erro menor numa prova de exame, publicando no site do ministério a versão corrigida em lugar da versão dada aos alunos. Eu cá acho que este acto marca o início de uma bela atitude e espero ver outros erros corrigidos já a seguir.Só para citar alguns: o Estatuto da Carreira Docente, o Estatuto do Aluno, a forma burocrática e inútil de avaliar os professores, o excesso de disciplinas por ano e a nivelação da exigência por baixo.
Depois do animal feroz (2005) e do homem que faz história (2007/2008), a nova palavrimagem de Sócrates é humildade (2009). Que adjectivação lhe reservará 2010? Desmascarado?
Quatro anos a mostrar os dentes que agora se escondem por um sorriso forçado. Muita satisfação ouvida por uma tal Ana Lourenço. (Quem?) O grande erro do governo foi pouco investimento na cultura, diz Sócrates como se ter prometido uma coisa no programa eleitoral de 2005 e ter feito outro nos anos que se seguiram nada contasse.
Exigiram muito aos professores? Com efeito exigiram muito dos seus salários e da sua paciência. Foi pena que não tivessem exigido muito à educação!
Não precisar de se preocupar mais com as contas do estado? A mentira não tem limites. A estrutura da despesa pública não mudou e o défice só não vai além dos 6% (!) graças a receitas extraordinárias.
Quem acredita num fingido que mostra uma cara em campanha eleitoral e outra como governante?
Hoje concretiza-se o golpe de maketing do CDS. A moção de censura ao governo é uma perfeita inutilidade e não é garantido que dê votos ao CDS. Mas o certo é que rouba o protagonismo que o PSD teria no primeiro debate parlamentar pós-derrota do PS, força o PSD a clarificar águas quanto a coligações e impede que Sócrates venha mostrar carinha de cordeiro manso, como decidiram passar a apresentar-se depois da reunião do PS na passada segunda-feira. Por outro lado, Portas acabará por fazer um enorme favor à causa da maioria absoluta que o PS deseja. Daqui a algumas horas poderemos comprovar se Sócrates não avançará com a tese "vejam só o que vos espera sem um governo estável". Adivinha-se dramatismo qb e veremos se o CDS não acabou por criar a principal linha de argumentação para o PS pedir maioria absoluta.
Vamos lá ver. O grande argumento para que se faça o TGV é qual?
1. Passageiros? Actualmente o avião escoa suficientemente o fluxo de passageiros a nível ibérico e europeu. Ora, vai alguém deixar de andar de avião para andar de comboio? E fá-lo-ão em número tão significativo que justifique empenhar as próximas 2 ou 3 gerações? É preciso não esquecer que o TGV não vai criar passageiros do nada. Eles virão daqueles que actualmente usam as infraestruturas que já construímos e que nos custaram dinheiro. Logo o que faz sentido é rentabilizar ao máximo o que se tem. Além disso, o TGV nem vai ser competitivo a nível dos preços! Falaram por aí em cento e poucos euros para Lx-Madrid mas note-se que isto seria em tarifa promocional, o que tem que ser comparado com as actuais low cost aéreas e concluir que estas também fazem este mesmo preço promocional.
2. As mercadorias? Ora actualmente vêm de comboio e de TIR. De TGV passariam a gastar menos 3 horas para vir de Madrid. Ora o que se degradar em 6 horas também se degradará em 3 horas. Logo não será pelo lado da logística que se ganha vantagem. De resto, é indiferente se uma caixa de sabonetes demorar mais 3 horas ou não a cá chegar. Acresce ainda que o transporte rodoviário, tendo uma rede de distribuição muito mais fina, há-de ter vantagem na distribuição. E é preciso não esquecer que o TGV não vai a Alguidares de Baixo. Será preciso transporte rodoviário na mesma.
3. Lisboa-Porto? Francamente, este é o exemplo acabado da ausência de planeamento e do desapego com que se gastam impostos. Qualquer governante que tivesse vergonha na cara nem colocaria esta hipótese depois do dinheiro que se tem gasto na modernização da linha do norte. Ainda para mais quando se anuncia um ganho de apenas 20 minutos na viagem Lisboa-Porto. Acabem-se lá as eternas obras de modernização da linha do norte e lembrem-se que há outras linhas de comboio e não se fala mais nisso.
