A última missa

Último programa "As Escolhas de Marcelo" na RTP.
As escolhas de nomeação política nunca são acidentais e, obviamente, pesa mais o critério político do que a competência técnica (ver notícia do SOL em baixo) . Não significa, claro, que a segunda não seja adequada.
Vem isto a propósito do PGR escolhido em 2006 e da actual conjuntura política. Por exemplo, estaria outro PGR tão seguro da inexistência de crime nas escutas do Face Oculta como esteve Pinto Monteiro, ao ponto de decidir nem investigar? Ou colocando a questão de outra forma, o PGR agiu de acordo com a sua competência técnica ou de acordo com o seu papel político?
Caso Portucale
Xeque ao PGR
29 SET 07O SOL publica as escutas do caso Portucale, que revelam como Sócrates propôs a demissão do PGR
Mal tomou posse, em Março de 2005, o primeiro-ministro José Sócrates formalizou ao então Presidente da República, Jorge Sampaio, a proposta de demissão de Souto de Moura e a sua substituição por Rui Pereira.
J. Sócrates certamente que terá visto ou lido, ou então é um génio da manipulação (as duas coisas, parece-me). Já Elza Pais é que, surpreendentemente, não me parece conhecedora do Ministério do Amor, o que lhe valeu meter o pé na poça. Quanto a isto do 1984, dá para umas cenas giras - já me serviu para escrever umas tantas parvoíces - mas o facto é que Orwell errou na ideia de uma sociedade tele-vigiada contra a sua vontade. As pessoas facebookam-se, Buzzam-se, Hi5vam-se, Twittam-se, blogam-se expõem-se de livre vontade, ignorando todos os que - mais velhos por norma - lhes dizem que demasiada exposição queima, como na fotografia. O que também se aplica à política. Elza Pais ao oferecer a sua imagem para uma iniciativa cor-de-rosa revelou-se com cor a mais.
O decreto-lei do ajuste directo estipula algumas restrições (poucas) aos ajustes directos, como por exemplo estas:
Os valores referidos no artigo 5º são estes:
Conjugando estes dois diplomas, obtém-se:
| Tipo de contrato | Valor máximo |
| 1. modernização do parque escolar ou melhoria da eficiência energética de edifícios públicos | € 5 150 000 |
| 2. locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços, incluindo os contratos referidos nas alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 20.º do Código dos Contratos Públicos | € 206 000 |
| 3. contratos de empreitada ou de concessão de obras públicas destinados à melhoria da eficiência energética de edifícios públicos | € 2 000 000 |
Agora, vejamos, são estes limites cumpridos? Quanto ao tipo 1, uma pesquisa não encontra valores superiores ao limite. Apesar que encontrei contratos que parecem desdobrados mas isto é um caso a ver. Pesquisando contratos do tipo 2, já os limites não são assim tão rígidos. E os do tipo 3 parecem estar nos limites.
Mas a parte que me parece questionável é mesmo os limites propriamente ditos. Por exemplo, ajustes directos de 5 milhões de euros para construir uma escola… É obra. Literalmente.
Ora vamos lá recordar o que foi anunciado pelo governo quando se instituíram os ajustes directos:
Publicado em quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
"Em primeiro lugar, esse regime de ajuste directo mais exigente só se aplica a dois tipos de obras. Primeiro tipo de obras: [1] escolas. Segundo tipo de obras: [2] eficiência energética em edifícios públicos. Só nestas duas áreas é que se aplica este regime. Em segundo lugar, este é um regime dito de ajuste directo, mas que vai exigir a consulta a pelo menos três entidades [Três entidades? Isto é absolutamente novo; só apareceu agora. Fazer de conta que não é rebaldaria?], sendo que essas três entidades concorrerão para obter a adjudicação"
«2. Decreto-Lei que estabelece medidas excepcionais de contratação pública, a vigorar em 2009 e 2010, destinado à rápida execução dos projectos de investimento público considerados prioritáriosEste diploma vem estabelecer medidas excepcionais de contratação pública por forma a tornar mais ágeis e céleres os procedimentos relativos à celebração de contratos de empreitada de obras públicas e de contratos de locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços relativos a projectos de investimento público considerados prioritários para o relançamento da economia portuguesa, em linha com o plano de relançamento da economia europeia adoptado pelo Conselho Europeu de 11 e 12 de Dezembro de 2008.
Estão abrangidas por este diploma, em particular, pela sua urgência, as medidas constantes dos eixos prioritários da «Iniciativa para o Investimento e o Emprego», adoptada pelo Conselho de Ministros de 13 de Dezembro 2008 ([1] Modernização das escolas; [2] energia sustentável; [3] modernização da infra-estrutura tecnológica – redes banda larga de nova geração; [4] apoio especial à actividade económica, exportações e pequenas e médias empresas; [5] apoio ao emprego).
O regime excepcional agora aprovado vigorará em 2009 e 2010 e, no essencial, prevê:
(i) A possibilidade de ser escolhido o procedimento de ajuste directo, no âmbito de empreitadas de obras públicas, para contratos com valor até 5 150 000 euros e, no âmbito da aquisição ou locação de bens móveis ou da aquisição de serviços, para contratos com valor até 206 000 euros;
(ii) A redução global dos prazos dos procedimentos relativos a concursos limitados por prévia qualificação e a procedimentos de negociação de 103 dias para 41 dias, ou de 96 para 36 dias quando o anúncio seja preparado e enviado por meios electrónicos.»
Como se pode ver por algumas pesquisas, foi exactamente isso que aconteceu. Ora experimente: Vortal, software, computador, viatura, obra. Depois há ainda os casos estranhos. E apesar do que o governo anunciou sobre o que seriam os ajustes directos, o facto é que quando o decreto-lei do ajuste directo saiu em DR, a realidade foi ainda outra.
Então, e os limites de contratação foram cumpridos? Ora vejamos:
«Interesse público», «urgência» e até «confidencialidade» são algumas das razões invocadas pelo Governo para entregar um conjunto alargado de empreitadas directamente às empresas.
Com a criação destes regimes excepcionais e transitórios (a maioria termina no final deste ano), estas intervenções podem ultrapassar e em muito os limites previstos no Código de Contratação Pública para os ajustes directos: 75 mil euros para bens e serviços e 150 mil para obras.
Nos casos já autorizados pelo Governo, esses limites passam a ser, nos casos dos Ministérios da Justiça e da Saúde, de 6,2 milhões de euros para as empreitadas e de 249 mil euros para o fornecimento e serviços.
Já no caso da modernização do parque escolar e melhoria da eficiência energética dos edifícios públicos, o limite definido permite contratos por ajuste directo até dois milhões de euros.
Mas estes valores não são comparáveis aos que estão em causa, por exemplo, na construção de uma prisão em Castelo Branco, cujo ajuste directo pode ir até aos 25 milhões de euros. Ou do projecto da Frente Ribeirinha, em Lisboa, com um investimento previsto de cerca de 145 milhões de euros.» in Agência Financeira
Portanto, passou-se de 75k€ / 150k€ para 6.2M€, 249k€, 2M€, 25M€, 145M€ ou qualquer outro valor que bem se tenha entendido, como se pode ver fazer uma pesquisa, por exemplo dos ajustes directos das escolas.