4. Viajar para a Europa? Alguém irá de TGV para Londres? Ou Paris? Ou Berlim. O único interesse do TGV para nós seria a ligação com Espanha e é neste contexto que que a decisão tem que ser tomada. A ligação europeia é aérea.
Fazer o TGV é como partir o mealheiro e gastar o dinheirito para comprar um cofre.
Vitor Constâncio, o homem que descobriu o défice, foi incapaz de ver que a banca andava a fazer falcatrua. Os jornais, por acaso já falavam do BPN há tempos pelo que é possível que Constâncio não leia jornais. Deve ser uma "cena Banco de Portugal". O que agora é Presidente da República, quando era Primeiro Ministro também não lia jornais. E todos sabemos de onde veio: do BdP.
Acabo de ouvir na TSF Valter de Lemos dizer que é uma acusação falsa dizer que o governo, em ano eleitoral, poderá fazer os exames mais fáceis. Diz ele que "são os professores que fazem e corrigem os exames" pelo tal afirmação é um insulto para os professores. Acontece que não importa quem elabora as questões dos exames tal como não importa que Maria de Lurdes Rodrigues tenha sido professora. Os exames são feitos por um organismo sob tutela do ME (o GAVE) e se lá há professores a fazer a prova, nunca serão "os professores", designação genérica que se refere à classe na totalidade, como convenientemente pretende Valter de Lemos fazer passar. De outra forma, por a Ministra da Educação ter sido professora também seria legitimo concluir que foram "os professores" quem refez todo o sistema burocrático da educação.
A anterior mentira de Valter de Lemos tem duas compontenentes. A primeira, já focada, é que não são "os professores" quem faz os exames mas sim o GAVE, organismo tutelado pelo ME. O facto de no GAVE trabalharem professores é irrelevante, tal como o é o facto de haver advogados entre os deputados, de haver médicos no ministério da saúde e até de o primeiro ministro ser engenheiro. De outra forma, as leis seriam feitas por advogados, as políticas de saúde pelos médicos e a construção civil seria feita por Sócrates. A segunda mentira é que são os professores quem corrige os exames. É uma meia mentira - ou meia verdade se quiserem, pois o GAVE elabora uma detalhada grelha com critérios de correcção e são estes que determinam o que é aceite como resposta certa. Independetemente do grau de facilidade do exame, os critérios de correcção serão determinantes nas notas obtidas. Os professores - e aqui são "os professores" como classe - corrigem as provas de exame com base nos critérios de correcção, como se estivessem a seguir um guião escrito pelo GAVE.
O TGV anda em alta. Se o caso Freeport serviu para alguma coisa foi para precisamente para parar uma adjudicação em cima das eleições. O que ainda poderá acontecer mas desde logo terá o custo político da comparação com o Freeport. O PSD já bate palmas perante a perspectiva da obra ser adjudicada no seu mandato e o PS deve estar preocupado por esta boa hipótese de financiamento partidário lhe estar a fugir... dos carris. Entretanto há esperança. Pode ser que para variar tenhamos sorte e que este elefante branco não avance. Passa pela cabeça de alguém fazer uma segunda linha do norte, gastando uma pipa de dinheiro para ganhar 20 minutos de viagem? E faz sentido uma linha Lisboa-Madrid quando as transportadoras aéreas low cost fazem o mesmo preço de uma viagem de TGV? Já para as mercadorias, então nem se fala: o que importa chegarem cá em 3 horas em vez de demorarem 6 horas?
O PS reuniu as tropas para... bom para que os seus soldados deixem de disparar contra a população. Agora vão andar com flores de oliveira nas espingardas e a fazer de conta que não são os mesmos que por aí andaram durante quatro anos.
Ouvimos com frequência generalizações tais como «os portugueses são comodistas», «precisamos de empreendedores» e «estamos sempre à espera que o estado nos resolva os problemas». As soluções que têm sido apresentadas para este diagnóstico têm incidido, ironicamente, em incentivos estatais, programas estatais e acções de marketing promovidas pelo estado. Isto é, tem-se procurado aumentar a autonomia face ao estado com mais presença do estado.