O texto seguinte (a sair às 14h00) abordará a dualidade quanto ao que saiu no decreto lei dos ajustes directos e o que de facto aconteceu.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Número de Registos | 120643 |
| Número de Entidades Adjudicantes | 2220 |
| Número de Entidades Adjudicadas | 27919 |
| Montante total | 3.293.731.362,58 € |
| Montante máximo | 224.280.000,00 € |
| Montante mínimo | 0,00 € |
| Mediana | 8.016,00 € |
| Montante médio | 27.301,47 € |
| Desvio Padrão | 655.564,07 € |
| Entidade | Montante |
|---|---|
| Ambimed | 224.802.468,97 € |
| Sanofi Pasteur M S D | 22.574.585,24 € |
| HCI- Construções, S.A.. | 22.306.400,19 € |
| Construções Gabriel A.S. Couto, S.A. | 20.455.440,95 € |
| Roche Farmacêutica Química, Lda. | 19.138.058,83 € |
| CONSTRUCTORA SAN JOSÉ, S.A | 17.882.566,85 € |
| Petróleos de Portugal – Petrogal, S.A. | 16.079.809,76 € |
| 15.935.760,59 € | |
| Alberto Couto Alves, S.A | 13.934.545,47 € |
| Gertal – Companhia Geral de Restaurantes e Alimentação, S.A. | 13.617.876,01 € |
| Despesa total correspondente: | 386.727.512,86 € |
| Entidade | Montante |
|---|---|
| Valor Ambiente – Gestão e Administração de Resíduos da Madeira, S.A. | 226.769.806,82 € |
| Sub-Região de Saúde de Santarém | 62.665.761,89 € |
| Sub-Região Saúde de Braga | 51.469.601,93 € |
| Câmara Municipal de Lisboa | 40.469.020,92 € |
| Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. | 36.801.910,15 € |
| Academia da Força Aérea – Força Aérea Portuguesa | 31.431.690,48 € |
| Parque Escolar E.P.E. | 31.131.805,64 € |
| Hospital Curry Cabral | 29.294.673,12 € |
| INSTITUTO NACIONAL DE EMERGÊNCIA MÉDICA, I.P. | 28.638.019,89 € |
| Instituto Português do Sangue, IP | 27.775.477,78 € |
| Despesa total correspondente: | 566.447.768,62 € |

- «Ministério da Verdade (em Novilíngua Miniver)
É responsável pela falsificação de documentos e literatura que possam servir de referência ao passado, de forma que ele sempre condiga com o que o Partido diz ser verdade atualmente. Seguindo essa lógica, o Partido é infalível, pois nunca errou.
Ministério da Paz (em Novilíngua: Minipaz)
É responsável pela Guerra. Mantendo a Guerra contra os inimigos da Oceânia, no caso Lestásia ou Eurásia. A Guerra no contexto do livro é usada de forma permanente para manutenção dos ânimos da população num ponto ideal. Uma forma de domínio também.Ministério da Fartura (em Novilíngua: Minifarto)
É responsável pela fome. Em termos práticos, a economia da Oceânia é responsabilidade deste. Divulgando seus boletins de produção exagerados fazendo toda a população achar que o país vai muito bem. Entretanto, seus números faraônicos de nada adiantam para o bem-estar da camada mais baixa da população de Oceânia, a prole.Ministério do Amor (em Novilíngua: Miniamo)
É responsável pela espionagem e controle da população. O Ministério do Amor lida com quem se vira contra o Partido, julgando, torturando e fazendo constantes lavagens cerebrais. Para o Ministério, não basta eliminar a oposição, é preciso convertê-la. O prédio onde está localizado é uma verdadeira fortaleza, sem janelas. Seus "habitantes" não tem a menor noção de tempo e espaço, sendo este mais um instrumento do ingsoc para a lavagem cerebral dos dissidentes do regime.» em 1984
* Resposta à questão "qual é o atraso de Portugal face a outros países?":
2010-1984 = 26
Mais: Elza Pais nomeada "secretária de Estado do Amor"
Bem vindo à Pordata, a Base de Dados sobre Portugal Contemporâneo.
A PORDATA é um serviço público de informação estatística criado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e à disposição de todos os interessados.
Aqui encontrará milhares de estatísticas e indicadores sobre os mais diversos aspectos da realidade portuguesa.
Existem várias maneiras de procurar a informação desejada. É possível fazer uma busca por palavra-chave, como no Google, no Yahoo, no Bing e noutras ferramentas similares.
Pode-se aceder por etapas, o que permite visualizar várias possibilidades e ir seleccionando o que se pretende.
O portal permite ainda executar consultas avançadas, incluindo através da selecção de intervalos de tempo ou de anos específicos.
Poderá finalmente efectuar os cálculos que quiser e criar os seus próprios indicadores.
Convidamo-lo a explorar este portal e experimentar todas as suas possibilidades: poderá assim compreender melhor um país que nem todos conhecem, o dos factos.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos agradece todos os comentários, sugestões e críticas.
António Barreto
Presidente do Conselho de Administração
Uma iniciativa fantástica. Muitos parabéns aos autores. Finalmente um local com informação que há muito procurava e que, sintomaticamente, não encontrava nos organismos dos Estado disso encarregues.
O site produz tabelas e diversos gráficos. Mesmo assim, trabalhei algumas tabelas para produzir os seguintes gráficos.