Mas, dirá o leitor, há outro caminho? Claro, basta atender ao antigo provérbio «Ensina-os a pescar em vez de lhes dar o peixe». Parece ser exactamente isto que Ângela Pereira está a fazer no âmbito da sua tese de doutoramento:
No âmbito do meu trabalho de doutoramento, 42 crianças do 3º ano do ensino básico, desenvolveram durante o 3º período o projecto intitulado "Empreendedorismo no Ensino Básico" que consistiu na criação de negócios dentro do mundo virtual Active Worlds Education. No decurso deste projecto, as crianças desenvolveram várias actividades para a criação de um negócio que vão desde a ideia do negócio até à venda dos produtos por eles efectuados.
Venho assim, por este meio, solicitar-vos que entrem no mundo virtual Active Worlds EDUcation a fim de visitarem os 16 negócios criados pelas crianças e encomendarem, se quiserem, alguns dos produtos disponibilizados por cada negócio.
Pereira, Ângela; Morgado, Leonel; Martins, Paulo; Fonseca, Benjamim (2007). The Use of Three-Dimensional Collaborative Virtual Environments in Entrepreneurship Education for Children. In Isaías, Pedro; Nunes, Miguel; Barroso, João (eds.), Proceedings of the IADIS International Conference WWW/Internet 2007, Volume II, Vila Real, Portugal, October 5-8, 2007, ISBN 978-972-8924-44-7, pp. 319-322, Lisbon, Portugal: IADIS Press.
Ano eleitoral vai custar 116 milhões Uma análise comparativa entre a anterior e a actual Lei do Financiamento dos Partidos e das campanhas eleitorais mostra um crescimento exponencial das subvenções públicas após a entrada em vigor da legislação de 2003. Este ano, entre os custos associados às três eleições agendadas e a subvenção aos partidos, o Estado vai custear 116, 5 milhões de euros.
Este vídeo execrável, patrocinado pelo Ministério da Cultura, tem aparecido em vários DVD que comprei, sendo das primeiras coisas mostradas ao inserir o disco no leitor, sem se ter hipótese de o saltar nem de avançar em fast forward.
Além disso, cada vez que um disco é inserido somos forçados a olhar para um texto sobre os direitos de autor antes do visionamento do produto comprado. Felizmente, não é possível aos editores de DVD controlar se o lemos, caso contrário aposto que o fariam.
Ora eu ao comprar um DVD sinto-me insultado pelo respectivo editor e, também, pelo Ministério da Cultura, por patrocinar propaganda como esta. É como se eu, que paguei o produto, fosse culpado pela existência da pirataria. Colocam-me no mesmo patamar dum violador da legalidade.
No contexto dum supermercado, por exemplo, esta atitude seria o equivalente a passar gravações tipo "roubar é crime" em vez de música misturada com o habitual brainwashing "aproveite a nossa promoção". Seria chamar ladrão a todos os clientes por um ou outro meter um chocolate ao bolso.
De cada vez que assim sou tratado sinto vontade de piratear o DVD para remover essas ameaças, podendo desfrutar tranquilamente do bem que adquiri. O ridículo da situação é que quem produzir cópias piratas pode, com a maior das facilidades, remover esta palhaçada antes de fazer o seu master para duplicação. Resulta então que estas medidas parvas não servem para mais do que insultar aqueles que, como eu, compram DVD.
Vem esta dissertação sobre mais uma pseudo-notícia trazida a público pela Federação de Editores de Videogramas, por intermédio do Diário de Notícias.
Estima-se que a contrafacção de filmes em DVD renda, em média, 800% de lucro, e roube mais de 20 milhões de euros por ano às editoras.
[...]falamos de um fenómeno que ninguém sabe avaliar com rigor. O meio milhão de DVD apreendidos são parte de um universo de contrafacção de contornos pouco exactos: "Mas é seguro afirmar que a pirataria movimenta por ano o equivalente a 20% das cópias originais lançadas no mercado." Contas feitas, mais de três milhões de discos piratas.
A mim parece-me que 20 milhões de euros é um número bem concreto para quem não sabe avaliar o fenómeno com rigor!
Da leitura deste texto, notam-se algumas tendências:
Tenta-se comparar o negócio da contrafacção ao tráfego de droga. Salta à vista que isto é tão comparável como o é a comparação da venda de camisolas «Lacoste» com o dopping no desporto;
Esta malta das editoras têm mais serviços policiais à sua disposição do que nós, simples "bestas" pagadoras de impostos;
Afirma-se que este suposto crime de pirataria surge «cada vez mais associado ao financiamento de redes criminosas», numa atitude pouco honesta, já que isto é feito sem nenhuma referência válida.
Se estas palavras lhe dizem alguma coisa e se achar que vale a pena, deixo-lhe umas imagens que pode usar como entender.
Adenda 28-04-2009 Ontem na TSF, hoje no Público, o assunto volta a ser tema.
No Forum TSF de ontem até ouvi um representante de uma qualquer associação de clubes de vídeo (!) afirmar que, desde 2004, têm caído os alugueres de vídeos nos videoclubes devido à internet flatrate. Que delírio. Em 2004 havia ligação em modem e descarregar uma foto demorava uma eternidade. Então e o preço dos DVD ter baixado drasticamente? Não terá sido por aí que o mercado de aluguer desapareceu? Isto sem contar com os preços altos (recordo-me de pagar 2.5€ pelo aluguer diário de uma "estreia"), pouca renovação de stocks, video on-demand, etc. Mas claro, fica bem dizer que é tudo pirataria.
Adenda 11-06-2009 Curiosamente, no Público saiu mais um artigo sobre a temática da pirataria.
Adenda 13-06-2009 A notícia do passado dia 11 tem agora destaque na galeria de topo do site do Público.
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Neste tutorial você vai aprender como colocar bordas na mensagem que aparece antes do formulário de comentários. Como deixar a área do formulário de comentários mais larga, igual a largura da coluna das postagens, e como otimizar o cabeçalho da área de comentários. (...)
Parece que as explicações do 12º ano estão lotadas com inscrições de última hora.
Explicações lotadas com inscrições de última hora A primeira fase começa na terça-feira, mas durante esta semana os centros de explicações ainda aceitaram inscrições de alunos desesperados. Estudo de última hora não é recomendado por professores nem por explicadores que não garantem sucesso. Mas os jovens tentam tudo para não falhar nas provas. Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.
A poucos dias do início dos exames do 12.º ano, a maioria dos centros de explicações estão lotados devido às inscrições de última hora. Os alunos que vão concorrer ao Ensino Superior procuram cada vez mais o apoio de explicadores e ainda chegam inscrições. "Continuam a aparecer alunos", reconhece Sara Amado, directora do Nota 20, em Lisboa.
Há por aí até quem diga que a culpa é uma consequência da má qualidade do ensino. Ocorre-me que os alunos não estudarem é capaz de explicar o problema mais objectivamente do que acusações genéricas. Mas por outro lado, tenho que reconhecer que a falta de qualidade no ensino terá as suas consequências. Se não vejamos:
Aluno não estuda -> planos de apoio -> depois falta às aulas -> prova de recuperação -> depois chega ao fim do ano e lembra-se que há exames -> explicações -> eventualmente chumba -> não faz mal, faz o 12º ano num instantâneo das Novas Oportunidades.
Estes miúdos crescem convencidos que há sempre uma segunda oportunidade. E, de facto, enquanto andarem na escola assim parece. Até que chega a hora de ganhar uns tostões e aí a porca torce o rabo. Ou não, afinal sempre há o rendimento mínimo garantido (assim o baptizou Guterres!) e mais umas benesses do estado papá.
Por fim, também o inevitável sr. Almeida, Pai do País, lá emitiu o julgamento MEzinho-correcto:
Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) também aponta o dedo ao sistema de ensino. "A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente". Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica.
Como, importa-se de repetir? Procurassem os pais saber o que fazem os filhos durante 12 anos de escola e certamente que não precisariam de pagar explicações!
Tudo muito fraquinho Para interpretar os resultados eleitorais sem ter de sair do bar, basta olhar para as garrafas à sua frente e aplicar a tabela dos bêbados. É só converter as percentagens dos partidos em graduações alcoólicas. Só com 40 graus é que há motivo para festa, entrando-se no estonteante mundo dos destilados. 43 ainda é mais excitante, alcançando os whiskies mais sérios e os gins mais puxadotes. Como se vê, também são estes os números das vitórias retumbantes e das maiorias absolutas. Entre 35 e 37,5 encontram-se as mais pindéricas vodkas e os mais rascas gins e runs, diluídos com mão pesada, porque a água é mais barata e mais saborosa do que o álcool. Mas, pronto, ainda se podem aproveitar para coquetéis manhosos, disfarçando o gosto com sumos de frutas. Pois o PSD nem isso teve. Teve 32 graus. Esqueçam as bebidas de adultos. Quando muito, é um licor de peppermint ou uma daquelas vodkas horríveis com sabor a fruta, concebidas para ajudar os adolescentes a fazer a transição dos rebuçados para o álcool. Quanto ao PS, teve 27 graus - é um pobre Pimm's, sem contar com a gasosa. Na melhor das hipóteses, é uma ginjinha caseira. Já o BE passou de mera cerveja a vinho de mesa, com uns belos 11 graus. A CDU foi sempre vinho mas lá subiu de grau. E o CDS, que se dizia destinado a cerveja light, acabou como vinho verde de pipa, com 8,5 graus. Enfim. Foram só aperitivos, licores e vinhos leves. Nada de whiskies ou aguardentes depois desta refeição mal regada.