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![clip_image001[12] clip_image001[12]](http://lh5.ggpht.com/_ajSffy5BsnY/S4O-V1cWj5I/AAAAAAAAB0I/fajijPwQ23M/clip_image001%5B12%5D%5B2%5D.gif?imgmax=800)
Destes gráficos decorrem algumas leituras:
Vejo que a ideia do caos-Santana que tinha estava errada - afinal o governo dele apenas não aumentou a receita. E confirmo que a propaganda-Sócrates do equilíbrio das contas públicas se confirma - apenas voltou a fazer o que já antes se fazia, ou seja fazer a receita acompanhar a despesa.
Devil Mountain Software has been a thorn in the side of Microsoft for years and is adept at garnering headlines. The latest effort is a report claiming that 86 percent of Windows 7 PCs were gobbling up too much memory. Can you trust these findings and the company overall? The short answer: No. Here’s why.
Links:

Volto a um tema que já algumas vezes abordei (lista parcial aqui), o da questão do anonimato na blogosfera. Numa dessas vezes escrevi:
«(…) em vez de colocar apenas um nome próprio [o meu] no meu blog ou em vez de usar uma alcunha [como já usei], poderia lá colocar um nome mais comprido. Até podia juntar uma foto de alguém. Como me safo bem no photoshop, até podia fazer uma montagem e construir uma cara, só para que depois não descobrissem que afinal o rosto tinha outro nome. Refiro-me, obviamente, à construção de uma identidade falsa mas com aparência credível. Seria um blog com nome próprio mas valeria de algo?»
Acrescento que podia também inventar um nome, por exemplo João António Campos, assinando assim os meus textos. O que me leva ao tema deste post. Depois de se ter repetidamente colocado a questão se os autores do blog Câmara Corporativa são pessoas individuais ou colectivas, eis que Fernanda Câncio acrescenta uma informação:

"Miguel Abrantes" é um pseudónimo!
Dirão, mas que diferença faz? Não é o que ele(s) escreve(m) o que importa? Faz toda a diferença. Uma alcunha sinaliza que alguém está a escrever sem querer se identificar; um pseudónimo sugere uma identidade, acrescenta confiança. Que afinal é falsa.
Escrever sobre política não é o mesmo produzir literatura, usando um pseudónimo. Na literatura não se ameaçam pessoas; não se discutem decretos-lei; não se procura convencer os eleitores a tomarem certo partido; e, sobretudo, todos sabem que literatura é ficção.
O que "Miguel Abrantes" faz(em) com esta identidade construída é pura manipulação. Shame on you!
Já agora, quanto à forma como assino, deixo uma nota. Não tenho ligação partidária e não planeio vir a ter. Mas todos somos políticos e, tendo esta oportunidade, disserto sobre acções desses que elegemos e a quem pagamos o salário. Apenas uso o nome próprio e não pretendo mais protagonismo do que isso. Há ali ao lado um email para quem me quiser contactar.
«A natureza é assim: implacável. Ontem, sem que nada o fizesse prever, um temporal sem precedentes mergulhou a Madeira num caos de destroços, com mais de 30 mortos, dezenas de feridos, centenas de desalojados e prejuízos ainda incalculáveis. Será, revendo os dados da história, a maior catástrofe natural num espaço de 100 anos na ilha, que já em 1993 tivera temporal semelhante, mas de proporções bem menores.
No imediato, o importante é, como foi assinalado praticamente por todos, tratar dos vivos, auxiliar as vítimas, realojar os desalojados, lançar braços à reconstrução. Os portugueses, generosos na resposta aos pedidos de auxílio a tragédias noutras paragens, têm agora uma no seu próprio território a que saberão acudir, pelos meios que tiverem ao alcance. Não houve, neste campo, paralisia: auxílio imediato com forças a enviar para o terreno, operacionais e técnicas, agasalhos, dinheiro começaram a ser canalizados para a Madeira. Envolveram-se nestas ajudas instituições, militares, empresas, partidos, autarquias, civis mais ou menos anónimos.