Não há volta a dar-lhe. As eleições europeias foram mais uma vez disputadas num registo nacional, como julgamento político do Governo em funções. Como partido do Governo, o PS perdeu e as oposições ganharam. Não é provável que as posições dos partidos quanto à Europa e às políticas europeias tenham influenciado a decisão de voto de muitos eleitores. Estas foram eleições europeias com a Europa ausente. Não que não tivesse havido por parte de algumas candidaturas - incluindo, à cabeça, a do PS - um esforço honesto de colocar na agenda da campanha eleitoral a crescente importância da UE, o relevo destas eleições europeias em especial (desde logo, por causa dos poderes acrescidos que o Tratado de Lisboa confere ao Parlamento Europeu), bem como ideias e propostas para as principais políticas europeias, desde a política económica à política de defesa. De nada valeu, porém. Desses esforços só algum eco chegava aos eleitores, e quase sempre de forma distorcida (como sucedeu com a questão do chamado "imposto europeu"), por efeito da filtragem de uma comunicação social mais interessada sobretudo nos assuntos domésticos ou na especulação política do que nos temas europeus.
Mas em que mundo viste este homem? Então andou durante uma semana a bramar por causa da agressão do 1º de Maio e outra semana a falar da roubalheira do BPN. Quer fazer-nos crer que não sabia que eram estes os assuntos que a comunicação social focaria? Quer tomar-nos por ingénuos procurando convencer-nos que não escolheu premeditadamente estes temas para que fossem sublinhados pela comunicação social? É por hipocrisias destas que eu gradualmente vejo a minha crença nos políticos diluir-se com o passar dos anos. É possível que o mesmo se passe com aqueles que optam por não ir votar, mostrando a sua indiferença por esses que "são todos iguais".
Esta infografia está no site do DN e é da autoria da Lusa. Diz que PSD ganhou as eleições com uma "ligeira vantagem". Sendo isto um conteúdo informativo, porque optou a Lusa por uma terminologia subjectiva ("ligeira vantagem") em vez de o fazer objectivamente? Poderia dizer que o PSD ganhou com uma vantagem de 5.1%. Não o fez, pelo tenho que fazer uma leitura igualmente subjectiva: a Lusa está a fazer um jeito ao PS. É uma conclusão tendendiosa? Pois. Uma agencia noticiosa ignorar a objectividade também o é. Já agora: o DN também podia ter optado por não publicar este conteúdo. Deu-lhe crédito publicando-o. Logo, "herda" o presente reparo.
Do livro "The Calvin & Hobes Tenth Anniversary Book", por Bill Watterson. Para quem goste banda desenhada e de Calvin&Hobes em particular, este livro é um must. Apresenta as personagens, explica a dinâmica das histórias e entra por assuntos mais pragmáticos como as questões de licenciamento.
Capas (e sondagens, quando existentes) de alguns jornais de sexta-feira, 5 de Junho de 2009, véspera do dia de reflexão (!!!), antevéspera do dia de eleições europeias 2009.
Possivelmente, ganhará a abstenção. Ah e tal, os portugueses não têm sentido cívico e coisa e tal e preferem ir de férias e o melhor é o voto obrigatório.
Primeiro: durante quatro anos não se fala do que se faz no parlamento europeu e nem a campanha eleitoral alterou este cenário.
Segundo: voto obrigatório para quê? Para os políticos não serem incomodados com chavões tipo "vocês estão numa redoma de cristal" e "os eleitores não vos têm consideração"?
Domingo todos vão cantar vitória. Até os eleitores para quem um terço do assédio está passado. Vai ser giro voltar a este post e comparar as capas dos jornais de hoje com os resultados das eleições.