Isto, no horizonte imediato, é prioritário e vital. Mas a médio prazo é preciso reflectir no reforço das defesas perante semelhante tragédia. Em 1993, quando o Funchal tremeu diante da força dos elementos, houve quem alertasse para o perigo das construções crescentes no leito das ribeiras. Ontem, o presidente do Governo Regional veio, por sua vez, dizer que, se não fossem as obras feitas nestes anos, a Baixa do Funchal teria ontem desaparecido. Independentemente dos argumentos esgrimidos, com maior ou menor razoabilidade, importa saber que via seguir para menorizar estragos e limitar ao mínimo a perda de vidas. Depois do socorro e do luto, importa discutir os passos do futuro.» Editorial do Público 21-02-2010
Esta paródia deu-me gosto fazer e saiu acompanhada do texto que se segue.
O Google não pára de se auto-renovar e a prova do seu dinamismo é que passou à condição de criador de seguidores. É exactamente isso que a Microsoft, o gigante, está a fazer com o seu Live Search, cópia chapa-7 dos serviços do Google. Bom, nada de inesperado na Microsoft, apenas mais um episódio na sua história de usurpador de tecnologias - mas isso é assunto para outras conversas - excepto que agora o faz para evitar o naufrágio tecnológico.
Voltando ao Google, não é que o Google Earth lançou um novo serviço? É o Google Country Vocation Search, que é como quem diz, o pesquisador de vocações para países. Ferramenta absolutamente genial neste mundo globalizado, imediatamente identificou o champanhe da França, as praias de Espanha e a moral vitoriana dos EUA.
Falhou quando procurei na China "direitos humanos", "trabalho sem exploração" e "comércio justo" mas certamente que se tratará dum bug, já que este software ainda se encontra no estado Beta.
Quando usei esta ferramenta para conhecer os desígnios de Portugal, disse "not found" e num balãozinho amarelo apresentou a sugestão "será que queria dizer OTA...". Tive que admitir que Mário Lino é um visionário. Afinal, o homem sabe o que diz! Aceitei a dica e surpreendi-me com a capacidade de antecipação deste software: aeroporto da Europa e eventual apeadeiro dos comboios europeus.
Caramba!, e não é que este é um tiro certeiro?! Vejamos. Ao se transformar todo o território continental num aeroporto acabam-se as actuais querelas sobre a respectiva localização, agradando ao PS e ao PSD, ao Belmiro e ao Público, a Setúbal e às Caldas e até aos espanhóis que não se têm que aborrecer com a impermeabilização dos seus solos. Além disso, com esta dimensão estarão garantidas obras públicas para as eleições de 2009, 20013 e seguintes, seja com PS seja com o PSD, dando continuidade à nossa vocação de país betonado em que nos temos vindo a transformar desde a adesão à CEE - esta não apanhou o Google! Até as autarquias PCP da Little Russia terão a sua quota parte na obra do regime.
Quanto a vantagens económicas, são às resmas, paletes delas. Por um lado a saída, para a Ásia, das empresas que ainda por cá laboram fica muito mais facilitada e até receberão indemnizações pelas expropriações. Muito semelhante ao que já acontece agora, em que empresas como a Delphi recebem subsídios para criar emprego e depois vão-se embora na mesma. Também os problemas logísticos das importações ficará finalmente resolvido. Os tomates espanhóis chegarão mais frescos, o leite francês quase que virá directo da vaca e a soja geneticamente modificada que os EUA produzem deixará de incluir os genes da longevidade política do Fidel, por passar a não se deteriorar na recolha de bagagens da Portela.
Mas a grande, grande vantagem deste destino para Portugal consiste em se entregar toda a gestão do território à ANA, sendo finalmente possível embarcar todos os políticos daqui para fora - a seguir vou ver se a Madeira tem vocação para reformatório - e finalmente deixarmos de trabalhar anualmente até Maio só para pagarmos os impostos. Sem os políticos e as suas reformas a 100% depois de 12 anos de serviço, sem essa malta toda a viver à conta das nomeações políticas, das autarquias e outros tachos finalmente o défice público auto-extinguir-se-á. Poderemos finalmente dizer que temos - e ter de facto - investimento na educação, na saúde e na investigação.
Sim, talvez lhe esteja a ocorrer neste momento, mas ocupando o território com uma pista de aviação, onde iremos viver? Em Espanha, claro. E nem estranhará. Já lá se nasce e já usamos os seus hospitais e universidades. A quase totalidade dos produtos agrícolas que comemos vem de Espanha. Além disso pagará menos IVA e terá a habitação e os combustíveis mais baratos do que agora.
Um serviço do Google deveras surpreendente. Consta que a Microsoft já tem pronto um produto para competir à altura: o "Microsoft Government Partner Finder", um programa para encontrar governos palermas que comprem o Windows para administração pública.
PS: esta linha serve unicamente para a malta do CDS e do BE não se sentirem excluídos: igualdade na mama e no coice.
Por uma questão de coerência, aguardo a indignação do governo, PS, abrantes e jugulares perante mais um infame violação do segredo de justiça. Ou temos uma moral gelatinosa?
Vasco Pulido Valente - 19-02-2010
Não há hoje jornal que não peça a demissão de Sócrates. Num editorial, num artigo, numa entrevista, em qualquer parte: mas pede sempre (como, de resto, confesso que também pedi). As razões são a obrigatória (e muito fácil) consequência do "escândalo" A, B ou C, em que alegadamente Sócrates se envolveu. Parece que a política degenerou num caso de polícia. Mas sobre o principal responsável pela situação do país, nem uma palavra. Falo, como é óbvio, do PSD. O apodrecimento do PSD, desde que o dr. Cavaco o abandonou por conveniência pessoal ou simplesmente por orgulho, não comove ninguém. A história de quase 15 anos em que o PSD se foi pouco a pouco desfazendo não deixou vestígio na memória dos portugueses. E a gente que o dirige, ou dirigiu, se a palavra se aplica, continua por aí a pontificar, como se tivesse o mais vago direito de abrir a boca.
É bom lembrar o que sucedeu desde que se abriu a sucessão do dr. Cavaco, que ele nem vagamente preparara e sobre a qual (com a cómoda desculpa de um falsíssimo dever de neutralidade) exibiu um absoluto desinteresse. Veio por uns meses Fernando Nogueira, que não aguentou a hostilidade do partido. A seguir a Nogueira, desceu à terra, por intervenção do Altíssimo, o inefável Marcelo, que, sendo o que é, conseguiu levar as coisas com alguma inteligência e algum propósito, até (com toda a sensatez) propor uma aliança com o CDS. Aí, correram com ele. E logicamente o PSD elegeu Barroso para governar com o CDS. Mas Barroso, que nunca vira grande futuro naquele mesquinho emprego, emigrou para Bruxelas, deixando para trás Santana Lopes.
Não vale a pena insistir nesse homem fatal, a quem devemos Sócrates. Marques Mendes tentou ainda devolver ao partido um módico de equilíbrio. Não conseguiu. Da intriga que zumbia à volta dele, irrompeu de Gaia o famigerado representante das "bases", Luís Filipe Menezes, que tornou a confusão num modo de vida e que se meteu outra vez na sua toca, sem se perceber porquê. Manuela Ferreira Leite, que já era o recurso do desespero, não podia, em menos de um ano, convencer os portugueses que o PSD mudara. E, como é sabido, não convenceu. Nem o PSD, a julgar pelas candidaturas de Aguiar-Branco, Rangel e Passos Coelho, de facto, mudou. Quem se quiser queixar não se queixe de Sócrates. Foi o PSD que nos condenou, e nos condena, a Sócrates. É ele o culpado.
1. A jornalista vinda do Record e que fora contratada para uns trabalhos de webmaster no Ministério da Justiça pela módica quantia mensal de €3,254+regalias.
2. O informático que geria a página do candidato
Quando, em 2004, os jornalistas falaram com ele, durante a campanha interna para a liderança do partido (...), Rui Pedro [Soares] foi descrito como um "informático". Era ele que geria a página online do candidato que acabaria por vencer [Sócrates].
(...)
A sua biografia, no site da PT, é clara: "Rui Pedro Soares integra a Portugal Telecom em 2001, empresa onde tem vindo a consolidar a sua carreira profissional." A "consolidação" levou-o ao Olimpo da empresa, por indicação do accionista Estado, em 2006, onde aufere um montante anual de um milhão e duzentos mil euros, segundo contas do Diário Económico, a partir da tabela de remunerações fornecida pelas empresas do PSI-20, em 2009. Ou seja, Rui Pedro ganhará, por mês, 16 vezes mais que José Sócrates. na Visão
3. O que está à espera para começar a sua carreira de web designer?
Quem hoje à noite tenha tentado aceder a blogs servidos pela plataforma wordpress.com tem recebido esta mensagem de erro (ou coisa parecida):
Os blogs afectados que costumo seguir (do meu blogroll) são:
Isto só pode ser acção do Sócrates, cujos tentáculos chegaram até ao alojamento wordpress.com!
Já o http://www.aventar.eu safou-se por ter alojamento próprio. Já agora, há aqui blogs com imenso trabalho e já se justificava adoptarem alojamento próprio (imaginem que perdem os conteúdos). Se precisarem de uma sugestão para alojamento de qualidade podem mandar-me mail.
Adenda: às 23h25 já está online de novo
Paulo Guinote deixa o esclarecimento. Bolas, eu que estava tão certo da causa!
Não sou grande fã da bola, apesar de seguir um ou outro jogo. Guardo de Figo a imagem do jogador que assegurava a estabilidade do jogo na selecção. É por isso que sinto desilusão por o ver envolvido nesta história. Tenha ele culpas no cartório ou não, o facto é que o nome está nesta lama e, de uma forma ou da outra, acaba por haver razão para lamentar.
Curiosamente, Sócrates veio hoje, véspera de edição do Sol, falar à televisão sem nada acrescentar. Eu, estivesse no lugar dele e estando inocente, não teria a menor dúvida: mandaria divulgar as famigeradas escutas, arrumando com a oposição. Aliás, demitir-me-ia do cargo, provocando eleições e, com as escutas públicas, tudo estaria claro, ficando aberta a porta para outra maioria absoluta. Como não o faz, tiro as minhas ilações.
Nesta comunicação ao país, Sócrates condenou ainda os que usaram a informação proveniente de documentos em segredo de justiça. Noutras ocasiões, insurgiu-se contra o jornalismo de buraco de fechadura. Mas hoje, em mais uma coincidência, uma fonte (anónima, claro) conhecedora do processo Face Oculta disse à Lusa que «o PGR considera que nas escutas há informação de descontentamento do primeiro-ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da alegada operação». Então e isto, já não é jornalismo de buraco de fechadura? Ou só o é quando é desfavorável?
Quase oito, é melhor correr antes que o trânsito entupa. Ao menos não chove, pode ser que não haja bicha. Ligar o rádio e ouvir o Portugalex. Os tipos têm pinta e conseguem fazer de notícias pateticamente tristes um momento de riso. Não está mau, bastarão cinco minutos para chegar ao cruzamento. 100 metros em 5 minutos. Lá está o local do golpe, bem conhecido de todos. Indo por dentro do parque de estacionamento fica-se 50 metros mais perto do cruzamento, passando à frente de metade dos que esperam pela sua vez. Estes, pactuam com o golpe, abrindo alas a quem vende a sua dose matinal de ética por dois minutos e meio. Não surpreende que personagens duvidosas consigam ser eleitas na política quando por tão pouco uns estabelecem o seu preço e outros colaboram docemente apesar disso saberem. É uma questão de oportunidade. Ou antes, de empatia por parte daqueles que acham que fariam o mesmo se lá chegassem. Lá está a escola, razão do caos matinal. Por um lado não existe transporte escolar para levar as crianças e por outro os pais não sentem segurança em deixarem os filhos irem a pé meia hora. Porquê? Sabe-se que há muito beneficiário de subsídio de desemprego e de RSI mas não há ninguém que controle as passadeiras para ajudar as crianças a atravessar a rua em segurança. Nos pontos onde por vezes ocorrem roubos também ninguém zela pela segurança. Quem passe pela corresponde hora de ida para a escola na Alemanha ou na Áustria, por exemplo, verá imensos pais munidos de colete reflector e de sinal de stop contribuírem para a segurança do percurso pedonal casa-escola-casa. Esses pais, os próprios interessados, organizam-se para o efeito. Agora o trânsito começa a fluir. Lá ao fundo, por entre as barras de bambu que são os arranha-céus plantados em fileiras, rompe um sol carregado de amarelo-torrado. O dia não será cinzento.
Manuel Pinho, o homem do BES, empenhadíssimo a "criar" empregos em Castelo Branco, que por acaso já existiam, porque a Delphi decidira fechar portas.
Depois do estrondo que foi o Google Buzz, é a vez da Microsoft apanhar o comboio.
Um blog, segundo o próprio autor, João André, para «poder ajudar quem queira tentar uma vida lá fora no ramo de ensino»:
A Missão
A todos os interessados que por aí caminham sem saberem nem muito bem porque nem como, que passaram por uma licenciatura e anseiam por algo mais, sem saberem bem o quê, mas mais, mais do que esta vida que não nos basta e não nos chega, porque quisemos mais e queremos mais para lá dos recibos brancos ou verdes, dos "cole-centeres" (como diria o nosso amigo Mário Zambujal) e dos centros de explicações, onde não somos senão carne para canhão, e tantas vezes nem isso, apenas números para apagar da lista conforme o patrão se vira para a direita ou para a esquerda enquanto a noite dorme, apenas e somente números sem nome ou letras, numerais, algarismos, unidades, dezenas, milhares de desempregados, quarenta mil professores, a todos quantos estejam dispostos a uma partida feita de sete mares, este blogue é para vocês, um instrumento de trabalho que eu quero de igual modo como instrumento de esperança, de acesso gratuito assim como gratuita é a promessa de que amanhã não é longe demais, e já aqui e agora, assim queira a tua mão.
Acabo de ouvir na RTP João Baião entrevistar Pedro Machado, o Director de Turismo da Região de Turismo do Centro. Disse Pedro Machado que o Carnaval da Figueira da Foz foi um investimento de 10 milhões de euros. Investimento?! Mas nesse caso qual é o retorno? A meia dúzia de pessoas espalhadas por entre os pingos da chuva, a assistirem ao desfile não se chama investimento. Já estou novamente a ver Teixeira dos Santos logo à noite a bramar perante mais uma despesa que compromete o orçamento de estado.
Agora uma dúvida: quantos carnavais com apoios do estado é que se fazem pelo país fora?
A Google decidiu entrar na senda das redes sociais. Fê-lo com o Google Buzz, passando por cima de todas as questões de privacidade dos seus utilizadores. Comecei por usar o Buzz no Fliscorno, para saber do que se trata e por o email do blogue não estar associado ao email pessoal. Sinceramente, é algo que não quero na minha conta pessoal. Vejo-lhe utilidade para a divulgação de conteúdos, tal como o Facebook ou o Twitter mas há uma diferença... continue a ler no Hitech Tips.
Saio da sequência temporal que vinha a seguir para lembrar o que se passou no Carnaval do ano passado. A notícia está aqui mas, sucintamente, o sacro-santo Computador Magalhães, usado pelas imaculadas criancinhas, não podia ser alvo de sátira no cortejo porque apresentava mulheres desnudadas. As mesmas que podiam ser vistas numa pesquisa feita no computador real
Os artigos relacionados com tecnologia que até agora aqui eram publicados passam a sair unicamente num novo blog que criei para o efeito:
http://hitech-tips.blogspot.com
Agradeço a ajuda na divulgação :-)
Avatar explicado às crianças por Sérgio Lavos
Manif por Socratinejad, por Joaquim Carlos Santos
O sol e face oculta:- eu disparo, tu disparatas , ele dispara de novo e no fim repartimos os lucros. por Maria Henriques
Ontem soube-se que o PS, ou a parte que apoia o engenheiro, está a organizar uma manif. Eia, aí está uma ideia original. Bem, mais ou menos, já que esta vem na sequência da outra desta semana com o lema "Todos pela liberdade". Ok, pode não ser original mas é coerente. Lembram-se daqueles manifestos a favor e contra as obras públicas? Pois. Depois de uns quantos emitirem um comunicado contra as obras públicas, ou pelo menos contra as obras lançadas enquanto a oposição não passa a governo, o que fez o PS? Um manifesto a favor das obras públicas, ou pelo menos a favor das obras lançadas enquanto o governo não passa a oposição. Elogie-se por isso a coerência de quem segue as iniciativas dos outros em jet lag. «Ah eles fizeram isso? Esperem para ver.» Agora falta que o próximo passo da oposição seja demitir-se. Porque a seguir o PS... Ups!, há aqui uma falha. A oposição já se havia demitido em 2005. Porra para a coerência.
Já circulam em vários blogs. Aqui ficam também. Nada como ler para saber o que está em causa.
Imagens em tamanho 100% disponíveis em PDF (6 MB)
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